3. RADON MITIGATION STRATEGIES IN EXISTING BUILDINGS
3.1. DIAGNOSTICS AND INVESTIGATION
3.1.2. Diagnostic measurement
A Tabela 10 apresenta os valores de desempenho normalizados por tema segundo a equação (2) e os valores globais para cada base de custos obtidos com a equação (3).
Tabela 10 – Valores Globais (G) do desempenho das bases de dados de custos
Tema TCPO SINAPI ORSE CYPE BCCA BDCCM Média
IC 0.7 0.2 0.8 1.0 0.2 0.5 0.6 RC/WG 0.4 0.1 0.4 0.8 0.4 0.5 0.4 WC/EC 0.0 0.0 0.0 0.2 0.3 0.2 0.1 MC/PE 0.5 0.5 0.4 0.4 0.4 0.4 0.4 H/S 0.7 0.2 0.7 0.7 0.2 0.2 0.5 Soma (G) 2.3 1.0 2.3 3.1 1.5 1.8
Notas: Informação e Comunicação (I/C), Consumo de Recursos e Geração de Resíduos (RC/WG), Consumo de Água e Energia (WC/EC), Circulação de Máquinas e Emissão de Poluição (MC/PE), Saúde e Segurança Ocupacional (H/S).
No geral, as bases de custo analisadas apresentaram baixo desempenho na maioria dos aspectos de comunicação ambiental, especialmente no consumo de água e energia, uso de máquina, emissão de ruídos e poluição, e informações relacionadas à segurança e saúde. Os aspectos de consumo de água e energia foram aqueles que apresentaram as piores médias para o conjunto de bases de custo. De fato, exceto a BCCA, as outras bases consideram a água como uma despesa do canteiro sem apresentar um método para quantificar o seu consumo em função do volume das atividades.
A Figura 79 apresenta o desempenho de cada base de custo para os valores globais segundo os aspectos de avaliação selecionados. Analisando os resultados, observa-se que algumas bases se destacaram na qualidade da informação ambiental associada aos dados disponíveis. Considerando todas as bases, o Gerador de Preços da CYPE (GP CYPE) foi o que apresentou um melhor índice, registrando 3.1 pontos, seguido Tabela de Composições de Preços para Orçamentos (TCPO) da PINI Editora e o Sistema de Orçamento de Obras de Sergipe (ORSE), ambas com 2.3 pontos. No grupo com os piores resultados ficaram as bases regionais da Espanha, a Base de Precios de la Construcción de la Comunidad de Madrid
(BDCCM) com 1.8 pontos e a Base de Costes de la Construcción de Andalucía (BCCA), com 1.5 pontos. O pior desempenho foi do o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), com desempenho global de apenas 1 ponto.
Notas: Informação e Comunicação (I/C), Consumo de Recursos e Geração de Resíduos (RC/WG), Consumo de Água e Energia (WC/EC), Circulação de Máquinas e Emissão de Poluição (MC/PE), Saúde e Segurança Ocupacional (H/S).
Figura 79 – Avaliação da Comunicação Ambiental das bases de custos
7.5 Conclusões do capítulo
Este capítulo analisou um conjunto de bases de custo para identificar relações entre dados de custo e informação ambiental. Inicialmente, foi realizada uma revisão sistemática da literatura internacional sobre bases de custos em estudos ambientais, seguida da análise documental dos currículos dos cursos de engenharia para levantamento das bases de custos mais citadas. Esta etapa caracterizou o estado da arte e estado da técnica para a seleção das amostras e definição dos critérios de coleta e de análise dos dados. Posteriormente, foi aplicada uma matriz de avaliação da comunicação ambiental sobre as bases de custos. Finalmente, os resultados do desempenho de cada base de custos foram comparados.
A utilização das bases de custos em estudos ambientais tem aumentando na última década. Entretanto, como observado na revisão bibliográfica, verificou-se que estas ainda são adotadas como instrumento auxiliar para preencher a falta de dados quantitativos na avaliação ambiental. Assim, a partir da estrutura e dos dados que compõem tais bases de custo são extraídas informações que combinadas com ferramentas de análise ambiental permitem obter indicadores ambientais, tais como consumo de recursos (materiais, água e
energia), geração de resíduos e emissões de poluentes. Este processo poderia ser sistematizado, caso as bases de custos incorporassem indicadores ambientais diretos em vez de ter que correlacionar um conjunto de dados com outros instrumentos ambientais.
A análise documental de projeto e ementários de cursos de engenharia no Brasil identificou que as bases de custos são um conteúdo relevante na formação profissional. Todavia, observou-se uma concentração em poucas bases e uma baixa integração com temas ambientais. Embora a análise tenha sido aplicada sobre um amplo conjunto de cursos (um para cada uma das 27 unidades da federação brasileira) para cobrir possíveis diferenças regionais, os resultados mostram que a citações ficaram restritas a apenas três bases, todas estas de abrangência nacional: a Tabela de Composições de Preço (TCPO), o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), e o Sistema de Custos Referenciais de Obras (SICRO). Entre as três bases citadas pelos 27 cursos brasileiros selecionados, a TCPO obteve o maior número de citações, com 21 ocorrências (78%), bem acima da SINAPI, com 4 casos, e da SICRO, com apenas 3 casos.
Observar-se que, enquanto na análise dos programas dos cursos no Brasil as bases citadas foram todas de abrangências nacional, em países como a Espanha prevalecem as bases locais as exemplo da Base de Costes de la Construcción de Andalucía (BCCA) e da
Base de Precios de la Construcción de la Comunidad de Madrid (BCCM).
Outro achado importante foi quanto a correlação das bases de dados com outros temas. Se por um lado, as bases de custos apresentam uma alta integração com temas como planejamento físico-financeiro da obra (85 % dos casos), por outro lado, as mesmas bases apresentam uma integração de apenas 7% com questões ambientais, como gestão de resíduos (1 caso) e avaliação do ciclo de vida (1 caso). Tais resultados apontam a necessidade de revisão constante dos programas dos cursos como estratégia para melhorar a inserção da dimensão ambiental na formação dos engenheiros e na sua prática profissional.
A aplicação da matriz de avaliação da comunicação ambiental sobre as bases de custo permitiu mapear o desempenho destas segundo os temas selecionados e uma comparação cruzada. Observou-se que, apesar das bases de custos analisadas possuírem estruturas semelhantes quanto a classificação dos registros, estas se diferem bastante quanto a qualidade da informação ambiental segundo os critérios de avaliação aplicados.
No desempenho global as 6 bases analisadas podem ser reunidas em dois grupos. O primeiro grupo reuni as bases com os melhores resultados, O Gerador de Preços da Cype
Ingenieros (GP CYPE), a Tabela de Composições de Preços para Orçamentos (TCPO) da
O Gerador de Preços da CYPE de abrangência internacional, apresentou os melhores resultados seguido pela TCPO de abrangência nacional, ambas bases de custos são mantidas por instituições privadas. A base ORSE ficou com o terceiro melhor desempenho, a qual é mantida pelo setor púbico e de abrangência regional (Estado de Sergipe no Brasil). No segundo grupo ficaram as bases com pior desempenho, as bases regionais da Espanha, Base
de Costes de la Construcción de Andalucía (BCCA) e Base de Precios de la Construcción de la Comunidad de Madrid (BDCCM), tiveram desempenho intermediário, e finalmente o
Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), mantida por agente público, registrou o pior desempenho entre as 6 bases de custos analisadas.
É importante observar que as bases das regiões da Espanha da Andaluzia e Madri fazem parte de inciativas dos governos locais para promover a melhoria do desempenho do setor da construção regional. Tal estratégia poderia ser estendida para aperfeiçoar ferramentas em outros contextos locais, a exemplo do SINAPI no Brasil, o qual teria um grande potencial para difundir informações ambientais no setor de construção nacional, pois é referência obrigatória em obras financiadas com recursos do governo federal e conta com uma ampla estrutura de coleta de dados mantida pela Caixa Econômica Federal (CEF) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A partir dos resultados, concluiu-se ainda que o uso de sistemas computacionais pode contribuir para melhorar o acesso aos dados, a busca de indicadores e a geração de relatórios mais completos visando melhorar a qualidade das informações e orientar as práticas de construção. Neste sentido também, ficou evidente a importância de um modelo consolidado para a classificação dos dados de construção a fim de facilitar a coleta e comunicação dos dados não apenas junto aos usuários das bases, como também na integração destas com outros sistemas de gestão.
Os agentes envolvidos no desenvolvimento e manutenção das bases de custos têm um papel importante nesta ação, pois estes sistemas alcançam um grande público de usuários, compreendendo estudantes em formação (graduando e técnicos), orçamentistas, engenheiros de planejamento e gestores de obras. Apesar deste fato, algumas bases estudadas ainda apresentem lacunas importantes.
Os resultados apontam para a confirmação da hipótese inicial na qual ferramentas tradicionais como as bases de custos podem contribuir para além da gestão econômica do processo de construção. Essas bases de custos ao incorporar novos indicadores podem auxiliar o planejamento e controle dos impactos locais e aumentar a consciência ambiental dos agentes de construção visando canteiros de obra de menor impacto.
8
MÉTODO QUANTITATIVO PARA PREVISÃO DE ASPECTOS
AMBIENTAIS EM CANTEIROS DE OBRAS.
Este capítulo resultou na publicação do artigo “A Quantitative Method for Prediction of
Environmental Aspects in Construction Sites of Residential Buildings” publicado em 4 de
junho de 2018 no volume 10 da Revista Sustainability (BORJA et al., 2018).
Este capítulo reúne os resultados e contribuições dos capítulos anteriores afim de atender a questão principal e ao objetivo geral da pesquisa como descritos no Quadro 1:
Questão principal da pesquisa: Como prever a intensidade dos aspectos ambientais gerados pelo processo de construção?
Objetivo geral da pesquisa: Desenvolver um método quantitativo de previsão de aspectos ambientais gerados por canteiros de obras residenciais (Modelagem).
Resumo do capítulo
Apesar das inciativas setoriais, a indústria da construção enfrenta dificuldades de incorporar sistemas eficazes de controle de impactos ambientais em canteiros de obras. A maioria destes instrumentos tem adotado uma abordagem qualitativa das questões ambientais, com poucos casos de abordagem quantitativa. Neste contexto, este capítulo apresenta um método quantitativo para a previsão de aspectos ambientais durante a construção de edifícios residenciais, através da integração entre indicadores ambientais e bases de custos de construção. A metodologia foi baseada na análise das relações entre atividades/serviços, aspectos e impactos ambientais proposto pelo EU Eco-Management and
Audit Scheme (EMAS), utilizado para o desenvolvimento do método e sua representação
matemática. Um estudo de caso foi implementado para avaliar o método, através da lista de quantitativos (BOQ) de duas construções residenciais para mensuração dos seus aspectos ambientais. Os resultados sugerem a utilidade do método para o processo de tomada de decisão sobre a alocação de sistemas de controle e, em alguns casos, recomendando a execução de serviços fora do canteiro para reduzir os impactos na vizinhança. Adicionalmente, o método se mostrou de fácil aplicação para avaliação de canteiros de obras, bem como flexível para incorporar outras atividades, adaptando-se à demanda de construtores e agentes públicos para reduzir os impactos ambientais dos canteiros de obras.