2.3 Effets de différentes souches de Staphylococcus aureus sur le microbiote d’un lait
3.2.5 Différences au niveau du transcriptome : comparaison lait-bouillon TS
As narrativas das trajetórias profissionais possibilitam o levantamento de percepções dos gestores sobre suas experiências vividas tanto do âmbito pessoal como profissional, revelando seu modo de ser e como os acontecimentos em ambas as esferas podem influenciar esse modo de ser ou de atuar na função gestora.
A análise desses acontecimentos relevantes ou incidentes críticos nas trajetórias dos gestores foi realizada com base nos relatos coletados de nove dos vinte e cinco participantes que responderam ao questionário, selecionados de acordo com os critérios estabelecidos no item 4.2. De acordo com tais critérios, foram escolhidos três gestores de cada fase (inicial, intermediária e final) atuantes em escolas prioritárias (de baixo desempenho), três em escolas de desempenho regular e três em escolas com bom desempenho, em conformidade com os indicadores de desempenho utilizados pela rede estadual de ensino.
Para fins de melhor compreensão sobre a classificação das escolas, faz-se oportuno reiterar que as prioritárias são definidas pelo percentual de alunos com
nível de proficiência Abaixo do Básico, conforme os resultados obtidos no SARESP. As escolas regulares apresentam resultados próximo à média do Estado e as unidades consideradas de bom desempenho são aquelas cujos resultados se sobressaem aos resultados do Estado.
A Tabela 10 demonstra a distribuição dos gestores entrevistados por fase na gestão e característica da escola de atuação:
Tabela 10 – Distribuição dos Gestores Entrevistados por Fase na Gestão e
Característica da Escola de atuação
Escola
Fase na Gestão
Inicial
(menos de 10 anos) (de 10 a 19 anos) Intermediária (mais de 20 Final
anos)
Prioritária Carlos Glaucia Estela
Regular Carolina Gilson Erika
Bom
desempenho Camila Geisa Eurico
Carlos, Carolina e Camila, apesar de se encontrarem na fase inicial de atuação na gestão (menos de 10 anos), tinham idade diferenciada: 35, 34 e 46 anos respectivamente; Glaucia, Gilson e Geisa – da fase intermediária (de 10 a 19 anos), estavam com 46, 47 e 52 anos; Estela, Érika e Eurico – da fase final (mais de 20 anos), tinham 47, 60 e 52 anos respectivamente. A fase intermediária é que apresenta a faixa etária dos gestores mais equilibrada. Nas fases inicial e final há sempre dois gestores com idades aproximadas e um que se distancia consideravelmente.
A mesma correlação se dá quando a comparação é com o tempo de magistério (docência e gestão). Carlos, Carolina e Camila, por exemplo, tinham 16, 15 e 26 anos de trabalho respectivamente. Glaucia, Gilson e Geisa estavam com 22, 24 e 29 anos respectivamente. Entre os gestores da fase final, Estela e Eurico tinham o mesmo tempo: 28 anos e Erika, 36 anos de magistério. Portanto, os gestores da fase intermediária eram os que mantinham maior equilíbrio com relação ao tempo de atuação na área educacional.
O tempo de docência que os participantes tinham quando iniciaram a atuação gestora também era variado. Eurico, o gestor que menos tempo atuou como docente, com apenas um ano de experiência assumiu a função de coordenador
pedagógico e não retornou à sala de aula, passando pela função de vice-diretor e posteriormente ingressou como diretor de escola. Eurico também teve a oportunidade de atuar como supervisor de ensino designado por cerca de oito anos. Estela trabalhou 3 anos como docente e Erika, 9 anos.
Entre os gestores da fase intermediária, Gilson foi quem se dedicou menos tempo à docência – 5 anos. Glaucia lecionou por 11 anos e Geisa 15 anos. Da fase inicial, Carlos e Carolina lecionaram por 9 anos e Camila foi quem permaneceu por mais tempo em sala de aula: 22 anos.
Apesar do tempo de experiência dos gestores ser diferente, todos passaram pela coordenação pedagógica e pela vice-direção antes de assumirem a direção de escola. Como mencionado anteriormente, as três funções são consideradas da área de gestão.
Quanto à situação funcional, todos os gestores da fase inicial eram professores designados na função de Diretor de Escola. Entre os da fase intermediária, Glaucia e Geisa eram designadas e Gilson era titular de cargo. Estela, Erika e Eurico – da fase final – eram titulares de cargo. Há, portanto, 4 titulares de cargo e 5 professores designados diretores de escola entre os participantes.
O percentual de gestores designados decorre do afastamento de titulares em outros municípios, bem como do crescente número de aposentadorias. Neste sentido, a demora da secretaria de educação em realizar concurso para o provimento dos cargos vagos de diretor de escola concorre, juntamente com essa vacância dos cargos, para o aumento de professores designados nestas funções. Entre os designados havia aqueles que ainda não tiveram oportunidade de prestar concurso porque à época da realização do último, não tinham a formação específica ou o tempo mínimo de magistério exigido como requisito para a participação no certame, como Carlos e Carolina, respectivamente. Havia também os casos de Camila e Glaucia que não haviam se interessado antes pela função de diretor de escola, estando mais afetas à gestão pedagógica especificamente, desempenhada pela função de Coordenadores Pedagógicos, cargo para o qual não há concurso.
Com relação à formação desses gestores, havia uma similaridade entre os percursos dos que estão em fase final: Estela, Erika e Eurico cursaram o Magistério e posteriormente a Pedagogia. O que difere os três percursos é que, enquanto Estela e Eurico tinham o propósito de progredirem na carreira, Erika optou pelo curso com o propósito de melhorar o salário. Carlos e Carolina cursaram uma
licenciatura e posteriormente pedagogia também com a intenção de avançar na carreira. Gilson e Geisa cursaram bacharelado juntamente com uma licenciatura e, não tendo conseguido atuar como planejaram, aproveitaram a licenciatura para lecionar. Posteriormente, já na função gestora, optaram por cursar Pedagogia e avançar na carreira. Camila cursou o Magistério, uma habilitação em Artes, uma especialização em Psicopedagogia e somente depois resolveu cursar Pedagogia. Dos nove gestores, Glaucia foi a única que cursou inicialmente a Pedagogia. No entanto, o fez por admitir que na época, não sabia o que área seguir.
No bojo deste universo mais restrito de participantes entrevistados, serão analisadas as trajetórias dos gestores, a partir de momentos que foram delineados no decorrer da leitura das entrevistas e elaboração dos biogramas, na medida em que se observavam os principais acontecimentos narrados pelos participantes e os significados a eles atribuídos, considerando-se as fases da carreira (inicial, intermediária, final) em que os gestores se encontravam. Estes momentos foram desdobrados em focos de análise, cuja relevância e especificidade pareceram significativas para a compreensão das referidas trajetórias, conforme Quadro 3, abaixo:
Quadro 3 – Momentos e Focos de Análise
MOMENTOS FOCOS DE ANÁLISE
Formação Básica Incidentes críticos no contexto familiar e social Vida Escolar: acontecimentos marcantes Formação
Profissional Inicial Acontecimentos que motivaram a escolha profissional Atuação Docente
e Formação Complementar
Experiências marcantes no ambiente de trabalho Experiências significativas na formação complementar Atuação na Área
de Gestão e Formação Continuada
Acontecimentos que marcaram o ingresso na gestão e as primeiras experiências gestoras
Eventos ou fatores da vida pessoal que interferiram no percurso profissional
Influência da formação continuada e dos contextos de trabalho na prática gestora
O primeiro momento centrou-se na análise das principais ocorrências presentes no contexto familiar, social e escolar dos gestores à época de sua formação básica, correspondente ao período da infância e da adolescência, que
pudessem se manifestar de alguma forma nas escolhas profissionais. No segundo momento o foco recaiu sobre as motivações que originaram a escolha pela área docente. O terceiro momento centrou-se nas percepções dos gestores sobre sua formação e as respectivas contribuições para a atuação gestora, bem como as experiências vivenciadas nos diferentes contextos de trabalho e dos modelos profissionais encontrados nestas vivências. Por fim, o último momento aborda os acontecimentos marcantes que permeiam a atuação gestora e como a formação continuada influencia na prática gestora.
Cada um desses momentos e respectivos focos de análise são apresentados conforme cada uma das fases em que se encontravam os gestores entrevistados.
6.2.1 Formação Básica
O momento da Formação Básica compreende, neste estudo, o período da infância até a juventude, abrangendo inicialmente os contatos com a família, os primeiros grupos sociais e a vida escolar, desde os Anos Iniciais do Ensino fundamental à conclusão do Ensino Médio.
Em todas as narrativas constituídas a partir das entrevistas foi possível observar, ora de forma mais sucinta, ora de forma mais aprofundada, a menção aos primeiros contatos com essa vida escolar e a valoração do meio em que os gestores se encontravam inseridos durante a Educação Básica24. São experiências diversas e, como história de vida, apesar de guardadas as semelhanças, nenhuma igual a outra. Tratar das similitudes e diversidades das experiências vivenciadas por profissionais em diferentes fases da carreira pode ajudar a compreender os percursos individuais, bem como possibilitar o levantamento de hipóteses sobre a constituição das trajetórias dos gestores escolares. Como afirma Bolívar (2002, p. 180), “embora os relatos de vida sempre façam referência à singularidade de uma
vida, eles refletem a coletividade social de que se trate”.
Assim, ao considerar que todos os gestores se reportaram às memórias da infância e da adolescência, as mesmas serão abordadas no sentido de observar sua relevância para as trajetórias profissionais. Sobre esta temática, Tardif (2010) relata que em seus estudos realizados em 1996 e 2000 sobre a atividade docente, “vários
24 Constituída pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio que
professores falaram da origem infantil de sua paixão e de sua opção pelo ofício de
professor” (TARDIF, 2010, p. 75), assim como os gestores, quando se referem aos
incidentes críticos no contexto familiar e social e na vida escolar.