5. Étude pétrographique
5.1 Description pétrographique
Figura 27 – Fotografia da educadora Vanderleia
Fonte: Acervo pessoal
A educadora Vanderleia Alves Fortes iniciou sua trajetória no MST e como educadora do Movimento em 2007. Chegou no Acampamento Eli Vive em 2010, quando a Escola Itinerante estava localizada na área do pomar.
O mapa na Figura 28 e a linha do tempo na Figura 29 apresentam os caminhos percorridos pela trabalhadora Sem Terra, educadora itinerante, Vanderleia, desde sua cidade
natal, Cascavel, até a conquistar o seu pedaço de terra, o seu lote, no Assentamento Eli Vive I, no distrito de Lerroville, em Londrina.
Figura 28 – Caminhos percorridos por Vanderleia
Fonte: Produzida pela autora, utilizando Google Maps
Figura 29 – Linha do tempo de Vanderleia
Entrevista: 22 de janeiro de 2018
Meu nome é Vanderleia Alves Fortes, sou moradora do assentamento Eli Vive I186, tenho 30 anos, sou natural do Paraná também, Foz do Iguaçu187, sou formada em Pedagogia188 para educadores do campo, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Eu entrei no Movimento no início de 2007, então vai fazer 12 anos que eu estou, praticamente já 12 anos. Comecei a dar aula também dentro do Movimento, antes até da minha formação, que eu terminei em 2012, iniciei em 2009 e até 2012 e, antes disso, eu já dava aula e já ficava no Acampamento, já era acampada.
Eu entrei nas escolas do MST em 2007, mesmo ano em que eu entrei no Movimento, cheguei no Acampamento já entrei para a escola, porque eu gostava disso, já exercia uma função antes de entrar, mas, assim, em entidades carentes e não em escola diretamente.
Quando eu entrei em 2007, a conjuntura do Movimento necessitava de pessoas para dar aula, para alfabetizar, tinha essa abertura também da Secretaria de Educação do Paraná (SEED/PR) para abrir as escolas itinerantes e aceitava professor com Ensino Médio, então eu tinha o Ensino Médio. Poucas pessoas tinham essa formação em 2007, então eu comecei minha experiência na escola189 do Movimento e fiquei em Cascavel190, onde eu entrei no Movimento e fiquei até 2010. E, em 2010, eu mudei para Londrina191, também com essa tarefa de escola, que daí o Movimento já encaminha, todos os educadores que vão para um acampamento, para um novo assentamento, têm a tarefa de continuar a escola itinerante. Isso já é uma prática, já é uma orientação, cada educador ou cada ocupação que tem, o Movimento se preocupa em mandar educadores para seguir a escola, depende do lugar que manda.
Eu não estava aqui em Londrina quando o Acampamento foi iniciado em 2009, estava em Cascavel. Cheguei aqui em 2010, eu não fiz parte do início, até porque eu estudava em Cascavel, então ficava mais próximo. Depois, na segunda remessa de famílias que veio para cá, por causa da extensão da terra que é muito grande aqui, então cabiam mais famílias, então foi chamado mais e eu vim nessa segunda remessa. Mas a ocupação aqui foi com 120 famílias só, e que ficou aí dois anos quase com esse processo de cuidar, de esperar o dono da fazenda retirar o que era dele para depois ocupar o espaço todo.
O acampamento era ali embaixo, bem no descidão, no pé da subidona ali. Em 2010, quando eu cheguei aqui, tinha bem pouquinha família, então a escola tinha 90 crianças, uma escolinha pequena, era lá no pomar, lá embaixo, do lado do mercado, essas coisas ali para o lado de baixo, ali onde tem aqueles maquinários, depois foi constituído aqui o acampamento inteiro, quando chegaram as demais famílias, aí ficaram quinhentas e poucas
186 Em fevereiro de 2009, famílias Sem Terra organizaram o Acampamento Eli Vive, por meio da ocupação das
antigas fazendas Guairacá e Pininga, áreas de 5,4 mil hectares e 1,8 mil hectares, respectivamente. Essas fazendas estavam em processo de compra pelo Incra (SAPELLI, 2013). A criação dos Assentamentos Eli Vive I e II foi regulamentada por meio das Portarias nº 30 e 31, de 25 de agosto de 2007, e a terra destinada para assentamento de 541 unidades agrícolas familiares. A regularização de 501 lotes foi realizada no dia 27 de setembro de 2013, quando aconteceu o sorteio para distribuição das famílias e a assinatura do acordo de cooperação entre o Incra, a Companhia de Habitação do Paraná (COHAPAR), a Caixa Econômica Federal (CEF) e a associação comunitária dos assentados (INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA, 2013).
187 Foz do Iguaçu: município pertencente à Mesorregião Oeste Paranaense, distante 643 km da capital Curitiba. 188 Formou-se no curso de graduação em Pedagogia para educadores do campo, na Universidade Estadual do Oeste
do Paraná (Unioeste), de Cascavel.
189 Vanderleia iniciou sua trajetória como educadora do MST na Escola Itinerante “Zumbi dos Palmares”, no
Acampamento 1º de Agosto, no município de Cascavel, Paraná.
190 Cascavel: município pertencente à Mesorregião Oeste Paranaense, distante 491 km da capital Curitiba, onde, à
época, estava o Acampamento 1º de Agosto.
191 Londrina: município pertencente à Mesorregião Norte Central Paranaense, distante 381 km da capital Curitiba,
famílias aqui. Tudo aqui! Para esse lado desse mato que está aqui agora, ficou todo mundo. Era a coisa mais linda do mundo, porque daí cada rua, essa rua aqui tinha uma fileira de barraco e outra fileira, então tinha um caminho aqui, uma estrada, vamos dizer assim, então, de um caminho para o outro, era uma brigada do começo ao fim. Era muito interessante a organização. Nesse período era bom.
Sobre a ocupação da fazenda do Guairacá, então o que eu sei é que, em 1991192, teve uma primeira ocupação desse espaço, que foi assim: as famílias vieram, ficaram três meses aqui e daí teve um despejo muito violento, teve pessoas com sequelas, não teve nenhum morto, mas teve sequelas, teve pessoas muito machucadas. Então as famílias abriram mão desse espaço e foi todo mundo embora para outros acampamentos. A partir de 2008, antes disso ainda, o próprio fazendeiro começou a ofertar a fazenda para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)193. Por quê? Porque diz que ele ficou com peso na consciência, que já também não dava conta de administrar a fazenda e, já que o Incra teria interesse na terra, ele acabou vendendo. Foi um processo muito mais tranquilo assim, não foi ocupação como em outras fazendas, de abrir a cerca, tudo aquilo, não, esse aqui foi um processo negociado de toda a fazenda. O proprietário quis vender e o Incra comprou e discutiu com o Movimento quem viria para cá, tudo certinho, para abrir para a reforma agrária a partir do momento que o proprietário ofereceu. Mas foi um processo mais tranquilo do que os outros que a gente já fez de ocupação. Eu participei de outras ocupações, mas não vivenciei nenhum processo violento.
Sobre a ocupação das fazendas Guairacá e Pininga194 e a organização do Acampamento, assim como em todos os acampamentos do Movimento, assentamento, tem a mesma organicidade195. Então tem brigadas, núcleos de base, tem os setores, então praticamente assim, todas as comunidades. Primeiro, não tinha a Pininga, quando era Acampamento, só a partir de 2012, 2013, quando distribuiu os lotes, as unidades familiares, aí é que surgiu a Pininga. A gente cuidava da terra do espaço de lá, mas não tinha família lá, morando, morava todo mundo aqui, no Guairacá, no Eli Vive I, que depois virou I e II.
Até o ano de 2010, nós tínhamos em torno de umas 90 crianças no começo. Não tinha mais que isso, 90 crianças. Então as crianças iam para escola, a gente tinha escolinha até quarta série. Então a gente não tinha noção de quantos tinham maior, porque eu fazia o acompanhamento também, mas iam para Lerroville, para cursar o Ensino Fundamental II (anos finais) e Médio. Em 2011, nós fomos autorizados a ofertar a Educação Infantil, Ensino Fundamental II (anos finais) e o Ensino Médio.
192 Segundo Sapelli (2013, p. 148), uma das lideranças desse primeiro Acampamento era a educadora Iraci Salete
Strozak.
193O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é uma autarquia federal, cuja missão prioritária
é executar a reforma agrária e realizar o ordenamento fundiário nacional.
194 As fazendas Guairacá e Pininga, com áreas de 5,4 mil hectares e 1,8 mil hectares, respectivamente, localizavam-
se no distrito de Lerroville, em Londrina, Paraná, e são, atualmente, os Assentamentos Eli Vive I e II.
195 Nas áreas de latifúndio ocupadas ou desapropriadas para os assentamentos, a organização das famílias é
condição para a luta pela conquista de direitos básicos, “como saneamento, energia elétrica, acesso à cultura e lazer” (MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA, 2014b), pois esses locais normalmente possuem poucas benfeitorias e infraestrutura, não são lugares pensados para a moradia e existência digna de comunidades. Para tomar as decisões no MST, as famílias assentadas e acampadas organizam-se numa estrutura participativa e democrática. Nos assentamentos e acampamentos, as famílias, organizadas em núcleos de discussão sobre as necessidades da comunidade em cada área, escolhem os coordenadoras e coordenadores do assentamento ou do acampamento. Essa mesma estrutura repete-se em nível regional, estadual e nacional. As famílias também se organizam em setores “para encaminharem tarefas específicas” (MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA, 2014b) demandadas por cada acampamento e assentamento. Entre os setores organizados nacionalmente pelo Movimento, podemos destacar os de: Comunicação/Cultura, Educação, Finanças, Formação, Frente de Massas, Produção, Saúde, Infraestrutura.
Em todas as comunidades, o Movimento já discute acesso à terra e acesso à educação, porque já entende que a escola é um meio também de conquistar a terra. Nesse processo, já se discute escolaridade, já não se aceita muito a pessoa assinar com o dedão, então todas as famílias já vão discutindo isso.
Então as famílias já pautam isso no começo, já entendem que isso já é consequência, não sei se seria consequência, já é um... faz parte do processo de convivência, já tem escola, todo acampamento tem escola. A não ser Acampamento como esse daqui196, que fica aqui perto, daí não tem necessidade, mas é sempre assim, já chega já discute, já vê quem são os educadores. Quantas crianças têm, já faz um levantamento, faz acompanhamento, faz as salas, arruma tudo, já sabe, com o que tem.
Eu não estava no começo aqui197 quando foi construída a Escola Itinerante “Maria Aparecida Rosignol Franciosi”, quando fez as primeiras salinhas. Como eu fiz meu trabalho também de pesquisa, eu pesquisei pessoas daqui para ir perguntando como é que foi todo processo. Iniciou-se no que tinha, no acampamento que tinha lá embaixo198, às vezes tinha sala, às vezes tinha uma árvore, dava aula, os educadores tinham isso, então pegava uma lona preta, pregava na árvore com um pauzinho para escrever. E aí tem um apoio grande do Setor de Educação199 do Movimento, que acompanha esse processo, que oferece material,
196 O Acampamento Quilombo dos Palmares, foi organizado em novembro de 2015, quando famílias Sem Terra
ocuparam a fazenda Marília, localizada no distrito de Lerroville, na zona rural de Londrina.
197 Menos de um mês depois da ocupação e da organização do Acampamento Eli Vive, no dia 23 de março de
2009, foi criada a Escola Itinerante “Maria Aparecida Rosignol Franciosi”. As primeiras aulas ocorriam embaixo das árvores e na cocheira da antiga fazenda. Para chegar na cocheira, as educadoras e os educadores tinham que subir um morro com as crianças, que, por vezes, acabavam se molhando na chuva e no orvalho, e, por ser aberto, o barracão não os protegia da chuva e do frio. Ao observar essas dificuldades, a comunidade, em agosto de 2009, organizou-se e construiu coletivamente a primeira estrutura da escola dentro do “acampamentinho” (segundo local em que a comunidade organizou o acampamento na área ocupada), com bambu e lona. A segunda estrutura, ainda dentro do “acampamentinho”, foi feita de madeirite e lona. O nome da Escola Itinerante foi escolhido em 2010, em homenagem à educadora Maria Aparecida Rosignol Franciosi, trabalhadora Sem Terra, falecida em 2008. Em 2010, com a vinda de mais famílias para o Acampamento Eli Vive e as dificuldades de acesso à estrada principal, a comunidade mudou o acampamento de local e, consequentemente, também a escola. O “grande acampamento” foi construído perto da estrada principal e a escola na área perto do pomar. Até as salas de aulas serem novamente construídas, as aulas da Escola Itinerante ocorreram embaixo das árvores do pomar. No final do ano de 2010, por meio da mobilização e reivindicação da comunidade, foi conquistada a autorização para ofertar o Ensino Fundamental II – Anos Finais, o Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa conquista possibilitou que todas as crianças, jovens e adultos pudessem estudar na escola dentro do Acampamento e não precisassem ir para Lerroville. Assim, com o aumento do número de educandos, novamente, a comunidade decidiu por mudar a escola de lugar e, dessa vez, construiu os primeiros chalés de madeiras no local em que a escola funciona até hoje, no Assentamento. Os chalés de madeira foram construídos separados, formando um imenso círculo, com uma área gramada no meio, e perto da estrada principal. Foram construídos também os banheiros, o refeitório e a secretaria, todos de madeira. Em 2012, a comunidade construiu mais chalés atrás dos primeiros no mesmo sentido do círculo. Nessa época, o acampamento ficava bem perto da escola. Em 2016, a Escola Itinerante “Maria Aparecida Rosignol Franciosi” se dividiu em duas instituições: o Colégio Estadual Maria Aparecida Rosignol Franciosi, oferecendo Ensino Fundamental II e Ensino Médio, sob responsabilidade do governo estadual; e a Escola Municipal do Campo Trabalho e Saber, oferecendo Educação Infantil e Ensino Fundamental I, sob responsabilidade do município de Londrina. Essas duas instituições dividem a mesma estrutura física, que, anteriormente, era da Escola Itinerante, sendo prevista a construção de novas instalações para a escola municipal. Também, foi criada a Escola Municipal do Campo Egídio Domingos Brunetto – está localizada no assentamento Eli Vive II – com oferta de Educação Infantil e Ensino Fundamental I.
198 Refere-se ao segundo local em que a comunidade organizou o acampamento nos primeiros dias da ocupação
da fazenda, no ano de 2009. No primeiro dia de ocupação, a comunidade organizou um acampamento perto da represa, depois, devido à necessidade de água potável, organizou o acampamento no local indicado pela entrevistada.
199 O Setor de Educação foi criado em 1987 e tem como principal demanda, desde a sua origem, a construção do
que busca em outras escolas que podem fazer essas doações para trazer, outras famílias também que já têm em casa ou que compra e já traz para a escola também de doação, então tem esse processo de início.
Depois, foi negociado com o proprietário da fazenda um espaço, ele cedeu o lugar onde ficam as baias do boi, onde ficam os cochos para tratar os bichos, então as crianças sentavam dentro do cocho, colocavam uma tábua no colo e escreviam e o professor dando aula na frente com um quadrinho, com o que tinha. Então a estrutura nunca foi assim o grande problema, a gente tentava superar isso a partir da criatividade dos professores, dos alunos, dos pais, dos educandos, com o que tinha, então a gente ia usando.
A primeira sala nossa foi no lugar onde dava comida para os bois. Esse foi o nosso primeiro espaço. Depois, as famílias se juntaram e fizeram uma escola de bambu com lona, depois já foi melhorando, aí já tinha uma salinha para trabalhar. E, depois, quando foi se constituindo acampamento aqui na sede da fazenda, nós tivemos cinco salas de aula, nessa eu já fazia parte, já dei aula lá embaixo perto do pomar e já tinha uma estrutura assim, de compensado, um pouquinho melhor, então já tinha um quadro, o Movimento já tinha trazido a estrutura de outros espaços para cá, salas de aulas, quadro, essas coisas que a gente podia dividir entre as escolas itinerantes do Paraná. E trazia, as famílias se viravam, se juntavam, faziam vaquinha e traziam. E a gente ia se virando com o que tinha. E nesse processo não tinha Ensino Médio, só tinha Anos Iniciais, era até o quinto ano, quarta série ainda, e a gente fazia parte da escola base que era responsável pela documentação lá de Ortigueira, que era o Colégio Centrão200.
A escolha dos educadores itinerantes era por meio da procura por pessoas que tinham disponibilidade, que tinham o Ensino Médio minimamente e que queriam dar aula, não tinha muita formação, outros tinham, alguns que tinham Magistério, então ótimo, se tornava a pessoa que ia ajudar os outros educadores a dar aula. As famílias levavam para a direção, coordenação do Assentamento, direção avaliava o nome do professor, se podia assumir ou não. Em todo processo, desde você ir estudar pelo Movimento, você tem avaliação, você tem antes de estudar, avaliação para entrar na escola. A pessoa tem que ter pertença, tem que ter aceitação das famílias, tudo isso. É muito interessante. Porque as famílias também veem em você o que elas esperam que seja ensinado para os educandos. Não adianta você vir aqui e, às vezes, não ter essa pertença para o Movimento, porque a gente é do Movimento, e não ensinar o que que é isso aqui, porque a gente está nesse espaço, qual é o espaço de luta, o que a gente está fazendo aqui, porque está nestas condições. Tem que ensinar que é uma luta histórica, que é o Movimento dos Trabalhadores, o que faz parte, por que surgiu, qual a necessidade, o professor também tem que ter essa postura, de minimamente entender o momento histórico.
No tempo de Escola Itinerante, houve mudanças nas estruturas e locais da escola. No começo, lá no primeiro, quando a gente morava lá no acampamento, quando o pessoal morava no acampamentinho, era longe para vir, aí foi se construindo lá no acampamentinho a primeira sala de bambu. Na verdade, foi porque as famílias fizeram um espaço melhor, não foi nem por outras questões, porque não dava para continuar, ele cheirava ruim, porque era um espaço de boi, o cheiro ruim. A sede da fazenda é aqui, a sede do Assentamento também
assentamento e acampamento em nível local. De acordo com Camini (2009, p. 11), a atribuição do Setor de Educação do MST “é elaborar ações e se organizar para fazer frente à grande tarefa: pensar, projetar e colocar em prática um projeto de educação dos Sem Terra”.
200 O Colégio Estadual Centrão foi criado em novembro de 2006 e está localizado no Assentamento Pontal do
Tigre, no município de Querência do Norte, na Mesorregião Noroeste Paranaense. À época, escola base das escolas itinerantes do Paraná juntamente com o Colégio Estadual Iraci Salete Strozak, responsáveis pela documentação legal das escolas itinerantes do estado.
é a sede, onde concentra a maioria das atividades, reuniões. Daí o acampamento ficou aqui, escolheu-se um espaço primeiro lá embaixo, perto do pomar, então, que não é longe de onde tinha o lugar dos bois lá, onde ficava a salinha de aula, que era ali do lado e depois se discutiu esse espaço aqui onde nós estamos hoje, por causa da visibilidade, fica perto da estrada. E, nesse processo de construção dessas estruturas das escolas, assim, não tem muita diferença de outros acampamentos, todos da comunidade que fazem, todos. Desde o recurso, desde o material, vai procurar, vai saber onde tem para poder adquirir para trazer doação para a escola. Então, vai trazendo as coisas, vai trazendo para esse espaço para arrumar. E são as famílias que fazem, não tem que pagar ninguém, é dividido por brigada, por núcleo, até a limpeza dos espaços, então, tudo é discutindo, tudo é coletivo.
Foi em 2011 que começou a ter o Ensino Médio e o Ensino Fundamental (anos finais), quando as outras famílias vieram, as famílias terminaram de vir no final de 2010. Em 2011, as famílias queriam que aqui tivesse o Ensino Médio, isso era uma briga já, desde o começo da escola, mas a gente não comportava, não tinha condições, com a demanda maior, a gente conseguiu pautar a necessidade da SEED mandar professor para cá, de assumir, o Núcleo de Educação de Londrina201 assumir a escola, mandar professor, diretor, coordenador, pedagogo, tudo.
Em 2012, já fazia um tempo que eu estava aqui. Nessa época surgiu a necessidade de ter mais salas, porque a gente tinha aula de manhã, tarde e noite. Manhã, eram os Anos Iniciais, de tarde, eram os Anos Finais do Ensino Fundamental e, à noite, o Ensino Médio. Mas, à noite, a gente tinha pouca iluminação, pouco espaço, era muito difícil para a juventude, à noite ficava ainda mais complicado. Então decidiu-se que seria de manhã e estudaria todo mundo durante o dia. Nós dividimos as turmas desde os Anos Iniciais e continua até hoje essa divisão. Nessa divisão, não cabia todo mundo, porque era quase 400 alunos nesse período, 402 se não me engano, então não dava. Surgiu a necessidade de ter