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Differences Between OmniDrive and H-Series Disk Systems

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CHAPTER I-GENERAL DESCRIPTION

1.2.1 Differences Between OmniDrive and H-Series Disk Systems

Um aspecto que, de maneira geral, é bastante negligenciado pelos pesquisadores em seus estudos é a autoanálise, método que explicita as motivações do autor e sua trajetória perante a comunidade de leitores. Jones, Adams e Ellis (2015) salientam a importância desse processo de modo a requalificar as relações do observador com o objeto de pesquisa, partindo de sua experiência pessoal para compreender a forma que o conhecimento foi construído. Para isso, sugerem o método da autoetnografia para uma pesquisa social com práticas menos alienadoras. Na autoanálise, conforme afirma Motta e Barros(2015), o pesquisador não precisa suprimir sua subjetividade em busca de impessoalidade, mas refletir quais consequências o seu trabalho trará não só para os demais pesquisados, mas para si em todos os aspectos de sua vida: emocional, intelectual, espiritual, cultural e moral. Na presente seção, será feito um pequeno exercício autoetnográfico, incorporando elementos da TAR. Quanto às consequências desse exercício e o impacto de suas reflexões, essas serão apresentadas na Seção 6, haja visto que não há sentido de falar do impacto das translações atuantes no actante Gustavo, sem antes descrever que translações são essas.

Em uma abordagem inicial, podemos considerar, a título de simplificação, que o actante “Gustavo” é a sobreposição dos papeis que ele assume perante a rede que se insere, sendo eles: engenheiro especialista em gestão de negócios, pesquisador-mestrando, consultor acadêmico de startups e amigo pessoal dos funcionários e líderes da Empresa X (Figura 8).

Figura 8 - Os papéis que constituem o actante Gustavo

Começaremos pelo papel mais informal do actante, o de amigo pessoal dos funcionários e líderes. A questão da confidencialidade é muito importante para empresas que trabalham com inovação. O nível de acesso necessário para uma pesquisa com imersão etnometodológica em empresas, geralmente só é garantido com a assinatura de termos de confidencialidade. Ninguém corre riscos desnecessários por desconhecidos, sobretudo quando estamos falando de pesquisadores iniciantes em início de carreira. O fato do actante Gustavo possuir uma boa rede de relacionamentos com os seus amigos do ensino médio, graduação e pós-graduação, permitiu que ele consultasse quais desses amigos estavam trabalhando em cargos de startups de TI como gestores (as), programadores (as),

desenvolvedores (as). A confiança de que Gustavo não usaria de má fé para, por exemplo, processar a empresa por um vínculo de trabalho que nunca existiu, facilitou muito o seu acesso ao objeto de estudo.

Entretanto, por mais forte que sejam os vínculos afetivos entre o actante Gustavo e a sua rede de contatos, a equipe da organização investigada esperava se beneficiar com o desenvolvimento da pesquisa de alguma forma. É natural que haja uma contrapartida em um processo de alta exposição. Para viabilizar o estudo, o actante em questão ofereceu um acordo: em troca da disponibilidade dos funcionários e das informações fornecidas pela empresa, ele faria uma espécie de “consultoria acadêmica” gratuita. Nesta consultoria, Gustavo se dispõe a atualizar a empresa sobres as novidades das pesquisas acadêmicas, compartilhar seus conhecimentos técnicos em softwares de análise de dados e fazer a tradução do conhecimento científico útil para o jargão empresarial. Além disso, como produto final, após o término da pesquisa, Gustavo se propôs a oferecer um relatório executivo incluindo as principais descobertas do experimento em linguagem acessível aos funcionários, apresentado em uma pequena palestra expositiva.

Contudo, mesmo com as condições apresentadas, a consultoria acadêmica aliada a laços afetivos ainda não seria suficiente para garantia de seu acesso. Existem dois papeis complementares que foram imprescindíveis no convencimento dos pesquisados. O primeiro deles é o papel de engenheiro e especialista em gestão de negócios, com formação em universidade brasileiras de prestígio (UNESP e USP). Tais títulos conferem ao actante Gustavo identidade acadêmica e credibilidade perante o líder da Empresa X, além de repertório cultural, como jargões técnicos que lhe permitem trilhar “solo comum” com os líderes das empresas nas interações sociais.

Apesar de afirmarem que não ligam muito para diploma, a grande maioria dos funcionários investigados apresentou excelente nível de formação acadêmica, o que tornaria o não cumprimento desse requisito, um potencial impeditivo de acesso. O segundo deles é o vínculo institucional, ainda em exercício, com a UFSCAR. A simples utilização da logomarca da UFSCAR nas propostas de pesquisa, segundo o líder da Empresa X, lhe deu maior segurança para tomar a decisão. Além disso, o conjunto de disciplinas do mestrado, o rigor do texto de dissertação, o domínio de objetos técnicos de coleta e análise de dados, bem como o respaldo de pesquisadores mais experiente, tudo isso é visto pela comunidade de

funcionários como elementos de prestígio que aumentam o poder de barganha do actante Gustavo.

Como todos esses papéis são resultados extensíveis de redes de actantes que incluem objetos, símbolos e pessoas, pensou-se que, por bem, poderíamos fazer um pequeno exercício de desmembramento da constituição dos papéis do actante Gustavo, sem entrar nos detalhes das interações dos actantes internos. Isso se encontra representado na

Figura 9. Enfatizamos que cada actante que compõe o ator-rede Gustavo, é também um ator- rede extensível que não foi aqui representado em sua totalidade, já que a o intuito da presente seção é somente fazer uma autoanálise para dar uma noção ao leitor do nosso lugar de fala.

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