Há um “clima” de encontros de rapazes no bairro Mundo Novo. Nesses momentos, parece haver mais rapazes que meninas por lá, pelo menos nos lugares onde estive durante esta pesquisa; sempre vi uma movimentação maior de rapazes e poucas meninas. Não posso precisar em números ou motivos, mas isso foi uma evidência clara e algumas vezes conversávamos sobre isso. Os rapazes costumavam brincar com esse fato, diziam que as meninas do bairro querem ter filhos cedo e, por isso, tem que ficar em casa. Vi em algumas casas, as irmãs ou primas dos rapazes que eu ia entrevistar, quase da mesma idade que eles, com filhos pequenos. Os rapazes me dizem que é mais fácil para eles ficarem soltos enquanto não têm filhos, e que se sentem mais livres do que as meninas. Os dados sobre as meninas que
apresentei quanto a querer ter filho cedo não são aqui naturalizados, são apresentados pela lógica dos rapazes. Não tive contatos próximos com elas. Só um dos jovens pesquisados, atualmente com 26 anos, vive com uma jovem e tem dois filhos, um de nove e outro de dois anos de idade; o jovem, constantemente, diz que mesmo casado procura não se afastar das relações com os amigos.
Assim, essa rapaziada, que se sente mais solta, gosta de ficar na esquina, no bar, e de frequentar as casas dos amigos, por exemplo. Poucas vezes encontrei os jovens sozinhos. Na maioria das vezes que eu os encontrava a sós era quando eu marcava previamente as entrevistas. Mesmo assim, algumas vezes quando eu chegava estavam acompanhados ou havia interrupções, porque costumava chegar um ou outro amigo. Eu parava as entrevistas, porque se o momento mudou, eu acompanhava a mudança; quando os amigos não ficavam muito tempo, retornava o assunto que discutíamos antes sozinhos. Às vezes não, virava uma conversa mais informal, com mais gente. Procurei participar do campo do jeito que ele me possibilitava. Eu não queria estar fora, queria estar lá, observando, ouvindo, perguntando e, quando possível, entrevistando. Fui aprendendo que uma entrevista não era o que eu tinha que conseguir sempre. Quando as coisas mudavam, ficávamos conversando, rindo, algumas vezes até me arrisquei a entrar nas “zoadas”. Quando estava com eles, era tratada de maneira informal sempre, do jeito que eles estavam, eu também estava, sem diferenças. Sentava-me na rua ou em latas de tintas vazias, com tampas de madeira em cima, na barbearia, mas só se sobrava alguma; não me privilegiavam.
Algumas vezes, as meninas iam chegando, abraçando um ou outro rapaz e participando de algumas conversas. Eram poucas, os rapazes costumavam dizer que tinha pouca menina no bairro. Na maior parte das vezes, eu via uma mesma menina que chegava para ficar perto do grupo. Ela me cumprimentava e ficava por ali. Os rapazes costumavam falar que ela estava maluca, que havia largado a escola e não fazia nada na vida. Ela ria, não estendia esse assunto, parecia não ligar para os comentários. Algumas vezes, quando estávamos conversando, e ela estava no grupo, passavam outros rapazes, que não eram do grupo pesquisado, mas eram conhecidos do lugar, e gritavam para mim: “Aí dona! leva ela pra escola”. Nos momentos em que estive com os rapazes, percebia que as relações de amizades com as meninas no bairro não eram tão privilegiadas quanto as que aconteciam entre os rapazes, ou fariam parte de outro contexto. Havia um tipo de relação de maior proximidade do grupo que existia entre eles, privilegiando a responsabilidade e o compromisso de um com o outro. O grupo pesquisado acredita na união da “molecada” do Mundo Novo.
Os rapazes pesquisados se reúnem com mais frequência em uma rua da parte um pouco mais baixa do bairro; lá fica cheio. Observo que, de repente, se reúne um número grande de rapazes. Nas entrevistas falo sobre isso com eles, não pergunto quantos são, mas digo que observo um número grande de rapazes no bairro. Mas eles se preocupam em me dizer quantos são; dizem que convivem com mais de 30 rapazes no bairro, e que esse número já foi maior. Alguns mudaram, outros se afastaram por estar na “correria”, e outros estão presos. Costumavam dizer que falta mulher no Mundo Novo, que tem muito homem no bairro. Observei que nesse contingente maior há jovens mais e menos próximos. No grupo pesquisado, antes da ruptura ocorrida com um dos rapazes após a briga no bairro São Pedro, todos se reconheciam como “crias” e amigos “fechados”.
Um dos rapazes me disse uma vez que eu tive muita sorte em fazer a pesquisa no bairro dele, que lá tem muitos rapazes “mandados”, ou seja, com estilo próprio, e que é um lugar diferente na cidade. Ouvir que tive sorte foi só uma vez. Mas que são muitos rapazes e que eles são “diferenciados” dos rapazes dos outros bairros ouvi muitas vezes. Passei a pensar nisso e em outras coisas a ver com essa evidência de serem muitos rapazes unidos e “diferenciados”. Um fato que se relaciona a essa circunstância são as reuniões numerosas, repentinas e frequentes no bairro. Parecia-me, no mínimo, estranho que tinha um ou dois rapazes na esquina e, de repente, havia muitos, “uma molecada boa”, como me dizem, e uso por acreditar ser esse o termo que faz sentido usar quanto ao que trato aqui. Em uma conversa na rua com os jovens, N fala o seguinte:
N: O que acontece, é igual você foi ali, a rua estava vazia, com cinco minutos juntou mais de 30 moleques.
Eu: É, juntou...
N: Chegou rápido, começou a chegar todo mundo rápido e do nada tinha uns 30 moleques trocando ideia. Daí dá dois minutinhos e todo mundo some... É assim, coisa de momento, rápido. Entendeu?
Segundo os rapazes, os encontros entre eles “acontecem” naturalmente, do “nada”. Insistem em me dizer que não há preparações para estarem juntos. A princípio achei o mesmo, que os encontros simplesmente “aconteciam”. Que eles são tão próximos que as combinações não seriam necessárias, ela aconteceriam. Durante boa parte da pesquisa, eu concordava com essa naturalidade, quase que automática de os encontros acontecerem. Os eventos continuavam e me incomodavam; parecia algo não tão simples. Refletindo com mais atenção, percebi, em alguns relatos, indícios de que as coisas não se davam tão naturalmente assim. Alguns rapazes me falam em hábitos e costumes construídos. Percebo que os encontros já
foram “combinados” antes; existem as relações de “cria”, que são formadas desde o nascimento e da infância, em um lugar de comunidade. Um morro, como os jovens gostam de dizer. Lá há costumes, como o de manter o convívio prazeroso dos encontros, e há os valores que cuidam de relações de lealdade e solidariedade entre eles. Nos relatos, vão aparecendo termos como os refletidos na entrevista abaixo de L que me levam a pensar dessa maneira.
É isso, exatamente, isso aí mesmo, acontece, como se já tivesse um hábito, tipo eu, já tenho esse costume. Eu almoço, depois dessa hora assim, depois do almoço eu saio. Aí vou na casa de um amigo, ou de outro, ou às vezes já tem um amigo conversando, vai chegando, vai juntando. Quando vê já todo mundo conversando. Tipo assim, quem tiver, a gente junta, não tem nada combinado aí. Todo mundo se dá bem.
O fenômeno dos encontros rápidos e numerosos entre os jovens tem a ver com os investimentos para estarem juntos, discutidos neste capítulo, e com relações construídas anteriormente que se configuram junto a esse cuidado e valorização para estarem juntos, como vistos antes. A prática desses encontros tem profundidade, tem a ver com as relações que se construíram por laços geracionais e de vizinhança. São relações fortalecidas por práticas diárias e cotidianas de sujeitos que vivem uma vida de comunidade e isso faz a diferença.
Os termos comunidade, morro e favela são usados pelos rapazes, contextualizam-se como experiência real em suas formas de vida. Tem a ver com a “alegria diferente” que dizem viver e buscar. Vejo que os jovens se reconhecem como sujeitos que fazem parte de uma vida coletiva no Mundo Novo. Onde compartilham costumes e valores de comunidade que são ressignificados pelos rapazes, por símbolos de pertencimento reconhecidos e vivenciados por eles. Vivem e andam “com coisa que é de morro”. Segundo N, em uma entrevista individual: “A gente foi criado junto desde cinco e seis anos, na rua, na base da pipa, do futebol, de ter que andar com coisa que é de morro”.
As relações que vemos entre os jovens do Mundo Novo construíram-se por relações de vizinhança; há poucas relações de parentesco entre eles. Dois rapazes do grupo são primos de 2º grau. Eles vivem relações próximas, desde a infância, uns dizem que já “nasceram” ali, outros foram para o bairro bem pequenos, em um convívio de criação que compartilham juntos. O grupo relata que são a 2ª geração do Mundo Novo. Dizem que os pais já moravam no bairro e conheciam os pais de seus amigos. Portanto, há muitas relações construídas antes mesmo de eles nascerem. As mães dos amigos são chamadas de tias. Há práticas que envolvem relações quase familiares na comunidade.
A fixidez do habitat dos usuários, o costume recíproco do fato da vizinhança, os processos de reconhecimento – identificação – que se estabelecem graças à proximidade, graças à coexistência concreta em um mesmo território urbano, todos os elementos práticos se nos oferecem como imensos campos de exploração em vista de compreender um pouco melhor esta grande desconhecida que é a vida cotidiana (MAYOL, 2003, p. 40, grifo do autor).
Em algumas casas em que estive, as portas ficam abertas ou encostadas. Não vi preocupações em serem fechadas. Os rapazes têm intimidade quando chegam à casa de seus amigos, inclusive de mexer nas geladeiras e pegar água e comida. Há naturalidade em dizer que na sua casa não tem nada para comer e perguntar se na do outro tem. Não há estranheza ou vitimização nisso; um amigo pode buscar o que precisa com o outro, se ele tiver, é claro. Se não, tentam juntar algum dinheiro com outros para comprar um biscoito ou outra coisa que resolva de alguma forma a necessidade daquele momento. Não precisam pedir com qualquer nível de formalidade; são íntimos nas casas dos amigos e nas relações com os familiares deles. Eu dividia algumas vezes biscoitos que tinha na bolsa com eles e já paguei lanches que fizemos juntos. Não foram muitas vezes, nem me pediram fora de meus oferecimentos. Comigo, de início, havia um pouco de cerimônia, nada com exagero. Depois ficou mais natural.
As relações de infância valem muito. Se o jovem nasceu ou morou durante a infância, no morro do Mundo Novo, e compartilhou esse viver, tem um valor que, dentre outros, se traduz em proteção. Dizem com frequência que “quem é cria se protege”. Os rapazes mostram-se envolvidos nos sentimentos e práticas da infância. Contam sobre esse convívio desde criança nos jogos de futebol nas ruas do bairro e na formação do time para enfrentar os rivais de outros bairros. Falam das farras que faziam juntos quando “molequinhos” nas ruas e na escola, onde a maioria estudou e diz que mantinham as relações do bairro na escola, procuravam ficar juntos na instituição. Alguns dizem que no recreio os “moleques” do Mundo Novo estavam sempre juntos, que ninguém se metia com eles.
Há outros rapazes pobres que chegaram depois, não viveram essas relações de infância em comunidade. Nelas há regras e valores que fazem parte da convivência local. Ele é aceito, mas essa aceitação não é a mesma, é limitada. Ele não pode fazer “gracinha”. E não é exatamente “gracinha” que ele não pode fazer. Entendo que ele tem que saber que não viveu relações de infância no morro. A aceitação dele é válida enquanto não há alguma situação que precise de um posicionamento do grupo de, por exemplo, ter de escolher quem tem razão em um desacordo qualquer. K explica em uma entrevista individual como isso ocorre.
Pode ser aceito, mas fazer gracinha não. Fazer gracinha ele tá errado, entendeu? Mas ele pode estar certo, qualquer coisa pra ele sempre piora, entendeu? Quem foi criado junto se protege, entendeu? [...] A infância tem um peso legal.
Essa vivência de infância dos rapazes do Mundo Novo é criada e se consolida por relações de pertencimento em uma cultura que me dizem ser de morro, de favela ou de comunidade. De quem foi criado com práticas que envolvem estarem juntos na rua para soltar pipa, para tirar um som da batida de um balde para o samba e para o pagode, práticas que trazem o funk para as esquinas do bairro com o som nos radinhos e depois passam a ser ouvidos nos celulares. Esses e outros momentos mostram sujeitos que pertencem a um espaço físico contextualizado culturalmente, por ser fortemente significado pelos jovens. São inúmeras práticas que vão compondo uma vida compartilhada. Estar junto onde se tem a companhia do outro para realizar coisas que dão prazer, que se quer viver e dividir essas experiências com os amigos. São experiências que parecem “comuns”, mas possuem complexas configurações internas e simbólicas que os jovens sabem reconhecer. A comunidade como um lugar no qual se vivem práticas repletas de sentido e se configura como marca de pertença, preenchendo momentos, construindo relações. Um convívio junto a relações familiares e de vizinhança próximas, evidenciando momentos prazerosos e de proximidades como os que observei nos “furdunços”. Caracterizando formas de uso criativas desses espaços no bairro, que são articulados a uma vida de comunidade, com uma inteligibilidade que lhe é própria.
A partir de dados etnográficos, o estudo de Alves e Zaluar (2008), sobre por que poucos são os moradores que, mesmo sendo vítimas de crime e de perdas de pessoas próximas assassinadas, querem mudar da vizinhança, do bairro ou da cidade. As autoras questionam os motivos que os prende a esses locais e, dentre outros aspectos, discutem as fortes relações de vizinhança em comunidade criadas em regiões de tráfico e violência na cidade do Rio de Janeiro.
A noção de comunidade aparecia nos discursos de maneira muito clara e o pertencimento dicotômico era sempre tratado em termos do ‘nós’ versus os ‘outros’. Os outros podiam ser os desconhecidos ou os que não cresceram no bairro; são os que não conhecem os costumes e os valores locais (ZALUAR; ALVES, 2008, p. 03). Esse “pertencimento dicotômico”, de que nos falam as pesquisadoras, surge, neste estudo,
mostrando quem é de fora. E me faz pensar nas diferenças ou fronteiras existentes entre os sujeitos que vivem nesses espaços de construções significativas e identitárias.
Há os “outros” que, como os pesquisados, também moram no morro do Mundo Novo, mas não fazem parte da “molecada”. Alguns jovens foram morar lá mais tarde, sem que tivessem convívio anterior prolongado, outros são considerados jovens mais elitizados que moram no bairro e não tiveram relações próximas ao grupo. Há ainda os “playboys” que sobem para comprar drogas. Vejo relações distantes dos jovens pesquisados com esses sujeitos que não fazem parte de suas relações de comunidade desde a infância. Os de fora não reconhecem os símbolos construídos no morro do Mundo Novo. Não podem se apropriar de forma contextualizada. E obviamente não são reconhecidos como “crias”, mesmo que se envolvam em algumas práticas da comunidade como as exemplificadas anteriormente.
Os pesquisados dizem que não querem morar em outro lugar. No morro, têm seus laços de parentesco, vizinhança e amizade. Dizem que ali é o melhor lugar para estar, que querem ficar entre os que lhes são próximos e entre os que confiam. Um dos jovens diz que não pode mudar nunca do bairro, porque ali conhece todo mundo, sabe tudo o que se passa. Em nossas conversas, os jovens refletem sobre quem está sempre junto, sobre quem saiu e continua considerado ainda como de dentro, como alguém que faz parte do lugar e do que ele representa. Os jovens querem falar sobre o tipo de relação que se constrói entre eles. Observo haver uma vontade em manter a permanência dos amigos que estão atualmente mais afastados do grupo. Por exemplo, há os amigos considerados “crias” e “fechados” que estão presos e são constantemente trazidos para nossas conversas.
Nos relatos em que trazem falas sobre os amigos ausentes, os jovens mostram uma tendência em ressaltar que não há brechas no grupo com quem estão juntos desde pequenos. Essas relações fazem com que o “desgarrado”, como dizem, continue junto, mesmo que já tenha se mudado ou esteja preso. Falam de quem mudou do bairro, mas continua fazendo parte das relações de amizade com eles, que o “moleque” pode ficar “agarrado” de novo, porque mantém “seu respeito” ali. Ter o “seu respeito” é um dos termos usados no morro, mostrando o lugar que foi conquistado e é preservado. De acordo com K, em uma conversa na rua: “VI mudou, mas ele continua, porque ele é cria daqui também. Ele roda mesmo, mas ele tem o seu respeito aqui. Aqui é todo mundo unido”.
Um dos rapazes, o MA, eu não conheço pessoalmente, mas pelas informações que os rapazes trazem dele, é muito considerado pelo grupo, como “cria” dali. Alguns jovens mais novos dizem que se espelhavam no comportamento dele no bairro. Não o conheci porque ele estava preso no início desta pesquisa, saiu no segundo semestre de 2015, passou quatro dias
em casa, no bairro, e voltou ao presídio. No dia seguinte ao retorno do MA à prisão, estive no Mundo Novo e os pesquisados lamentavam o nosso desencontro e me dizem que por pouco eu não conheci o MA. Contam das farras que ele fez nos quatro dias que esteve em casa, referindo-se às mulheres que “pegou” nesse período. Ele é admirado pelo talento que tem em conseguir muitas mulheres, por ter sido um habilidoso jogador de futebol, segundo eles, quase profissional, e que ele poderia ser um cara famoso por esse motivo.
O MA é citado pelos rapazes como alguém que eu iria gostar de conhecer. Os rapazes me dizem que ele faz parte do grupo, que é “fechado”, mesmo estando afastado deles, que a gente pode se divertir com ele, porque é bom “zoador”. Um dos rapazes me sugere ir ao presídio conhecê-lo, dizem que eu iria gostar e que ele iria gostar de dar entrevistas, de participar da pesquisa e do tipo de assunto que eu discuto com eles. Senti vontade de seguir a sugestão, mas não me senti confortável em procurar o MA fora do Mundo Novo. Vi também que os dados que tinha eram suficientes para o meu objetivo na pesquisa e que o MA, mesmo não tendo sido entrevistado, participa desta investigação pelas falas dos amigos e pelo lugar permanente de “cria” entre eles. Atualmente, na casa do MA mora o K e a irmã do MA, também jovem.
De acordo com N: “Quem é da comunidade aprendeu a se ‘virar’ junto, desde cedo, é a amizade. Até a amizade é diferente, a gente aprendeu a ser um pelo outro, e já nasce predestinado a três coisas: ao samba, ao futebol e ao funk”. O pertencimento que os jovens mostram em suas falas por essas experiências de infância e vizinhança compartilhadas é vinculado a relações de comunidade, envolve laços de confiança, fidelidade e lealdade. Fazem parte de um tipo particular de envolvimento, por acreditarem em uma origem e crescimento com similaridades e solidariedades que os unem.
Os jovens se veem fazendo parte de um grupo de amigos com escolhas, valores e crenças próximas. Essa vivência de pertencimento juvenil articula-se a práticas culturais, espaciais e sociais desses sujeitos. A vida cotidiana no bairro Mundo Novo, reconhecida pelos pesquisados como um lugar de periferia, está ligada ao espaço e aos sentidos sociais que foram contextualizados nele. “O bairro se inscreve na história do sujeito como a marca de