3 Pr´ esentation des r´ esultats
5.1 Description explicite des ´ el´ ements de F C(g(F ))
P: (em tom sério) muito engraçado, você é muito engraçadinho. Quem é que sabe dizer?
A2: eu acho que só a Cristiane pode responder.
(Darlan Cunha), vivenciam dilemas próprios da adolescência, tanto os universais quanto aqueles relativos aos problemas específicos nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. São temas recorrentes o contraste entre ricos e pobres, a problemática do poder paralelo estabelecido pelo tráfico de drogas, a violência urbana, dificuldades financeiras e a cultura das favelas. (acesso em 7/11/10 as 13h17: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_dos_Homens)
P: sim, ela tava aqui agora a pouco, onde é que ela foi?
Essa situação retrata uma cena comum vivida por milhares de adolescentes de nosso país em diversas escolas inseridas em comunidades carentes ou ricas. Pode-se perceber nessas poucas linhas, a total desconsideração pelos interesses e pela fase vivida pelos alunos adolescentes. Nesse momento da aula, nota-se a ausência de acolhimento por parte da professora que rechaça a brincadeira trazida pelo aluno. Lembrando que a maturação sexual traz ao adolescente outras necessidades e impulsos que tem como consequência o nascimento de novos interesses e uma considerável mudança em sua forma de se relacionar com o meio Vygotsky (1931/2006), compreende-se melhor a forma de interação desses alunos durante a aula.
Se o processo desenvolvimento psíquico é guiado pelas mudanças dos interesses do sujeito desde a infância (VYGOTSKY, 1931/2006), um professor que não entenda a situação social de desenvolvimento do aluno que se transforma a cada idade e é diferente em cada contexto, terá muitas dificuldades em conectar-se com ele e em fazer as escolhas metodológicas que lhe permitam criar experiências significativas em sala de aula, buscando a construção do conhecimento. Infelizmente, nota-se que a professora perdeu uma excelente oportunidade de acolher o comentário de L e criar, assim, um ambiente no qual a perejivanie estivesse presente.
Esse exemplo mostra que a ação de PP na sequência dialogal acima analisada caminha no sentido oposto a da professora de Cidade dos Homens. A brincadeira de H poderia ter sido considerada por PP como uma ameaça, como mais uma tentativa de minar aquilo que ela tentava construir com os alunos. No entanto, percebe-se que PP encontrou nessa fala um elo com H e buscou, por meio da risada, mostrar que sua participação foi acolhida e incentivada por ela.
Percebe-se pela sequência abaixo que logo na primeira aula já vai se explicitando certa liderança desempenhada por W, que primeiramente completa a frase de PP e no turno seguinte sua conduta é seguida por toda a classe. Alguém só tem a liderança no seio de um grupo quando os membros lhe dão essa liderança e a presença de um participante com esse perfil e interesse por uma LI, em nosso grupo, indubitavelmente, foi um grande estímulo para os participantes do projeto.
P157- ça c'est mon ? (escrevendo no quadro) W66- prénom
P158- prénom et Freire c'est mon... todos- nom
P159- nooom, voilà, très bien! donc, est-ce qu'ils ont dit le prénom ou le nom? les personnes... Uma polêmica surge, levantada por K, quando W e M respondem às indagações de PP:
P159- nooom, voilà, très bien! donc, est-ce qu'ils ont dit le prénom ou le nom? les personnes... W67- le prénom
P160- le prénom, n‟est-ce pas? W68- Le prénom n´est-ce pas! P161- très bien, ils ont dit le prénom! K6- vcs estão chutando !
?- tamo participando
W69 : pelo menos tamo participando da aula K7- não sabem nem chutar
? - .????
P162- peu importe si c'est bon ou non, parce que la réponse est correcte !
K faz uma crítica a W (“K6- vcs estão chutando !”), que a recebe e aceita para, em seguida, defender-se, fazendo um contraponto a discussão. PP reage valorizando a forma que eles encontraram de participar da aula e se contrapõe a K. Ao acolher a diversidade, isto é, diferentes formas de participação na atividade, PP mostra a K que ela tem liberdade de entrar na atividade da forma que puder. Esse turno iniciado por K tem consequências na sequência dialogal (“M pega o W no colo e este chuta perto de K dizendo urhuuu”), pois o ambiente de espírito lúdico que se estabelece em classe permite tal postura dos alunos que se valem de movimentos corporais para mais uma vez se defenderem da crítica feita por K.
Fotografia 17: Movimentos dos alunos-participantes.
No turno anterior, K não teve sua fala acolhida por PP. Diante disso, PP se aproxima de K para fazer um ato reparador de fala, o que restaurou a simetria da interação. Um FFA é produzido por PP, expressando valorização e defesa da atitude participativa, principalmente, por meio de gestos, dos alunos que ousam se arriscar.
Ao utilizar uma atividade sobre as concepções de uso de uma LI pelos alunos, por meio de imagens e de uma competição de mímica e adivinhação (CT15:Trabalho sobre o reconhecimento da importância do uso de uma LI no quotidiano dos alunos), percebe-se que a professora não somente elegeu o lúdico como o instrumento que propiciaria a constituição desse elo de proximidade e afetividade entre ela e os alunos, como se serviu dele como o artifício para vencer a barreira linguística. Kerbrat-Orecchioni (1996) enaltece a importância do corpo na comunicação que é semiótica, portanto, criar momentos em classe em que os alunos façam uso de todo o seu corpo na aprendizagem, é mais uma estratégia para gerar ZPDs em sala de aula. Ao entender a mímico-gestualidade como parte integrante da conversação, há coerência com a base monista de pensamento que permeia esse trabalho, permitindo que os alunos descubram que há mais possibilidades para uma efetiva participação no processo de ensino-aprendizagem do que simplesmente a materialidade verbal. Essa dinâmica
pode levá-los a descobrir que os aspectos paraverbais e não-verbais fazem parte da totalidade comunicacional que lhes dá possibilidades de ir além de si mesmos.
A seguir, o quadro com transcrição do CT15.
TURNOS MECANISMOS DE EXIBIÇÃO- PROTEÇÃO DA FACE TAXEMAS ME C A N IS MO S E N U N C IA TI V OS ATOS DE FALA TIPO DE TROCA
FTA FFA VERBAIS PARA VERBAIS NÃO- VERBAIS
MOD A LI ZA - Ç ÕES
P285- alors, qu‟est-ce que vous allez me faire maintenant? attention! ici, vous avez quelques images...
IMÇ INC ENT ↑ DEO
R- imagens
ACE CFR CLB P286- vous avez beaucoup
d'images! ça va? ça va? W- ça va é imagem? ACE ENT CFR CLB ENT ↑ P287- non. vous avez des
images! (mostrando as imagens) qu’est-ce que nous allons faire?! l'activité est la suivante!
REPA GES DEO
R : saber o nome da imagem
ADE CLB ENT IMP
CONF P288 : vous allez faire des
groupes. vous êtes 26 personnes! donc 26 par 3 ça fait...