• Aucun résultat trouvé

Development of D. rapae on aphids feeding on different host plants

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 35-49)

Performances du phytophage spécialiste Brevicoryne brassicae et du phytophage généraliste Myzus persicae, et de leur

Article 1 : Mesure des performances d’un puceron généraliste Myzus persicae et de son parasitoïde Diaeretiella rapae sur des Brassicacées sauvages et cultivées

2. Performance of a generalist herbivore Myzus persicae and its endoparasitoid Diaeretiella rapae on wild and

2.3. Materials and methods

2.4.2. Development of D. rapae on aphids feeding on different host plants

 

No percurso desse Trabalho de Conclusão de Curso expusemos algumas considerações e conclusões, mediante o esforço de abstração e totalização do objeto de pesquisa. Vale lembrar que o ímpeto que nos moveu à realização desse estudo resultou de um esforço critico dialético para analisar a configuração ídeo-teórica e cultural das sociedades latino americanas, com ênfase na problematização do papel da Universidade na reprodução do paradigma cultural e sua particularidade nas sociedades periféricas.

Buscamos assim, empreender uma análise do debate da produção sociológica nos países latino-americanos e especificamente no Brasil, com a finalidade de evidenciar a construção de seu paradigma ídeo-teórico e cultural caracterizando o colonialismo intelectual como expressão da decadência ideológica na América Latina.

Ao longo do processo investigativo, partimos do movimento real que determina o papel da Universidade latino-americana, nos marcos do capitalismo dependente, relativamente às determinações político-econômicas processadas pelo sistema capitalista nas particularidades e dinâmica que assume na periferia do sistema de acumulação em escala mundial.

Para caracterizar a Universidade dependente inicialmente consideramos a tendência do desenvolvimento da sociologia no continente latino-americano, reivindicando uma tradição por vezes negligenciada no âmbito da academia (Ramos, 1995; Vieira Pinto, 2008; Quijano, 2005), justamente pela tendência de legitimar uma ciência que oculta e obscurece as particularidades do desenvolvimento capitalista dependente, tendo como pressuposto a adoção de esquemas que remontam as formas históricas do capitalismo central e suas expressões: política, social, ídeo-teórica e cultural.

A crítica dos autores supracitados, à adoção literal de uma tendência “importadora” do pensamento social, nos parece ainda atual, especialmente se observarmos os critérios quantitativos e de publicação que as agencias de fomento à pesquisa utilizam no Brasil, nos quais publicar em revista europeia ou norte-americana pontua mais do que em uma revista nacional. Percebemos que essa lógica continua contribuindo para a reprodução do binômio “atraso x progresso”, desde o ponto de vista da produção científica de modo geral e teórica- sociológica de modo particular – tal qual o pensamento social crítico latino-americano formulou na década de 1960/70.

Tal percurso teórico-metodológico facultou a apreensão da realidade concreta pelo pensamento como totalidade orgânica, de modo que, nesse momento, as ideias diretrizes da

análise encontram-se enriquecidas pelo processo de reconstrução do objeto, agora iluminado pela explicitação de um conjunto de determinações estruturais e conjunturais que teórica, social e politicamente, foram sendo apreendidas na análise do real.

As análises que realizamos nesse estudo, nos permitem concluir sobre a possibilidade de construção de um paradigma cultural emancipatório nos espaços das Universidades nas sociedades latino-americana, embora a Universidade não remeta à superação da ordem burguesa, é portadora de outras possibilidades que ultrapassam a versão do seu atual papel no âmbito da produção da coesão social e reprodução da dependência cultural. Essa construção só é possível com o protagonismo da luta do movimento estudantil e da classe trabalhadora organizada em movimentos, partidos, sindicatos e novas formas de luta – ou seja, essa luta é dos que estão “dentro” e dos que estão “fora” na disputa cotidiana por outro projeto de Universidade, como bem aprendemos com o movimento de Córdoba. Concluímos ainda que não haverá transformação do projeto hegemônico de Universidade sem o processo mais amplo de transformação social da sociedade.

Evidentemente a Universidade latino-americana expressa no nível da produção científica, ídeo-teórica e cultural as contradições do desenvolvimento capitalista dependente, particularizando a decadência ideológica na América Morena. Trata-se de uma instituição fundada como entidade alheia mediante projetos estrangeiros, que se fixaram para a satisfação de existência e de prosperidade das sociedades desenvolvidas, e não desde uma perspectiva libertária, radical e revolucionária, pela qual definitivamente estariam voltadas aos interesses do povo e não do capital (seja ele nacional ou estrangeiro), isto é, socialista.

Deste feito, compreendemos que a Universidade não está estagnada na forma tradicional que se cristalizou em seu surgimento, pelo contrário encontra-se em constante movimento, desse modo a principal força renovadora da Universidade latino-americana tratou-se do movimento de reforma universitária em Córdoba na Argentina, por isso reivindicamos nesse trabalho a atualidade de seu legado de luta, propondo a atualizar o debate com o apoio da descrição de duas tendências da Universidade Brasileira Contemporânea. Entendemos esse processo como central na luta por outras possibilidades, sendo assim essa experiência continua apontando o caminho: fortalecer nossas particularidades históricas e políticas para dar uma resposta às necessidades de nossas sociedades, extraindo deste movimento o que ele teve de autêntico e inspirando-nos em seu ideário libertário e emancipador.

Do ponto de vista do intento político que nos moveu para a realização desse trabalho, cabe finalmente referenciar o horizonte do desejo, de que a Universidade possa, tensionada

pela luta estudantil e dos trabalhadores, ser uma trincheira importante contra o capitalismo, a dependência, a dominação externa e a humanidade como ponto de chegada. Sobre a humanidade Marini (2000), versa que “só o esforço solidário, a busca permanente de valores realmente sociais, suscetíveis de ser compartilhados por todos e a luta sem trégua contra a desigualdade e a injustiça nos permitirá finalmente alcança-la” (MARINI, 2000, p.267). O caminho dessa transformação certamente passa por essa luta, pela práxis transformadora que trava a batalha cotidiana contra a exploração, que transfigura distintas formas de opressão em distintas formas de resistência, e cujo horizonte remete à coletivização das utopias latentes para que o novo tempo, o tempo das liberdades, possa se realizar algum dia. Porque as massas latino-americanas, esse povo condenado a mais de quinhentos anos de solidão como professa Márquez (1982), hão de ter, por fim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra.

É importante que fique claro que toda a elaboração deste trabalho se desenvolve no intuito de melhor compreender a realidade para questioná-la. As constatações aqui expressas são apenas parte de um processo formativo que não pretende estabelecer nas linhas finais um efetivo ponto final. Contudo, o que é um impulso determinante do esforço aqui empreendido é a percepção da necessidade urgente de aprofundar as reflexões contemporâneas em torno dos temas tratados no intuito de serem somadas forças para que seja possível promover o encontro entre a razão objetiva e as atrocidades da história, de maneira que se torne não apenas imprescindível, mas também alcançável a possibilidade de, pela necessidade, criar o novo, de superar a forma social capitalista com a clareza de procurar romper as barreiras que ofuscam o horizonte da emancipação humana.

                   

REFERÊNCIAS  

ANDES, Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior.

INFORMANDES novembro/2014. Disponível em:

<http://portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-inf-2045777063.pdf> Acesso em 18 nov. 2014.

BERNHEIM, Carlos Tunnermann. Historia de La Universidad en America Latina: de la epoca colonial a la reforma de Córdoba. Caracas: IESAL/UNESCO, 1999.

BUENO. Ana Paula. A jovem universidade brasileira. São Paulo: Caros Amigos, set. 2014. BRAVO, Maria Inês Souza. Serviço Social e Reforma Sanitária: Lutas Sociais e Práticas Profissionais. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

CARRARO, Dilceane; ROCHA, Mirella. A Solidão da Cidadania na América Latina: Estado e Direitos no Século XXI. Argumentum, Vitória, v. 1, n. 5, p.66-84, 10 jun. 2013. Disponível em: <http://periodicos.ufes.br/argumentum/article/viewFile/4957/4099>. Acesso em: 06 dez. 2014.

COMITÊ ESTUDANTIL EM DEFESA DO HU 100% PÚBLICO/UFSC. Jornal

informativo. Primeiro semestre/2014. Mimeo.

CUEVA, Augustín. Tempos Conservadores. São Paulo: HUCITEC. 1989.

DIETERICH, Heinz. Novo guia para a pesquisas científica. Blumenau: Editora da FURB, 1999.

ESCORSIM NETTO, Leila. O Conservadorismo clássico. Elementos de caracterização e crítica. São Paulo: Cortez, 2011.

FERNANDES, Florestan. Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973.

______. Florestan. Nova República? 2 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986.

______. Florestan. Universidade Brasileira: reforma ou revolução? São Paulo: Editora Alfa Omega, 1975.

______. Florestan. A questão da USP. São Paulo: brasiliense, 1984.

FREITAS NETO, José Alves de. A reforma universitária de Córdoba (1918): um manifesto por uma universidade latino-americana. Revista Ensino Superior Unicamp, Campinas, v. 3, p.64-72, jun. 2011. Disponível em:

<http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/edicoes/ed03_junho2011/11.pdf>. Acesso em: 02 dez. 2014.

GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. 1ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010.

GONÇALVES, Scheilla Nunes. A produção de conhecimento no capitalismo

contemporâneo e a universidade na periferia. 2012. 126 f. Dissertação (Mestrado) - Curso

de Serviço Social, Programa de Pós Graduação em Serviço Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.

GUEVARA, Ernesto (Che). Discurso América Latina recibir el doctorado honoris causa

de la Universidad Central de Villas. 28 de dezembro de 1959. Disponível em:

<https://www.marxists.org/espanol/guevara/59-honor.htm> Acesso em 11 nov. 2014. HARVEY, David. A condição pós-moderna. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 1992.

JUVENTUD ARGENTINA DE CORDOBA. Manifesto de 1918: La Juventud Argentina de Cordoba a los Hombres Libres de Sud América. In: CUNEO, Dardo (Compilación, Prologo, Notas e Cronologia). La Reforma Universitaria. Caracas: Biblioteca Ayacucho, 1978. KOSIK, Karel. Dialética do Concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.

LARA, Ricardo. Notas lukacsianas sobre a decadência ideológica da burguesia. Marx,

Marxismos e Serviço Social, Florianópolis, v. 16, n. 1, p.91-100, 08 jan. 2013.

LEHER, Roberto. Reforma universitária de Córdoba, 90 anos: um acontecimento fundacional para a universidade latino-americanista. Encarte Clacso Cadernos da América Latina

VIII, Buenos Aires, p.5-7, maio 2008. Disponível em:

<http://www.flacso.org.br/portal/pdf/pensamentocritico/VIIIcadernopensamentocritico.pdf>. Acesso em: 02 dez. 2014.

LEHER, Roberto. Capitalismo dependiente y Educación: propuestas para la problemática universitaria. In: LEHER, Roberto. Por una reforma radical de las universidades latino-

americanas. Rosario: Homo Sapiens Ediciones, 2010. Cap. 1. p. 19-93. Disponível em:

<http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/gt/20120316121357/libro.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2014.

LOWY, Michael. As Aventuras de Karl Marx contra o Barão de Munchhausen. Marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. 9. ed São Paulo: Cortez, 2007 LEHER, Roberto. Reforma universitária de Córdoba, 90 anos: um acontecimento fundacional para a universidade latino-americanista. Encarte Clacso Cadernos da América Latina

VIII, Buenos Aires, p.5-7, maio 2008. Disponível em:

<http://www.flacso.org.br/portal/pdf/pensamentocritico/VIIIcadernopensamentocritico.pdf>. Acesso em: 02 dez. 2014.

MARINI, Ruy Mauro; SPELLER, Paulo. A Universidade Brasileira. Revista de Educación Superior, n°22, México, Abril-Junho, 1977.

MARINI, Ruy Mauro. América Latina: Dependência e Integração. 1 ed. São Paulo: Editora Página Aberta Ltda, 1992.

_______. Origem e trajetória da sociologia latino-americana. In: Dialética da

dependência: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Petrópolis, RJ: Vozes; Buenos

_______.Dialética da dependência. In: TRASPADINI, Roberta; STÉDILE, João Pedro (Orgs). Ruy Mauro Marini: vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2005.

MÁRQUEZ, Gabriel García. La soledad de América Latina. Discurso de aceptacón de premio nobel de literatura. 1982.

MARX. Karl. Para a crítica da economia política. In: _____. Para a crítica da economia

política; Salário, preço e lucro; o Rendimento e suas fontes: A economia vulgar. São

Paulo: Abril Cultural, 1982. p. 135-185.

MARX, Karl. Grundrisse: Manuscritos econômicos de 1857-1858: Esboços da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2005. NETTO, José Paulo. Teoria método e história na formação profissional. In: Caderno ABESS

n.1 [O Processo da Formação Profissional do Assistente Social]. São Paulo: Cortez, 1986.

OSÓRIO, Jaime. Dependência e Superexploração. In: SADER, Emir; DOS SANTOS, Theotonio [Coord]. América Latina e os desafios da globalização. São Paulo: Boitempo, 2009.

OURIQUES, Nildo; TAVARES, Elaine (Orgs). O mapa da crise: a reinvenção das ciências sociais na América Latina. Florianópolis: Editora Insular, 2009.

PORTAL EBC (Agência Brasil). CAPES defende contratação de professores por

Organizações Sociais. Disponível em: < http://www.ebc.com.br/tecnologia/2014/09/capes-

defende-contratacao-de-professores-por-organizacoes-sociais> Acesso em 01 dez. 2014. PRADO, Fernando Corrêa. História de um não-debate: a trajetória da Teoria Marxista da Dependência no Brasil. Comunicação & Política, v. 29, n. 2, p. 68-94. Disponível em: <http://www.cebela.org.br/site/baCMS/files/14431ART2%20Fernando%20Correa%20Prado. pdf> Acesso em 15 dez. 2014.

QUEIROZ, Pablo Polese. 1968 à luz da decadência ideológica. VI SEMINÁRIO DO

TRABALHO: Trabalho, Economia e Educação no Século XXI. UNESP/Marília, 2008.

Disponível em:

<http://www.estudosdotrabalho.org/anais6seminariodotrabalho/pablopolesedequeiroz.pdf> Acesso em 15 dez. 2014.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur Sur, CLACSO, Buenos Aires, Argentina, 2005. pp.227-278. Disponível em: <http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/lander/pt/Quijano.rtf> Acesso em 21 set. 2014.

RAMOS, Alberto Guerreiro. Introdução crítica à sociologia brasileira. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1995.

REDAÇÃO CARTA MAIOR. Pepe Mujica "Nós socialistas temos que formar a nossa

gente". 2014. Disponível em: <http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Educacao/Pepe-

RIBEIRO, Darcy. A universidade necessária. 2 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978

_______. O processo civilizatório. Etapas da evolução sociocultural. 5 ed. Petrópolis: Vozes, 1979.

_______. As Américas e a civilização: processo de formação e causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

ROCHA, Mirella Farias. Participação popular nas políticas socioassistenciais na América

Latina: Estudo Comparativo entre Brasil e Venezuela. 2009. 249 f. Dissertação

(Mestrado) - Curso de Serviço Social, Departamento de Departamento de Serviço Social, Universidade Federal de Santa Catariana, Florianópolis, 2009.

SANTOS, Josiane. Neoconservadorismo pós-moderno e Serviço Social brasileiro. São Paulo: Cortez, 2007.

SIMIONATTO, Ivete. Expressões ideoculturais da crise capitalista na atualidade e as novas configurações do Estado e da sociedade civil. In:CFESS/ABEPSS. Serviço Social: direitos

sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS. 2009, p. 87-106.

TRAGTENBERG, Mauricio. Sobre educação, política e sindicalismo. São Paulo: Editora UNESP, 2004.

TRASPADINI, Roberta; STÉDILE, João Pedro (Orgs). Introdução. In: ______. Ruy Mauro

Marini: vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2005, p. 17-52.

VASCONCELLOS, Gilberto Felisberto. André Gunder Frank: O enguiço das ciências sociais. Florianópolis: Insular, 2014.

VIEIRA PINTO, Álvaro. Ciência e Existência: Problemas filosóficos da pesquisa científica. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

_______. Álvaro. A questão da Universidade. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1986. _______. Álvaro. A sociologia dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2008.              

ANEXO  

Anexo A: Argentina, 1918 “La Juventude Argentina de Córdoba a los Hombres Libres de

Sudamérica”

Hombres de una República libre, acabamos de romper la última cadena que, en pleno siglo XX, nos ataba a la antigua dominación monárquica y monástica. Hemos resuelto llamar a todas las cosas por el nombre que tienen. Córdoba se redime. Desde hoy contamos para el país una vergüenza menos y una libertad más. Los dolores que quedan son las libertades que faltan. Creemos no equivocarnos, las resonancias del corazón nos lo advierten: estamos pisando sobre una revolución, estamos viviendo una hora americana.

La rebeldía estalla ahora en Córdoba y es violenta porque aquí los tiranos se habían ensoberbecido y era necesario borrar para siempre el recuerdo de los contrarrevolucionarios de Mayo. Las universidades han sido hasta aquí el refugio secular de los mediocres, la renta de los ignorantes, la hospitalización segura de los inválidos y - lo que es peor aún- el lugar en donde todas las formas de tiranizar y de insensibilizar hallaron la cátedra que las dictara. Las universidades han llegado a ser así fiel reflejo de estas sociedades decadentes que se empeñan en ofrecer el triste espectáculo de una inmovilidad senil. Por eso es que la ciencia frente a estas casas mudas y cerradas, pasa silenciosa o entra mutilada y grotesca al servicio burocrático. Cuando en un rapto fugaz abre sus puertas a los altos espíritus es para arrepentirse luego y hacerles imposible la vida en su recinto. Por eso es que, dentro de semejante régimen, las fuerzas naturales llevan a mediocrizar la enseñanza y el ensanchamiento vital de los organismos universitarios no es el fruto del desarrollo orgánico, sino el aliento de la periodicidad revolucionaria.

Nuestro régimen universitario – aun el más reciente- es anacrónico. Está fundado sobre una especie de derecho divino; el derecho divino del profesorado universitario. Se crea a sí mismo. En él nace y en él muere. Mantiene un alejamiento olímpico. La Federación Universitaria de Córdoba se alza para luchar contra este régimen y entiende que en ello le va la vida. Reclama un gobierno estrictamente democrático y sostiene que el demos universitario, la soberanía, el derecho a darse el gobierno propio radica principalmente en los estudiantes. El concepto de autoridad que corresponde y acompaña a un director o un maestro

en un hogar de estudiantes universitarios no puede apoyarse en la fuerza de disciplinas extrañas a la sustancia misma de los estudios. La autoridad, en un hogar de estudiantes, no se ejercita mandando, sino sugiriendo y amando: enseñando.

Si no existe una vinculación espiritual entre el que enseña y el que aprende, toda enseñanza es hostil y por consiguiente infecunda. Toda la educación es una larga obra de amor a los que aprenden. Fundar la garantía de una paz fecunda en el artículo conminatorio de un reglamento o de un estatuto es, en todo caso, amparar un régimen cuartelario, pero no una labor de ciencia. Mantener la actual relación de gobernantes a gobernados es agitar el fermento de futuros trastornos. Las almas de los jóvenes deben ser movidas por fuerzas espirituales. Los gastados resortes de la autoridad que emana de la fuerza no se avienen con lo que reclaman el sentimiento y el concepto moderno de las universidades. El chasquido del látigo sólo puede rubricar el silencio de los inconscientes o de los cobardes. La única actitud silenciosa, que cabe en un instituto de ciencia es la del que escucha una verdad o la del que experimenta para crearla o comprobarla.

Por eso queremos arrancar de raíz en el organismo universitario el arcaico y bárbaro concepto de autoridad que en estas casas de estudio es un baluarte de absurda tiranía y sólo sirve para proteger criminalmente la falsa dignidad y la falsa competencia. Ahora advertimos que la reciente reforma, sinceramente liberal, aportada a la Universidad de Córdoba por el doctor José Nicolás Matienzo, sólo ha venido a probar que el mal era más afligente de lo que imaginábamos y que los antiguos privilegios disimulaban un estado de avanzada descomposición. La reforma Matienzo no ha inaugurado una democracia universitaria; ha sancionado el predominio de una casta de profesores. Los intereses creados en torno de los mediocres han encontrado en ella un inesperado apoyo. Se nos acusa de insurrectos en nombre de un orden que no discutimos, pero que nada tiene que hacer con nosotros. Si ello es así, si en nombre del orden se nos quiere seguir burlando y embruteciendo, proclamamos bien alto el derecho sagrado a la insurrección. Entonces, la única puerta que nos queda abierta a la esperanza es el destino heroico de la juventud. El sacrificio es nuestro mejor estímulo; la redención espiritual de las juventudes americanas nuestra única recompensa, pues sabemos que nuestras verdades lo son y dolorosas- de todo el continente. ¿Qué en nuestro país una ley – se dice -, la ley de Avellaneda, se opone a nuestros anhelos?. Pues a reformar la ley, que nuestra salud moral lo está exigiendo.

La juventud vive siempre en trance de heroísmo. Es desinteresada, es pura. No ha tenido tiempo aún de contaminarse. No se equivoca nunca en la elección de sus propios maestros. Ante los jóvenes no se hace mérito adulando o comprando. Hay que dejar que ellos mismos elijan sus maestros y directores, seguros de que el acierto ha de coronar sus determinaciones. En adelante, sólo podrán ser maestros en la futura república universitaria los verdaderos constructores de almas, los creadores de verdad, de belleza y de bien.

La juventud universitaria de Córdoba cree que ha llegado la hora de plantear este grave problema a la consideración del país y de sus hombres representativos.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 35-49)