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DEVELOPMENT AND IMPLEMENTATION OF A SEVERE

do trabalho. Não é válido usufruirmos os bens da natureza e deixarmos para as gerações futuras montões

de lixo.

Já durante o govemo Konder Reis, Raulino Reitz percebeu as complicações para a efetivação de seu projeto conservacionista, que não ia para frente por falta de recursos. Criadas com certa facilidade por meio de decretos nos governos de Antonio Carlos Konder Reis, Jorge K. Bomhausen e Esperidião Amin, essas unidades passaram a sofrer um sistemático abandono. Em diversas referências em periódicos e entrevistas enfatizava-se a frustração do conservacionista com a “política” dos governos estaduais, que apesar das promessas muito pouco fizeram para a regularização fundiária e manutenção das unidades naturais idealizadas por ele.32

O projeto de Reitz, na realidade, era complementar ao projeto de estrutura de poder político, justamente até o ponto em que este fornecia aos governos um conteúdo relativamente consistente e

29 São Paulo. Brasil 92. Perfil ambiental e estratégias. São Paulo, 1992. p. ?

30 REITZ, Raulino. O movimento de conservação e preservação do meio ambiente em Santa Catarina. A Notída, Joinville, 31 jan. 1980. p. 23.

31 Idem.

inicialmente, pelo menos, sem grande grau de conflito, à política ambiental. Sua competencia individual e seu posicionamento filosófico, de certa forma aguçavam seu personalismo afastando-o de qualquer vínculo consistente com os movimentos sociais, prevalecendo em suas relações com o poder político frágeis vínculos de amizade e admiração. “Reitz tinha um linha de pensamento do qual os outros se aproveitavam para distorcer [...] usavam suas propostas e adiante abandonavam.’”3

Essa curta descrição das vidas de Fritz Müller e Raulino Reitz parecem deixar mais salientes diferenças do que similitudes. Estas parecem ir além da fixação de ambos pelas bromélias que povoam as matas do litoral catarinense. Importa aqui justamente destacar aquelas relações que parecem comuns a estes dois personagens na suas relações com o poder político, desvelando assim importantes nuances da lógica que constitui a debilidade institucional do aparato ambiental catarinense.

A esse respeito, um primeiro ponto a destacar refere-se ao fato dos projetos de Müller e Reitz quase sempre terem sido reconhecidos como marginais às estruturas de poder social, destoando da orientação geral da sociedade catarinense. Enquanto defensores obstinados de projetos “exóticos” em uma sociedade estruturalmente autoritária, seus representantes vêem majorada sua dependência em relação à sensibilidade ou necessidade contingencial de dirigentes políticos. Como tal, suas vidas revestem-se de instabilidade e incertezas atreladas que estão às oscilações inerentes ao poder político e às inclinações pessoais de seus representantes.

No entanto, isso nunca impediu as relações simbióticas e subalternas com o poder político. A excepcionalidade de ambos personagens em suas áreas de conhecimento, internacionalmente reconhecida, habilitaram-nos a assumir o

status

de “autoridades”. Além dos serviços especializados prestados por Raulino Reitz e Fritz Muller em várias ocasiões, o prestígio desses intelectuais teve alcance e utilidade mesmo

pos mortem

, até o momento, mais claramente percebida no caso de Fritz Müller. A construção de uma imagem para ambos livre de “impurezas” originadas nas frustrações com a política e opções existenciais subversivas, escora-se no resgate de suas histórias enfetizando-se romanticamente suas proezas e notoriedade nas ciências naturais e traços de suas abnegações pessoais à causa da “Natureza”. Volta e meia recorre-se romanticamente ao nome Fritz Muller para intitular-se prêmios ou eventos, referindo-se a ele, equivocadamente, como o “bom preservacionista”

No caso de Raulino Reitz, essa fimção ficou evidente na relevância de sua participação romántico-científica na primeira fase da política ambiental catarinense, através de seu empenho decisivo na criação de unidades de conservação estaduais.34

Na perspectiva dessa pesquisa, interessa ressaltar nas histórias de vida de Müller e Reitz suas contribuições em termos ideológicos e de legitimidade política para a continuidade de uma baixa capacidade de realização da política ambiental catarinense. Isto ficará mais evidente ao longo da demonstração dos próximos capítulos, quando se verificará a grande influência nas diversas feses da

33 Id.

34 Reitz e o movimento conservacionista estadual sugeriram vários tipos integrantes da flora e fauna catarinense para sua oficialização como símbolos de Santa Catarina. São eles a Imbuía como árvore (1973), a Laélia Purpurata como flor (1983), e como pássaro, o Tucano de Bico Amarelo (1983).

FATMA, além de Reitz, de grupos isolados ou indivíduos denominados de “idealistas” pela persistência quase solitária a frente de determinados projetos apesar das adversidades políticas e materiais.

Esses fatos só corroboraram com a tese de que o afastamento entre função objetiva e função instrumental das instituições ambientais criará em diferentes momentos e de diversas formas os espaços para a realização precária e desarticulada de projetos individuais ou de pequenos grupos. Estando assim também o órgão sujeito predominantemente em sua orientação às inclinações e vicissitudes de seus dirigentes, como a multiplicidade de interesses que perpassa a instituição.

Não podendo ser uma questão que possa ser resolvida nos limites da racionalidade burocrática das instituições políticas, as decisões políticas relativas ao controle do uso dos recursos naturais estão relegadas a ser objeto de decisões privadas. Não por nada, ser tão comum deparar-se nos importantes acontecimentos na política ambiental estadual com explicações que enfatizam a inexistência de orientação institucional, mas antes, as preferências pessoais, decisões privadas, casuísmos, privilégios, idealismos e personalismos. Este, como se verá na parte seguinte, será o caso da criação do aparato institucional do meio ambiente catarinense.

GOVERNO DE ANTONIO CARLOS KONDER REIS 1975-1979

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