V. Static Grouping Algorithms
6.1 Developing the Algorithm
6.1.2 A More Detailed Algorithm
Em 1972, então aposentado da Petrobras, Lange continuou sua participação como estudioso e pesquisador das geociências no país. Nesse mesmo ano tornou-se coordenador suplente do Léxico Estratigráfico Internacional, Subcomissão encarregada da parte do Brasil. Publicou também o artigo Silurian of Brazil.
Em 15 de janeiro de 1973, tornou-se membro titular da academia Brasileira de Ciências – Seção de Ciências da Terra. Em 1975, publicou o que seria seu último artigo intitulado Stratigraphy of the Cretaceous sedimentary basins of Brazil, apresentado no 5° Colóquio Africano de Micropaleontologia na Etiópia em 1972 e publicado na Revista Española de Micropaleontologia.
Mesmo afastado da empresa, Lange continuou a desenvolver seus trabalhos na área. Além disso, a empresa doou parte dos equipamentos para que Lange pudesse continuar suas pesquisas, mesmo aposentado. Estes microscópios, lâminas e outros materiais também compõem atualmente o Acervo Frederico Waldemar Lange (1911-1988).
Em março de 1975, atendendo a um convite da Mineração Colorado Ltda, colaborou na qualidade Geólogo Sênior e como encarregado de projetos de pesquisas de minerais do país, permanecendo nesse cargo até janeiro de 1986.
de Janeiro.
Porém, durante seu trabalho na Mineração Colorado Ltda, Lange dirigiu seus estudos à mineração, muitos jornais catalogados no acervo deste período se restringem as pesquisas de mineração no país.
Muito do material do Acervo relacionam matérias desde 1958 como uma projeção para o futuro da mineração. Existem ainda matérias referentes a novas jazidas de carvão e de linhita amazonense, ou algumas que relatam os altos preços da venda de Manganês e outros minérios.
Na década de 70, a discussão em relação a política nacional de mineração ganhou um espaço maior do que esperado. Enquanto a política petrolífera ficou no viés de novas descobertas. Ao mesmo tempo, desenvolveram-se cursos e especializações na área de carvão mineral.
Pela “urgente necessidade de aumentar o consumo de carvão mineral nacional, para economia do óleo combustível”, e necessitando-se, para tanto, de técnicos especializados, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras, do Rio, assinaram um protocolo na abertura do VII Simpósio Brasileiro de Mineração, ontem à noite, na UFRGS.
Pelo documento será ministrado o “Curso de Especialização sobre o Carvão Mineral Nacional”, de setembro deste ano a julho de 1978, em regime de tempo integral, com recursos materiais e humanos da UFRGS. Assinaram o protocolo o reitor Homero Só Jobim e o presidente da Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras, José Esmeraldo da Silva, que representou o ministro Shigeaki Ueki, de Minas e Energia. (VIII Simpósio de Mineração abriu com protocolo para formação de técnicos. Jornal
Folha da Tarde. 01 de agosto de 1977, p.32).
Muitas ações e projetos foram coordenados para a exploração de minerais, principalmente do carvão do país. Nesse ritmo é que Lange ao trabalhar na Mineração Colorado Ltda, desenvolveu projetos de exploração e pesquisas nessas áreas. Pois por muitos anos utilizou-se do carvão como opção para a crise do petróleo.
O país acabou encarando com otimismo a sua luta para se livrar da dependência do petróleo como única fonte de energia. Mas somente na década de 80 que se alcançaram bons resultados, buscando novas alternativas de matéria-prima.
Além do desenvolvimento deste trabalho, e do envolvimento em sociedades e congressos, Lange era sempre convidado a participar de bancas examinadoras e correções de trabalhos e teses em virtude de seu alto conhecimento e poder de crítica construtiva. (SOARES & SOARES, 1996).
É possível observar em grande parte das cartas catalogadas no Acervo, assuntos que dizem respeito ao auxílio de Lange para revisão de artigos, análise de amostras,
convites para palestras, etc. Como pode-se observar na carta para o engenheiro civil Geraldo Muniz, estudioso e pesquisador da área de Paleontologia.
Caro Dr. Geraldo Rio, 14.09.78
Recebi há poucos dias do Dr. Lent uma cópia Xerox do seu trabalho para os Anais da Academia e acabo de terminar a leitura. Em princípio está de acordo com as normas e não tenho dúvidas em promover a publicação – salvo o assunto discutido abaixo (na xerox as fotos das estampas não estão muito boas, espero que o original esteja com mais contraste para permitir uma boa reprodução).
Já fiz algumas correções de datilografia e no nome do autor de Asteriacites Schlotheim ao envez de “Schiketeheim” como consta do texto – coisas sem importância.
O que me faz escrever ao amigo são os termos “Ichnofósseis” e “Ichnogênero” que empregou. Embora originado do grego ichnos = pista, traço, já se emprega em bom português o icno, conforme o mestre Aurélio e outros. Também em paleontologia tenho um trabalho em castelhano datado de 1949, e do qual anexo cópia, tratando de “paleoicnologia”. Considero essa grafia mais simpática, mas deixo a seu critério adotá-la ou não. Caso concorde com a sugestão, peço responder-me por carta para comprovar a mudança junto ao Dr. Lent; todavia, caso deseje manter o ichno, basta me telefonar que em seguida encaminharei o trabalho à Academia sem essa modificação. Oportunamente lhe enviarei a lista das corrrigendas de datilografia que anexarei quando do retorno do trabalho ao Dr. Lent.
Fico, pois, aguardando notícias suas, e aqui peço dispor inteiramente. Um grande abraço
Lange. (Trabalho de Geraldo Muniz. Carta. Para: Geraldo Muniz. De: F. W. Lange. Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1978).
Geraldo Muniz era engenheiro civil e possuía também Doutorado na área de Paleontologia, desenvolveu a maioria de seus trabalhos em Pernambuco. Lange conhecido por seu trabalho no Brasil e, também por muitos ingressantes dessa área trabalharem na Petrobras, o contato com Lange era totalmente importante em relação a trabalhos publicados na área.
Prezado Dr. Lent Rio, 24.09.78
Recebi no devido tempo a sua nota de 11 do corrente, acompanhada da cópia xerox do trabalho do Dr. Geraldo Muniz intitulado “Novos ichnofósseis devonianos da Formação Inajá, no Estado de Pernambuco”. (...)
[…]
Quanto ao mérito do trabalho: trata-se de trabalho original, muito bem apresentado, constituindo apreciável contribuição ao conhecimento das pistas e traços fósseis do Devoniano de Pernambuco, com definições sistemáticas bem fundamentadas e que, na minha opinião, merece publicação nos Anais da nossa Academia, recomendação com a qual o devolvo em anexo.
[…]
Um grande abraço
Lange. (Dr. Lent. Carta. Para: Dr. Lent. De: F. W. Lange. Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1978).
Por todo seu trabalho científico desenvolvido e em respeito a sua paixão pela Paleontologia, por muitas vezes Lange foi homenageado tanto em vida como in memoriam. Muito do trabalho de Lange e de seus dados pessoais, tais como o ano de
seu nascimento, são ainda desconhecidos por sociedades e estudiosos da área.
Por esse motivo, esta dissertação tem como objetivo resgatar o brilhante trabalho desse auto-didata junto ao seu acervo pessoal. Buscando demonstrar os percalços científicos da época, os estudos e a consolidação de uma ciência para a época.