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Design of the SIG Framework

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Ao tratarmos das relações das charges com gêneros icônicos, não estamos afirmando que os gêneros verbais apresentados pelo jornal não se relacionem intertextualmente com a charge, mas que as relações se estabelecem mais diretamente com o texto icônico do que com os verbais.

É o que se pode verificar na charge publicada na Folha de São Paulo do dia 25 de agosto de 1993. Este exemplo, além de relacionar-se intertextualmente com um texto verbal e um visual publicados no dia anterior, apresenta também intertextos com uma das figurinhas da coleção

Amar é..., que não aparecem na Folha. Exemplo 18:

Fonte: Charge publicada originalmente na Folha de São Paulo de 25/08/1993 e, posteriormente no Almanaque “O melhor da política através das charges”, Ed. Globo. Disponível no banco de dados do jornal. Coletada

via almanaque.

O cont,exto “intra-icônico” que forma a caricatura do presidente Itamar Franco recupera a fotografia publicada na primeira página do dia anterior. Na foto, o presidente está no banco de trás de um Fusca conversível, acompanhado pelo então governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho, na cerimônia de lançamento do carro popular da Volkswagen. No banco da frente estão o presidente da empresa, Pierre-Alain, e o vice-presidente mundial da Volkswagen e presidente da Autolatina, José Ignácio Lopes de Arriotúa. Itamar está com a mão direita levantada, em sinal de cumprimento. Com esse gesto, ele imitou o presidente Juscelino Kubitschek, que, em 1959, inaugurou a fábrica da Volkswagen, desfilando em pé num fusca conversível.

Exemplo 19:

Foto publicada na Folha de São Paulo de 24/08/ 1993.

A charge desconsidera todas as outras pessoas que estão a bordo do Fusca e focaliza o gesto do presidente Itamar. Percebemos, logo, que há um grau menor de aderência da charge com a foto.

Na charge, o conteúdo verbal está dividido em duas partes. A primeira, acima da figura, e a segunda, abaixo dela. A segunda relaciona-se intertextualmente com uma notícia, também publicada em 24 de agosto de 1993, na primeira página. Nessa segunda parte o chargista recupera uma das informações veiculadas na notícia, qual seja, a previsão da taxa de 36% de inflação para o mês de setembro.

O caráter parodístico da charge acentua-se, uma vez que a caricatura já o demonstra, quando recuperamos o intertexto que não está no jornal: as figurinhas da coleção Amar é... Essas figurinhas são uma criação de Kim Grove, responsável tanto pelo texto como pelos desenhos. Elas possuem um caráter romântico e tentam definir o sentimento de amar através dos atos cotidianos praticados por um casal. Sua estruturação é feita da seguinte forma: acima da ilustração encontra-se, destacado, o primeiro termo da definição (Amar é...), e, abaixo, o segundo, que constitui a explicação do primeiro.

Exemplo 20:

Fonte: Charge publicada originalmente na Folha de São Paulo de 24/08/1993 e, posteriormente no Almanaque “O melhor da política através das charges”, Ed. Globo. Disponível no banco de dados do jornal. Coletada

via almanaque.

Nessa charge há, portanto, intertextualidade de “forma e conteúdo”, na qual um autor imita ou parodia o outro, detendo-se não só no aspecto significativo, mas buscando um efeito estilístico ou formal. A ligação da charge com as figurinhas é evidente, não só por aquela apresentar a mesma estrutura textual destas, mas também pela recuperação no nível lexical, muito bem explorado pelo chargista. Isto nos mostra, como salienta Bakhtin, que podemos parodiar as formas superficiais do discurso do outro. No gênero charge, ao invés do sentimento, o primeiro termo da definição é o nome do então presidente do Brasil. Porém, uma parte de seu nome contém as mesmas letras e fonemas que formam o vocábulo “amar”: Itamar, IT-AMAR. A segunda parte da definição perverte mais ainda os textos de Grove. O sentimento é definido positivamente, apelando para o romantismo, nas figurinhas, enquanto que “It-amar” é definido negativamente. O caráter definitório negativo é percebido pelos seguintes fatores:

a) “andar de Fusquinha”. O uso do diminutivo para referir-se ao carro popular da Volkswagen é pejorativo. Ele indica não somente o pequeno tamanho do carro, mas também suas potencialidades. Além do diminutivo, deve-se considerar que há uma avaliação depreciativa do Fusca, por ser carro popular, destinado ao pouco poder aquisitivo da classe socialmente desprestigiada. Não podemos esquecer que a idéia de relançar o Fusca para combater o desemprego foi de Itamar Franco e foi duramente criticada por setores da indústria. Estabelecendo a ligação entre Itamar e o Fusca, as conotações negativas colocadas no carro voltam-se para o presidente;

b) “na velocidade de 36%”. Há nessa expressão uma ambigüidade causada pelo símbolo da porcentagem. Se não houvesse o símbolo só poderíamos realizar uma leitura, unido o icônico com o verbal do exemplo: Itamar anda de Fusca a uma velocidade de 36 Km/h. Essa seria uma velocidade

muito baixa, o que reforçaria o argumento do item a. Mas como há o símbolo da porcentagem, identificamos não a velocidade, mas a projeção da inflação para o mês de setembro. Isto inverte o potencial do número, uma vez que 36% de inflação ao mês é um índice altíssimo. Portanto, a expressão é ambivalente, com duas perspectivas divergentes de leituras.

c) “engatado na marcha-ré”. Essa expressão completa a crítica. Itamar não se locomove para frente, mas para trás. Como o presidente, maior responsável político pelo desenvolvimento do país, anda engatado na marcha-ré e, conseqüentemente, leva consigo todo o Brasil.

Vemos que, pela paródia das figurinhas Amar é..., o chargista critica com bastante ênfase a conduta do presidente Itamar Franco. Por meio dessa charge, o leitor é colocado diante do atraso que o Brasil vinha sofrendo na época, não somente pelo aumento crescente da inflação, mas pelas ações lentas e, muitas vezes descabidas, de seu condutor maior.

3.4 As relações da charge com a simbologia criada em torno do dia de

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