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3.1 The Clustering Problem

3.1.5 Determining the Number of Clusters

Veloso (2013), na linha de muitos outros autores, considera que existe uma influência mútua entre o sentido dos adjetivos e o sentido dos nomes, quando combinados entre si. Dessa forma, “esta interação dinâmica entre o sentido do adjetivo e o sentido do nome permite formar uma nova tipologia dos adjetivos, em parâmetros binários

constituídos por valores opostos”, que se organizam em três grandes dimensões: a aspetual, a lógico-semântica e, por último, a oposição relativo-absoluto (cf. Veloso, 2013: 1433). É nesta tipologia que assenta a classificação de Demonte (1999), correspondendo algumas das oposições seguintes às diversas classes propostas por esta autora.

1.3.1. Leitura individual ou episódica

Existem certos adjetivos que, como o nome indica, estando inevitavelmente relacionados com as características semânticas da situação que predicam, são capazes de descrever propriedades que, não tendo uma limitação espácio-temporal definida, são encaradas como pertencendo aos indivíduos, de forma relativamente estável. Em oposição, há outro grupo de adjetivos que contrasta com o anterior, precisamente pelo facto de se referirem a propriedades que, sendo temporárias, “implican cambio y que tienen limitación espacio temporal” (Demonte, 1999: 142). Brito (2003: 382) também tem em consideração esta distinção entre adjetivos de indivíduo e de fase7, assinalando que a “diferença relaciona-se com o facto de uma propriedade estar associada a um dado indivíduo (inteligente, português) ou apenas a uma fase de um indivíduo (morto,

grávida)”.

Veloso (2013), por sua vez, considera que esta oposição se baseia numa diferença de leituras, em que os adjetivos, “quando denotam propriedades que caracterizam uma entidade na sua individualidade própria e que contribuem para a distinguir de outros seres vivos do mesmo tipo” têm leitura estável. A leitura será episódica se, pelo contrário, denotarem “propriedades transitórias, contingentes ou acidentais das entidades, ligadas a situações delimitadas no espaço e no tempo” (Veloso, 2013: 1433-1434).

Tanto Demonte (1999), como Brito (2003) e Ferreira (2013) reconhecem, para o Espanhol e para o Português, respetivamente, que a oposição ser/estar pode indiciar a presença de um adjetivo de indivíduo ou de fase, respetivamente. Torna-se, contudo, necessário alertar para o facto de poderem existir adjetivos que se combinem com os dois

7A distinção entre predicado de indivíduo (individual level) e predicado de fase (stage level) foi inicialmente

verbos e, assim, este critério não ser, por si só, suficiente para distinguir os dois tipos de adjetivos. Atente-se nos exemplos seguintes, que ilustram a oposição entre predicados de indivíduo e episódicos, enfatizada, precisamente, pela oposição entre ser e estar.

(11) A Maria está feliz/alta. (12) O João é feliz/alto.

Demonte (1999) avança que aquilo que designamos por predicado de indivíduo traduz a pertença a uma classe e, dessa forma, pode ser expresso através de adjetivos relacionais utilizados em posição predicativa, uma vez que este tipo de adjetivo só aceita esta posição quando combinado com o verbo ser. Assim, os adjetivos relacionais “describen propriedades estables o indivuales” (Demonte, 1999: 143). Por outro lado, os adjetivos qualificativos são, neste aspeto, de interpretação mais complexa, na medida em que, aceitando, em geral, a combinação, tanto com ser como com estar, podem originar uma leitura de indivíduo ou de fase, respetivamente. Todavia, a autora observa que “los adjectivos calificativos no tienen dos rasgos alternativos, dos acepciones o dos estruturas argumentales, sino que poseen un significado básico y la posibilidad de cambiarlo en ciertas condiciones bien definidas” (cf. Demonte, 1999: 144).

1.3.2. Leitura Restritiva ou Não-Restritiva

Demonte (1999) considera que o adjetivo designado restritivo é aquele que, ao modificar o nome com o qual se combina, restringe a sua extensão e, a partir dessa restrição, é considerado um novo referente. Realmente, a principal função de um adjetivo restritivo é, como nota Ferreira (2013), “a redução do significado inicial” (Ferreira, 2013: 24). No caso de um adjetivo não restritivo, por sua vez, a modificação que este acarreta não tem qualquer consequência na extensão significativa do nome, uma vez que incide na sua intensão e, desse modo, “se aplica al concepto, a la intensión del término en su totalidad, para evaluar y singularizar una propiedad en relación com el conjunto de características que definen al nombre en cuestión” (Demonte, 1999: 147).

Para Veloso (2013), como já foi brevemente explicado, o adjetivo não é, em si, restritivo ou não-restritivo, recebendo, no entanto, esse tipo de leituras, quando interpretado, contextualmente. Assim, se um adjetivo tem leitura restritiva, o processo é o mesmo, isto é, o de restringir o conjunto de entidades à qual o nome se aplica, contribuindo, “num determinado contexto, para a identificação da entidade” (cf. Veloso, 2013: 1440). Se, pelo contrário, “a propriedade denotada pelo adjetivo se aplica a todas as entidades possíveis no conjunto situacional ou discursivo, não sendo, portanto, essencial para a identificação do referente do sintagma nominal, estamos perante uma leitura não restritiva” (Veloso, 2013: 1440).

Ao analisar os exemplos de Ferreira (2013), aqui numerados como (13) e (13a), verifica-se que, de facto, no primeiro caso, o significado de alunos é restringido pelo adjetivo simpáticos, de tal maneira que, do conjunto de todos os alunos, podemos interpretar que apenas os que eram simpáticos homenagearam o professor. No segundo caso, pelo contrário, esta restrição não existe, estando em causa o conjunto de todos os alunos.

(13) Os alunos simpáticos homenagearam o professor. (13a) Os simpáticos alunos homenagearam o professor.

A consideração destes exemplos faz, também, atentar no impacto que a posição dos adjetivos na frase pode ter na restrição ou não do significado do nome. Os exemplos levam a concluir que, de modo geral, mas não exclusivo, em Português, “a posição pré- nominal encontra-se associada a uma interpretação não restritiva e a pós-nominal, a uma leitura restritiva” (Veloso, 2013: 1440)

1.3.3. Leitura Absoluta ou Relativa (e a oposição entre adjetivos intersetivos ou subsetivos)

Ao combinar um adjetivo com um nome, este pode originar uma relação absoluta, isto é, a propriedade que o adjetivo atribui pode aplicar-se a todos os objetos que o nome designa ou, pelo contrário, pode aplicar-se de forma relativa, isto é, apenas ao nome

comum em causa (cf. Demonte, 1999). Para clarificar esta distinção, Veloso (2013) menciona que um adjetivo tem leitura absoluta quando “expressa propriedades de uma entidade que não variam quando se utilizam outros nomes para a representar” (Veloso, 2013: 1445), servindo-se, como exemplo, das expressões formiga preta, que pode ser substituída pela expressão animal preto, para fazer referência a uma característica das formigas – a de serem pretas. Já no que diz respeito à leitura relativa, considera que “a avaliação da propriedade depende fortemente do sentido do nome”, já que, utilizando os mesmos nomes (formiga e animal), mas servindo-se de um adjetivo diferente (grande), o resultado já não será o mesmo que anteriormente, uma vez que a expressão uma formiga

grande não é equivalente à expressão um animal grande.

Ainda relativamente a esta classificação, também Rio Torto (2006) salienta a diferença entre estes dois tipos de adjetivo, enfatizando a importância da posição dos mesmos na frase. A autora afirma, assim, que “em posposição (crianças lindas) há lugar à intersecção do conjunto de “crianças” com o conjunto dos “seres lindos”. O mesmo não se passa quando os adjetivos se encontram antepostos, pois, como nota Rio Torto (2006), “em anteposição (lindas crianças) há lugar à inclusão das “crianças” em menção no conjunto de “seres lindos”, estando, portanto, em causa referência a alguns membros do conjunto “crianças” no universo dos seres que são (considerados) lindos (Rio Torto, 2006: 107).

Convém, por fim, salientar que a oposição entre leitura restritiva e não restritiva não é equivalente à oposição entre adjetivos intersetivos e subsetivos, já que a primeira oposição é sempre relativa à combinação de um adjetivo com um nome, e a segunda diz respeito a propriedades dos adjetivos em si. Assim, os adjetivos intersetivos, dos quais são exemplo os adjetivos de cor, “denotam propriedades que remetem para classes de entidades, à semelhança dos nomes”, enquanto os subsetivos, por sua vez, “remetem apenas para subclasses de entidades, como os adjetivos de dimensão” (cf. Veloso, 2013: 1450; ver também Ferreira, 2013).