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CHAPITRE IV : BILAN PROFESSIONNEL PERSONNEL

3. Difficultés rencontrées

Como mencionado, os primeiros modelos voltados para entendimento de arranjos de governança com base em custos de coordenação apresentavam sérias limitações estruturais. Segundo Masten (1994), tais modelos eram normalmente

baseados em regressões do tipo logit/probit (ou seja, variáveis dependentes dicotômicas relacionadas à decisão “make-or-buy”) e apresentavam a seguinte estrutura: ∗ = , 1 < (1) = A , se C1 ≥ C (2) Sendo:  A∗ o arranjo escolhido  A e A os arranjos alternativos

 C e C os custos alternativos relativos a cada arranjo possível

Dessa modelagem decorrem alguns problemas não contornáveis. Custos de coordenação (no sentido dos custos de transação de Williamson [1985]) são difíceis de observar e medir. Por exemplo, riscos potenciais ex post relacionados a litígios em tribunais são uma realidade no estabelecimento de arranjos alternativos à integração vertical como joint ventures e contratos de franquia. No entanto, mensurar tais riscos de forma exata não é possível.

Porém, a questão primordial centra-se na impossibilidade de comparar arranjos alternativos. Ou seja, uma vez escolhido o arranjo, abdica-se de todos os demais, de forma que a comparação não é possível.

A literatura têm desenvolvido métodos para o desenvolvimento de hipóteses refutáveis (AQUINO, 2005). As duas principais metodologias consistem em (1) identificar como as características distintivas de cada arranjo afetam os custos associados a sua adoção e (2) relacionar de forma discriminante a incidência destes custos a dimensões observáveis da transação.

Por exemplo, redes franqueadas ocupam um vasto espectro de indústrias, oferecendo ao público produtos diversos, tais como hotelaria, aluguel de veículos ou hambúrgueres. Estes produtos variam em termos de complexidade de atributos, nível de automação nas lojas, dentre outros. É possível inferir que quanto mais complexos e variados forem tais atributos, maior a dificuldade de monitoramento e mensuração de desempenho, o que constitui uma hipótese testável. Ou seja, é

possível, a princípio, buscar relacionar a adoção ou não de contratos de franquia em diferentes setores da economia com base em atributos da transação.

Formalmente:

= + (3)

= + (4)

Neste caso, X representa o vetor de atributos observáveis da transação e β /β são vetores de parâmetros (coeficientes). Os termos e e e são fatores não observáveis relativos ao arranjo em questão, tais como erros do processo decisório ou má intepretação do contratante com relação aos atributos, por exemplo.

As equações (3) e (4) podem ser estimadas separadamente utilizando subamostras de empresas que optaram por e respectivamente. Assim, o efeito médio dos atributos da transação seria então dado por ( − ). No entanto, a estimação destas equações para captar efeitos do arranjo somente se aplica quando todos os fatores que afetam o desempenho e a escolha do arranjo são observáveis e incluídos nas regressões, o que raramente é possível (HAMILTON; NICKERSON, 2003). Isso gera um problema potencial de endogeneidade ao estimar equações (3) e (4).

Desenvolvendo as equações (3) e (4) tem-se que: ( | , ) = ( + | ) = + ( | ) (5) ( | , ) = ( + | ) = + ( | ) (6)

Em suma, é pouco válido medir os efeitos da escolha do arranjo organizacional sobre o desempenho da firma com base nos atributos da transação apenas sem considerar o termo de erro da estimativa, na medida em que este contém a variância não observada da qualidade da tomada de decisão. Especificamente, os coeficientes do modelo da escolha qualitativa assumem a forma (β − β )/σ, onde σ é a variância de (e e ).

Assim, mesmo se o modelo compreendesse todas as variáveis que influenciam a decisão organizacional, os efeitos estimados dessas variáveis

dependeriam da medida com que os erram na tomada de decisão, ou seja, da magnitude de e e e .

Quanto menos preciso o entendimento dos custos específicos de uma alternativa de arranjo organizacional (quanto maior σ), menor será o efeito estimado de um determinado atributo sobre a probabilidade de escolha. Reciprocamente, pequenos riscos potenciais inerentes de arranjos alternativos terão grande influência sobre a decisão de escolha se a tomada de decisão for otimizadora. Em resumo, a ausência de informação adicional (o termo de erro) impede que se infira qualquer conclusão a partir de testes empíricos do tipo C = βX + e.

Diante disso, a pesquisa em torno da relação entre arranjo organizacional e desempenho corre riscos de especificação. A abordagem mais comum é avaliar os efeitos do arranjo escolhido sobre o desempenho regredindo-se alguma medida de desempenho contra atributos da transação:

= + + (7)

Onde D representa desempenho, A representa um arranjo específico e X um grupo de atributos da transação em questão. O coeficiente γ é interpretado como a contribuição dada pelo arranjo escolhido para o desempenho da firma.

O problema mais frequente com esse tipo de formulação é que ela restringe a análise a um único arranjo, independente dos atributos da transação. Uma vez que o cotidiano indica um espectro de arranjos possíveis, inclusive com diferentes níveis de intensidade de controle organizacional, a variação entre arranjos não é representada e γ não terá significado.

Uma especificação alternativa verificada em alguns estudos (YVRANDE- BILLON; SAUSSIER, 2004) permite que potenciais trade-off na escolha do arranjo incorporem uma interação entre o arranjo e variáveis relacionadas a atributos da transação. Formalmente:

= + + ( ) + (8)

Ou ainda, uma formulação equivalente estimando equações separadas para o desempenho de cada arranjo.

= + (9)

Diferentemente da equação (7), as equações (8) e (9) permitem curvas próprias (com respectivas inclinações e interceptos) para cada arranjo. Entretanto, um problema de viés de seleção permanece. De acordo com o racional desenvolvido, para uma determinada população de transações a equação D = α X + e seria representativa. No entanto, D só é observado para aquelas transações para as quais A é escolhido. Assim, o valor esperado de D na amostra será β X + E(e |A∗ = A ).

Se os gerentes optam pelo arranjo de forma randômica E(e |A∗ = A ) será igual a zero e a estimação das equações fornecerá estimativas consistentes com o efeito do arranjo escolhido sobre o desempenho. No entanto, se os atores escolhem o arranjo de forma sistemática, o que é bem mais realístico, E(ε |G∗ = G ) será diferentes de zero. Especificamente, onde o arranjo é escolhido para maximizar o desempenho, tem-se que:

( | ∗ = ) = ( | > ) = ( | − > ( − ) ) (10)

O modelo irá gerar uma estimativa com viés dos efeitos do arranjo e pode fazer com que os atributos da transação pareçam significantes quando de fato não influenciam o desempenho da firma. Ou seja, os verdadeiros fatores de influência estão nos aspectos não observáveis da tomada de decisão.

É usual supor a existência de variáveis não observáveis que afetam o desempenho resultante e que são correlacionadas com a escolha arranjo. Também é natural acreditar que uma empresa que escolhe A pode diferir de uma empresa selecionada aleatoriamente da população de empresas. Como explicado por Hamilton e Nickerson (2003), a abordagem de estimação depende de se tais variáveis não observáveis existem e se as escolhas organizacionais são endógenas ou não. Se nem todas as variáveis que afetam o desempenho e as escolhas organizacionais são conhecidas ou se as escolhas organizacionais não são exógenas, então, usar procedimentos OLS para estimar as equações (8) e (9) poderia levar a um potencial problema de endogeneidade.

Uma vez que problemas associados à estimação dos efeitos do arranjo sobre o desempenho derivam da seleção sistemática do arranjo pelas firmas, duas soluções são possíveis para lidar com este problema de viés de seleção. A primeira consiste em neutralizar um pouco o processo de seleção do arranjo. Para anular o processo de seleção poder-se-ia, por exemplo, conduzir experimentos controlados nas quais o arranjo é randomicamente designado para a transação. Variar o arranjo em experimentos do mundo real é provavelmente difícil e custoso, contudo, experimentos em laboratório provavelmente poderiam captar a complexidade que torna as escolhas organizacionais problemáticas.

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