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Um integrante do espaço artístico-pedagógico da Escola Técnica Federal do Maranhão era o Grupo de Dança “Camélia Viveiros”. Iniciando as suas atividades em março de 1979 com o objetivo de “dinamizar e divulgar a dança nos seus aspectos diversos incluindo o popular, folclórico, moderno e clássico”, o grupo tinha como líder a professora Regina Telles.

Um documento intitulado “Histórico do Grupo de Dança ‘Camélia Viveiros’ da Escola Técnica Federal do Maranhão”, sem data, mas de autoria da professora Regina Telles, que foi cedido por uma ex-integrante do referido grupo permitiu a compreensão de seu funcionamento. Segundo o documento, o grupo fazia parte das atividades de Educação Artística da Escola e os seus integrantes eram escolhidos após uma seleção realizada anualmente com os alunos interessados. Nesta época, o grupo tinha 36 participantes e era formado tanto por homens quanto por mulheres. Os integrantes do grupo tinham aulas de dança e expressão corporal, visando “um maior aprofundamento técnico”, além de informações teóricas necessárias para o desenvolvimento das propostas do grupo. Sobre este último aspecto, Regina Telles (2013) mencionou:

Eu dava alguns exercícios de aquecimento e depois começava a ensaiar coreografias. Fazia trabalhos de improvisação, mas era um trabalho baseado na cultura popular. Então eu montei várias coreografias e mantive esse grupo, que era o grupo Camélia Viveiros.

Durante alguns

anos, a produção

coreográfica de dança do grupo Camélia Viveiros foi intensa, pois se produzia

uma média de três

coreografias por ano. Regina Telles (2013) revelou que a proposta coreográfica do grupo era “montar, principalmente, danças típicas da cultura

Foto 11 – Apresentação de “As Pastorinhas” FONTE: Acervo de Regina Telles

brasileira; não era algo restrito à cultura maranhense. Eu montei rituais afros só com rapazes; montei danças com música baiana”. Ao que tudo indica, a intenção de Regina Telles de criar coreografias voltadas para a cultura brasileira e maranhense tem relação direta com a sua formação artística. Afastando-se da rigidez do balé clássico, ela enveredou ainda no Clube das Mães para a dança moderna78.

Desse modo, ao longo de sua existência, diversas coreografias foram montadas pelo grupo, tais como: Ritual Indígena, Ritual Afro-brasileiro, Solo Afro- brasileiro, As Pastorinhas, Caldeira, Iemanjá, Espantalho Caipira, Dança das Águas, Tambor de Crioula, Tambor de Minha, Maracatu, Dança Moderna (“Desencontro”), Dança do Divino, Valsa do Urubu (Clássico), entre outras.

É interessante destacar que na década de 1980, o grupo de dança Camélia Viveiros era bastante prestigiado pela sociedade ludovicense. Uma notícia do jornal Pregoeiro do ano de 1981, intitulada “Grupo de Dança da ETFMA apresentou espetáculos”, informava sobre o sucesso dos espetáculos de dança apresentados pelo grupo no Cine Teatro Viriato Corrêa. A notícia informava ainda que naquela época o grupo tinha 30 participantes, de ambos os sexos e dos três turnos de funcionamento da Escola, e que:

Os espetáculos dinâmicos e originais constituíram-se numa síntese de todas as coreografias montadas pelo grupo durante 1981, destacando-se “As Pastorinhas” (com música de Chico Maranhão), “Brincadeira de Circo” (música de Egberto Gismonti) e “Dança das Águas” (música de Dorival Caimi) (PREGOEIRO, 1981,

Acervo de Regina Telles).

Quando questionada sobre as apresentações do grupo de dança Camélia Viveiros, Regina Telles (2013) lembrou da montagem de um bumba- meu-boi de sotaque de orquestra pelo grupo (Foto 12). “Montamos um boi (...). O professor Chico Pinheiro ensaiou os músicos e eu ensaiei a

78 Segundo Bourcier (2001, p. 244-245), a ideia da dança moderna era a seguinte: “a intensidade do

sentimento comanda a intensidade do gesto”. Trata-se de uma diferença fundamental em relação ao balé clássico, “que busca a execução, levada ao máximo de beleza formal, de gestos codificados, sem relação direta com o estado mental do executante”.

Foto 12 – Apresentação do bumba-meu-boi FONTE: Acervo de Regina Telles

coreografia. A Escola patrocinou toda a roupa que os alunos vestiram. Eu comprei os tecidos e mandei fazer a roupa. Apresentamos no São João (...)”. Ressalte-se que as coreografias criadas pelo grupo eram apresentadas não somente na Escola Técnica Federal do Maranhão, mas também, em outras escolas, praças, teatros e até em outros municípios. No caso desse bumba-meu-boi, as apresentações ocorreram em diversos lugares da cidade. “No nosso grupo de dança, nós nos deslocávamos na época do São João, por exemplo, para vários lugares. Se tivesse algum convite para apresentações em alguns bairros e em outras escolas, nós nos deslocávamos na condução da Escola. Eu acompanhava o grupo” (TELLES, 2013).

Os ensaios eram realizados dentro da própria Escola Técnica Federal do Maranhão. Algumas vezes, no Cine Teatro Viriato Corrêa. Outras vezes era utilizada “uma sala de lazer que a Escola tinha” (TELLES, 2013).

O relato apresentado a seguir representa a experiência de uma ex- integrante no Grupo de Dança Camélia Viveiros e sintetiza o funcionamento do mesmo:

Na época que participei do Grupo de Dança Camélia Viveiros, participavam dele tanto homens quanto mulheres. Nós ensaiávamos duas vezes por semana com duas horas de duração cada ensaio. Quando ensaiávamos coreografias, estendíamos os encontros para os sábados. Lembro que participei de várias apresentações do Grupo. Não lembro exatamente o nome das coreografias, mas participei de Dança das Águas, Bate Coração, Chilena, Moderna, Boi, Junina, entre outras. Nós nos apresentávamos no Teatro Arthur Azevedo, no pátio da Escola, em ginásios, ruas e praças. Eu gostava muito do Grupo. A Regina nos delegava funções e tarefas. Era pontual, assídua e cooperava com nossa caixinha para os figurinos das apresentações. Nós tínhamos também o apoio da Escola Técnica para os figurinos. Problemas existiam, mas continuávamos com a luta. A Regina se esforçava para dar o seu melhor.

Por fim, Regina Telles (2013) pontuou que “depois que nós saímos, esse movimento acabou”. Portanto, a desestruturação do espaço artístico-pedagógico da Escola Técnica Federal do Maranhão será analisada no próximo item deste capítulo.

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