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Parce que Dieu est tout Puissant

Dans le document Témoignons de la Lumière (Page 55-61)

O campo de nossa investigação abrange 2 (duas) escolas públicas municipais da Secretaria de Educação do município de Jaboatão dos Guararapes – PE, situado na região Metropolitana do Recife. A escolha dessa região está relacionada à necessidade, observada em diversas atividades e formações continuadas, de discutir um pouco mais sobre a avaliação durante o processo da alfabetização com os professores da rede de ensino desse município no qual atuamos como formadora. Necessidade essa confirmada quando percebemos a escassez de estudos investigativos sobre a referida temática nesse espaço geográfico.

A escolha dessas escolas ocorreu mediante a indicação9 da Secretaria de Educação do município, que nos direcionou para aquelas instituições que apresentavam professores que nos últimos anos apresentaram bons resultados, no que se refere à alfabetização de seus alunos. Esse procedimento de escolha justifica-se por acreditarmos que um bom desempenho dos professores durante o processo de alfabetização das crianças pode estar ligado diretamente a uma boa prática avaliativa dos conhecimentos sobre o Sistema de Escrita Alfabética.

Diante das indicações feitas, elegemos alguns critérios para a escolha dos dois sujeitos da pesquisa. Esclarecemos que a delimitação do quantitativo de 02 (dois) sujeitos esteve diretamente vinculada ao tempo da própria pesquisa e aos procedimentos metodológicos escolhidos, que demandariam muito tempo para análise dos dados gerados. Dessa forma, primeiramente, selecionamos aqueles professores que tiveram o maior número de indicações da Secretaria de Educação; em segundo lugar, aqueles com

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As indicações foram feitas por técnicos pedagógicos da Secretaria de Educação do município, que acompanhavam sistematicamente as práticas de alfabetização dos professores de toda a rede de ensino. Essas indicações estão pautadas na Proposta Curricular do município, bem como nas expectativas de aprendizagem dos alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

formação acadêmica em nível superior e que participaram, no ano de 2013, e continuaram participando, em 2014, das formações continuadas promovidas pelo município; em terceiro lugar os que tinham maior experiência em alfabetização; em quarto lugar, os que lecionaram, no mínimo, nos dois últimos anos, em turmas do 1º ano do ensino fundamental e, por fim, os que apresentaram, em seus registros de avaliação, resultados significativos das aprendizagens dos alunos em relação à leitura e/ou à escrita, do início do ano letivo ao 2º semestre, período em que começou a geração de dados da pesquisa.

Assim, duas foram as professoras escolhidas, nomeadas de P1 (professora 1) e P2 (professora 2), que, além de estarem inclusas na relação dos professores mais indicados pelos técnicos da Secretaria de Educação, aproximavam-se mais dos outros critérios de seleção antes apresentados.

Em relação à formação e ao tempo de experiência das professoras participantes da pesquisa, havia algumas similaridades e algumas diferenças, conforme visualizamos no quadro 5, abaixo:

Quadro 5 - Formação e tempo de experiência das professoras participantes da pesquisa.

ASPECTOS Professora 1 Professora 2

Formação Básica Pedagogia Pedagogia

Especialização Gestão de pessoas Psicopedagogia

Pós-Graduação Mestrado em Educação Mestrado em Psicologia

Cognitiva (em andamento)

Formação (PNAIC/2013) Sim Sim

Experiência em sala de aula 14 anos 4 anos e 7 meses

Experiência em turmas de

alfabetização

10 anos 2 anos e 7 meses

Situação de trabalho na rede municipal (campo de pesquisa)

Efetiva Efetiva

Outros vínculos Não Professora de Educação

Infantil em outra Rede de Ensino

As similaridades apresentavam-se na formação das docentes. Ambas eram formadas em Pedagogia e tinham curso de especialização, embora em áreas distintas: P1, em Gestão de pessoas; P2, em Psicopedagogia; e participaram das formações continuadas do Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), oferecidas pelo município em convênio com o Ministério de Educação, no ano anterior à pesquisa. A formação da professora 1 era acrescida ainda do curso de Mestrado em Educação, na

linha de pesquisa em políticas educacionais, e a da professora 2, do curso de mestrado na área de psicologia cognitiva, em andamento. Tais dados nos levaram a considerar que as professoras buscavam constante aperfeiçoamento profissional. No que se refere à experiência profissional das docentes, havia algumas diferenças. Embora as duas fossem funcionárias efetivas no município investigado, a P1 tinha uma trajetória como docente e como alfabetizadora de 14 e 10 anos, respectivamente. A P2, em contrapartida, tinha apenas 4 anos e 7 meses de experiência em sala de aula e 7 meses e 2 anos e 7 meses com turmas de alfabetização. Apesar da constatação dessas diferenças, podemos afirmar, a partir dos resultados das aprendizagens dos alunos, tanto da P1, quanto da P2, que serão apresentados posteriormente, que a experiência das duas docentes com turmas de alfabetização era bastante evidente, mesmo que uma tivesse maior tempo de atividade profissional que a outra.

Cabe dizer, para conhecimento adicional e/ou análise das práticas das professoras, que no ano em que a pesquisa foi realizada, a P1 não possuía outro vínculo empregatício, sendo sua carga horária total de trabalho dada na escola pesquisada (horário integral). A P2, no entanto, possuía um vínculo em outro município no qual trabalhava em turno contrário com uma turma de Educação Infantil,

A partir das observações realizadas em sala de aula, constatamos que a Professora 1 tinha um perfil tranquilo, dificilmente alterava a voz ao falar com os alunos e sempre estava atenta às falas deles, o que transmitia um clima de cumplicidade. Ela organizava a sala de aula, que era ampla e exclusiva, com “cantinhos” que favoreciam diversos momentos de leituras espontâneas ou dirigidas por parte dos alunos, embora tenha enfatizado a escassez de recursos materiais para tornar esse local um “ambiente alfabetizador”. Geralmente, organizava as bancas em duplas, em filas ou em pequenos grupos. Nesse mesmo ambiente, as crianças lanchavam, almoçavam e brincavam, uma vez que a escola encontrava-se em reforma, com espaços interditados. Além disso, com a ausência de banheiro, para o banho ao final do primeiro horário, e devido à falta de alguns funcionários de serviços gerais, a professora utilizava uma parte do tempo pedagógico para limpar as crianças, com água armazenada por ela em garrafas trazidas de sua própria casa. Só assim, conseguia retomar suas atividades no segundo turno.

A professora 2, que trabalhava no turno da tarde, também era bastante tranquila e tinha um relacionamento amigável com seus alunos. Sempre conversava individualmente com eles, quando se comportavam de maneira inadequada no ambiente

da sala de aula. Com uma sala muito pequena, a professora organizava a classe frequentemente em filas, mas ajustava essa arrumação sempre que percebia alguns sinais de indisciplina ou desatenção de alguns alunos próximos de outros. A docente sempre planejava suas aulas, mas seu tempo de trabalho geralmente ficava comprometido, devido ao comportamento de algumas crianças, como também à precariedade de iluminação e ventilação da sala, que inviabilizava algumas atividades propostas para o final do turno.

Ressaltamos que não houve nenhuma resistência, por parte das duas professoras escolhidas, em receber o pesquisador no seu local de trabalho, nem de falar de suas práticas e fornecer documentos e esclarecimentos necessários. Ao contrário, o clima foi bastante amistoso e a geração de dados ocorreu de maneira tranquila. O mesmo ocorreu com os alunos que faziam parte da pesquisa, que, mesmo estranhando no começo, passaram, ao longo dos dias, a considerar natural a presença de outra pessoa no cotidiano de suas salas de aula.

3.1.1 Caracterização das turmas

A turma da professora 1 iniciou o ano letivo com 24 (vinte e quatro) alunos matriculados, permanecendo 22 (vinte e dois) desses até o final dele. Muito movimentada, era uma turma com crianças que gostavam de brincar, falar, cantar e participar das atividades. Algumas delas, no entanto, se dispersavam com muita rapidez e se envolviam em situações de bagunça e brigas em sala de aula.

Em relação aos conhecimentos sobre o Sistema de Escrita Alfabética (SEA), conforme registros das avaliações feitas pela professora, a turma da professora 1 iniciou o ano letivo com a maioria dos alunos no nível pré-silábico de escrita, ou seja, que não percebiam a relação som-grafia do sistema, com exceção de 3 (três) alunos que já avançavam para o nível silábico e 3 (três) que se encontravam no nível alfabético de escrita. No entanto, esse perfil foi se modificando positivamente ao longo do ano, indicando que houve um avanço considerável de aprendizagem da turma em relação à escrita. Assim, no mês de setembro, quando se iniciou a pesquisa, havia apenas 4 (quatro) dos 18 (dezoito) alunos no nível pré-silábico, 4 (quatro) no nível silábico qualitativo, 4 (quatro) no silábico-alfabético e 10 (dez) no nível alfabético de escrita. É o que podemos observar no quadro 6, abaixo, que apresenta esses dados:

Quadro 6 - Hipóteses de escrita dos alunos da professora 1.

Fonte: Caderno de registro da professora 1.

A turma da professora 2, que iniciou também com 24 (vinte e quatro) alunos, terminou o ano letivo com 23 (vinte e três). Composta de alunos, em sua maioria, participativos, Havia alguns que utilizavam o tempo pedagógico com conversas e brincadeiras em sala de aula, o que demandava frequentes intervenções da docente.

De acordo com os registros feitos pela professora, em relação às hipóteses sobre a escrita, no início do ano 16 (dezesseis) alunos encontravam-se no nível pré-silábico, ou seja, a maioria da turma; 4 (quatro) no nível silábico quantitativo, 2 (dois) no silábico qualitativo, 1 (um) no silábico-alfabético e apenas 1 (um) no alfabético. No 2º semestre, esse quadro teve evolução significativa, pois, dos 16 (dezesseis) alunos com nível pré- silábico de escrita, restou apenas 1 (um). Os outros se distribuíram da seguinte forma: 5 (cinco) no nível silábico quantitativo, 9 (nove) no silábico-qualitativo, 2 (dois) no silábico-alfabético e 6 (seis) no nível alfabético. Conforme podemos verificar no quadro 7 a seguir:

Quadro 7 - Hipóteses de escrita dos alunos da professora 2.

Fonte: Dados coletados dos cadernos de registro da professora 2.

Níveis de escrita Quantidade de alunos Início do 1º semestre Início do 2º semestre Pré- silábico 18 4 Silábico quantitativo 1 0 Silábico qualitativo 2 4 Silábico-alfabético 0 4 Alfabético 3 10 Total 24 22 Níveis de escrita Quantidade de alunos Inicio do 1º semestre Início do 2º semestre Pré- silábico 16 1 Silábico quantitativo 4 5 Silábico qualitativo 2 9 Silábico-alfabético 1 2 Alfabético 1 6 Total 24 23

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