Méthode d’analyse des données de NEMO-3
3.2 Description des observables pour l’étude des bruits de fondfond
Tal como já referido, considera-se como um dos objectivos da dissertação verificar qual a imagem que os estudantes universitários têm da Europa em particular e do Mundo em geral, assim como, propor uma divisão eficiente do Mundo em regiões e a delimitação da Europa tida no imaginário dos inquiridos. Para isso, elaborou-se um questionário com a pretensão de dar resposta a essas mesmas questões. Parte-se do princípio que este conhecimento do mundo será útil no futuro em matérias de política de vizinhança e por isso, é interessante e relevante determinar que delimitações fazem os estudantes universitários das regiões mundiais actualmente.
Sendo assim, outro dos objectivos da análise é também estabelecer se os diferentes mapas mentais do Mundo produzidos pelos indivíduos são determinados pelo seu conhecimento dos fenómenos geográficos, económicos, históricos, políticos, assim como, pelas suas experiências pessoais e o meio cultural em que cresceram.
Primeiramente é importante esclarecer o que se pretende dizer com “região”. Em termos geográficos "uma região" pode ser definida num sentido geral como “primeiro nível significante de organização espacial abaixo do nível global de referência” (Espon 3.4.1 – Vol.1, 2007, pp.50). Esta definição tem o benefício de ser fácil de entender em caso de contextos nacionais onde a palavra "região" é largamente usada para a descrição de divisões territoriais infranacionais, que podem ser assentes em vários critérios, tal como, administrativos, eleitorais, funcionais (por exemplo regiões agrícolas ou económicas), naturais (bacias de água), etc. Essas divisões infranacionais são geralmente organizadas de um modo hierárquico com vários níveis de divisão territorial e, como tal, é importante ter em mente o sentido em que a palavra “regiões” será usada aqui, devendo ser limitada ao primeiro nível significante de divisão territorial ou organização espacial abaixo do território de referência. As divisões mais pequenas serão então consideradas como sub-regiões, ou regiões de um nível diferente.
Segundo a definição prévia, a transposição do conceito de região ao nível mundial, significa que o delineamento de uma região mundial é uma tentativa de definir
Capitulo IV- Caso de estudo - Os estudantes das Universidades de Lisboa, Coimbra e Évora
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o primeiro nível significante da divisão do Mundo abaixo do nível global. Divisão do Mundo, como tal, então não é o mesmo do que divisão da Terra.
A Terra, como um sistema físico e biológico, pode ser relatado e dividido de muitos modos e segundo vários critérios (clima, vegetação, etc.) onde a influência da actividade humana é apenas um parâmetro entre muitos outros. A definição de regiões “terrestres” pode-se verificar bastante ampla quando consideradas as divisões “naturais” do planeta.
O Mundo, por outro lado, é um sistema social definido pela posição de 6.5 bilhões de seres humanos, que fazem uso do espaço, localizado à superfície da terra onde trabalham, criam as suas famílias e fazem o seu quotidiano. Contudo, esta noção da posição no Mundo não é o ponto determinante da actividade humana, pois os indivíduos migram, trocam mercadorias, ideias, lutam e desenvolvem conexões materiais e espirituais. A divisão do Mundo é assim uma tarefa diferente daquela de dividir a Terra e não pode ser baseada em apenas critérios "naturais" mas também em factores sociais.
Esta distinção entre Terra e Mundo não significa que factores como a divisão de continentes e oceanos não podem ser tomados em conta nas propostas de divisão Mundial. Esses factores devem ser sempre considerados na sua relação com a vida das pessoas e actividades humanas e não como factores externos independentes. Além disso, todos os critérios "sociais" ou "naturais" podem ser usados na tentativa de se dividir o Mundo.
Para Simmel (1908), “As divisões mundiais não são reveladas mas são em vez disso produzidas. Elas são formas sociais, no sentido, que significa que elas devem ser consideradas como os instrumentos sociais que incorporaram um dado contexto social para cumprir objectivos sociais.” (Simmel, 1908, citado em Espon 3.4.1 – Vol.1, 2007, pp.51).
As análises empreendidas neste caso de estudo são desenvolvidas em dois níveis, ao nível mundial e ao nível europeu. Ao nível mundial, uma das partes principais do estudo foi o desenho dos limites das regiões mundiais num mapa mundial estabelecido com projecção polar, para que não houvesse assim influência de uma visão centrada na Europa. Tomando o mundo como um todo, a finalidade é a produção de uma visão "dominante" da divisão mundial. O nível europeu como outro nível de análise, permitiu a verificação dos limites considerados como fronteiras europeias, pelos estudantes universitários inquiridos, num mapa alargado da Europa.
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4.1.1. Questões de âmbito geral
Para responder aos objectivos da pesquisa é necessária uma coerente escolha de variáveis, que permita fazer cruzamentos necessários para o apuramento de toda a informação recolhida, assim como também para tirar o máximo partido dos mapas mentais reunidos.
A primeira parte do questionário está destinada a questões de âmbito geral, ou seja, questões que permitam conhecer o background do inquirido, nomeadamente o seu estatuto socioeconómico e experiências pessoais vividas (Anexos: Figura 7, parte A). Sendo assim, as variáveis utilizadas serão o género, a idade, a nacionalidade do inquirido e dos pais deste, o facto de já ter vivido ou não num país, sem ser Portugal, por mais de 4 meses, as línguas que fala, os países que visitou, o rendimento económico e grau de escolaridade do seu agregado, as suas crenças religiosas, etc. Considera-se, que muitos dos desenhos dos limites da Europa ou das regiões Mundiais podem vir a revelar realidades advindas da sua educação, e do contexto cultural e socioeconómico em que cresceram. Mais, são essas relações entre os limites das regiões e os atributos individuais (género, idade, nacionalidade, área académica) e ainda os critérios que os inquiridos usaram para essa delimitação (história, economia, etc.) que se pretendem determinar e comprovar que existem e estão interligados. Por exemplo, depreende-se que possa existir uma relação entre a frequência com que um país é incluído no conjunto de países da Europa e o número de indivíduos que declara tê-lo visitado (Questão A.9 do questionário). A hipótese pode ser que quando um grande número de indivíduos visita um país, este país é melhor conhecido. Este conhecimento pode modificar a percepção prévia no nível de proximidade deste país de países europeus, conduzindo a que mais facilmente o considerem como pertencendo à Europa ou o contrário.
A relação entre o desenho da Europa e a idade, a nacionalidade e o país de nascimento dos inquiridos, é similarmente algo que se pretende abordar, no sentido em que, pode ter uma relação com a posterior delimitação da Europa e do Mundo. Estas perguntas pretendem por exemplo aferir a relação com a nacionalidade do indivíduo, se de facto nasceram na União Europeia ou noutra parte do mundo e se esse factor condiciona a sua percepção.
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4.1.2. Análise do sentimento de pertença
A análise do sentimento de pertença dos inquiridos (Anexos: Figura 7, questão