5. Le langage SysML
5.2 Diagrammes Structurels
O “Grupo de Adolescentes” aconteceu em cinco encontros quinzenais com as duas turmas do 9º ano da Escola Municipal José do Prado. Os temas dis- cutidos foram escolhidos livremente pelos próprios adolescentes através da “Caixa da Dúvida”.
No primeiro encontro, foram apresentados aos alunos os objetivos do pro- jeto, e realizou-se uma dinâmica a fim de conhecer o perfil do grupo.
No método escolhido, os adolescentes colocaram em uma caixa todas as dú- vidas que tinham em relação à sua saúde. O propósito era proporcionar, aos adolescentes, liberdade para expressar suas dúvidas, sem que houvesse cons- trangimento quanto ao assunto questionado ou a possibilidade de crítica e desa- provação por parte dos outros colegas os quais participavam do grupo.
Após analisadas, as perguntas foram divididas em quatro eixos temáticos: 1) mudanças psicológicas da adolescência; 2) alimentação saudável, corpo e
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saúde (prática de exercícios físicos e autoimagem corporal); 3) álcool e drogas; 4) saúde sexual e reprodutiva. Estes foram os temas trabalhados nos encontros posteriores, sendo que, ao final de cada encontro, os alunos tinham a possibili- dade de depositar, na “Caixa da Dúvida”, suas impressões em relação àquele en- contro, fazer sugestões e críticas ou até mesmo outras perguntas.
Além da exposição dialogada, a utilização de dinâmicas de grupo consti- tuiu-se como agente facilitador para a criação de um espaço de discussão em que os alunos fossem não apenas expectadores, mas participantes do processo. A utilização de músicas, desenhos e pequenos vídeos nas dinâmicas foram úteis tanto para descontrair um inicio de conversa, quanto para trabalhar assuntos como timidez e autoimagem. Assim, as questões discutidas foram direcionadas pelos próprios adolescentes, que apesar de tímidos, por vezes arriscavam-se a dar depoimentos e fazer questionamentos durante os encontros.
Ao discutir o tema “mudanças físicas e psicológicas da adolescência”, a utilização do autorretrato foi uma alternativa para perceber como os adoles- centes se enxergavam e qual estereótipo adotavam de “corpo perfeito”. Du- rante observação dos desenhos, e ao abrir espaço para que falassem sobre o que haviam desenhado, foi possível estabelecer o diálogo sobre a falsa ideia do corpo perfeito vendido pela mídia e idealizado por muitos que, na busca por aceitação social, comum na adolescência, não medem esforços e, até mesmo, colocam sua saúde em risco para ter o estereótipo físico ideal. A participação efetiva das meninas foi evidente, por vezes trazendo contribuições de suas vi- vências nesse assunto.
Visando conhecer hábitos alimentares e as relações estabelecidas pelos adolescentes com a alimentação, foi proposta a dinâmica “Que alimento sou eu?”, a qual consistiu em distribuir papel e lápis colorido, e solicitar aos ado- lescentes que desenhassem um alimento o qual os representava. Logo após, colocamos todos os desenhos no centro da sala e pedimos que eles explicas- sem sobre o desenho. Assim, além de conhecer quais alimentos faziam par- te de seus hábitos alimentares diários, foi possível perceber quais relações estabeleciam com os alimentos, por exemplo, um adolescente que desenhou um pêssego, fruta atípica da região, afirmando ter desejo de poder conhecer tal fruta.
Para discutir com os adolescentes sua percepção e vivências quanto ao uso de álcool e outras drogas, utilizou-se uma metodologia expositiva e participa- tiva, em que os adolescentes descreviam, no quadro branco, quais aspectos
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consideravam positivos e negativos no uso das drogas mais comuns na região, álcool e tabaco. Os jovens demonstraram bastante sinceridade ao expor a fa- cilidade de acesso a essas substâncias e motivos pelos quais fazem uso das mesmas, dentre os quais se destacam a coerção e busca pela aceitação por par- te dos seus pares. Ao final, fizemos uma breve apresentação sobre o uso das substâncias psicoativas na adolescência e suas consequências para o indivíduo e a sociedade.
A roda de conversa sobre saúde sexual e reprodutiva foi desafiadora e di- vertida. Inicialmente, preparamos uma curta apresentação visual com figuras sobre o corpo do homem e corpo da mulher e as diferenças no sistema ge- nital e reprodutor de ambos, e, ao final, a pergunta “o que é o amor?”, como geradora da discussão sobre reprodução e sexualidade. Após calorosa discus- são, no qual se evidenciaram, principalmente, as questões relacionadas a gê- nero, passamos a “Caixa da Dúvida” para que os adolescentes depositassem perguntas. Pela grande quantidade e complexidade das questões abordadas, foi preciso que destinássemos mais um encontro para discutir o tema saúde sexual e reprodutiva. Dúvidas relacionadas tanto a questões afetivas, como a idade certa para namorar e ter relações, por exemplo, quanto outras questões mais “técnicas”, tal como qual melhor método anticoncepcional para a adoles- centes, foram problematizadas com os adolescentes, de modo a permitir que exerçam suas escolhas autonomamente, porém com as informações necessá- rias e adequadas.
Além dos eixos temáticos anteriormente estabelecidos para discussão no grupo, um dos principais questionamentos depositados na “Caixa da Dúvida” foi “como vencer a timidez?”. Para tratar desse assunto, além da exposição dia- logada, propomos uma dinâmica em que, de olhos vendados, eles dançavam em pares ao som de uma música. Enquanto dançavam, deveriam conversar com a pessoa e tentar descobrir quem era. Ao final da dinâmica, foi interessante per- ceber como os adolescentes se assustavam quando percebiam estar dançando tão alegremente com alguém que comumente não conversavam. A existência de pequenos grupos de afinidade, em uma sala com aproximadamente 30 alunos, que, apesar de conviverem em média dois anos, não tinham laços mais estabele- cidos de convívio, conforme afirmação dos próprios adolescentes, também foi percebida por nós. Alguns adolescentes afirmaram ainda não ter conseguido descobrir como vencer a timidez, mas reconheceram que aquele espaço seria importante para lidar com essa questão.
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E OS DESAFIOS?
Inicialmente, assustou-nos a possibilidade de estar em uma sala de aula com um grupo de aproximadamente 30 adolescentes, discutindo assuntos relacionados à sua saúde, principalmente aqueles relativos à sexualidade, os quais, geralmen- te, carregam em si tabus e constrangimentos apenas ao mencioná-los. A aber- tura ao diálogo franco e desprovido de preconceitos mostrou-se como um exce- lente caminho para lidar com essa questão. Optou-se pela escuta na maior parte do tempo, em detrimento de falas prescritivas e moralistas, por vezes distantes da realidade vivenciada pelos adolescentes.
A adequação do conteúdo a ser discutido às especificidades dos adolescen- tes rurais tornou-se um desafio instigante, contudo, de complexa resolução, posto que a realidade vivenciada pelas pessoas por vezes mostra-se distante das apreensões teóricas produzidas na universidade. Assim, ao trabalhar temas como alimentação saudável e prática de exercícios físicos, deparamo-nos com iniquidades não pertencentes ao setor saúde – como baixas condições socioeco- nômicas e ausências de áreas públicas de lazer, que nos levaram a discutir com os adolescentes seu papel de cidadãos e participação social na busca por melho- rias nas condições de vida da comunidade.
Por fim, a comunicação constante com as preceptoras e a tutora, as quais co- ordenavam os discentes responsáveis pelo grupo, possibilitou desenvolver me- canismos para lidar com tensões pontuais, como a desatenção e inquietação dos adolescentes durante os encontros, além de lidar com as especificidades desse grupo, como a timidez, e conseguir estimular a discussão e a participação dos adolescentes durante os encontros, pois, como a maioria dos adolescentes havia referido, a timidez era um dos aspectos que os caracterizava, dificultando não apenas suas relações interpessoais, mas também o desenvolvimento de ativida- des escolares, tais como seminários, dentre outras que demandassem a necessi- dade de falar em público.
E OS RESULTADOS?
Não foi possível a construção de um instrumento avaliativo especifico para ava- liação das contribuições do grupo para os adolescentes. Entretanto, no último encontro, passamos a “Caixa da Dúvida” para que depositassem suas percep- ções e críticas sobre o grupo. A maioria dos adolescentes afirmou ter sido po- derem conversar sobre saúde, um assunto que pensam apenas quando estão
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doentes. Ainda, declararam ter sido “legal poder falar de assuntos que a gente não conversa em casa”, como disseram alguns deles.
Para a escola, conforme conversa com professores e direção, o grupo foi de elevada importância ao possibilitar a discussão de assuntos que muitos profes- sores não se sentem preparados para trabalhar, mesmo porque nem sempre re- cebem formação teórica ou técnica para lidar com assuntos os quais fogem ao setor educação.
Apesar de não ser passível de avaliação, acredita-se que a presença dos pro- fissionais e estudantes de Saúde na referida Escola sirva como elo de aproxima- ção e fortalecimento de vínculos para que os adolescentes tenham interesse em buscar atendimento na USF, e sintam liberdade em considerar aquele espaço como referencial para o cuidado à sua saúde.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Promover saúde efetivamente não se configura numa tarefa simples, principal- mente quando direcionada a adolescentes rurais, os quais vivem uma ambigui- dade de realidades, em que transitam entre as tradições rurais e as modernida- des da zona urbana. Logo, o sucesso da experiência aqui relatada deve-se muito ao estabelecimento de parceria intersetorial.
O apoio da escola foi essencial para o bom êxito das atividades propostas. A colaboração da direção e dos docentes, bem como a disponibilização de ins- talações físicas e recursos materiais, possibilitou melhor organização, maior qualidade e abrangência das ações desenvolvidas.
Para a finalização das atividades, realizamos a “I Feira de Saúde Adoles- cente”, com o objetivo de apresentar a proposta do “Grupo de Adolescentes” a todos os escolares do Ensino Fundamental II, 6º ao 9º ano, e, ao mesmo tem- po, proporcionar um momento de lazer, arte e cultura, divididos em oficinas de saúde bucal, exercícios físicos e saúde, planejamento familiar, saúde sexual, artesanato, orientação vocacional, orientação nutricional e primeiros socor- ros. Ao final da Feira, foram sorteados brindes doados pela comunidade para os adolescentes e um cantor local realizou uma apresentação musical, promo- vendo, também, um espaço de interação para todos.
Por fim, a impossibilidade de ter acesso aos demais adolescentes, não es- colares, inquietou-nos para a necessidade de conhecer o perfil dos adolescen- tes atendidos pela USF/Pradoso e, assim, propor outras ações de promoção
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da saúde e prevenção de doenças para esse grupo populacional. Diante disso, propôs-se a construção do Projeto ADOLESCER: Avaliação da Saúde do Ado- lescente da Zona Rural e dos seus Condicionantes, ainda em andamento, com vistas à investigação dos determinantes sociais, as condições de saúde e a utili- zação dos serviços de saúde pelos adolescentes, buscando traçar o perfil epide- miológico dessa população.
Esperamos, através deste relato, sensibilizar outros atores da Saúde a olha- rem com mais atenção às necessidades de saúde dos adolescentes, pois acredi- tamos e defendemos o que preconiza as Diretrizes Nacionais para Saúde Inte- gral de Adolescentes e Jovens, ao afirmar que investir na saúde da população de adolescentes e de jovens é custo-efetivo, uma vez que garantir a qualidade de vida é garantir também a energia, o espírito criativo, inovador e construtivo da população jovem, a qual deve ser considerada como um rico potencial capaz de influenciar de forma positiva o desenvolvimento do país. (BRASIL, 2010)
REFERÊNCIAS
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NÍLIA MARIA DE BRITO LIMA PRADO, ETNA KALIANE DA SILVA, REBECA PINHEIRO AGUILAR, AMANDA AVELAR LIMA,
HELLEN DAYANE DOS SANTOS MARINHO, JÉSSIKA MENDES REIS