FESTAS DE NATAL UMA NOVA DIRECTRIZ A SEGUIR
Nada menos de cinco festas de Natal estão sendo preparadas nas várias Escolas Dominicaes da Egreja Presbyteriana Unida. São ellas as da Escola Dominical Central, da Escola Dominical da Lapa, da Escola Dominical da Casa Verde, da Escola Dominical de S. Caetano e da Escola Dominical da Missão Nippo-Brasileira.
A orientação que ultimamente tem sido dada a taes reuniões festivas está despertando um vivo interesse tanto da parte das creanças, como dos adultos. Entendemos que ellas devem ser caracteristicamente infantis, com plena liberdade de programma, dentro das normas de decencia e da ordem, como recommenda S. Paulo. A parte propriamente espiritual ou religiosa da commemoração natalicia do Salvador não deve ser intercalada no programa festivo; antes deve constituir um elemento em separado no programma. Tal norma de agir visa dois fins: appellar fortemente para o aspecto fundamentalmente religioso do Natal, de um lado, e tornar a festa infantil amplamente attrahente, com maior amplitude de programma, do outro lado. Entretanto, o programma festivo tem por objectivo imprimir no cerebro e no coração da creança a verdade religiosa fundamental da vinda ao mundo d’Aquelle cuja missão foi trazer-lhe a redempção.
Qualquer programma de Festa de Natal, a que escape esse objectivo, deve ser completamente banido de quaesquer cogitações.
Quantos aos elementos constitutivos desse programma festivo, cumpre que os recitativos incolores, practica sediça ainda em voga na maioria das Escolas Dominicaes, sejam reduzidos ao mínimo, quando não eliminados. Deve-se, quanto possível, representar scenas allegoricas que illustrem as verdades biblicas, scenas da vida da Escola Dominical, da vida domestica nas suas relações com a influencia da Egreja no lar, emfim representações que traduzam alguma coisa de real e de immediata applicação na formação do caracter christão da creança.
Foi esta a directriz seguida nas festas de Natal do anno findo, e será a mesma, ainda mais caracterizada, a que será observada no Natal do corrente anno.
É preciso revolucionar os velhos methodos e adoptar novos e mais efficientes, lembrando-nos de
que a Festa de Natal não visa tão somente divertir as creanças, mas educá-las no grande facto fundamental que então se commemora.
A primeira festa de Natal será a da Escola Dominical da Lapa, no dia 22 de Dezembro, e o seu programma está cuidadosamente preparado por uma commissão composta das Exmas. Sras. D. D. Malvina de Assis e Nicota Calandra.
A Missão Nippo-Brasileira está organizando para o dia 23 uma grande festa, que será realizada no salão de gymnastica da Associação Christã de Moços. Constará o programma de numeros nacionaes, com o concurso de elementos da Escola Central, e de numeros japonezes, que constituirão uma verdadeira surpreza. Deverá usar da palavra, nessa occasião, S. Ex. o Sr. Consul do Japão, Commendador Toshiro Fujita.
A festa da Escola Dominical de S. Caetano será realizada no dia 23, achando-se á frente de sua organização o Sr. Attilio Borio, representante da Egreja junto daquella Missão.
A Casa Verde celebrará o Natal no Domingo, 24, com um programma caracteristicamente religioso, como se deu no anno passado, com uma parte especialmente dedicada ás creanças e de accordo com a conveniencia do dia.
Finalmente, a festa da Escola D. Central será realizada no dia 25, achando-se os preparativos a cargo de uma commissão composta de D. Winifred Lane, D. Marietta de Almeida, Srtas. Isolina de Camargo, Dorothy Menezes, Noemi E. da Silva, e Srs. Attilio Borio e Antonio Wolf.
Estão sendo ensaiadas varias producções da casa, o que certamente tornará ainda mais attrahente a festa de Natal em elaboração, que será dividida em duas partes: uma propriamente religiosa, que será executada no salão do templo, e a outra festiva, das creanças, no salão do pavimento terreo.
Eliezer dos Sanctos Saraiva, director- superitendente das Escolas Dominicaes da Egreja P. Unida.
A MENSAGEM ANNO II NUM. 15
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Ano II Número 4 Abril 1995
WILLIAM SUNDERLAND COOK
Organista da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo de 1940 a 1955, nasceu em Sandbank, na Escócia, em 27 de outubro de 1903, primeiro filho do capitão de navio James Cook e de Mary Sunderland, australiana de nascimento a quem conheceu numa de suas viagens ao redor do mundo.
Sunderland demonstrou, desde pequeno
grande propensão pela música. A mãe o obrigava a praticar infindáveis escalas e arpejos, enquanto seus colegas jogavam futebol no campo ao lado da casa. O pequeno William fazia isto a contragosto, pois já as sabia de cor e salteado; as escalas eram praticadas com mãos hábeis no teclado e olhar atento ao jogo. Embaixo da partitura sempre havia um gibi, que o menino escamoteava assim que a porta se abrisse anunciando a presença da mãe.
De sólida formação religiosa, Sunderland interessou-se pela vida missionária e decidiu que ali estava a vontade de Deus para seu futuro. Namorava Mary Black, da mesma cidade, e ambos decidiram que partiriam para o Brasil, terra ainda desconhecida para os escoceses e que carecia de evangelização. Ingressaram na E.U.S.A. (Evangelical Union of South America) e após cursos de especialização no Instituto Bíblico de Glasgow, partiram para a nova vida. Sunderland Cook embarcou para o Brasil em 1927 e sua noiva dois anos depois. Casaram-se em Anápolis, GO, sendo este o primeiro casamento civil registrado na cidade.
Sunderland era licenciado pela Royal Academy of Music de Londres e, antes de partir para o Brasil, fez cursos especializados de Homeopatia juntamente com seu irmão James, também missionário, e que viria para o Brasil pouco tempo depois.
Sunderland não pode praticar sua música em Goiás e muito menos na Ilha do Bananal, para onde fora juntamente com outro missionário, Joe Wilding, tendo este falecido na Ilha em conseqüência da malária.
Sunderland também contraiu a doença e até seus últimos dias ainda sentia, periodicamente,
os tremores característicos do mal. Em 1934 Sunderland e família transferiram-se para São Paulo. Seu único filho tinha então 3 anos de idade. Em 1939 desligou-se da missão e ingressou como organista na Casa Hammond, única distribuidora no Brasil dos órgãos Hammond, fabricados nos Estados Unidos. Juntamente com Ângelo Camin, Souza Lima e outros organistas, realizavam demonstrações do instrumento em várias cidades do Brasil. Muitas igrejas evangélicas adquiriram o órgão Hammond graças aos concertos e demonstrações dados por Sunderland, entre elas a Igreja Presbiteriana Unida que em 1939 comprou seu instrumento.
Quando organista na Igreja Unida, Sunderland demonstrava freqüentemente seu temperamento dócil mas ao mesmo tempo impaciente diante de certas situações. Quando o pastor, por exemplo, passava de quinze minutos no sermão, Sunderland aproveitava uma brecha para dar um solene "amém" em dó maior. Dizia o organista: "Se um pastor não pode pregar a palavra de Deus em quinze minutos, não é em trinta que vai fazê-lo". Com as noivas não era diferente: "Se a Sra. se atrasar mais de quinze minutos, eu fecho o órgão e vou para casa". Muitas noivas entraram e saíram da Igreja Unida sem música.
No início da década de 40, foram inaugurados vários cinemas de luxo em São Paulo. Era a época em que os homens não podiam freqüentar cinema sem paletó e gravata. O cine Ipiranga foi uma dessas casas e, durante sua inauguração, um órgão Hammond aparecia no palco, por meio de um elevador, antes da apresentação do filme. Sunderland era o organista que tocava nessas ocasiões, de casaca, como parte da sofisticação do cenário geral.
Sunderland trabalhou ainda como professor de inglês por algum tempo na Cultura Inglesa e dando aulas particulares. Foi professor de importantes figuras da vida paulistana, entre os quais o governador Lucas Nogueira Garcez, Leandro Dupré e toda a cúpula do Banco Mercantil de São Paulo, onde atuava como consultor da Diretoria. Durante os últimos cinco
anos de sua vida, foi pastor de uma pequena igreja evangélica no bairro do Carandirú, nesta capital. Sunderland faleceu no dia 11 de fevereiro de 1969, deixando esposa, um filho e quatro netas. Mary Cook, sua esposa, faleceu em 9 de abril de 1989.
James F. Sunderland Cook Filho de Sunderland Cook, é escritor e tradutor.