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CHAPITRE 1 REVUE DE LA LITTÉRATURE

1.2 Effet de la variation de la température sur les propriétés des isolateurs sismiques

1.2.1 Systèmes d’isolation en élastomère fretté

1.2.1.2 Description de la structure chimique des élastomères

Em 1938, Ermelinda Lira, viúva de Antônio Lira, loteou uma gleba sua, com quase 80 hectares, situada na planície costeira de João Pessoa, nas imediações do aglomerado suburbano e praiano de Tambaú – criando assim o primeiro grande loteamento da cidade.

No ano anterior, fora promulgada a primeira lei federal que disciplinava a criação de loteamentos no Brasil (Decreto-Lei nº 58, de 10-12-1937).

Denominada Propriedade Tambaú, essa gleba quase plana (área envolvida pelo perímetro vermelho na Fig. 60), cuja altitude excedia em poucos metros o nível do mar, estendia-se, do leste para o oeste, dos fundos dos terrenos localizados à beira- mar até as proximidades do rio Jaguaribe, e, do sul para o norte, de pontos situados a pouco mais de 400 metros ao sul da Avenida Epitácio Pessoa até o referido aglome- rado e a estrada velha de Tambaú (hoje denominada Avenida Ruy Carneiro).

Seu comprimento era em média cerca de 1.100 metros, sua largura variando entre 450 e 900 metros, aproximadamente, e ela distava uns 1.300 metros do arruamento Veado –Sobradinho, a mais próxima porção do tecido urbano da capital paraibana, o que significava que o encarregado de traçar o parcelamento dela não precisava se preocupar com a integração do desenho deste com a cidade existente.

A gleba era atravessada transversalmente, na sua metade sul, pela Avenida Epitácio Pessoa, que a ligava diretamente, em linha reta, à expansão de Guedes Pereira. O arruamento que está desenhado no interior dela, na Fig. 60, não existia, sendo simplesmente um traçado planejado pela prefeitura de João Pessoa e registrado, por determinação dela, na planta oficial da cidade de 1930, organizada por Cihar.

Figura 60: Localização da Propriedade Tambaú, loteada em 1938 (área envolvida pelo

perímetro vermelho), na versão – elaborada por Alberto Sousa – da planta da cidade de 1930.

Fonte: Sousa & Vidal, 2010.

O projetista que delineou o loteamento da gleba, cujo nome é hoje desconhecido, desprezou tanto esse traçado quanto o bem elaborado plano de Nestor de Figueiredo para a planície costeira (Fig. 59), preferindo traçar um projeto próprio, que refletisse suas convicções urbanísticas.

Ele deu ao arruamento que desenhou (Fig. 61) a forma de uma quadrícula irregular, cujas vias longitudinais eram (exceto uma, que corria ao longo do rio Jaguaribe) encurvadas e grosso modo paralelas à avenida que margeava a praia, e cujas vias transversais eram mais ou menos perpendiculares a tal avenida, denominada Cabo Branco, que foi o eixo que serviu de referência para a construção da quadrícula. As ruas encurvadas vizinhas guardavam entre si uma distância de 80 metros e eram compostas de vários segmentos retilíneos articulados que formavam ângulos próximos do de 180º. Das ruas transversais, só duas eram paralelas entre si, só uma era para- lela à Avenida Epitácio Pessoa e só uma formava 90º com a malha longitudinal. As ruas longitudinais tinham largura de 17 metros, e quase todas as transversais, de 15 metros – o que equivalia à metade da largura de tal avenida.

As quadras tinham, em geral, profundidade de 80 metros e seus comprimentos eram variados, excedendo, por vezes 200 metros. A maioria delas tinha configuração trape- zoidal, mas várias delas tinha a forma de paralelogramos. Algumas quadras eram triangulares e só duas tinham mais de quatro lados. Salvo umas poucas exceções, os lados maiores das quadras estavam voltados para o leste e o oeste.

Os lotes tinham em geral 10 metros de frente e 40 metros de profundidade, e suas testadas localizavam-se, quase sempre, em todos os lados dos quarteirões quadran- gulares.

O projeto do Loteamento Tambaú foi aprovado em março de 1938 e uma cópia dele (Figura 61) está arquivada na Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP).

Figura 61: Cópia do projeto do Loteamento Tambaú. Fonte: Arquivo da PMJP.

É provável que para conceber esse loteamento, seu projetista tenha tomado por modelo um trecho do arruamento do bairro de Copacabana (Fig. 62), que já era então o bairro litorâneo mais famoso do Brasil, sendo, por isso, um parâmetro a ser seguido. Porém, ele logrou produzir um traçado menos irregular que o de Copacabana espa- çando uniformemente as ruas longitudinais do seu projeto e dispondo-as paralela- mente à avenida lindeira à praia. É interessante observar que esse modelo não foi seguido por Saturnino de Brito no plano de expansão de Santos (ver Secção 1.2.6. do capítulo anterior), no qual ele utilizou duas quadrículas ortogonais no arruamento da faixa litorânea, apesar da forma curvilínea da linha da costa.

Figura 62: Planta do bairro de Copacabana em 1914, da autoria de C. Aenishänslin. Fonte: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

O loteamento se articulava satisfatoriamente com a Avenida Epitácio Pessoa, mas não com a estrada velha de Tambaú.

Seus pontos fortes eram suas vias largas e o tamanho apropriado da grande maioria de suas quadras. Mas ele apresentava os graves inconvenientes de não conter nenhuma praça e de ter muitos lotes voltados para o poente, uma consequência da orientação dada às suas quadras. Ademais ele exibia dois defeitos característicos das quadrículas ortogonais convencionais, monotonia e números cruzamentos viários, ainda que num grau moderado, em relação ao primeiro, em razão das suas ruas encurvadas, dos variados tamanhos das suas quadras e dos diferentes ângulos formados por suas vias.

A despeito disso, o Loteamento Tambaú serviria de modelo para um plano de arruamento que a prefeitura de João Pessoa elaborou, no início dos anos 1950, para a área que se tornaria o bairro de Manaíra.

O projeto desse loteamento foi efetivamente implantado e sofreu poucas alterações no decorrer de sua implantação: algumas quadras foram divididas em dois ou três pequenos quarteirões e foi suprimido um curto trecho da rua que margeia o rio Jaguaribe.