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Description du processus de sélection d’architecture

Partie 1 Méthode proposée

1.2 Présentation générale de la méthode

1.2.4 Description du processus de sélection d’architecture

O retalhamento torna impossível apreender „o que é tecido junto‟, isto é complexo obrigando-nos a reduzir o complexo ao simples, a separar o que está ligado; a decompor, e não a recompor; e a eliminar tudo que causa desordens ou contradições em nosso atendimento (MORIN, 1999a, p.15).

A complexidade na pedagogia hospitalar refere-se não apenas às dificuldades ou às demandas presentes no atendimento pedagógico ao estudante em hospitalização, mas à urgência do resgate do ser humano em sua totalidade e à superação das dualidades advindas do pensamento newtoniano-cartesiano: (razão-emoção, corpo-alma, objetivo-subjetivo, objeto-sujeito), dicotomias incompatíveis com a proposta educativa para a classe hospitalar.

A epistemologia da complexidade é um referencial teórico que possibilita discutir o estado de inter-relação e interdependência entre os fenômenos educativos, especialmente na pedagogia hospitalar. É a partir dessa vertente teórica que é possível refletir sobre a complexidade do sujeito da aprendizagem e a multidimensionalidade do processo educativo. Atualmente existe a necessidade de ampliar as discussões sobre a emergência de abordagens

pedagógicas que valorizem as interações complexas que se estabelecem no processo ensino- aprendizagem e a totalidade do sujeito de aprendizagem.

É importante destacar que no atendimento pedagógico-educacional hospitalar coexistem aspectos inseparáveis e simultâneos que não podem ser descartados na prática educativa, além de considerar os aspectos físicos, biológicos, mentais, psicológicos do estudante existem os aspectos culturais, sociais e políticos, que fazem parte de uma teia complexa no processo educativo. Dessa forma, o estudante no ambiente hospitalar precisa deixar de ser visto apenas como um ser físico/biológico, ou seja, órgãos e sistemas, e passar a ser compreendido também como um ser constituído de elementos abstratos e subjetivos.

O paradigma reducionista condicionou a forma como concebemos o mundo, o homem, as coisas. Ele ficou ultrapassado não sendo capaz de fornecer os instrumentos conceituais e instrumentais que orientem a ação educativa em uma perspectiva humanista, a qual fundamenta a abordagem psicossocial na educação. Essa abordagem é imprescindível no processo ensino-aprendizagem, independentemente do contexto em que se encontram os educandos, principalmente quando se trata de atendimento pedagógico à criança enferma. Somente com a substituição de paradigmas incapazes de fornecer instrumentos conceituais e instrumentais para a solução de problemas será possível transformar a sociedade (KUHN, 1994).

Um novo paradigma vai redefinir os problemas até então insolúveis, dando-lhes uma solução convincente, e impondo-se de forma lenta e gradual. A mudança ou a superação de paradigmas é a mola propulsora que dinamiza a sociedade e sua mentalidade. Quando um problema se torna impossível de ser solucionado à luz do paradigma vigente, surge um novo paradigma, entendendo paradigma a partir da perspectiva de (KUHN, 1994). Ou seja, um paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade científica partilham: crenças, valores e técnicas.

2.5.1 O pensar complexo no atendimento integral ao estudante enfermo

O atendimento pedagógico-educacional ao aluno hospitalizado exige a urgência do pensamento complexo. Este não pode ser linear, unidimensional e reducionista, mas valorizar a multidimensionalidade dos seres e das coisas dialogar com as incerteza e contradições, com o irracionalizável (MORIN, 2011). Para os positivistas, o irracionalizável é tudo aquilo que não pode ser mensurado, quantificado, como, por exemplo, os aspectos abstratos e subjetivos

dos estudantes que estão em processo de cura, esses não menos importantes do que os aspectos físicos e biológicos. “A dificuldade do pensamento complexo é justamente enfrentar a confusão, a incerteza e a contradição e, ao mesmo tempo conviver com a solidariedade dos fenômenos existentes em si” (MORIN, 2011, p. 14).

Para esse teórico, o homem é um ser complexo constituído de dimensões indissociáveis, ou seja, um ser biológico, social, cultural, psicológico e emocional. Dimensões que foram estudadas por um longo período de forma fragmentada, o homem biológico estudado no departamento de biologia, como um ser anatômico, fisiológico; o cultural no departamento de ciências humanas e sociais, a mente como função ou realidade psicológica estudada no departamento de psicologia.

Fragmentação intitulada de fragmentação cega por MORIN (2011). As críticas realizadas sobre a fragmentação cega existentes nas ciências humanas, físicas e biológicas são realizadas no sentido de promover uma dialética para a compreensão da totalidade do sujeito e das realidades.

Seguindo essa mesma lógica de pensamento, é possível iniciar uma discussão sobre a fragmentação cega no âmbito educacional, quando se desconsidera a relação complexa de todos os fatores que se inter-relacionam no processo educativo, como, por exemplo, os fatores econômico, político, social, o modelo de escola, o contexto escolar, as concepções de educação, as inter-relações dos sujeitos do processo ensino e aprendizagem e suas singularidades.

As críticas não são feitas para desconsiderar a importância do pensamento analítico- reducionista, mas, sim, como forma de provocar sua dialetização com o pensamento globalizante. Pois o método científico clássico desvelou a simplicidade escondida por trás da aparente multiplicidade e da aparente desordem dos fenômenos, conduziu o processo de racionalização das sociedades, promovendo o desenvolvimento prodigioso da ciência moderna. A crítica é feita no sentido que seja indispensável uma dialógica entre as partes e o todo e considerar suas relações existentes, pois não se pode esquecer que tudo se interliga (MORIN 2011, p. 59).

A pedagogia hospitalar é uma área de estudo que exige a dialética entre diversas áreas do conhecimento: ciências da saúde, sociais, humanas e da educação, e em sua essência é complexa. À medida que duas ou mais áreas do conhecimento se comunicam e, até mesmo, se interpenetram na perspectiva da multi/inter/transdisciplinaridade há o propósito de promover o atendimento integral e humanizado à criança enferma, ao homo complexus

.

“Complexus, o

que é tecido junto, de constituintes heterogêneos que inseparavelmente se associam, portanto, seres biológicos, sociais e emocionais” (MORIN, 2011, p.13).

A transdisciplinaridade conduz ao pensamento complexo. Essa forma de pensar organiza, elabora e integra os saberes diversos para a compreensão dos fenômenos. O pensamento vai capturar informações diversas e organizá-las, para que sejam elaboradas por meio da reflexão e finalmente integradas à realidade. “A transdisciplinaridade somente existe a partir do pensamento complexo, este organiza e integra saberes diversos na compreensão de fenômenos” (PETRAGLIA, 2010, p. 83).

2.5.2 A multi/inter/transdisciplinaridade no atendimento pedagógico hospitalar

O pedagogo que atuar em classes hospitalares precisa estar preparado para possibilitar a atenção pedagógica numa perspectiva de totalidade, favorecendo a atmosfera do trabalho multi/inter/transdisciplinar entre os profissionais que atendem o estudante enfermo, assim como ser um profissional ético, humano e sensível.

Na multidisciplinaridade, o fenômeno pode ser estudado por disciplinas distintas, cada uma cooperando dentro de seu saber específico, e não existe o rompimento de fronteiras nas disciplinas, ocorrendo apenas a justaposição entre elas para a compreensão do fenômeno. O enfoque multidisciplinar também contribui para a articulação entre as diferentes correntes teóricas, muitas vezes contraditórias, mas que possibilita estudar os fenômenos educativos em sua globalidade sem decompô-los e ao mesmo tempo evitar o reducionismo.

A interdisciplinaridade, termo proposto pelo sociólogo Louis Wirtz, em 1937, implica a existência de um conjunto de disciplinas interligadas que colaboram e se comunicam entre si, no entanto cada uma guardando suas especificidades. É graças à interdisciplinaridade que o objeto ou fenômeno de estudo é abordado de forma integral, direcionando para novos enfoques metodológicos. O conhecimento passa a ser integrado, e as disciplinas científicas interagem entre si (NICOLESCU, 2000).

Quanto à transdisciplinaridade, termo utilizado pela primeira vez por Jean Piaget em 1970, é a superação e o desmoronamento de toda e qualquer fronteira que inibe, reprime, reduz e fragmenta o saber, isolando o conhecimento em territórios delimitados. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (NICOLESCU, 2000) esclarece que não se trata de rejeitar a disciplinaridade, ou promover uma unificação indiscriminada, mas, sim, articular o conhecimento disciplinar que é a base da transdisciplinaridade (NICOLESCU, 2000).

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