Constata-se, pois, que a área de finanças é a única que realmente é auxiliada de forma mais direta e enfática pela área de TI. Este já era um resultado esperado, segundo aquilo que foi encontrado na literatura (VIEIRA, 2012; VIEIRA et al., 2010), porém, denota, em contraponto, que a TI não vem sendo aplicada tanto quanto poderia, o que tende a acarretar em uma provável perda de benefícios que poderiam ser alcançados. Isso minimiza, de fato, a importância ao papel da gestão da TI dentro do modelo administrativo municipal.
Manifestou-se em seguida, a curiosidade de averiguar se as funções administrativas básicas eram mais bem suportadas pela TI que as funções gerenciais.
5.3.3 Funções administrativas suportadas pela tecnologia da
informação
No que tange à aplicação da TI no auxílio às funções administrativas da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, o foco de discussão centrou-se no exame das respostas coletadas sobre planejamento e controle, as mais destacadas funções entre as estipuladas como funções básicas da administração processual por Cêra e Filho (2003).
Logo, as funções administrativas para Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte foram enquadradas de forma estruturada, com respaldo da literatura, nas categorias planejamentos municipais (REZENDE, 2006) e controle (LOTTA; FARIAS; RIBEIRO, 2014). Assumiu-se também a busca por um modelo de gestão (LEITE; REZENDE, 2010).
No que diz respeito aos planejamentos municipais, os entrevistados disseram que há pouquíssimo uso direto de tecnologia: majoritariamente são feitos de forma manual, usualmente em reuniões nas quais funcionários se reúnem e traçam os principais pontos do planejamento.
“Não há uso direto de nenhum sistema para elaboração dos principais planejamentos da prefeitura, na verdade tudo é feito em conjunto com os principais secretários, pensado diversas vezes e de diversas formas, levando-se em consideração principalmente a experiência de cada um e a realidade encontrada em seus ambientes de trabalho”. (GM 1).
Ordinariamente, como atestou GM 2, fora montada até uma pequena célula funcional para acompanhar a evolução dos planejamentos. Ratificando a constatação listada, GM 3 informou que:
“Tratando-se de planejamentos há uma equipe coordenada por uma pessoa que é especialista na área. Agora como eu lhe disse, é voltado mais para a parte de finanças, não abrange todos os serviços”. (GM 3).
Entretanto, segundo o conjunto de informações coletadas junto aos CTI, o maior apoio da TI na elaboração de planejamentos está voltado à questão de fornecimento de informações sobre os setores, principalmente por meio de relatórios, particularmente financeiros; mas, foi reconhecida a necessidade de maior uso dos sistemas na elaboração dos principais planejamentos.
Também em uníssono, o grupo de gestores municipais consagrou a enorme importância da elaboração dos planejamentos municipais e que estes deveriam ser realizados com maior frequência e serem mais amparados pela tecnologia, pois assim teriam mais chances de ser eficazes.
Assim, como efetivamente não há uso de sistemas nem de tecnologia da informação para elaboração de planejamentos, ratifica-se a constatação de Rezende e Guagliardi (2005), prenunciadora dessa ênfase do uso de TI na gestão municipal apenas na área de finanças.
O levantamento documental já atribuíra, conforme visto, tom crucial à gestão da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), na qual a gestão da cidade precisa estar mais atenta no que se refere às questões financeiras e à prestação de conta de todos os recursos que entram ou saem da prefeitura (SILVA; OLIVEIRA; FERREIRA, 2016). Essa parece ser justificativa plausível à ênfase tecnológica para a área de finanças.
Outra categoria desta dimensão é a de controle, que foi trabalhada para entender como a TI pode auxiliar na função administrativa de controle. Nesta encontrou-se também que há pouquíssimo uso de TI, via sistemas de informação.
Inicialmente, tratando-se de monitoramento do desempenho da gestão, “tudo era feito de forma mais manual e pessoal, sem auxílios computacionais”, dissera GM 3. GM 1 ressaltou que a monitoração inclusa nesta sistemática de gestão era, “mais cara-a-cara, tanto para elogios, como para críticas”, mas que carecia de um maior aporte de TI.
Este argumento também foi fortalecido pelo CTI 2, que reconheceu que “se deveria ter um melhor acompanhamento das atividades”, quando indagado sobre o auxílio da TI na monitoração de atividades administrativas.
Já no que diz respeito ao controle interno das atividades desempenhadas, notou-se que há formas de controle, mas que também essas, na visão do GM 2, não se utilizam de tecnologia da informação, sendo todas de cunho pessoal.
“Sempre uma vez por mês o prefeito reunia todo seu secretariado, geralmente na primeira segunda-feira do mês, ele reunia todo o secretariado e ali o secretariado expunha o trabalho que estava sendo feito, havia um diálogo, era geralmente uma manhã de reuniões”. (GM 3).
Os colaboradores de TI também confirmaram que tudo era feito de forma individual, até mesmo dentro do setor de TI, sem o uso de ferramentas de tecnologia.
A última categoria da dimensão funções administrativas suportadas pela TI foi modelo de gestão e nesta buscou-se entender, segundo aquilo que é apresentado na literatura, se o modelo de gestão municipal atual possui influência da tecnologia da informação em algum dos aspectos até aqui mencionados.
Como foi possível notar, segundo os próprios entrevistados, pouco há de aplicação da TI nas principais funções administrativas e gerenciais, ou seja, o suporte atrelado a TI como parte do modelo de gestão, sequer é operacional, tendo influência parcial em áreas pontuais da gestão municipal, algo detectado por GM 1, que, no entanto, assegurou “ter fé em mudanças neste sentido”.
O quadro 20 busca demonstrar de forma resumida o que foi percebido na dimensão funções administrativas suportadas pela TI.
Quadro 20: Categorias resgatadas para dimensão funções administrativas suportadas pela TI.
Gestores Municipais Colaboradores de TI
Necessidade de maior uso da TI na elaboração dos planejamentos
Pouco apoio de TI/SI para elaboração de planejamentos
Controle interno de forma pessoal Não uso de TI/SI para monitoração Pouca aplicação da TI nas principais funções
administrativas e gerenciais
Pouca aplicação da TI nas principais funções administrativas e gerenciais
Traçando um desfecho, a dimensão ficou caracterizada pela inexpressividade do suporte de TI e carência de otimização em todos os seus componentes, o que fez desconfiar até da eventual falta de apoio de sistemas de informação nas atividades administrativas.