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Chapitre I :Généralités sur l’IA et les systèmes experts

3. Etude des pannes d’un

4.3 les cas d’utilisation (UC) :

4.3.4 Description textuelle des cas d’utilisation :

Francisco Bulnes (1847-1924) formou-se em engenharia. Além de exercer sua formação, foi autor de artigos em vários periódicos do país, bem como importante político do Porfiriato (RODRÍGUES KURI, 1990; RUIZ RAM, 2013).83 Em 1920 escreveu um dos seus mais importantes e polêmicos livros, intitulado El verdadero Díaz y la Revolución. Para tecermos a análise desta obra, é importante considerar a trajetória política do autor ainda antes do movimento revolucionário, uma vez que Bulnes, como mencionado acima, participou do governo de Díaz sendo deputado e senador, além de membro do grupo denominado Científicos. Segundo Victório Muñoz Rosales (2009), mesmo permanecendo trinta anos no governo porfirista, Bulnes não ocupou cargos importantes nas Secretarias de Estado, como aconteceu, por exemplo, com Justo Sierra e Bernardo Reyes84.

El verdadero Díaz y la Revolución foi escrito durante a administração de Venustiano Carranza, época em que o autor estava em exílio voluntário por problemas políticos com o governo revolucionário. Primeiramente o escritor morou em Nova Orleans, Estados Unidos, e, em seguida, La Habana, capital de Cuba. Bulnes retornou ao México em 1921, após a morte do presidente85. (JIMÉNEZ MARCE, 2003, p. 34)

Segundo Jiménez Marce, seus livros tangeram as interfaces da história e da política (2003, p. 07). O escritor ficou conhecido por ser um polemista de sua época, ou seja, ―Bulnes pone en movimiento las creencias consagradas en los catecismos históricos de la patria.‖ (JIMÉNEZ MARCE, 2003, p. 09). Sua proposta, enquanto

83Algumas de suas principais obras foram: El porvenir de las naciones latinoamericanas ante las recientes conquistas de Europa y Norteamérica. Estructura y evolución de un continente. México, de

1899; El verdadero Juárez y la verdad sobre la intervención y el imperio, escrita em 1904; La Nación y el

Ejército en las guerras extranjeras: as grandes mentiras de nuestra historia, também do ano de 1904 e Los problemas de México, de 1926.

84Bulnes participou da Câmara dos Deputados por trinta anos, sendo eleito quinze vezes ao posto. Neste

tempo, representou os estados da Cidade do México, Morelos e Baja California. (JIMÉNEZ MARCE, 2003, p. 32).

85O escritor partiu para o exílio voluntário porque, em 1915, escreveu uma nota periodista criticando

estudioso, foi criticar as visões naturalizadas da história e política de seu país, adotando uma visão não maniqueísta do passado e seus eventos.86

No ano de 1904, Bulnes escreveu, como mencionado em nota de rodapé, El verdadero Juárez y la verdad sobre la intervención y el imperio, desconstruindo a figura heroica e mitológica do benemérito mexicano. O livro recebeu várias críticas e muitos autores escreveram em resposta às afirmações do engenheiro. Segundo Miranda Pacheco, a crítica de Bulnes à Juárez provocou tensão no interior do próprio governo porfirista, pois Díaz legitimava seu governo a partir de dois pilares históricos: a tradição liberal juarista e sua Reforma, datada de 1859 (mencionamos o acontecimento no capítulo um desta dissertação). Como sintetizou Guillermo Zermeño,

De hecho, la operación histórica bulnesiana se realiza en espacios múltiplos que oscilan entre la política y el periodismo, entre la asamblea legislativa y el tribunal jurídico, entre la confrontación documental y las artes de la persuasión que durante ese período, al parecer, están fuertemente atravesadas por el arte de la oratoria cívica desarrollada frente a la tribuna. La participación de Bulnes es suficientemente relevante como para atraer la mirada de otros interlocutores afines o rivales políticamente. La particularidad de estas polémicas es que se elige a la historia como tribunal para dirimir las diferencias políticas. Lo relevante, sin embargo, es observar cómo, a propósito de la política, la historia científica se va abriendo paso durante ese período. (ZERMEÑO apud JIMÉNEZ MARCE, 2003, p. 10).

Don Francisco, embora não tenha sido um crítico tão radical do Porfiriato como, por exemplo, Luis Lara Pardo, não foi um ―incondicional‖ de seu governo, ou seja, um absoluto porfirista que não teceu críticas ao presidente (RODRÍGUEZ KURI, 1990).87 Em seu livro supracitado, o engenheiro defendeu que o governo de Díaz foi ditatorial, mas é importante perceber que Bulnes não acreditava na existência de um governo democrático no México, além de não aceitar a ideia de que os próprios mexicanos fossem democráticos.

Para o autor, ao analisar as formas de governo no mundo, nunca existiu em algum país uma verdadeira democracia, plena, governada para o povo e pelo povo (diferentemente do que pregou Lincoln em seu discurso de Gettysburg – embora o

86 Para Sergio Miranda Pacheco (2001), a vertente dominante no México durante o Porfiriato foi a

empirista, ao invés de uma vertente mais interpretativa do positivismo. Para ele, Bulnes interpretou o passado com uma concepção mais crítica, recebendo várias desaprovações de outros escritores. Segundo Jiménez Marce, o escritor foi criticado – embora ele não diga exatamente por quais autores ou grupos – por produzir discursos apaixonados. (2003, p.13).

87 Contudo, embora tenha feito várias ponderações críticas ao Porfiriato, é considerado pela historiografia

escritor não o mencione). Segundo Bulnes, a finalidade dos governos sempre foi privilegiar a classe governante em detrimento da governada, constituindo um quadro de soberania dos mais aptos (BULNES, 1920). Esta forma de governo manifestou-se de várias formas: teocracias, cesarismos, aristocracias e o que ele intitulou de ―falsas democracias‖. Ou seja, governos que se denominavam democratas, mas que, no fundo, apenas vestiam seu sistema político com essa falsa roupagem. Deste modo, acusar Don Porfirio por não ter sido um democrata, não era válido para ao autor. A principal tese de Bulnes não foi defender que Díaz havia sido um ditador, o que, para ele, não tinha um status negativo; mas sim um ―mal ditador‖. Foi sobre este caráter malévolo do governo que o escritor dissertou em seu livro. Como escreveu,

La imbecilidad se muestra en creer posible que la forma de gobierno de un país, dependa de la voluntad de un hombre. La forma de gobierno depende exclusiva y indeclinablemente de la forma del pueblo. Largo tiempo lleva la sabiduría de las naciones de haber anunciado la gran verdad de aspecto eterno: ―Los pueblos tienen los gobiernos que merecen (…). Deturpar y condenar al general Díaz por no haber ejecutado lo imposible: ser presidente demócrata en país de esclavos, sobrepasa o lo permitido en estupidez (…). Las verdaderas democracias nunca han existido.‖ (BULNES, 1920, pp. 23-24). Como vemos, Bulnes citou Joseph de Maistre (Os povos têm os governo que merecem) para fundamentar sua afirmação sobre o caso mexicano. Filósofo do século XVIII, Maistre defendeu, após a Revolução Francesa, um pensamento reacionário. Diante do levantamento no país, o escritor entendia que as monarquias católicas poderiam evitar a desordem causada pelo movimento de 1879. Sendo assim, defendeu uma ideia de ordem, que influenciou amplamente, por exemplo, Auguste Comte. Segundo António Chaves, ―o que de facto o autor [Maistre] pretend[ia] impor e[ra] a ideia segundo a qual a liberdade não existe enquanto valor absoluto, pois cada povo tem características específicas determinando que esteja mais bem ou menos bem preparado para a democracia.‖ (CHAVES, 2010, s/p). Don Francisco não defendeu o sistema monárquico, mas valeu-se de algumas ideias do francês e achava uma estupidez, imbecilidade, afirmar que a forma do governo mexicano dependeu apenas das vontades de Porfirio Díaz. Se o México não vivenciava um sistema democrático, este fato era causado pela configuração de seu povo. Sobre isto discorreremos mais abaixo.

Ao analisar a situação do México antes do governo do presidente, Bulnes não acreditava que existissem partidos políticos no país, mas sim ―facções‖. Explicava: ―(...)

caracteriza a las facciones todo lo rastrero, todo lo perverso, todo lo asqueroso, puesto que tienen por genio tutelar la trinidad, de la envidia, la codicia y la mentira.‖ (BULNES, 1920, p. 17). Para ele, o México, até 1876, significava a ―fome‖ (―hambre‖) de uns grupos por poder e riqueza; gerando o que Bulnes qualificou de ―anarquia‖ – como também qualificaram Reyes, Sierra e Madero. Segundo Jiménez Marce (2010), o autor descreveu o século XIX como desordenado, desmembrado (sem organicidade) e miserável, situação que acabou quando um homem forte ascendeu ao poder: Porfirio Díaz. Diante dessa atmosfera caótica, o país necessitava de um ditador que conseguisse causar ordem e disciplina ao país. Tal sistema (ditatorial), para ele, não possuía um aspecto negativo, sendo necessário ao México naquele momento88.

Para Jiménez Marce:

Bulnes señalaba que la situación anárquica por la que México había pasado durante una buena parte del siglo, se debía a la falta de organismos sólidos que rigieran al país. Por ello es que era necesario establecer una dictadura que permitiera mantener estable a la nación, mientras se creaban los medios necesarios para fortalecer las instituciones políticas. (JIMÉNEZ MARCE, 2003, p. 36).

Ainda segundo o mesmo autor, Bulnes entendia o ciclo político dos países latino-americanos da seguinte forma:1º) Período anárquico: época em que a expressão política era de ordem militar e religiosa, 2º) Período ditatorial: caracterizado por uma política personalista, centrada na figura de um homem forte que, no caso mexicano, era Porfirio Díaz e 3º) Período democrático: caracterizado por um ordenamento econômico89. Como defendia Bulnes, no México não existiam condições para o desenvolvimento do terceiro estágio político. A primeira etapa foi marcada desde as guerras pela independência do México até 1884, época em que se iniciava a segunda fase do governo de Don Porfirio, perdurando até 1911. Para o engenheiro, como lemos acima, a ditadura era importante para permitir a ―manutenção estável da nação, enquanto se criavam os meios necessários para se fortalecer as instituições políticas.‖

88Quais eram, para Bulnes, os atributos de um bom ditador?: ―dar paz solida al país, capaz de gobernar la

conciencias gravemente estropeadas por la anarquía, dar seguridad a todo el pueblo contra las empresas de los malhechores, del orden común; hacer justicia de Califa; dotar a la nación de una buena administración pública; procurar un progreso económico que determine gran bienestar material en la sociedad, particularmente en las clases populares. (BULNES, 19120, p. 26). Deste modo, o problema de Bulnes foi não ter tomado tais atitudes, constituindo-se em um mal ditador e se transformando em um tirânico.

89É importante nos posicionarmos acerca do trabalho de Jiménez Marce. Após a leitura do livro de

Bulnes, não concordamos que o Científico defenda a etapa democrática unicamente como um período de ordenamento econômico. Este aspecto pode estar inserido na tipologia desenvolvida pelo engenheiro, mas um país nos moldes democráticos abarca, para ele, aspectos mais amplos (e principalmente políticos) como veremos abaixo.

Sendo assim, o Porfiriato era legítimo, porém, deveria ser um sistema político passageiro. O grande problema foi o sistema ter degenerado e se tornado uma tirania, como explicaremos mais abaixo.

O que Bulnes via no México, e na maioria dos países latino-americanos, era justamente um ciclo: governos que passavam de uma ditadura a facções e, de facções a uma nova ditadura, ou seja, a emergência de um governo centralizado e forte que suprimisse as épocas desordenadas. Para o escritor, as críticas dos acusadores do porfirismo não possuíam fundamento. O que criticavam em Díaz não eram argumentos suficientes: ter ele sido um ditador que não seguiu a legislação do país, não respeitou o sufrágio universal e a Carta Magna; burlou as eleições; suprimiu o poder local em detrimento do poder central, entre outros aspectos. Sendo assim, segundo Bulnes, a crítica centrava-se no que Díaz nunca poderia ter sido: um presidente constitucional de uma República Mexicana.

Abandonando a teoria sobre o que deveria ser o governo (tipo ideal), as repúblicas reais, ―de carne e osso‖, eram, para ele, um equilíbrio entre ―amos‖, ou seja, entre os poderosos de uma determinada classe governante – o escritor criticava os abstracionismos teóricos. Desta forma, o México nunca possuíra um governo democrático, uma vez que o povo mexicano também não era democrático.90 O conceito de Democracia para o engenheiro era entendido como a ação da população na esfera pública, na tomada de decisões de um país, e não a ação primeira de um caudilho sobre todos os assuntos. Como afirmava, uma nação que precisava do consentimento presidencial para praticar sua soberania, não era democrática. O que percebemos é que, para o polígrafo, a forma de governo emanava do povo, e não do presidente91.

É importante salientar que há um dado histórico na análise do engenheiro. Para ele, como vimos, uma nação que obedecia a vontade primeira de um governante, não

90 Desde a proclamação da independência no país, o México experimentou governos que tinham como

origem a força. Mesmo Ignácio Comonfort, criador da Constituição de 1857, e Francisco Madero, importante revolucionário do levantamento de 1910, seguiram esta prática. Segundo Bulnes, foram revoluções, a de Ayultla para o primeiro e a Mexicana para o segundo, que os colocaram como candidatos à nação.

91 Durante o século XX, como percebemos, a ―Democracia‖ (com suas várias nuances) tornou-se uma

forma de governo importante, ganhando destaque e valor nos livros aqui analisados. Nas três obras discutidas desejava-se seu desenvolvimento no país, tido como um modelo de governança. Por conseguinte, propunha-se uma maior participação dos cidadãos nas questões políticas e a coletividade, o ―povo‖ (mesmo que guiado), ganharia destaque. Como apontamos no capítulo um, no século XIX a ―República‖ tinha um status significativo; conceitos como soberania, centralismo estatal, liberalismo, entre outros, eram focos de discussão. No século XX, outros valores ganharam maior dimensão. A democracia associava-se à participação política, desenvolvimento de partidos na esfera pública, sufrágio universal entre outros elementos.

era democrática. Contudo, explicou que o motivo que fez os mexicanos tornarem-se obedientes foi justamente terem passado pela experiência de trezentos anos de colonização. A conquista espanhola em solo mexicano fez com que a ―alma‖ do povo, para usar a expressão do autor, permanecesse, ao longo do tempo, em ―profundo servilismo‖ (1920, p. 57).

Como podemos analisar e apreender, os três autores trabalhados neste capítulo buscavam em uma conjuntura histórica – a conquista espanhola e seu sistema colonial – a razão para determinado acontecimento no presente. Turner interpretava o atraso mexicano como consequência dos trezentos anos de colonização que sofrera o país. Para Lara Pardo, as guerras contra os privilégios de castas possuíam a mesma origem e, por terem deixado uma cicatriz profunda no México, acabaram perdurando até 1911. Bulnes enxergava o servilismo de seus concidadãos, a causa por não serem considerados democráticos, como uma característica de sua identidade. A condição de submissão havia impregnado na alma mexicana, ou seja, na esfera mais profunda dos indivíduos; e isto não corroborava para a implementação de um sistema democrático no país92. Retornando à lógica de pensamento utilizada por Bulnes, o único governo que o povo merecia até aquele momento, que possuía organicidade e fluidez, era o ditatorial93.

Quando participou do governo de Porfirio Díaz, Bulnes apoiou algumas reeleições do presidente. A partir da análise de um discurso que proferiu em 1903, na Segunda Convenção da União Liberal, cujo objetivo era justamente sustentar um de seus pleitos, o engenheiro, embora legitimando o Porfiriato, deixou clara ―la contradicción interna del régimen.‖ (KRAUZE, 1987, p. 93). O discurso, além de atentar para a preocupação de uma permanência de Díaz no poder, e as consequências que isto poderia gerar, também defendeu uma posição civilista, já que, para Rodríguez Kuri (1990), havia grande temor por parte de Bulnes e dos Científicos de que Bernardo

92Como afirmou, a população apenas perceberia esta condição em que vivia quando se tornasse mais

civilizada. Civilização e verdade andavam juntas para Bulnes, ambas ideias expressadas em suas obras. Por este motivo seus livros possuíam o objetivo de busca pela verdade de determinado acontecimento. Ademais, para Bulnes, procurar a verdade também era um símbolo dos países civilizados. A concepção bulnesiana de verdade se inseria no âmbito do relativismo; não sendo, portanto, uma verdade absoluta, mas que poderia mudar durante as épocas (MARCE, 2003, pp. 63 e 72).

93 Sobre esta parte, não podemos deixar de mencionar o livro Salvar la nación: intelectuales, cultura y política en los años veinte, de Patricia Funes. Ao analisar escritores no século XX, a historiadora afirmou

que, no começo desta época, intelectuais e polígrafos possuíam como escopo de análise em seus países – a autora analisou o caso latino-americano – o povo, as características da alma nacional, etc. A questão social ganhou uma dimensão importante nas obras e, segundo ela, havia uma preocupação sociológica que buscava entender as patologias da sociedade (FUNES, 2006, pp. 73-75). Como podemos inferir, os autores aqui analisados, principalmente Bulnes, preocupavam-se em buscar as origens dos problemas mexicanos e viam, na colonização espanhola, a causa de muitas mazelas contidas no povo.

Reyes sucedesse o general na presidência. Como sabemos, o tapatío possuía certa popularidade no país, enquanto o grupo encabeçado por Limantour era desprovido de forte base social (BENAVIDES, 1998)94. Segue abaixo o trecho do discurso de Bulnes do ano de 1903,

El progreso, él crédito y la paz dependen de Porfirio Díaz. Porfirio Díaz es mortal. El progreso, el crédito y la paz morirán con él.

Para Kuri, este discurso que Bulnes proferiu na Câmara dos Deputados já possuía uma defesa da institucionalização e formação de partidos políticos no país, antes de sua crítica de 1920. O documento justificava a reeleição de Porfirio Díaz, mas não deixava de tecer críticas ao governo. Como afirmou o historiador, Don Francisco ―planteó nítidamente la encrucijada a la que estaba llegando el país.‖ (RODRÍGUEZ KURI, 1990, s/p).

O que o Díaz deveria proporcionar ao futuro do México? Para o engenheiro, "La nación quiere partidos políticos; quiere instituciones; quiere leyes efectivas; quiere lucha de ideas, de intereses y de pasiones." (Discurso de Bulnes à Câmara dos Deputados em 1903 in Rodríguez Kuri, 1990, s/p). Como afirmava, o personalismo político havia se tornado um problema no México, não havia organizações e dinamismo partidário. Nesse sentido, como afirmou no silogismo acima, o sucessor de Don Porfirio deveria ser a lei, o presidente necessitava agir para o desenvolvimento dos organismos políticos; o que seria importante para o futuro do México. Criticava em seu livro,

El país era suyo, como una cosa, y las cosas no hablan, ni proponen, ni manifiestan deseos, ni sienten, ni perturban con impertinencias la augusta serenidad de sus dueños. Los nombramientos debían caer sobre quien menos se esperaba, de este modo, el ―Supremo‖ hacía sentir que su poder no emanaba de la nación, sino de sí mismo y que más bien la nación era la que había emanado y debía seguir

94 Sobre estas questões da possível sucessão de Díaz ao cargo da presidência, em que os candidatos

cotados eram Bernardo Reyes e José Yves Limantour ver: BULNES, Francisco. El Verdadero Díaz y la

Revolución. México: Editorial Hispano-Mexicana, 1920; BENAVIDES Hinojosa, Artemio. El General Bernardo Reyes: vida de un liberal porfirista. Monterrey: Ediciones Castillo, 1998; KRAUZE, Enrique. Porfirio Díaz: Místico de la Autoridad. Cidade do México: FCE, 1987 e RODRÍGUEZ KURI, Ariel. Francisco Bulnes, Porfirio Díaz y la Revolución Maderista. Estudios de Historia Moderna y Contemporánea de México, UNAM, v. 13, 1990, pp. 187-202. IN:

http://www.iih.unam.mx/moderna/ehmc/ehmc13/172.html. Acessado em: 19 d fev. de 2010. Horário:

emanando, en su desarrollo, del capricho del amo de un universo no irrevocable, porque estas siempre ponen límites a la omnipotencia. (BULNES, 1920, p. 194).

Portanto, o problema do governo de Díaz não foi seu caráter ditatorial, como anteriormente explicado. O que causou a queda de seu regime foi a dificuldade do governo em promover novas lideranças, uma vez que a maioria dos políticos possuíam idade avançada (o que muitos historiadores chamam de conflito de gerações). A ditadura havia se degenerado. Don Porfirio acreditava que o México era seu, nomeava os indivíduos para os cargos políticos e mantinha uma gerontocracia que não comportava novos políticos atuando na esfera pública. Ademais, para benefício próprio, um dos objetivos do presidente era fomentar a divisão de homens poderosos, como fez com Limantour e Reyes.95 Com referida atitude, o ―Supremo‖, como intitulava Bulnes, nunca possuiria um rival que o tirasse da primeira magistratura:

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