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CHAPITRE III : LA PENSEE SPECULATIVE

2.3. Le devenir du concept

O aporte teórico desta pesquisa permitiu esclarecer requisitos com relação à criatividade, as características do método de aplicação de técnicas e a geração de ideias. Na literatura, apresentam-se diversas técnicas de estímulo à criatividade, que podem ser aplicadas nas fases de criação de um novo produto, para solução de problemas ou para desenvolver melhorias em produtos e processos, para assim, conduzir uma gestão mais eficiente e com resultados de qualidade (identificação do referencial teórico – Objetivo específico 1).

A revisão de artigos em base de dados permitiu a visualização do avanço das pesquisas na área de criatividade. No Brasil, os primeiros estudos sobre criatividade surgiram na década de 90, enquanto que nos demais países, a criatividade já fazia parte de pesquisas desde a década de 70. A partir dessa época, a criatividade passou a ter papel importante no desenvolvimento pessoal, na qual o indivíduo passou a explorar, elaborar e resolver problemas utilizando o pensamento criativo.

A análise de 50 técnicas de criatividade permitiu avaliar as características que auxiliam um método de resolução de problemas e de geração de ideias de um novo produto, verificando, assim, a importância do envolvimento das pessoas na fase de iluminação do processo criativo. A escolha da técnica CREATION possibilitou desenvolver soluções que visavam à melhoria de Processos Produtivos, o Desenvolvimento de Produtos e Embalagens e a Gestão Organizacional, como também ideias para alcançar à expectativa do cliente nesses mesmos quesitos.

Foi desenvolvido um método de comparação entre técnicas de criatividade que permitiu selecionar a técnica de criatividade CREATION por meio de seis critérios classificadores e pela adequação das técnicas às fases do processo criativo. O novo método deu referência aos critérios: Grau de elaboração da técnica, Nível de associação de ideias, Tipo qualitativo, Grau de novidade, Fluência e Barreiras (objetivo específico 2), como necessários para realizar a análise de técnicas e das ideias desenvolvidas pelos grupos de geração de ideias nos dois estudos de caso.

Outra comprovação da eficácia da técnica CREATION está relacionada com a fase de geração de ideias no Processo de Desenvolvimento de Produto, à medida que foram identificados pontos que demandam soluções ou ideias criativas, os participantes discutiram sobre as necessidades dos consumidores e como a produção associada à uma boa ideia de

produto pode gerar funcionalidade e atendimento do cliente de forma diferenciada do concorrente.

Para oportunizar o desenvolvimento da criatividade dos participantes, os grupos de pessoas devem permitir condições de estímulo à exposição de ideias, indicando o que precisa melhorar e quais produtos podem ser desenvolvidos ou não mais produzidos, como aconteceu na empresa de bebida láctea. Como na empresa de água de coco, eles não recebem treinamento com frequência, apesar de eles erem demonstrado interesse e curiosidade logo no início da aplicação da CREATION, os facilitadores tiveram que interferir na fase de geração de ideias para estimular a superação de situações que levam ao conformismo, timidez, esperar a vez de falar, receio de ser julgado, intolerância com a ideia do outro e a passividade (fatores inibidores em grupo) para dar lugar à imaginação e a liberdade de propor soluções para resolver o problema (aplicar a técnica selecionada – objetivo específico 3).

Nesse contexto, observou-se que o pensamento criativo idealizando figuras (desenhos feitos na fase de geração de ideias) e o pensamento criativo por um jogo de palavras (a técnica CREATION) são medidas válidas para gerar a criatividade em uma equipe no ambiente empresarial. Dessa forma, observou-se que os indivíduos que tiveram facilidade em gerar ideias apresentavam características específicas (a familiaridade com o tema, estímulo da diversidade do grupo, facilidade de associar de ideias e observa o outro participante – fatores estimuladores em grupo) que são representadas por meio de seus desenhos e na sua expressão verbal.

Na aplicação da técnica CREATION revelou-se a necessidade de gerar o compartilhamento de experiências e opiniões sobre a visão de cada setor em relação aos produtos e processos produtivos. Ao alcançar o estágio de interação entre as equipes de geração de ideias, evidenciou que o conhecimento, as motivações internas e a necessidade de mudar uma situação foram fatores relevantes para que as equipes discutissem a problemática e passassem a pensar em melhorias para a empresa (eficácia da técnica CREATION).

A união de diferentes cargos de uma empresa, formando uma equipe multidisciplinar, promoveu um fluxo interno de informações, que influenciou a geração de ideias nas equipes. Portanto, foi validada a aplicação da técnica à medida que obteve como resultados ideias viáveis para solução de problemas e Desenvolvimento de Novos Produtos (estímulo ao PDP por meio da aplicação da técnica – objetivo específico 4).

Ressaltando que a criatividade pode vir de uma combinação de soluções já adotadas e quanto maior o repertório cultural de uma pessoa ou grupo, maior o potencial criativo do coletivo. Entende-se, portanto, que o conhecimento é a matéria-prima da criatividade. Por esta razão, nas equipes das empresas de bebidas algumas pessoas apresentaram maior número de ideias e, muitas vezes, estimularam a equipe a pensar no processo de produção e no produto.

Em alguns casos, dois ou três funcionários não conseguiram expressar sua opinião sobre a temática (não externaram seu conhecimento), não conseguindo integrar-se com a equipe. Este caso aconteceu, quando o líder não estimulava a equipe (interferência dos gestores – variável do caso 1), fazendo com que algumas pessoas ficassem excluídas da exposição de ideias. Apesar dos facilitadores incentivarem essas pessoas mais distantes da fase de iluminação das ideias, alguns que ainda geraram suas próprias ideias, não mostraram para a equipe ou preferiram ficar observando as ideias dos demais.

Ao respeitar as propostas, sem julgamentos prévios, mesmo que não haja coerência entre elas é uma solução, pois é importante avaliar o grau de inovação da ideia e não a forma de apresentação ou construção do raciocínio. Tendo em vista que as ideias trazem alguma relação com a inovação em produto ou processo, nesse aspecto, ao bloquear uma ideia, o líder evidencia o fator de resistência à evolução das respostas. Portanto, para Oliveira (2010), toda inovação é a ruptura com o atual, a subversão da ordem. Quanto mais transgressora for a ideia, mais inovadora ela será.

O autor supracitado ressalta que muitos gestores bloqueiam o surgimento das ideias por meio de questionamentos ou adotando uma postura cética quanto aos benefícios e resultados possíveis, visando proteger e manter a realidade. Ou então, como justificativa para refinar uma sugestão dada pelos membros, muitas vezes os gestores destroem ou adiam inovações importantes por exigir maiores detalhamentos ou formalizações.

Por esta dificuldade que aconteceu na aplicação da técnica no caso 1, os facilitadores definiram que antes de iniciar a reunião com a equipe maior da empresa, aconteceria uma primeira reunião com uma equipe menor, formada apenas por gestores. Nessa reunião foi abordado quatro quesitos da técnica: os gestores seria os estimuladores das equipes que eles tivessem presentes; pelo fato de serem gestores, durante a fase de geração de ideias, eles não precisariam ser os líderes de cada equipe, para que os funcionários tivessem maior liberdade ao expor suas ideias; evitassem repreender as ideias dos participantes; e não associar a geração ou

não de ideias com recompensas e punições na empresa (mudança na forma inicial de aplicação da CREATION - variável caso 2).

A CREATION foi considerada uma técnica que auxilia, diretamente, a fase inicial de desenvolvimento de produtos e melhoria de produtos e processos existentes, identificando as ideias expandidas (pensamento lateral) sobre o problema que se quer solucionar. Com isso, a aplicação da CREATION destaca-se pelo método de gerar ideias que afeta a qualidade do produto, um modo sistêmico de compreensão da técnica, implicando a sua facilidade de uso e identificação dos requisitos que atendem as expectativas do cliente, que são analisados no momento da discussão entre os funcionários dos setores operacional e de gestão.

A limitação desta pesquisa deve-se ao fato de o método ter sido aplicado apenas com duas empresas do setor de bebidas. E como existe a dificuldade para afastar os funcionários de suas funções, o mínimo aceitável foi de dez pessoas, a quais fariam parte de pelos menos dois grupos de geração de ideias. Por essa razão, a aplicação da técnica não foi reincidente nas empresas.

O contato para aplicar a técnica foi realizado com cinco empresas de bebidas do RN, mas em apenas três dessas foi permitido ao pesquisador visitar a produção, entrevistar os gestores e explanar sobre a técnica. Por fim, apenas duas disponibilizou seus funcionários a realização do trabalho (aplicação da técnica).

Não se esperava que as ideias geradas apresentassem grandes inovações em produtos e processos, já que a maioria não apresentava habilidades criativas, apenas um dia de explicações sobre a criatividade e sua prática não seriam suficientes para desenvolver produtos inovadores. Portanto, como trabalho futuro, considera-se que novas aplicações, de forma periódica, da técnica de criatividade, trariam resultados cada vez mais direcionados à inovações em produtos, processos e gestão. As pessoas das empresas, além de trabalharem mais atentas com a melhoria de processos, iriam desenvolver a gestão participativa com a junção de setores diferentes para o desenvolvimento de novos produtos.

Como desdobramentos desta pesquisa, pretende-se servir como material de referência para que empresas do setor de bebidas possam utilizar a técnica de criatividade CREATION no planejamento da fase inicial do Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e na solução de problemas internos, além de tornar a técnica acessível a todos os pesquisadores e interessados.

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