La plaisance, une démocratisation du yachting ?
1.3 Une pratique sociale qui évolue
1.3.1 Une diffusion grâce à des institutions
Acton Davies O Perfume do Passado Flávio de Campos BM 1936; BM 1937
Berta Ruck – Amor subconsciente Adriano de Abreu BM 1934
Charlotte M. Brame Louco Amor; Alliança Partida --- BM 1935; BM 1936; BM 1937
Cecil Adair Francesa Godofredo Rangel BM 1935; BM 1936; BM 1937
Concordia Merrel O casamento de Anna; Casamento de experiência Azevedo Amaral Oliveira R. Netto
BM 1936; BM 1937
Dyvonne O rapto de Jadette Sara P. de Almeida BM 1936; BM 1937
Eleanor H. Porter Pollyanna Monteiro Lobato BM 1934
Elinor Glyn O it; Seis dias de amor; O grande momento; Por Que?;O Diário de Evangeline:
Ruth A. de Mello; Paulo Fretias;Tatti A. de Mello
BM 1935; BM 1936; BM 1937
Emma Southworth A sogra Oliveira R. Netto BM 1936; BM 1937
Eveline Le Maire O Noivo Desconhecido Manuel Bandeira BM 1937
Florence L. Barclay: Um nobre amor; O Rosário Luiz Amaral BM 1935; BM 1936; BM 1937
Guy Wirta Nina Rosa Luiz Amaral BM 1935; BM 1936; BM 1937
Guy Fowler O amor nunca morre Azevedo Amaral BM 1935; BM 1936; BM 1937
Guy de Chantepleure Noiva; Beijo ao luar --- BM 1936; BM 1937
Henri Ardel Filha e Rival; Abandonada Godofredo Rangel BM 1937
Kate Douglas Wiggin Sonho de Moça Agripino Grieco BM 1934
J. Perdriel-Vaissière O Bosque Encantado Gustavo Barroso BM 1934
Louisa May Alcott Mulherzinhas; Boas Esposas Genolino Amado BM 1935; BM 1936; BM 1937
May Christie Alegria de Viver Lívio Xavier BM 1934
Marion Crawford A Irmã Branca --- BM 1934
Marion Forrester Primeiro Amor Oliveira R. Netto BM 1936; BM 1937
Marie Belloc Lowndes Redimida; Paixão e Sangue Azevedo Amaral BM 1934; BM 1936; BM 1937
M. Delly Magali; Elfrida; Escrava... ou Rainha? Paulo de Freitas BM 1934; BM 1936; BM 1937
Oliver Sandys A pequena da Casa Sloper Paulo de Freitas BM 1934
Pierre de Coulevain Nobreza Americana Moacyr Deabreu BM 1934
T. Trilby Uma moça de hoje --- BM 1936; BM 1937
W. Heimburg Vendida! Godofredo Rangel BM 1936; BM 1937
* A denominação da Biblioteca das Moças se modificava em cada anúncio, de acordo com o que segue:
A nova Biblioteca das Moças (1934) Nova phase da Biblioteca das Moças (1935) A nova Biblioteca das Moças (1936) Biblioteca das Moças (1937)
Semelhante destaque dado aos autores (que em três dos anúncios figuravam antes do nome da obra) era dado aos tradutores. Em dois dos anúncios (1935 e1937) destaca-se a importância dos tradutores. Afirmava-se que as traduções eram feitas por autores brasileiros de renome e ligava-se a opção por boas traduções a editores de qualidade. Em 1935, isso é declarado textualmente:
Senhora!
Quando escolher um livro, considere sempre o nome do editor! Só publicam bons livros os editores que têm um nome a zelar. Assim, a Companhia Editora Nacional, só manda traduzir pelos maiores escriptores brasileiros, os bons livros que edita. (JM, 03/10/1935)
Nos anúncios da Editora Nacional, os componentes do círculo do livro serviam de mote para a venda das obras. Entre os tradutores destacados estavam, como se vê no quadro acima, Monteiro Lobato, Manoel Bandeira, Girão Barroso, entre outros.
Interessa-nos destacar agora, como último ponto de análise dos anúncios as semioses que os compõem. As imagens, os dispositivos tipográficos, a disposição dos textos e os destaques dados a cada um desses elementos. Vejamos primeiramente cada uma das imagens:
Todos os anúncios figuravam em página inteira. O primeiro elemento do texto é o título da Biblioteca que, em três dos anúncios, vem precedido do adjetivo “nova”. O adjetivo vem sempre em caracteres diferentes do nome “Biblioteca das Moças”, que sempre figura em caixa alta. Em seguida há um texto introdutório, no qual se destaca o valor dos livros, dos autores e tradutores e em um deles (1935) destaca-se o conteúdo das obras. Os textos introdutórios funcionam como argumentos e, mostrando características positivas das coleções, persuadem as leitoras. Observemos:
1934: “A melhor e a mais criteriosa colleção de romances para moças publicada em português”
1935: “Os melhores romances para moças; e os temas que poderiam ou deveriam agradar essas jovens: “Livros que falam de esperança. Livros que falam de sofrimento, que falam de alegria. Livros que falam de amor!”
1936: “A mais criteriosa coleção de romances para moças publicada em nossa língua, apresenta suas mais recentes publicações:”
1937: “Os livros não foram feitos para servir de adorno: contudo não há nada que
embeleze tanto o lar como eles. Embeleze o seu lar com uma biblioteca de autores
consagrados no mundo inteiro, em traduções feitas por escritores brasileiros de renome:” Quanto à disposição dos textos em que se vêem as obras, normalmente elas aparecem em destaque no meio da página. Nos anúncios de 1934 e 1937, ao redor da descrição das obras e dos autores, há imagens de alguns dos livros oferecidos. Destacam- se neste caso as capas das obras, as quais mostram também mulheres em lugares bucólicos, em cenas que lembram inocência. Cunha (1997, p. 33-34), ao analisar as capas dos livros de M. Delly, publicadas na BM, assinala que a representação de figuras femininas em um cenário paradisíaco pareceria estar ligada a uma certa convenção literária proveniente do romantismo que, igualmente, teria associado o romance com leitura reconhecidamente feminina.
No anúncio de 1934, imagem 27, abaixo dos livros oferecidos, há ilustrações que lembram cenas de romances ou sensações a serem experimentadas com a leitura dos livros. Há uma mulher maquiada e enigmática (no canto inferior, à esquerda), uma moça
assustada; logo abaixo o que parece ser uma cena trágica em que estariam envolvidos um homem e duas mulheres; a seguir representa-se um homem bem vestido beijando o rosto uma mulher de ar tristonho. Por último e com mais destaque, representa-se um gesto de leitura: uma moça, trajando um longo vestido, em tecido leve, segura, sorridente, um dos livros da coleção entreaberto. Esta última imagem sugere o prazer que pode ser experimentado pela leitora da BM.
No anúncio de 1935, imagem 28, não há livros, mas há grande ênfase no gesto de leitura realizado por uma jovem leitora que, sentada no chão, apresenta-se mergulhada na leitura, numa intimidade prazerosa que parece ser concedida pelo enredo que a faz sorrir levemente. Seus trajes sugerem uma leitura solitária, mas em um lugar de alguma formalidade, em que ela pode ser vista, tanto que, apesar de sentar no chão, não tira os sapatos altos. A impressão que se tem é que o enunciador pretende sugerir uma leitura em parque, no intervalo do trabalho, por exemplo.
No anúncio de 1936, imagem 29, há partes de livros que podem ser entrevistas no lado direito do anúncio. Abaixo e no canto esquerdo, há uma gravura pequena de uma moça com um livro pousado sobre o colo, também em leitura solitária, mas sentada em uma cadeira ou poltrona. Ela não ri, apenas mergulha em seu livro e se deixa prender por ele.
Já no anúncio de 1937, imagem 30, a representação da leitura não é solitária e nem se dá em um lugar improvisado. Duas moças estão em uma poltrona confortável, em um gabinete ou biblioteca em que se vêem muitos livros em estantes (neste anúncio, o texto introdutório chama atenção para o livro como adorno). As duas vestem roupas confortáveis e folgadas. Uma delas vestida com uma espécie de liseuse - bata solta, apropriada para leitura – segura um livro aberto e conversa com a outra, que, com a mão segurando o queixo, atentamente a escuta. O gesto retratado é de intimidade compartilhada. Para ambas as leitoras, a leitura é absorvente e gera troca.
A representação codificada dos gestos de leitura nos anúncios aponta para convenções ou interesses envolvidos no ato de mostrar a relação leitor-livro da BM: as leitoras sentem prazer e os livros dão prazer. Portanto não haveria por que não consumi- los.
Neste capítulo, mostramos a contexto em que circulam os discursos presentes no JM. No próximo, continuando a análise e acrescentando a ela uma nova perspectiva, fazemos um recorte mais específico e analisamos o discurso da civilidade em um arquivo de textos composto por conto, anúncio, conselho e artigo de opinião.