Nas últimas décadas com o aumento competitivo do setor televisivo, a identidade visual televisiva tornou-se uma importante ferramenta estratégica. Em português o termo motion graphics significa “imagem em movimento”, acompanhadas ou não por som.
No início do século XX, os artistas começaram a rejeitar a representação clássica realista, procurando expressar o espaço em termos geométricos. Com o nascimento do cinema aparecem as primeiras experiências audiovisuais de precursores do motion graphics que, na sua grande maioria, eram formados em artes plásticas. A música foi um elemento chave para a expressão desses artistas, que buscavam criar uma coreografia de elementos gráficos. Desses artistas ressaltam-se nomes como Viking Eggeling, Hans Richter, Fernand Léger, Walter Ruttmann, Len Lye, Oskar Fischinger, Norman McLaren e Harry Everett Smith.
De entre alguns dos feitos, encontra-se Hans Richter com a produção de filmes surrealistas que exploraram a fantasia através do uso de efeitos especiais e animações geométricas abstratas, Len Lye, como o pioneiro na técnica de pintar e riscar imagens em celulóide de 35mm, os experimentos de Oskar Fischinger na fusão de som e imagem que ajudaram a criar o futuro do videoclipe (quase seis décadas antes da MTV) e Stan Vanderbeek pelo experimentalismo com computação gráfica e exploração da projeção de tela múltipla.
O motion graphics tem origens através no cinema mudo, no início do século XX, ao incorporar de maneira tradicional etiquetas ao filme de forma a contextualizar e fornecer informações ao espectador. Com o tempo o design gráfico começou a fazer parte das apresentações dos filmes, na qual deu lugar, aos títulos de crédito.
Os designers começaram a explorar e a aplicar os seus conhecimentos em design gráfico às novas composições de imagem em movimento. De entre os vários designers de títulos de créditos encontram-se Saul Bass, Maurice Binder, Robert Brownjohn, Stephen Frankfurt, Pablo Ferro, Richard Greenberg, Kyle Cooper e John Whitney.
Durante a década de 1950, Saul Bass, pioneiro do design gráfico, tornou-se o principal criador de títulos cinematográficos da indústria cinematográfica. Influenciado por Saul Bass e Pablo Ferro, Kyle Cooper foi um dos primeiros designers gráficos a remodelar a indústria cinematográfica
11 Tradução livre do autor: “La identidade de un programa se refuerza en los cortes, en las idas y vueltas
a la tanda publicitária, especificadamente en el uso de los separadores que dicen “Ya volvemos”. (Brarda, 2016, p. 35) [tradução livre do autor].
conservadora durante os anos 90, aplicando tendências no design de impressão e incorporando o computador para combinar processos convencionais e digitais.
Na busca da perfeita sincronização entre som e imagem, o pioneiro da animação por computador, John Whitney, ajudou a elevar o status do computador enquanto um meio artístico viável. Whitney foi o fundador da Motion Graphics Inc. em 1960, onde em parte contribuiu para a designação de motion graphics.
De acordo com Costa (2005) o primeiro programa informático de design de 3D surgiu em 1963 e foi um impulsionador decisivo no design televisivo. Até 1970, o design gráfico no cinema e na TV conforme Velho (2008) era executado através de película, usando técnicas de animação convencional e trucagem. Porém, desde o princípio, a televisão teve a necessidade de mostrar gráficos e textos no ecrã.
As técnicas cinematográficas precoces que foram usadas no experimentalismo e títulos de filmes foram adotadas na televisão.
Harry Marks foi o impulsionador e responsável pelo primeiro grande impacto no desenvolvimento de projetos de identidade de televisão, originou técnicas e conceitos como o “flying logo” ou “moving”, ou seja, marcas gráficas em movimento, enquanto trabalhava na TV americana ABC.
Na década de 1970, na Grã-Bretanha, designers e artistas dedicados à comunicação gráfica televisiva da emissora BBC, deixam de trabalhar em escala de cinzas para poderem trabalhar numa ampla variedade de cores. Contudo, a criação de uma peça de motion graphics para TV era demorada, fazendo com que os produtores e diretores evitassem a sua utilização.
É na década de 1980 que o computador pessoal abriu caminho ao auge da informática, e a criação do motion graphics sofre uma enorme influência. Os grandes avanços tecnológicos desenvolveram novas técnicas de representação audiovisual e possibilitaram aos profissionais a aprendizagem de softwares de animação, montagem e edição. A partir desta altura o motion graphics expandiu-se mundialmente. Os canais de TV começaram a experimentar a necessidade de ter uma identidade própria, desta forma guiavam o espectador pela programação e não passavam despercebidos.
Em 1981, apareceu um canal com uma identidade visual inovadora, a Music Television (MTV) com o famoso logótipo que podia adotar várias texturas, cores, materiais, animações e movimentos, incluindo variadas personalidades. Segundo Teixeira (2006), com a evolução tecnológica e a influência da MTV, o grafismo animado permitiu novas possibilidade gráficas na televisão.
O sucinto levantamento dos pioneiros e dos antecedentes do motion graphics, bem como do aprofundando da temática dos motion graphics em televisão, permite perceber a sua relação com a identidade dos canais, onde existe a conceção de uma identidade gráfica que engloba, Graphic
Package de canais e Graphic Package de programas. Quando um canal tem uma marca gráfica que
o identifica, desenvolve-se um sistema com peças que contribuem para a sua personalidade e identidade global.
A identidade corporativa é um conjunto de ideias e valores que definem e diferenciam uma entidade coletiva e que condiciona as caraterísticas de um canal televisivo, enquanto, a identidade visual é forma de expressar visualmente a identidade do canal, diferenciando-o e distinguindo-o.
De acordo com Ponte & Niemeyer (2009) identidade visual televisiva corresponde à identidade corporativa de uma emissora de televisão. Esta é composta por grafismos de identidade, que são também chamados de on-air design e que são transmitidos nos intervalos, essas peças do design audiovisual têm como objetivo identificar o canal, ajudar na organização da programação e como função primordial, transmitir os conceitos da marca e fazem parte do graphic package do canal.
O graphic package de um programa transmite valores e o seu conceito é muito similar a de um canal de televisão. Segundo Brarda (2016) a sua identidade ajusta-se aos valores do canal, mas cada programa tem sua identidade própria e essa identidade também necessita de peças on-air. A criação da identidade de um programa tem os mesmos processos que de um canal.
Ao longo da pesquisa também foi possível verificar a falta de um vocabulário conciso para os elementos, dificultando a caracterização do seu significado.