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Dialogue des canaux

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A criação imagética que referenciam a cultura nordestina produziram resultados movidos por práticas e estratégias que vão ao encontro de objetivos políticos, econômicos e sociais comuns a específicos grupos e a especificas atividades, como o turismo. São ideias que se fundam em tomadas de referentes para a construção de uma identidade, contudo de referentes que também tem uma identidade a ser definida diante do seu caráter convencional e di- nâmico, tornando complexa a sustentação de identidades baseadas em um acervo imagético. Se no Brasil há uma diversidade de formas

e de expressão de diferentes povos, como definir o que realmente é autêntico, nacional ou nordestino?

As identidades oferecidas, com a aceleração temporal e com as trocas espaciais, ficam cada vez mais difíceis de serem sustentadas. Mas a necessidade de produção as absorvem em um mercado de bens simbólicos e de turismo massivo. Que necessita propagar o singular. Em geral, as particularidades que identificam a região Nordeste, são aspectos culturais direcionados e “resgatados” por políticas públicas de incentivo, baseados em modelos gerais para o fomento da atividade turística na região Nordeste, dando vistas ao exotismo da natureza e dos estereótipos locais. São imagens que não existem em si mesmas, mas sustentam-se baseadas na veracidade imposta por diferentes discursos, como os da imagem fotográfica, enquanto prova de real, que funciona como produtora de sentidos. Deste modo, a cultura popular nordestina, direcionada mais detidamente ao folclore e a religiosidade, são realidades inventadas e definidas de acordo com a maneira que deveria ser vista, ser pensada e ser dita. Onde um grupo dominante foi definindo, instituindo o que deveria ser particular e essencial para identificar a região. O que traz à tona uma maneira de duvidar, de questionar do discurso do senso comum, que busca justificar-se por si só, impregnando-nos do que é coletivamente classificado como bom.

As revistas, como Fatos e Fotos, ainda encontram seu espaço em um mercado editorial, com sua importância social, mas o uso coti- diano das tecnologias da informação e da comunicação, majoritaria- mente, deslocaram os olhares para os espaços virtuais. Atualmente, as imagens fotográficas encontraram novos suportes no universo

online, são principalmente, veiculadas em redes sociais, em sites, ca- tálogos, blogs e etc., mas continuam agenciando diversas estratégias em sua dinâmica. São imagens que diferente do que pensamento, não estão cristalizada em seus sentidos e visualidades, mas que estão en- voltas em múltiplos sentidos, que são temporais e espaciais.

REFERÊNCIAS

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TABET, Luís Carlos Gomes. Reflexões sobre o Terciário e o Turismo no Brasil. In: Boletim Técnico do Senac. Rio de Janeiro: Editora

Bruna Raquel A. M. Lôbo Maria Lúcia Bastos Alves

Os anseios provocados pelo folheto eram um exem- plo, ao mesmo tempo comovente e decepcionante, de como projetos (até mesmo vidas inteiras) podem ser influenciados pelas imagens mais simples e contro- versas da felicidade; de como uma viagem prolongada e dispendiosíssima poderia ser posta em andamento por nada mais que a visão da fotografia [...].

De Botton (2003, p. 16, 17)

A epígrafe acima se faz pertinente à medida em que a força imagética é um dos grandes mecanismos de sedução. A sua condição concreta de estar na dimensão da aparência adquire o caráter de observadora da realidade. O indivíduo não resiste a uma imagem instigante; sobrevém-lhe uma vertiginosa obrigação sem sentido de experienciar e sobretudo entender aquilo que vê em uma imagem bidimensional. Desde muito tempo, o homem permanece instigado e dominado, seja no momento da pose para uma foto, seja quando se torna objeto de veneração. As fotografias de família emolduradas na sala de visitas ou as de viagens exibidas

em sites de relacionamentos são exemplos de como a foto continua fazendo parte da vida social. A foto comprada pelas agências de divulgação turística possui a meta de se apoderar dos desejos de pessoas fatigadas com seu cotidiano, indicando o que deve ser visto nas viagens, por meio de imagens vinculadas a ideia da felicidade que não existe na rotina dessas pessoas. Assim, se faz o marketing. As fotos neste meio são capazes de cumprir seu papel de venda da felicidade, em qualquer lugar que não seja a sua casa, sem precisar para isso, um contexto ou referencial, mas apenas a sua força indicial, visto que a imagem no Turismo é mais importante do que qualquer outro recurso de estímulo para o consumo no marketing (SONTAG, 2004; BAUDRILLARD, 1991; LEAL, 2006; GASTAL, 2005).

Este estudo elencou a fotografia como objeto de uma leitura sociológica do atrativo turístico1 na cidade de João Pessoa, inclu- sive por estar intimamente relacionada com a atividade turística, pois a imagem é essencial para estudos de comportamento, moti- vação e preferência de um sujeito sobre produtos e destinações. Haja vista que provoca um impulso que contribuirá na deman- da turística advinda dos anúncios da mídia, os responsáveis pela disseminação dos olhares de turistas que, no decorrer dos anos, passam a integrar um sistema de ilusões, sem saída e eternizado (COOPER et al, 2001; URRY, 1996).

1Qualquer ativo, recurso ou elemento territorial, patrimonial, infra-estrutural,

paisagístico, enfim, que possa compor um destino, a favor da destinação turística (VALLS, 2006).

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