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CHAPTER IV CIRCUIT DESCRIPTION

3. DETAILED DESCRIPTION

É normal que o adolescente, convivendo com HIV tenha que se ausentar de compromissos de rotina para o acompanhamento da condição de sua saúde e fazer uso de medicamentos em horários variados. Portanto, silêncio e a opção pelo sigilo, diante da equipe da educação, podem pressupor uma falta de compromisso com a vida escolar e seus deveres. Ainda que a proposta dos temas transversais25 aconteça na escola, também há por parte dos educadores o desconhecimento da rotina adquirida pela pessoa com doença crônica – nesse caso com o HIV – em relação ao uso de medicação, coleta de exames, consultas frequentes e os impactos dos efeitos colaterais.

Difícil inferir quando o assunto de doenças crônicas passa a fazer parte do cotidiano escolar, mas, em algum momento a discussão do tema acontece e envolve todos os funcionários da escola. Com relação ao HIV, muitos diretores são, geralmente, os primeiros profissionais da educação a serem procurados pelos pais ou responsáveis. Entretanto, devido ao estigma ainda presente no contexto social, é

25 O conjunto de temas aqui proposto (Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde e Orientação

Sexual) recebeu o título geral de Temas Transversais, indicando a metodologia proposta para sua

inclusão no currículo e seu tratamento didático. Disponível em:

possível que os responsáveis pelo adolescente tenham outra atitude e não informe sobre o HIV. Em ABIA (1993, p. 9) temos:

Quando pensamos nos problemas decorrentes da presença no meio escolar de crianças/pessoas com HIV ou AIDS, é importante lembrar que muitas pessoas que têm o HIV não sabem que estão contaminadas. Estas pessoas não apresentam nenhum tipo de sintoma de infecção, doença e vivem em perfeita saúde durante muitos anos, antes de sofrerem as primeiras infecções decorrentes da imunodeficiência (enfraquecimento do sistema imunológico) provocada pelo HIV. Por outro lado devemos lembrar também que as pessoas que sabem que têm o HIV (ou sabem que seus filhos estão com o vírus) não têm obrigação de comunicar este fato a quem quer que seja. No Brasil, até hoje, da toda a discriminação que uma declaração desta natureza pode provocar, a maioria destas pessoas prefere manter o sigilo sobre sua condição. Ou seja, nenhum diretor de escola pode afirmar hoje, com segurança, que na sua escola ninguém está com o vírus.

Portanto, para o corpo docente e gestão da escola, o conhecimento da condição de saúde dos alunos é algo difícil de conhecimento e mensuração. A confiabilidade dos responsáveis dos adolescentes junto à gestão escolar pode significar um importante passo para constituição de parceria e acolhimento do adolescente com HIV – essa tarefa poderá proporcionar autonomia preparando todo o corpo docente à abordagem de prevenção do HIV, sem necessariamente precisar expor o portador com HIV.

Independente do conhecimento do seu estado de saúde, todo adolescente deveria saber identificar como funciona a sua rede de relações, como esta se compõe e as pessoas com as quais pode conseguir algum apoio sejam: família; equipe de saúde e escola; colegas de escola ou com integrantes da instituição religiosa à qual pode estar vinculado, uma vez que, a rede social representa relações em que se pode acreditar nas pessoas. Sluzki (1979, p. 41) alerta que:

[...] a rede social pessoal pode ser definida como a soma de todas as relações que um indivíduo percebe como significativas ou define como diferenciadas da massa anônima da sociedade. Essa rede [...], constitui uma das chaves centrais da experiência individual de identidade, bem-estar, competência e agenciamento ou autoria, incluindo os hábitos de cuidado da saúde e a capacidade de adaptação em uma crise.

Ao conseguir identificar sua rede social, o adolescente demostra a maturidade sobre os vínculos afetivos confirmando o sentido que está atribuindo à própria vida. Através desse processo pode desenvolver o interesse na regularidade de idas às

consultas, das realizações de exames e o do uso dos medicamentos para que de fato se estabeleça a adesão.

Mesmo que a resposta imunológica esteja alta no início do tratamento, torna-se importante que a medicação seja iniciada, pois, como afirma Diaz (2013): “[...] a multiplicação do vírus que está de certa forma, inflamando seu corpo” é o mesmo “[...] tipo de inflamação que se tem no diabetes, na hipertensão, na insuficiência renal crônica, em algumas doenças reumatológicas” (p. 11), portanto, para evitar essa multiplicação a medicação é essencial.

A distribuição dos medicamentos é gratuita e, desde 2012, auxilia na redução da multiplicação do vírus aumentando a imunidade. “Atualmente, existem 21 medicamentos divididos em cinco tipos, para dar efeito é necessário o uso de três medicamentos”. (BRASIL, 2016b, p. 1)

Segundo o relato das pessoas que vivem com HIV, existem dificuldades na ingestão diária das medicações, visto que, os efeitos colaterais são inevitáveis. Com o passar dos anos, devido ao uso continuado, começam a surgir respostas do organismo associadas às “alterações hepáticas, renais, cardiovasculares, ósseas, no metabolismo da glicose e dos lipídeos. Isto requer monitoramento a cada 3-6 meses e após cada troca de esquema ARV” (BRASIL, 2014c, p. 1).

Considerando as possíveis alterações, quanto ao uso das medicações e de seus efeitos, o adolescente com HIV deve realizar exames para descartar as chances de intercorrências, o que pode levá-lo a outro esquema de medicamento. Para obter mais informações sobre os atuais medicamentos antirretrovirais, consultar Anexo D.

Além da atenção ao atendimento individual no tratamento, existe a constante preocupação em encontrar maneiras de incentivo à prevenção. Mesquita (2015, p. 2) descreve as medidas que o Brasil adotou, em 2013, na luta contra o HIV e às DSTs como:

[...] uso da camisinha, o tratamento antirretroviral, a testagem regular do HIV, a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP Sexual), o exame de HIV no pré-natal, medidas de redução de danos entre pessoas que usam álcool e outras drogas e o tratamento de outras DSTs. [...]. O Brasil tem até 2020

para atingir a meta 90-90-90 assumida pelo país, perante a ONU, e que foi também recentemente adotada pelo bloco dos BRICS (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), entre outros países. A meta prevê que, até 2020, 90% de todas as pessoas vivendo com HIV saibam que têm o vírus; 90% das pessoas diagnosticadas com HIV recebam terapia antirretroviral; e 90% das pessoas recebendo tratamento possuam carga viral indetectável e não possam mais transmitir o vírus.

As medidas estão inseridas além do âmbito da saúde e a disseminação da informação pode ser encontrada em várias frentes de divulgação na sociedade, principalmente no ambiente escolar, contribuindo para que a opção pessoal para o exercício da sexualidade remeta à prevenção do HIV. Após as informações sobre os aspectos que se relacionam ao tratamento e uso de medicamentos, o próximo capítulo evidencia os principais aspectos vivenciados pelos adolescentes HIV positivos no ambiente escolar.

Fonte: Campanha de prevenção à transmissão vertical. Disponível em:

<http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos_campanhas/2010/42797/cartaz_mae_nordestina_g.j pg>. Acesso em 08 fev. 2017.

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