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Partie théorique

B. Diagnostic paraclinique:

Como se desenvolveu — pelo menos em meus campos de interesse — a historiogra a? Quais as suas relações com as ciências sociais? São essas perguntas que discuto no conjunto de capítulos a seguir.

“A história progrediu?” (ainda inédito) foi apresentado como aula inaugural, um pouco atrasada, no

Birkbeck College em 1979.

A história progrediu? A pergunta é bastante natural para alguém que se aproxima da aposentadoria e olha para trás após quarenta anos de estudo da história, sucessivamente como estudante universitário, pesquisador e, a partir de 1947, professor no Birkbeck College. É quase como se estivesse perguntando: o que estive fazendo em minha vida pro ssional? Quase, mas não exatamente, pois a pergunta supõe que o termo “progresso” possa ser aplicado a um assunto como história. Pode?

Existem disciplinas acadêmicas às quais obviamente se aplica, e outras às quais poder-se-ia dizer — eu, pelo menos, diria — que não. De certo modo, a distinção hoje é visível em nossas bibliotecas. As ciências naturais, de cujo progresso nenhum observador racional duvidaria realmente, quase não pode mais usar livros, exceto no intuito do ensino relativamente elementar e de uma síntese ocasional e de vida curta do seu campo de estudo, porque seu ritmo de obsolescência é proporcional ao ritmo de progresso, que durante minha — nossa — existência foi prodigioso. Não há nenhum clássico a ser lido, exceto por aqueles com uma sensação de pietas para com seus grandes predecessores, ou pelos interessados na história das ciências. O que sobrevive de Newton ou de Clerk Maxwell ou Mendel foi absorvido na compreensão mais ampla e comprovadamente menos inadequada do universo físico; e, inversamente, o bacharel medíocre comum formado hoje em física possui uma compreensão melhor do universo que a de Newton. Os historiadores e outros analistas do processo e desenvolvimento das ciências naturais sabem que o progresso está longe de ser linear, mas sua existência não pode ser contestada.

Por outro lado, se considerarmos a crítica literária, a única forma de estudo das artes criativas habitualmente praticada nas universidades, o progresso não é demonstrável nem plausível, exceto nas formas relativamente triviais da erudição e da so sticação técnica. A literatura do século XX não é melhor que a do século XVII, tal como a crítica do dr. Johnson também não é pior que a do dr. Leavis, ou nesse sentido, que a de Roland Barthes: é apenas diferente. Sem dúvida, a grande maioria dos textos acadêmicos ou de outros textos críticos não recebe atenção, a não ser de estudantes de doutorado, mas se sobrevivem não é porque são mais recentes e, por isso, substituíram os predecessores, mas porque são escritos por autores que — por razões difíceis de de nir — são considerados dotados de particular perspicácia e compreensão. Claro que há uma parte dos estudos literários que é simplesmente uma forma especializada de história, seja de literatura ou de crítica literária, e meu comentário se aplica tão pouco a esta quanto a outros assuntos similares que não são ensinados como crítica mas como história, ou seja, a história da arte. Os departamentos de inglês leem livros, e talvez por isso também gerem livros.

Há outras disciplinas às quais o conceito de “progresso” parece igualmente difícil de aplicar, pelo menos globalmente: loso a ou direito, por exemplo. Platão não se tornou obsoleto com Descartes, nem Descartes com Kant, nem Kant com Hegel; tampouco podemos detectar um processo de acumulação de sabedoria que assimile e absorva na obra posterior aquilo que permanentemente se mostra verdadeiro na anterior. De fato, muitas vezes observamos meramente a continuação ou revitalização, em termos contemporâneos, de velhos debates, na verdade às vezes muito antigos, um tanto como as produções no estilo dos anos 1920 ou dos anos 1970 de peças de Shakespeare com que os produtores teatrais fazem sua fama. Isso não seria nenhuma crítica maior de tais disciplinas quanto o seria observar que, conquanto as modernas competições atléticas exibam progresso, no sentido de que as pessoas hoje correm mais rapidamente e saltam maiores distâncias que há cinquenta anos e presumivelmente continuarão a superar seus recordes, nenhuma tendência similar pode ser observada nos duelos sempre mutáveis mas essencialmente inalterados dos jogadores de xadrez.

Todavia, a história tem claramente algo em comum com esse segundo tipo de disciplina, no mínimo porque os historiadores não só escrevem mas acima de tudo leem livros, inclusive livros bem velhos. Por outro lado, os historiadores realmente se tornam obsoletos, embora talvez a um ritmo mais lento que os cientistas. Não lemos Gibbon como ainda lemos Kant ou Rousseau, por sua relevância em relação a nossos próprios problemas. Nós o lemos, por certo ainda com uma enorme admiração por sua erudição, não para aprender sobre o Império Romano mas por seus méritos literários; em outras palavras, a maioria dos historiadores em exercício absolutamente não o lê, exceto em suas horas de lazer. Se alguma vez lemos obras de historiadores mais velhos, ou é porque eles nos proporcionaram algum corpus permanente de matéria-prima histórica, como uma edição insuperável de crônicas medievais, ou porque casualmente se interessaram por um tópico que não suscitou obra posterior, mas que, por uma razão ou outra, passou novamente a despertar nosso interesse: em outras palavras, porque nesse tópico não são historiadores velhos. É essa a base econômica da indústria de reedição de textos históricos. Mas é claro que o fato mesmo de um livro poder, dessa forma, vir à tona novamente, mais de um século depois de sua publicação original, suscita, pelo menos por implicação, exatamente a pergunta que estou fazendo a mim mesmo nesta tarde: podemos falar de “progresso” em história e, neste caso, qual o seu caráter?

Não é progresso obviamente na acepção de que os historiadores se tornaram mais cultos ou mais inteligentes. Por certo não se tornaram mais eruditos; entretanto, têm acesso a mais conhecimento. Não estou bem certo se eles se tornaram mais inteligentes, embora seja necessário justi car essa a rmação. No curso do último século ou dois, a história não foi uma disciplina que exigiu grandes faculdades intelectuais. Em certa etapa de minha carreira mantive contato íntimo com uma disciplina que realmente exige considerável capacidade ou pelo menos agilidade mental, ou seja, a economia em Cambridge, Reino Unido e EUA, e nunca me esqueci dessa experiência saudável, porém desanimadora, de tentar acompanhar um grupo muito mais ágil de pessoas. Não estou dizendo que não havia, entre os historiadores de cinquenta anos atrás, pessoas de igual inteligência, embora fosse e ainda seja até certo ponto possível uma pessoa fazer uma grande contribuição e — não inteiramente igual — reputação em história, armada de pouco mais que uma capacidade para trabalho muito árduo e certa engenhosidade de detetive. Pode-se até dizer que a própria hostilidade para com a teoria e a

generalização, que caracterizou grande parte da história acadêmica ortodoxa no longo período em que foi dominada pela tradição do grande Ranke, tenha incentivado os menos dotados intelectualmente, que muitas vezes também eram pouco exigentes intelectualmente. Por outro lado, houve países e períodos nos quais a história atraiu a mentalidade exatamente oposta, como, por exemplo, na França a partir dos anos 1930, onde uma abordagem particular da história — geralmente identi cada como a chamada escola dos Annales — durante algumas décadas se tornou, de fato, a disciplina central nas ciências sociais do país. Em todo caso, não houve nenhuma escassez também de historiadores muito brilhantes. O que talvez se pudesse a rmar é que hoje, para determinados tipos de história — por exemplo, os que exigem o uso de conceitos e modelos de outras disciplinas das ciências sociais, ou da loso a —, é necessário um grau de cerebralismo comparável àquele exigido em tais disciplinas. Pelo menos em parte, a história não é mais nenhuma opção intelectual amena. Mas esse é um detalhe relativamente trivial.

Em que sentido importante se pode dizer que a história progrediu? Não há nenhuma resposta óbvia a essa pergunta, na medida em que não há nenhum acordo entre historiadores sobre o que estão tentando fazer ou, nesse sentido, sobre qual o seu tema de estudo. Para dar um exemplo, tudo o que aconteceu no passado é história; tudo o que acontece agora é história. Enquanto estive exercendo minha pro ssão, ela se estendeu por mais uns quarenta anos e, de quebra, converteu a mim e aos meus contemporâneos — e todos vocês — em tema da história, bem como seus estudiosos ou observadores. Todo estudo histórico, portanto, implica uma seleção, uma seleção minúscula, de algumas coisas da in nidade de atividades humanas no passado, e daquilo que afetou essas atividades. Mas não há nenhum critério geral aceito para se fazer tal seleção e, na medida em que haja algum em qualquer momento dado, é provável que mude. Quando os historiadores achavam que a história era amplamente determinada pelos grandes homens, sua seleção era obviamente diferente daquilo que é quando não o acham. É o que fornece um conjunto tão sólido e e caz de fortalezas que os historiadores reacionários (e os que rejeitam a história) podem converter em reduto, e uma garantia de que este nunca será inteiramente seu último reduto.

Quem quer que investigue o passado de acordo com critérios cientí cos reconhecidos é um historiador, e isso é quase tudo com que concordarão os membros de minha pro ssão. Como posso negar o direito a esse título até mesmo ao mais descuidado cronista de antiguidades triviais? Elas podem parecer trivialidades agora, mas não amanhã. A nal de contas, uma parte considerável da demogra a histórica, um tema que nos últimos vinte anos passou por transformações, apoia-se em material originalmente coletado por genealogistas, seja por motivos de esnobismo ou, como no caso dos mormons de Salt Lake, para ns teológicos, não compartilhados pelos não mórmons. Por isso, os historiadores são constantemente assediados pela introspecção ou perseguidos por um ou outro tipo de contestador losó co e metodológico.

Um modo de evitar tais debates é ver o que tem acontecido de fato na pesquisa histórica no curso das últimas gerações e perguntar se isso indica uma tendência sistemática de desenvolvimento no tema. Isso não prova o “progresso”, mas bem pode mostrar que essa disciplina não é apenas uma espécie de canoa acadêmica oscilando ao sabor das ondas do gosto pessoal, política e ideologia correntes, ou até meramente ao sabor da moda.

Tomemos, por exemplo, a metade da década de 1890, que constitui um ponto decisivo na história das ciências naturais modernas. A história como objeto acadêmico respeitável havia sido solidamente estabelecida. Os arquivos foram organizados, os periódicos-padrão, ainda hoje existentes, acabavam de ser fundados — a English Historical Review, a Revue Historique, a

Historische Zeitschrift, a American Historical Review são, em termos gerais, lhas do último terço

do século XIX — e o caráter da disciplina parecia claro. Os grandes historiadores eram guras temíveis na vida pública — na Inglaterra incluíam os bispos e nobres. Seus princípios e métodos eram comentados pelos franceses, e Lord Acton pensava até que havia chegado o momento para uma história moderna de nitiva de Cambridge que rati caria o progresso da disciplina e, ao mesmo tempo, presumivelmente, tornaria supér ua a questão de seu progresso ulterior. Menos de cinquenta anos depois, mesmo a Universidade de Cambridge, a sede das causas perdidas, pelo menos em termos de história moderna, percebeu que era tão obsoleta que teve de ser completamente substituída. Entretanto, mesmo nesse momento de triunfo havia céticos.

O desa o dizia respeito essencialmente à natureza do objeto de estudo da história — o qual naquela fase era predominantemente narrativa e descritiva, política e institucional, ou o que mais tarde seria ridicularizado na sátira inglesa 1066 and All That [1066 e aquela coisa toda]; o desa o também dizia respeito à possibilidade da generalização histórica. Originava-se essencialmente das ciências sociais e de leigos que acreditavam que a história deveria ser uma forma especial de ciência social. A maioria dos historiadores o ciais rejeitou totalmente essa pretensão. O assunto foi discutido com surpreendente rancor em meados da década de 1890 na Alemanha, no contexto do questionamento de um historiador herético que hoje não nos parece muito heterodoxo, Karl Lamprecht. A história, dizia o ortodoxo, era essencialmente descritiva. As pessoas, eventos, situações, eram tão diferentes que não era possível nenhuma generalização sobre a sociedade. Por isso, não poderia haver “leis históricas”.

Mas, na verdade, o que estava em pauta no caso eram duas questões inter-relacionadas. A primeira era a efetiva seleção do passado que constituía objeto essencial da história ortodoxa. Ela abordava primordialmente a política e, no período moderno, a política dos Estados- nações, particularmente as políticas externas. Concentrava-se nos grandes homens. Embora reconhecesse que outros aspectos do passado poderiam ser investigados, tendia a deixá-los para subdisciplinas como a história da cultura ou a história econômica, cujas relações com a história propriamente dita eram mantidas obscuras, exceto na medida em que constituíssem tema de decisões políticas. Em resumo, sua seleção era estreita e, como era evidente até mesmo na época, politicamente muito parcial. Mas, secundariamente, rejeitava qualquer tentativa de inserir os diversos aspectos do passado em uma relação estrutural sistemática ou causal, particularmente toda tentativa de derivar a política de fatores econômicos e sociais, e acima de tudo todo modelo de desenvolvimento evolutivo das sociedades humanas (conquanto sua própria prática implicasse tal modelo), todo modelo de etapas de desenvolvimento histórico. Essas coisas, como disse Georg von Below, podiam ser populares entre cientistas naturais, filósofos, economistas, juristas ou até mesmo alguns teólogos — mas não tinham nenhum lugar na história.

Na verdade, essa visão era uma reação da segunda metade e nal do século XIX contra os desenvolvimentos anteriores da história, notadamente no século XVIII. Porém, não é essa

minha preocupação aqui. E, em todo caso, os historiadores e economistas e sociólogos de extração historicista do século XVIII, fosse na Escócia ou em Göttingen, eram até então incapazes tecnicamente de resolver o problema de uma história genuinamente abrangente que deveria estabelecer as regularidades gerais da organização social e da mudança social, relacioná-las com as instituições e eventos políticos, e também de levar em conta a singularidade dos eventos e as peculiaridades da decisão humana consciente. O importante é que a posição extrema representada pela ortodoxia rankeana dominante nas universidades ocidentais não era contestada somente em bases ideológicas, mas em função de sua estreiteza e insu ciência; e que ela estava combatendo uma ação de retaguarda, ainda que uma ação entrincheirada.

Enfatizo o primeiro ponto, porque a ortodoxia em si preferia considerar o questionamento como ideológico e, mais especi camente, como um questionamento socialista ou até mesmo marxista. Não foi à toa que os polemistas do Historische Zeitschrift insistiram, em meados da década de 1890, que eram contra a concepção “coletivista” da história, em oposição à “individualista”, e contra uma “concepção materialista da história”; e todo mundo sabia o que isso queria dizer. Mas não era ideológico. Mesmo se deixarmos de lado todas essas ciências e disciplinas que, ao contrário dos historiadores, se recusavam a considerar a história — pelo menos de sua perspectiva — apenas como uma coisa deplorável em vista de uma outra empreendida preferencialmente por reis e grandes homens, a revolta contra a ortodoxia não se con nava a uma ideologia especí ca. Incluía tanto os seguidores de Marx quanto os de Comte, além de pessoas como Lamprecht, que, em termos políticos e ideológicos, estava longe da rebelião. Incluía os seguidores de Max Weber e Durkheim. Na França, por exemplo, a rebelião contra a ortodoxia histórica — a chamada “história de eventos” — deve muito pouco realmente ao marxismo, por razões históricas que aqui não nos concernem. E a ortodoxia já se encontrava em retirada bem antes de 1914, embora efetivamente protegida por seus sustentáculos institucionais. A 11a edição da Enciclopédia Britânica (1910) já observava que, a

partir da metade do século XIX, tinha havido uma tentativa crescente de substituir sistematicamente uma estrutura materialista de análise histórica por uma estrutura idealista, e que isso tinha levado à ascensão da “história econômica ou sociológica”.

Se digo que essa tendência, que continuou progredindo inexoravelmente, era geral, não é porque desejo minimizar a in uência especí ca de Marx e do marxismo sobre ela e dentro dela. Sou a última pessoa a desejar fazer isso e, em todo caso, mesmo no nal do século XIX, poucos observadores competentes teriam desejado fazer o mesmo. O que estou tentando fazer, na verdade, é mostrar que a historiogra a tem caminhado numa direção especí ca durante um período de várias gerações, independentemente das ideologias de seus pro ssionais, e — o que é mais importante — contra a resistência descomunalmente poderosa e institucionalmente entrincheirada da pro ssão de historiador. Antes de 1914, a pressão em grande parte se originava dessa história externa: de economistas (que em alguns países possuíam um forte viés histórico), de sociólogos, de geógrafos (em apenas um caso, o da França) e até mesmo de advogados. Se pensarmos, por exemplo, na questão crucial e muito discutida das relações entre sociedade e religião, ou, mais especi camente, entre protestantismo e o surgimento do capitalismo, os textos clássicos originais — deixando de lado as observações de Marx que constituíram o ponto de partida dessa discussão — são os de Max Weber, um sociólogo, e

Troeltsch, um teólogo. Mais tarde, a ortodoxia foi minada a partir de dentro. Na França, os famosos Annales — cujo título inicial e característico era Annales d’Histoire Economique et Sociale

— atacavam a fortaleza de Paris a partir da base provinciana de Estrasburgo; na Inglaterra, o

periódico Past and Present, que consolidou uma posição internacional com rapidez surpreendente nos anos 1950, foi inaugurado por um punhado de marxistas leigos, embora em pouco tempo tenha alargado sua base. Na Alemanha Ocidental, primeiro e talvez último bastião da tradição, ela era contestada nos anos 1960 por oponentes radicais do nacionalismo alemão e por pessoas que deliberadamente buscavam inspiração em um ou dois historiadores do período de Weimar que poderiam ser considerados democratas e republicanos; e a ênfase principal desse grupo mais uma vez reside em explicar a política em termos de desenvolvimentos sociais e econômicos.

A tendência, então, não está em dúvida. Basta comparar um manual inglês-padrão de história europeia escrito no período entreguerras, como o de Grant e Temperley, Europe in the

Nineteenth and Twentieth Centuries , com um trabalho contemporâneo-padrão, como o de John

Roberts, Europe 1880-1945, para perceber a extraordinária transformação por que passou esse tipo de literatura desde meus tempos de estudante: e estou escolhendo um autor moderno que se orgulharia de ser um sincero homem de centro, ou até mesmo uma sombra do lado conservador. O livro mais velho começa com um breve capítulo de dezesseis páginas sobre a Europa moderna que esboça o sistema estatal e o equilíbrio de poder e os principais Estados do continente, acrescentando alguns comentários sobre os philosophes franceses — Voltaire, Rousseau e assim por diante — e Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O livro novo, publicado pela primeira vez quarenta anos depois do velho, começa com o que é, essencialmente, um capítulo longo sobre a estrutura econômica da Europa, seguido de um capítulo menor sobre “sociedade: instituições e premissas”, padrões políticos e religião: ambos os capítulos — antes mesmo de chegarmos às relações internacionais — tomam cerca de sessenta páginas cada um.

Em essência, o que assistimos durante o século XX é justamente o que os historiadores ortodoxos da década de 1890 rejeitavam por completo: uma aproximação entre a história e as ciências sociais. É claro que a história não pode ser mais que parcialmente subordinada sob o

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