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Dans le document BioéthiqueOnline: 2017; vol. 6, no. 1-14 (Page 83-86)

Como já fizemos referência, o presente estudo foi realizado em contexto hospitalar, mais propriamente, no CHSJ EPE, na cidade do Porto. Este centro hospitalar é o segundo maior centro hospitalar português e uma referência para toda a região Norte do país. Esta organização de saúde contempla cerca de 5000 colaboradores, dos quais, cerca de 1800 são enfermeiros. Esta organização foi criada pelo Decreto-Lei nº 30/2011, de 2 de março, resultando da fusão do Hospital de São João EPE, do Porto, e do Hospital de Nossa Senhora da Conceição, de Valongo. Há cerca de 15 anos foram identificados na organização oitenta e nove sistemas de informação clínica, que funcionavam como verdadeiras ilhas de informação, procurando dar resposta às diferentes necessidades do contexto, sem qualquer interoperabilidade técnica ou semântica. A este respeito, LAPÃO (2005, p. 21, 22) refere que a maioria das organizações de saúde " possui, por motivos históricos, um conjunto de "ilhas" de sistemas de informação que

foram sendo adquiridos à medida das necessidades, mas sem que existisse uma estratégia ou políticas de sistemas de informação integrados." O serviço de Cardiologia integrou o projeto

pioneiro de SILVA (2001), com o desenvolvimento e implementação da primeira versão do SAPE®, em pleno funcionamento em 1997-1999. Em 2002, por razões de ordem política institucional, parou todo o processo de utilização do SAPE®; o qual foi reiniciado em 2006. Em 2008 começou um processo intenso de alargamento da implementação daquele SIE a outros serviços de internamento, muito à custa do mote para a prescrição médica eletrónica. Em 2010, a instituição desenvolveu ações de formação no centro de formação sobre a utilização do SAPE® e sobre a importância da apropriação da linguagem classificada (CIPE®) por parte dos enfermeiros, dirigida principalmente aos serviços de internamento. Neste sentido, quatro enfermeiras do serviço de Cardiologia, além da sua atividade assistencial e de gestão do serviço, realizaram estas formações e procuraram, dentro das suas disponibilidades, dar apoio e

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respostas a algumas necessidades dos diferentes serviços. Apenas em 2013 foi criado um grupo de apoio à prática de enfermagem (GAPE), constituído por quatro enfermeiros em dedicação exclusiva a estas questões de desenvolvimento, implementação e utilização de SIE na organização.

Em termos cronológicos, o primeiro SIE no CHSJ EPE foi o SAPE®, tal como referido anteriormente, ainda que só em alguns serviços, como "unidades piloto".

Em 2003 foi implementado o Alert ER® no serviço de urgência adultos, que a 19 de Julho de 2012 migrou para o Alert EDIS®, o que permite o acesso a novas funcionalidades do Alert®, como as interações medicamentosas, requisições agrupadas, protocolos terapêuticos, possibilidade de alteração de dados biométricos na área de configurações pessoais de cada utilizador, transferência de informação entre áreas, visualização de episódios anteriores por ordem cronológica, acesso ao Alert TV®, prescrição eletrónica, entre outras. Este aplicativo interligava todos os profissionais do serviço de urgência; contemplava diferentes perfis de utilizador adequados à realização de tarefas de cada tipo de profissional de saúde (workflow de atividades entre profissionais) e distinguia os seus privilégios de acesso à informação clínica. No que respeita ao perfil de "enfermeiro", este permitia o registo de determinados procedimentos e da administração terapêutica, bem como, documentar “outras notas relativas aos cuidados de enfermagem” em "texto livre".

Em 2009 o JOne® começou a ser desenvolvido exclusivamente no CHSJ EPE em contexto de urgência pediátrica, integrando um módulo de triagem e também uma "área prescritiva" (terapêutica, atitudes terapêuticas e pedidos de análises e meios complementares do diagnóstico médico). Este sistema de informação estava em processo de desenvolvimento, no sentido de integrar o processo de enfermagem e sistema de apoio à prática de enfermagem na urgência pediátrica. O JOne® era um software que permitia o registo e consulta da informação clínica de todos os utentes pelos diferentes elementos da equipa multidisciplinar de saúde. Era uma ferramenta que estava integrada com todas as plataformas de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT’s) do hospital.

Em 2011 foi implementado o BSimple® na unidade de cuidados intensivos neurocríticos e, posteriormente, em 2013, foi alargado o processo de implementação deste aplicativo à unidade de cuidados intensivos polivalente da urgência adultos, que, até então, utilizava um sistema de documentação em suporte de papel utilizando a linguagem classificada - CIPE®, há cerca de dez anos. Neste sistema, para a documentação do exercício profissional dos enfermeiros, a linguagem utilizada é a CIPE®, numa lógica muito semelhante à do SAPE®. O sistema procura responder às necessidades diárias dos profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) do serviço de Cuidados Intensivos, às suas metodologias de trabalho,

63 funcionalidades, admissão e interoperabilidade com diferentes dispositivos (ventiladores, monitores de sinais vitais, máquinas perfusoras, aparelhos de gasimetria,…). O sistema permite, ainda, criar de forma automática relatórios estatísticos e de gestão uteis à governação clínica do serviço e da organização.

A partir de outubro de 2013, os serviços que tinham o SAPE®, começaram a utilizar o SClínico®, um aplicativo desenvolvido pela SPMS, baseado no SAPE®, mas com layout diferente, e novas funcionalidades, mas mantendo o mesmo modelo de dados; ou seja, trata-se do "mesmo" SIE, mas com interfaces um pouco diferentes. O SClínico® estava em amplo uso no Pólo São João, nomeadamente nos serviços de Cardiologia, Gastroenterologia, Hematologia Clínica, Unidade de Doentes Neutropénicos, Medicina Mulheres A1, Medicina Mulheres A2, Medicina Mulheres B1, Medicina Mulheres B2, Unidade de AVC, Unidade de cuidados Intermédios de Medicina, Medicina Homens A3, Medicina Homens A4, Medicina Homens B3, Medicina Homens B4, Doenças Infeciosas, Nefrologia, Neurologia, Pneumologia, Cirurgia Mulheres, Cirurgia Homens, Unidade de Cuidados Intermédios de Cirurgia, Unidade Pós Anestésica, Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Cirurgia Cardiotorácica, Cirurgia Vascular, Neurocirurgia, Oftalmologia, Ortopedia, Traumatologia, Otorrino, Urologia, Ginecologia, Obstetrícia, Pediatria Cirúrgica, Pediatria Médica (com Hemato-oncologia Pediátrica), Neonatologia e Psiquiatria. No Pólo de Valongo, o SClínico® estava em uso nos serviços de Medicina Física de Reabilitação e Psiquiatria.

Os serviços que não tinham SIE em suporte eletrónico eram todas as consultas externas, hospital de dia, algumas unidades de cuidados intensivos, a maior parte dos blocos operatórios e a unidade de convalescença de Valongo.

O nosso estudo realizou-se em pleno contexto de mudança, quer ao nível profissional do investigador, que em fevereiro de 2013 iniciou funções de direção e chefia num serviço de cuidados intensivos (sem um "verdadeiro" sistema de informação e documentação de enfermagem), quer no âmbito da reestruturação dos processos de implementação e utilização de sistemas de informação em enfermagem ao nível organizacional e até do País. No CHSJ EPE pudemos identificar sistemas de informação em enfermagem em diferentes fases e a diferentes velocidades de implementação.

Pelo exposto, é nosso entendimento que, nesta fase, em que assistimos à utilização massiva, há cerca de dois anos, de vários SIE em suporte eletrónico, seria pertinente avançar para um processo rigoroso e alargado de avaliação dos SIE em uso.

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