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1. Diagnostic et évaluation initiale

1.3 Contenu de l’évaluation initiale

1.3.1 Diagnostic prénatal

A freguesia de Tuías desde sempre esteve adstrita ao distrito e diocese do Porto. Dentro dos limites do concelho a sua área mais urbanizada localiza-se no seio da cidade do Marco de Canaveses e acusa as demarcações, a Norte, pela fronteira com as freguesias de S. Nicolau e Fornos, a Sul pela de Avessadas e Freixo, sendo a Este confrontada com a extremidade da freguesia de Rio de Galinhas e estabelecendo o rio Tâmega, a Oeste, o termo do seu território. A área total compreendida é de 6,44 Km2, enquanto a densidade populacional apresentada no Retrato da Freguesia elaborado pelo I. N. E. em 2001 é de 498, 1 habitantes por Km2.

Com base nas ilações de alguns estudiosos da região, o topónimo local teria a sua origem no plural de tuia (thuya), planta que noutros tempos abundava nesta terra82. A descoberta de vestígios de edificações castrejas e utensílios domésticos muito remotos certificam o povoamento do espaço que constitui as freguesias de Tuías e do Freixo, em épocas cujo período remonta a um longínquo passado da história humana. Efectivamente, os mesmos indícios denunciam a presença de povos pré e proto- históricos que aqui terão erigido as suas estâncias, do que é prova testemunhal a cidade de Tongobriga. Outro dos aspectos mais marcantes da história desta freguesia é o da confirmação da existência de um mosteiro, na Idade Média, cuja data de fundação não é conhecida, mas acerca do qual sobrevivem referências em documentos datados de 1163. De facto, uma «Carta de Liberdade» concedida por Teresa Afonso (viúva de Egas Moniz) ao convento, no ano assinalado, evidencia a subsistência do mesmo83. Várias outras fontes documentais atestam e confirmam também este legado histórico.

82 AGUIAR, Pe. M. Vieira de: 327. 83

Ao longo das Idades Média e Moderna Tuías deteve, de acordo com a sua integração na organização administrativa municipal de então, a designação de couto84. As cartas de couto eram concedidas por meio de uma transmissão senhorial ou determinação régia. Usualmente eram outorgadas em favor de patronos de fundações religiosas protegidas pelo próprio rei. O documento garantia a posse duma propriedade e uma função, ou cargo político, muitas vezes recompensada com a doação de terras, nas quais era permitido o exercício do poder sem a intromissão dos funcionários régios. Alguns dos concelhos medievais foram formados a partir de coutos. A carta de couto ao mosteiro de Tuías terá sido concedida por D. Afonso Henriques, a favor de D. Egas Moniz e de sua mulher, Teresa Afonso, havendo da mesma referência nas actas das inquirições de D. Afonso III85. Em 1692, em conformidade com medidas régias que restabeleciam o poder total nas mãos da Coroa, muitos coutos foram extintos. Esta determinação foi posteriormente restringida por lei, em 1703. Quando, em 1836, foi instituído o concelho do Marco de Soalhães, o couto de Tuías foi anexado ao recém-criado município86. Desde a criação do concelho em que está inserida, a freguesia patenteou algumas ocorrências que a destacaram. Foi um dos seus concidadãos, Adriano José de Carvalho e Melo, nascido e criado na Casa da Picota - uma das casas senhoriais integrantes da localidade - que, na qualidade de administrador do concelho do Marco de Soalhães e deputado representante do mesmo concelho, obteve da rainha Dª Maria II a aprovação para a fundação do município do Marco de Canaveses, em 31 de Março de 1852. Deste deferimento resultou a junção dos municípios do Marco de Soalhães e de Benviver, os quais passaram a constituir um só concelho. Foi também numa casa senhorial de Tuías, a Casa da Quinta (temporariamente a funcionar como Tribunal concelhio), que no mesmo ano foi julgada a quadrilha liderada pelo salteador Zé do Telhado, muito embora este não tivesse sido capturado no mesmo período e apenas anos mais tarde fosse sujeito a julgamento.

As condições geofísicas do território que constitui a freguesia de Tuías possibilitaram uma ocupação humana assente na economia rural. Delimitada a Oeste pelas águas do rio Tâmega e a Sul pelas da ribeira de Vilar87 que a separam de Avessadas, os seus solo e clima concorrem para uma fusão de factores de fertilidade propícios à actividade

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MONTEIRO, Emília: 31 - I Volume, e 16 – II Volume. AGUIAR, Pe. M. Vieira: 327.

85 COELHO, Maria Helena da Cruz: 291. 86 MONTEIRO, Maria Emília: 16, IIº Volume. 87

agrícola. E é assim que a encontramos, na década de 60, com uma população fortemente ligada à exploração da terra e à eventual comercialização dos produtos excedentários da mesma. Com efeito, no breve espaço de tempo que medeia o início dos anos 60 e o ciclo que assinala o fim do regime salazarista, a sociedade estabelecida em Tuías manifestava uma tendência ruralista, alicerçada na preservação de tradicionalismos coadjuvados por uma resistência à permeabilidade de agentes fomentadores de modernidade. O forte pendor religioso promovia os elos de ligação da comunidade que se congregava em torno de símbolos como o sino da torre da igreja, veículo propiciador da regulação horária e dos acontecimentos mais representativos, como as festividades ligadas aos ciclos agrícolas e ao calendário religioso, ou os ritos de baptismo, matrimónio e óbito dos residentes da paróquia.

Na generalidade a agricultura desenvolvia-se de acordo com modelos de arrendamento que limitavam intensamente o rendimento do agricultor88 e, consequentemente, as suas condições de vida. Nestas circunstâncias, o camponês sentia-se impelido à procura de formas de compensação das carências originadas pelo labor agrícola. Acontecia assim que, a par da lavoura como actividade principal, se praticavam também outras profissões a tempo parcial, de entre as quais se podem destacar as de camponês/carpinteiro, camponês/moleiro, camponesa/costureira, camponesa/tecedeira, etc… No entanto coexistiam também indivíduos a executarem o seu ofício, ou arte, a tempo inteiro: o ferreiro, o alfaiate, o pedreiro e o comerciante são alguns exemplos das demais ocupações praticadas. Observe-se que, muito embora no seio da maior parte das famílias ligadas à exploração rural a mulher desempenhasse um papel activo nas lides campesinas, nas situações em que o chefe de família exercia uma actividade inteiramente distinta do labor agrícola, a função da mulher era, maioritária e meramente, a de cuidar das tarefas domésticas, dado que o emprego fabril ainda não conhecera o ímpeto que posteriormente viria a alcançar.

O Porto e os seus subúrbios industrializados exerciam uma atracção ao nível das ocupações profissionais, favorecida pela facilidade de deslocação proporcionada pela utilização do comboio como meio de transporte. Por outro lado, a emigração para outros países também teve aqui a adesão de uma observável parcela de nativos locais.

Entretanto, muitas alterações ocorreram nos âmbitos da área territorial e do tecido social que constituem Tuías. Actualmente o dinamismo proporcionado pela crescente

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industrialização e o evolutivo adensar do comércio fomentam as condições necessárias à manutenção dos factores de atracção e de fixação das populações, traduzindo-se esta circunstância num progressivo incremento das áreas habitacionais. É sobre a análise do percurso e das condições que facilitaram as mutações da sociedade desta freguesia que se ocuparão as páginas seguintes do corrente estudo.