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A pesquisa procurou compreender os sujeitos considerando seu espaço de atuação profissional, tendo em vista que representam uma realidade única que é multidimensional e historicamente situada.

Nesse tipo de pesquisa, uma das técnicas de coleta de dados mais indicada é a entrevista, a qual é utilizada no âmbito das ciências sociais, pois o processo de interação social favorece a obtenção de informações. Os pesquisadores Triviños (1987); Gil (1999); May (2004) concordam que essa

61 técnica apresenta uma possibilidade para que os sujeitos da pesquisa possam se expressar, o que permite identificar variáveis e compreender mais profundamente a temática em investigação.

A entrevista semiestruturada responde melhor a esta pesquisa, pois, fundamentada nos princípios da teoria sócio-histórica, objetiva compreender o que os professores entendem por pesquisa e como ensinam seus alunos a desenvolverem esse conhecimento/ competência, já que essa técnica

parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, junto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que recebem as respostas do informante. Desta maneira o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. (TRIVIÑOS,1987, p.174)

A opção por esse tipo de técnica possibilita a coleta de um rico material, que permite uma análise mais eficiente, segundo a metodologia da ACD, avançando do empírico para o interpretativo.

Também foi necessário utilizar a análise documental. Essa técnica, segundo Lüdke e André (1986), pode complementar dados obtidos por outras técnicas, pois as informações obtidas em documentos escritos ajudam a compreender o contexto social determinado. No caso desta pesquisa, os documentos analisados foram: Projeto Pedagógico Institucional, Projetos Pedagógicos dos Cursos de Matemática, Geografia, Letras e História, Regulamentos de Estágio. Os documentos serviram de subsídios para a análise das falas das professoras, já que a ACD preconiza também a perspectiva social no que se refere à ordem do discurso e aos seus efeitos ideológicos e políticos.

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3.6 Procedimento de coleta de dados

As entrevistas foram realizadas na Universidade, num horário marcado pelos entrevistados e aconteceram nos meses de novembro e dezembro de 2010. Após as explicações iniciais e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), entreguei uma ficha para que fosse preenchida com dados que pudessem ajudar a situar os entrevistados. Abaixo estão os modelos utilizados para o professor e para o acadêmico, respectivamente:

Ficha de identificação do professor 1. Nome:

2. Titulação:

3. Tempo de magistério: ( ) anos de EB ( ) anos de ES

4. Está (esteve) envolvida em algum projeto de pesquisa institucional? 5. Se sim, há quanto está envolvido?

6. Como ( ) coordenador ( ) participante ( ) orientador PIBIC 7. Com apoio financeiro ( ) externo ( ) institucional ( ) voluntário

8. O que é pesquisa para você?

Ficha de identificação do acadêmico 1. Nome:

2. Ano de nascimento: 3. Curso:

4. Atividade profissional:

5. Quando foi o seu primeiro contato com pesquisa?

6. Participou de projeto de pesquisa: ( ) PIBIC ( ) Artigo 170 ou 17114 ( ) voluntário

7. O que é pesquisa para você?

14 A Constituição Estadual de Santa Catarina, nos Artigos 170 e 171, assegura repasse

financeiro às instituições de ensino superior, comunitárias e privadas, com a finalidade de custear a mensalidade de alunos que desenvolvam projetos de pesquisa ou de extensão..

63 As informações obtidas nas fichas ajudaram a levantar um perfil de cada entrevistado com foco no objeto desta investigação.

Após o preenchimento da ficha, solicitei permissão para gravar a entrevista, como eu já havia informado no momento do convite. Todos consentiram imediatamente, exceto uma das professoras entrevistadas; mas, ao esclarecer que não haveria pergunta que exigisse algum tipo de conhecimento específico e que ela poderia escolher o que responder, prontamente se mostrou solícita e consentiu a gravação.

Foram elaborados dois roteiros de entrevista sendo um para o professor e outro para o acadêmico, conforme segue:

Roteiro da entrevista do professor 1. Qual é a sua experiência com a pesquisa?

2. Como você vê o papel da pesquisa na formação do seu aluno? 3. Quais são as condições para se formar o professor pesquisador? 4. Você acha que é possível ensinar alguém a ser um pesquisador?

5. Como você ensina seu aluno a se desenvolver como um professor pesquisador?

6. Quais os maiores desafios que você enfrenta em formar o professor pesquisador?

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64 Roteiro da entrevista do acadêmico

1. Qual é a sua experiência com a pesquisa? 2. Você se sente preparado para fazer pesquisa? 3. Quando e como você aprendeu a fazer pesquisa?

4. E no estágio que você está finalizando, você vê alguma relação com pesquisa?

5. O que você considera mais importante para ser um professor pesquisador?

Os roteiros foram pré-testados, demonstrando que eles serviriam apenas de guia, já que durante a entrevista poderia ser necessário que eu reconduzisse o entrevistado ao tema da investigação. A recondução foi feita com cautela, sendo essa postura importante para que o entrevistado se sentisse confiante e respeitado; ao mesmo tempo, favoreceu a obtenção das informações.

As entrevistas foram transcritas e após a leitura flutuante,15 foi iniciada a análise. Logo na primeira análise, houve a necessidade de ser feita uma entrevista recorrente com uma das professoras, com o objetivo de clarear algumas declarações feitas por ela. Na primeira entrevista, a professora foi bastante direta e não expandiu muito as respostas. Achei prudente não insistir no momento, deixando para outra ocasião a retomada de algumas perguntas, cujas informações não haviam sido suficientemente esclarecidas nesta primeira entrevista.

15 Leitura flutuante é um termo usado por Bardin (1979) para designar o primeiro contato com os documentos, cujo propósito é o surgimento de questões, hipóteses ou temáticas

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