III. Les échangeurs
III.5 Différents types d’échangeur de chaleur
Segundo Meirelles (2004), referindo-se ao Brasil, as cooperativas de consumo ou grupos de consumidores são menos freqüentes, já que propõem uma lógica diferenciada, que busca uma produção agrícola mais harmônica com a natureza. Podemos identificar distintas formas de organização de consumidores, sendo que algumas delas não possuem como objetivo acordos diretos (cobrindo os riscos) entre consumidores e produtores.
As experiências de cooperativas/associações ou grupos de consumidores ainda estão em processo de identificação. Um levantamento inicial de 107 entidades que trabalham com a comercialização ou consumo de
produtos agroecológicos foi elaborado por Grosso e Tygel (2003), sendo identificadas duas iniciativas82 especificamente focadas no consumo: a Rede Ecológica, do Rio de Janeiro e a Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (ACOPA).
Figura 36 Levantamento inicial de entidades que trabalham com a comercialização ou consumo de produtos agroecológicos com a perspectiva da Economia Solidária.
Fonte: Tygel (2003)
Outros esforços específicos para a sistematização de dados sobre Grupos de Consumo Responsável (GCR), enquanto redes solidárias, têm sido feitos. Em 2009 realizou-se o Levantamento do Perfil dos Grupos de Consumo no Brasil: “Consumo como intervenção – um olhar sobre as experiências de consumo coletivo” e até março de 2010 havia 14 iniciativas83 (PISTELLI, 2010), destacadas na tabela 12.
82 O documento faz menção também à ECOTORRES e à ONDA - Organização de redes de
comercialização solidária em Florianópolis, porém não encaminharam o questionário da pesquisa em tempo.
83 Das iniciativas levantadas, somente parte foi estudada na pesquisa. Isso ocorreu porque
algumas não tiveram possibilidade de responder ao levantamento das informações e outras porque foram identificadas somente após o início da sistematização dos dados. Dessa forma, as iniciativas estudadas na pesquisa são: Rede Ecológica, Rio de Janeiro/R; MICC – Movimento de Integração Campo Cidade, São Paulo/SP; Trocas Verdes, Campinas/SP; Rede Sementes de Paz, São Paulo/SP; Cooper Ecosol, Passo Fundo/RS; Cooperativa GiraSol, Porto Alegre/RS; RedeMoinho, Salvador/BA.
O quadro a seguir foi organizado cronologicamente e nota-se que o surgimento ou regulamentação da maioria destas iniciativas acontecem no fim dos anos 1990 e início do ano 2000.
Tabela 12 “Grupos de consumidores responsáveis“ de produtos da agricultura familiar e de base ecológica
nº Nome Local Ano
1 ADAO – Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica
Fortaleza - CE 1997
2 ADAO – GO - Associação para o Desenvolvimento
da Agricultura Orgânica (*) Goiânia - GO 1999
3 COOPET – Cooperativa dos Consumidores de
Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras Três Cachoeiras – RS 1999 4 ECOTORRES – Cooperativa de Consumidores de
Produtos Ecológicos de Torres (**) Torres - RS 1999
5 ACOPA – Associação de Consumidores de produtos Orgânicos do Paraná (**)
Curitiba - PR 2000
6 Rede ecológica (*) (**) Rio de Janeiro - RJ 2001
7 Viver Mais - Cooperativa de Consumidores de
Produtos Ecológicos de Araranguá Araranguá - SC 2003
8 Rede Xique-Xique (*) São Miguel do
Gostoso/RN 2004
9 Cooper Ecosol – Cooperativa (formalizada) de
Produção e Consumo Solidário Passo Fundo Ltda (*) Passo Fundo - RS 2005 10 Cooperativa GIRASOL (formalizada) (*) Porto Alegre - RS 2006 11 Compras Coletivas Florianópolis/SC (*) Florianópolis - SC 2006
12 Compra Coletiva de Produtos Orgânicos (*) Itajaí - SC 2007
13 Trocas Verdes (*) Campinas - SP 2007
14 Rede produção e Consumo – Terra Mater (*) Piracicaba - SP 2007
15 Sementes de paz (*) São Paulo - SP 2007
16 Rede moinho (*) Salvador - BA 2008
17 MICC – Movimento de Integração Campo Cidade (*) São Paulo - SP 2008
18 Techne (*) Natal - RN
Fonte: Dados da Pesquisa, com base no levantamento inicial (**) e secundário (*)
Pistelli (2010) descreve sobre a diversidade dos grupos de consumidores através da forma de trabalho, uma vez que podem ser associações e cooperativas, formais e informais, capilares ou singulares. As Redes Singulares são os grupos de consumo formados por um coletivo de consumidores que possuem um eixo centralizado de gestão e até mesmo de disseminação dos produtos (entrega/retirada), o qual se relaciona diretamente com os produtores. Já as Redes Capilares são os grupos de consumo formados por diferentes coletivos de consumidores organizados em núcleos (caracterizados por localização geográfica, ambiente de trabalho, etc.) que descentralizam a gestão e a disseminação dos produtos (entrega/retirada) e
podem possuir variados graus de autonomia, dependendo da proposta do grupo. Essas iniciativas possuem sistema de gestão descentralizado, priorizando ao máximo a relação direta entre produtores e consumidores. Costumam ter uma sede onde os consumidores retiram as mercadorias e, em raros casos, realizam entregas em domicílio. Os principais desafios que enfrentam estão relacionados à logística (pagamentos, transporte, gestão dos pedidos), ao alcance da viabilidade econômica e à mobilização dos consumidores para além da compra.
As experiências da região sul do Brasil, caracterizadas pela existência de lojas fixas, são ricas pelo contexto da agricultura familiar e por iniciativas agroecológicas, surgindo antes mesmo da discussão do comércio ético e solidário. A rede Xique-Xique, do Rio Grande do Norte e a ADAO/GO são duas experiências que têm dialogado tanto com o Fórum Brasileiro – e Latino Americano - de Sistemas Participativos de Garantia, como com o movimento da Economia Solidária e consumo responsável. A Rede Ecológica - RJ é referência na região sudeste enquanto grupo informal por opção, possuindo nove núcleos de consumo, com pedidos feitos por lista de produtos.
No estado de São Paulo, a rede Sementes de Paz, atua em sete núcleos na capital paulista, se autodenominando como empreendimento solidário, sem formalização. As compras funcionam através de pedidos de produtos frescos por cesta e pedido de produtos secos feito por lista, com entrega semanal. Trabalham com frete "parcerizado" e afirmam que todo trabalho tem que ser pago. Esta rede, junto com as outras duas experiências paulistas (Rede produção e consumo Piracicaba e Trocas Verdes) iniciou um diálogo na tentativa do fortalecimento entre os coletivos de consumidores locais84 e movimento da economia solidária, a partir das demandas do Fórum Brasileiro de Economia Solidária - FBES.
84 No dia 26 de fevereiro de 2010 aconteceu em Piracicaba uma reunião entre os três grupos
de consumidores junto com representantes do Fórum Brasileiro de Economia Solidária na Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz- ESALQ- USP, para contribuições dos coletivos de consumo sobre o gerenciamento e logística de suas redes para o sistema operacional
O Cirandas85 é uma iniciativa do FBES que tem como objetivo oferecer ferramentas na internet para promover a articulação econômica, social e política de quem se interessa pela Economia Solidária ou vive dela. Seus principais objetivos são: potencializar o fluxo de saberes, produtos e serviços da Economia Solidária; oferecer ferramentas para a constituição de consolidação de redes e cadeias solidárias; ser um espaço de divulgação da economia solidária e de busca de seus produtos e serviços para consumidores individuais e coletivos (públicos, privados e grupos de consumidores) e permitir a interação entre vários atores em comunidades virtuais86 e espaços territoriais, temáticos e econômicos.
O debate sobre a integração de rotas de distribuição foi um aspecto mencionado a partir das dificuldades entre contexto geográfico e logístico das entregas. No entanto, as particularidades de cada região e empreendimentos, como o sistema do rodízio em São Paulo e pedágios, entregas por produtores, fretes e distribuidores, aliados à ausência de articulação entre os produtores ainda dificultam um amadurecimento para o estabelecimento de rotas e circuitos maiores.