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3. Crises non classées

3.7.11. DIANOSTIC DIFFERENTIEL : [17]

Para este tópico, três das questões abertas e quatro do questionário fechado tratam do perfil do aluno e do professor. Analisemos os excertos das alunas em formação.

A questão 8 pergunta qual é o perfil de um bom professor: quatro dizem que o bom professor tem que dominar o assunto; duas atribuem como característica fundamental o dinamismo; outra, o ato de ajudar o aprendiz; e uma afirma que é necessário ser amigo do aluno (questão afetiva). Vejamos os excertos a seguir:

• “Preocupado em realmente ensinar [...] que não só tenha conhecimento da língua, mas também do seu povo.” (A1)

“[...] domina a disciplina” (A2)

• “[...] empenho em tornar, ajudar o aprendiz a comunicar-se [...]” (A3)

“Dinâmico, ter domínio do assunto, tem que gostar do que faz.” (A4)

• “Dinâmico e simpático [...]” (A5)

“[...] capacitado a transmitir o conteúdo [...], amigo do aluno sem deixar de exigir [...]” (A6)

“[...] dominar o assunto [...] e didática” (A7)

Conforme exposto, A2, A4, A6 e A7, a maioria, atribuem como papel do professor dominar o conteúdo, o que demonstra que a crença de que seja necessário o domínio do idioma para se aprender e, conseqüentemente, ensinar está bem marcada para as alunas.

A questão 16 pergunta quais são os papéis do professor e do aluno, obtendo as seguintes respostas:

“O professor é um mediador entre o saber (conhecimento) e o aluno

que esta ali para obter este conhecimento.” (A1)

“Tenho o professor como um mediador e o aluno não uma pessoa sem luz ou seja ele tem seu próprio conhecimento.” (A2)

“Professor — mediar o processo de aprendizagem. Aluno — interagir com o processo, empenhar-se, envolver-se, participar.” (A3)

“Direcionar, digo, o papel do professor é proporcionar mais conhecimento ao aluno, [...] o aluno tem o papel de absorver o conhecimento passado [...]” (A4)

• “Tanto professor e aluno têm que tomar consciência que ambos ensinam e aprendem reciprocamente.” (A5)

“Professor é mediador do conhecimento [...]. O aluno tem o papel e o

dever de se empenhar cumprindo o que lhe é exigido.” (A6)

“O professor é o mediador, o conselheiro. O aluno o receptor, o aprendiz.” (A7)

Das respostas acima, percebemos algumas contradições, pois, embora a maioria das assertivas indicarem ser papel do professor fazer a mediação entre o aluno e o conhecimento, quatro alunas acreditam ser papel do aluno receber, absorver, obter o conhecimento transmitido.

Em A1, A4, A6 e A7, é possível a visão passiva dada ao aprendiz no processo de aprendizagem, justificando-se a dificuldade de muitos alunos em adquirir autonomia em seus estudos, uma vez que dependem dos professores para aprender, sendo a ausência de um professor que só transmite conhecimento um dos motivos (argumento delas) para o seu fracasso no processo de aprendizagem de uma LE.

A questão 22 pedia para as alunas comentarem a assertiva de que é necessário o domínio da gramática para ser um bom professor de espanhol. As respostas foram as seguintes:

“não só a gramática, mas é necessário falar bem, expressar de forma

correta [...]” (A1)

“A gramática faz parte, mas não é tudo.” (A2)

“Creio que não, se considerarmos que o professor precisa estimular o aprendiz a desenvolver outras habilidades.” (A3)

“Não basta dominar a gramática, precisa saber aplicá-la na oralidade levando em considerações as questões lingüísticas.” (A4)

• “É importante [...]” (A5)

“Não, é necessário ter um certo domínio na língua tanto falada quanto escrita.” (A6)

• “Realmente [...]” (A7)

Nota-se que, embora quatro tenham dito que a gramática não é tudo, ainda assim, a maioria atribui um grande papel para a gramática, conforme diz Basso (2006):

[...] crença de que o domínio da língua é o marco decisivo entre ser e não ser um bom professor. Essa crença tem perpassado todo o ensino de línguas estrangeiras no Brasil sem sofrer alterações profundas e sustenta outra crença: de que competência profissional restringe-se quase que tão somente ao conhecimento de métodos, técnicas e teorias [...] Não foi mencionado o papel do professor de LE como mediador entre o mundo e o educando, da ponte entre saber e o saber mais, [...] nem tampouco mencionam as dimensões ética, social e política inerentes à profissão de educador pelas línguas. (p. 73-74)

É bem verdade que as participantes da pesquisa entendem, em parte, que o papel do professor é ser mediador, mas, ao se observar novamente as respostas das alunas, percebe-se que a mediação não é em relação ao mundo, mas está diretamente relacionada ao conhecimento da língua (metalíngua). Apresento, mais uma vez, algumas dessas questões:

“O professor é um mediador entre o saber (conhecimento) e o aluno que está ali para obter este conhecimento.” (A1)

“Professor — mediar o processo de aprendizagem. Aluno — interagir com o processo, empenhar-se, envolver-se, participar.” (A3)

“Direcionar, digo, o papel do professor é proporcionar mais conhecimento

ao aluno, [...] o aluno tem o papel de absorver o conhecimento passado [...]”

(A4)

“Professor é mediador do conhecimento [...]. O aluno tem o papel e o dever de se empenhar cumprindo o que lhe é exigido.” (A6)

As quatro próximas questões se encontram no questionário fechado. A primeira delas é a de número 26, esta afirma que para ser um bom professor não é necessário o uso de recursos audiovisuais. Das cinco opções que o questionário oferece, seis alunas responderam que não concordam e uma concordou em parte.

A assertiva 29 é a de que a aprendizagem de uma língua depende por completo da ajuda do professor. Cinco alunas responderam que concordam em parte e duas disseram que não concordam.

De acordo com Basso (2006, p. 75), “[...] os alunos dependem muito do professor”, sendo importante que esses profissionais mudem sua maneira de entender o papel que possuem, pois não mais desejamos os professores “[...] como repassadores e mantenedores de mitos, de subserviência escancarada pelo não domínio desejado da nova língua, mas como construtores de novos significados [...]”. A assertiva de número 30 é a de que os alunos não aprendem espanhol porque não estudam. Todas responderam que concordam em parte, o que demonstra que as participantes da pesquisa têm a consciência da sua participação no processo de aprendizagem.

A última assertiva que faz referência ao papel de professor e do aluno foi a de número 34, a qual indica que os professores de LE precisam ser fluentes para ensinar de forma comunicativa. Cinco disseram que não concordam e apenas duas afirmaram que concordam em parte.

Nessa segunda categoria (papel do professor e do aluno), as alunas atribuíram como papel do professor: dominar a disciplina (a gramática), mediar o conhecimento. Já o papel do aluno está muito relacionado com o que se espera do professor, isso porque o aluno, de acordo com as respostas apresentadas, depende do professor para aprender a LE.