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DESCRIPTION OF THE NUMERICAL ANALYSIS A. Introduction

XBL 8011-2982 General flow conditions in anisotropic media

III. DESCRIPTION OF THE NUMERICAL ANALYSIS A. Introduction

A conjectura teórica a ser investigada é se a gamificação pode ser usada para estimular a participação em contextos que usem a coleta de informação via pesquisas de opinião. Como forma de investigar o problema de engajamento em pesquisas de opinião, foi elaborado a seguinte questão de pesquisa:

Questão da pesquisa:

QP1 - Considerando a pesquisa de opinião como um processo colaborativo, a gamificação pode ser utilizada como fator motivacional para ampliar o engajamento e, consequentemente, a participação?

O quadro teórico da pesquisa que define a base formal para a elaboração das conjecturas e do artefato é apresentado a seguir.

4.4.1. Modelo 3C

Os sistemas colaborativos são projetados para permitir que pessoas se comuniquem e trabalhem em conjunto em um espaço compartilhado (PIMENTEL et al., 2006). Entre os modelos de colaboração descritos na literatura, o modelo 3C de Pimentel et al. (2006) foi utilizado como base para o desenvolvimento do Modelo de Engajamento Colaborativo (MEC). Como apresentado na Figura 8, o Modelo 3C é a combinação de três conceitos: Coordenação, Comunicação e Cooperação (PIMENTEL et al., 2006). Segundo Pimentel et al. (2006), a Coordenação corresponde ao gerenciamento de pessoas, atividades e recursos; a Comunicação se realiza através da troca de mensagens e informações; e a Cooperação é feita por meio de atividades exercidas em um espaço compartilhado..

Figura 8 - Modelo 3C.

Fonte: (PIMENTEL et al., 2006).

Um exemplo de instanciação do Modelo 3C foi apresentado por Pimentel et al. (2006) para a organização dos serviços de colaboração do ambiente AulaNet. Segundo Pimentel et al. (2006), o AulaNet é um ambiente colaborativo no qual são disponibilizados serviços para serem usados em cursos da PUC-Rio. Para a Comunicação, foram utilizados sistemas de bate-papo,

e-mails, debates e conferências virtuais para promover discussão entre os alunos. O docente utilizava os sistemas de mensagem para envio de avisos e informações sobre atividades do curso. Os sistemas de mensagens também foram utilizados pelos gestores para Coordenação do trabalho das equipes de funcionários da faculdade. Outros exemplos de ferramentas que são utilizadas para Coordenação no AulaNet oram: distribuição de informações, avisos, tarefas, provas e avaliação dos alunos. A Cooperação ocorreu com o uso das ferramentas de Comunicação e Coordenação em conjunto para possibilitar o aprendizado, elaboração de documentos e realização de trabalhos acadêmicos em equipe.

Um outro exemplo de aplicação do modelo 3C foi apresentado por Neto e Silva (2018) por meio da ferramenta iTimeline, que foi utilizada para auxiliar professores na Coordenação das interações de alunos em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). A ferramenta iTimeline tem como funcionalidade a apresentação de uma linha em tempo real das interações dos alunos, que foram coletadas nos chats e fóruns de discussão no AVA. Para exibição das informações foram utilizadas técnicas de Visualização de Dados (NETO e SILVA, 2018). Segundo Neto e Silva (2018), a iTimeline projeta-se como uma ferramenta que visão suporte às interações de comunicação entre os alunos, subsidiando o professor no acompanhamento cronológico dessas interações em tempo real. Por meio desse acompanhamento, o professor pode coordenar o processo de ensino e aprendizagem dos alunos e incentivar a participação (NETO e SILVA, 2018). Para os autores, a ferramenta iTimeline se configura como um espaço de comunicação e de mediação, propiciando a cooperação entre professor-aluno numa dinâmica de interação entre as pessoas e os conteúdos dentro de um espaço compartilhado.

4.4.2. Modelo de engajamento

Embora a colaboração seja a base da solução elaborada nesse trabalho, uma discussão essencial é o engajamento do público. Em O’Brien e Toms (2008), o engajamento é definido como um estado psicológico permanente que ocorre em vários estágios e intensidades. Os autores estabeleceram o processo de engajamento em quatro etapas: ponto inicial de engajamento, estado de engajamento, desengajamento e reengajamento. O modelo de engajamento proposto por O’Brien está apresentado na Figura 9.

Figura 9 - Modelo de engajamento.

O ponto inicial de engajamento corresponde ao momento em que o usuário conhece o artefato. No ponto inicial, a atratividade da interface ou uma apresentação inovadora das informações sobre o artefato podem estimular o interesse dos usuários. Para o contexto da pesquisa de opinião, um exemplo do que se pode ser feito no ponto inicial é a divulgação das informações sobre o que se trata a pesquisa.

Para entrar no estado de engajamento, o artefato deve manter a atenção do participante por meio de estímulos às emoções positivas. Durante o estado de engajamento, se os recursos de acessibilidade e usabilidade nas ferramentas cumprirem os requisitos e prenderem o interesse do participante, o estado de engajamento será elevado para um estágio de maturidade. Segundo O’Brien e Toms (2008), para que o engajamento seja mantido, é necessário que a interface não possua problemas de usabilidade e forneça feedback com informações claras sobre o uso do artefato.

Após o primeiro uso do artefato, os usuários podem perder o interesse em continuar por conta de emoções negativas resultantes da experiência, como dificuldade de uso ou distrações por fatores externos, na fase chamada de desengajamento. Para que ocorra o reengajamento, O’Brien e Toms (2008) argumentam que as informações devem ser dispostas na interface do artefato de forma inovadora ou esteticamente agradável, com objetivo de capturar a motivação e o interesse dos participantes.

No estudo de Cortés-Cediel et al. (2018) foi proposto um ciclo de engajamento no contexto da participação eletrônica, que teve como base o framework de engajamento de O’Brien e Toms (2008). A participação eletrônica é o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como suporte à participação social para possibilitar a interação e promover o diálogo entre a sociedade e as instâncias governamentais, possibilitam aos cidadãos dar feedback sobre os processos políticos de maneira transparente e aberta (MACINTOSH, 2004). A participação eletrônica pode ser uma alternativa para facilitar o engajamento e aproximar o gestor e o cidadão (CORTÉS-CEDIEL, GIL e CANTADOR, 2018).

Cortés-Cediel et al. (2018) definem atributos específicos da participação eletrônica que foram distribuídos entre as quatro fases de engajamento, que foram inicialmente apresentadas por O’Brien e Toms (2008). Dessa forma, para Cortés-Cediel et al. (2018), o engajamento é definido como um ciclo composto por quatro fases: ponto inicial, estado de engajamento, expiração do engajamento e ponto de reengajamento.

1. Ponto inicial de engajamento: No ponto inicial, a gestão pública estimula o cidadão a participar por meio de divulgação das ações, procedimentos democráticos e as ferramentas de participação disponíveis. Essa divulgação das ações é considerada uma forma de prover informações para atrair o interesse do participante. Por conta disso, as estratégias de divulgação devem considerar a motivação intrínseca do participante, procurando ser claras, atrativas e motivadoras. A primeira etapa se preocupa com a apresentação da ferramenta e o estabelecimento de estratégias de publicidade das iniciativas de participação e canais de comunicação que estão sendo utilizados.

2. Estado de engajamento: Durante o estado de engajamento, o participante está utilizando as ferramentas para colaborar com as iniciativas podendo expressar sua

opinião, ideias ou ações e realizar interações com outros participantes e com os gestores. As ferramentas de participação devem ser acessíveis e devem conter funcionalidades que influenciem o comportamento do participante, como a gamificação.

3. Expiração do engajamento: Os participantes podem perder o interesse durante o processo de participação. Consequentemente, pode haver a expiração do engajamento que frequentemente acontece quando a experiência com as ferramentas de participação não é agradável, ou o conteúdo é pouco atrativo ou quando há excesso de informações. Para isso, é importante que as fermentas de participação eletrônicas sejam projetadas para promover experiências satisfatórias e ofereçam recursos que possam estimular o participante a retomar a participar depois de um tempo.

4. Ponto de reengajamento: Para Cortés-Cediel et al. (2018), o objetivo principal nessa fase é reengajar os cidadãos para novas iniciativas de participação. Para isso, a gestão pública pode manter os cidadãos informados sobre os resultados parciais das ações, dos procedimentos democráticos, dos resultados das propostas anteriores e quais foram as contribuições individuais dos cidadãos. Com essa divulgação dos resultados da participação, os cidadãos podem refletir sobre sua contribuição e experiência anterior. Para Cortés-Cediel et al. (2018) a experiência do cidadão em iniciativas anteriores é considerada como um dos fatores críticos para definir se vai houver futuras participações por parte dele ou não.

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