2. PRESENTATION DU PROJET DE DEVELOPPEMENT D’UNE FORMATION E-
2.2. Le projet de développement d’une formation e-learning à l’ETP appliquée au domaine des
2.2.2. Description du projet
2.2.2.1 Description générale
É certo que na virada do século e nas primeiras décadas do século XX o sentimento de afirmação nacional – e no caso da música, de criação de uma música de caráter nacional – estava em alta e só se acentuaria até 1922, quando se comemorou o centenário da Independência e quando explode o movimento modernista com a Semana de Arte Moderna. Essa “construção” de um novo país passava igualmente por aspectos políticos e econômicos. É nesse contexto que devem ser entendidas duas iniciativas político‐culturais do governo brasileiro em Bruxelas em 1910: a palestra de Oliveira Lima – que foi entremeada por música brasileira – e a suntuosidade do pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Bruxelas.
Antes mesmo da abertura do pavilhão brasileiro (que só ocorreria em junho) e da própria Exposição Universal, o Brasil já promovia eventos de cunho propagandístico. No dia 28 de março, a matéria “Grande soirée scientifique à Bruxelles”, do jornal Le Soir, dava notícia de um evento que ocorreria dali a alguns dias:
Dissemos recentemente que o rei tinha, de forma muito lisonjeira para a com a Sociedade de Geografia, continuado a aceitar a presidência honorária que ocupou durante muitos anos. Tinha, além disso, informado à referida sociedade que participaria de bom grado da primeira conferência que fosse organizada.
Esta, precisamente, será feita por uma alta personalidade da política. É, de fato, o senhor ministro do Brasil em Bruxelas, sr. de Oliveira, quem a dará, em 4 de abril, sobre o tema: “O Brasil antigo – A conquista do Brasil”.
Sr. Géorlett, vice‐cônsul do Brasil em Antuérpia, falará do Brasil moderno, comentando uma série de projeções relativas ao Brasil de hoje.
Esta sessão especial se dará no teatro La Monnaie – pois é necessário uma grande sala para dar conta da audiência convidada. Entre elas se incluem: membros do governo, representantes do corpo diplomático, altos funcionários civis e militares. Na mesa, juntamente com os membros da Sociedade de Geografia, vão sentar‐se representantes de grandes sociedades de Bruxelas.
É gratificante sobretudo ver o Soberano comparecer, em seu primeiro evento oficial, a uma cerimônia puramente científica41.
Acrescentando que durante a noite serão interpretadas, pelos Concertos Durant, trechos de um trabalho inédito, a ópera “Ziradentes” [sic], do sr. de Macedo, um músico brasileiro de mérito, em colaboração com Guillaume de Greef, nosso grande pianista42.
Curiosamente, para o jornal, tratava‐se de “uma cerimônia de ordem puramente científica”, e o fato de acontecer numa sociedade geográfica colaborava para tal impressão – o que não condizia, é claro, com a realidade. Quanto à menção a Manoel Joaquim de Macedo e à ópera Tiradentes, voltaremos a ela no tópico seguinte, dedicado justamente a essa obra. Por hora, interessa‐nos seguir as notícias sobre o Brasil nos jornais belgas. Vale ainda guardar a informação de que o último parágrafo dessa notícia foi reproduzido no jornal L’Indépendance belge do dia 4 de abril, na seção “Petits faits‐divers”.
41 O rei Alberto I (1875‐1934) havia assumido o trono em dezembro de 1909, aos 34 anos, após a morte de seu tio, Leopoldo II. Em 1920, Alberto I visitou o Brasil, e um dos resultados foi a criação da Companhia belgo‐mineira. 42
Nous avons dit récemment que le Roi avait, en termes très flatteurs pour la Société de géographie, continue d’accepter la présidence d’honneur, qu’il occupait depuis de nombreuses années. Il avait, de plus, fait savoir à ladite Société qu’il assisterait avec plaisir à la première conférence qu’elle organiserait. / Or, celle‐ci, précisément, sera faite par une haute personnalité politique. C’est, en effet, l’honorable ministre du Brésil a Bruxelles, M. de Oliveira, qui la donnera, le 4 avril prochain, sur ce sujet : « Le Brésil ancien. – La conquête du Brésil ». / M. Géorlett, vice‐consul du Brésil à Anvers, parlera du Brésil moderne, en commentant une série de projections relatives au Brésil d’aujourd’hui. / Cette séance extraordinaire se donnera au théâtre de la Monnaie, ‐ car il faudra une vaste salle pour contenir le nombreux public des invités. Parmi ceux‐ci figureront : les membres du gouvernement, les représentants du corps diplomatique, les hauts fonctionnaires civils et militaires. / Au bureau, aux côtés des membres du comité de la Société de géographie, se placeront les réprésentants des principales sociétés de Bruxelles. / Cette soirée promet d’être, à tous les points de vue, du plus haut intérêt. / Il faut se féliciter surtout de voir le Souverain accorder sa première présence officielle à une cérémonie d’ordre purement scientifique. / Ajoutons qu’au cours de la soirée seront exécutés, par les Concerts Durant, quelques morceaux d’une œuvre inédite, l’opéra « Ziradentes »[sic], de M. de Macedo, un musicien brésilien de mérite, en collaboration avec Guillaume De Greef, notre grand pianiste. (Todas as traduções são nossas.)
A palestra de Oliveira Lima ganhou destaque na imprensa bruxelense sobretudo pela presença do rei Alberto. Dois dias após o evento, ou seja, dia 6 de abril, novamente o jornal Indépendance Belge43 repercutia o acontecimento, contando detalhes de sua realização e dos convidados presentes, na seção “Au jour le jour”:
O Brasil e Bélgica44:
Foi ontem à noite o grande festival brasileiro no Teatro de la Monnaie. O sr. de Oliveira Lima falou de seu belo país, e o rei concedeu a honra de participar da sessão, dada sob os auspícios da Sociedade Real de Geografia.
O Soberano chegou ao teatro às 8h30 acompanhado do conde Jean de Merode e do general Jungbluth; o rei ganhou, logo que chegou, seu destaque. E a sessão começou depois que a orquestra liderada pelo sr. Félicien Durant tocou a
Brabançonne e Vers l ‘avenir45.
O artigo segue citando uma longa lista de personalidades belgas, e algumas brasileiras, que estiveram presentes ao evento, com destaque para diversos tipos de autoridades. Em seguida, transcreve trechos da fala de Georges Lecointe, presidente da Sociedade Belga de Geografia, sobre os recentes avanços da Bélgica. Depois, Lecointe