CHAPITRE 3 ÉTUDE NUMÉRIQUE DES ONDES DE CHOC ÉMISES PAR UNE
3.2 Choix du modèle d’écoulement multiphasé
3.2.1 Description détaillée du modèle physique de fluide
O caminho percorrido na conceção e operacionalização deste projeto, à luz da teoria de Locsin, Technological Competency as Care, proporcionou-me uma oportunidade para refletir e repensar não só as noções de tecnologia, cuidado, enfermagem e condição humana, mas também cogitar sobre as suas relações e implicações no contexto socioeconómico atual (Watson, 2001).
“O cuidado de enfermagem aos doentes em ECMO continua a ser uma arte e uma ciência em ascensão” (Remenapp et al., 2005, p. 606). Arte porque impõe a necessidade de transferir conhecimentos provenientes de outras áreas do saber, no sentido de conhecer a pessoa na sua totalidade, momento a momento; e ciência pela necessidade de maior produção de evidência científica relacionada com esta temática. A evolução tecnológica a que temos assistido nos cuidados de saúde tem obrigado os enfermeiros a procurar formação e a desenvolver competências que garantam uma prestação de “cuidados seguros e terapêuticos” (Remenapp et al., 2005, p. 606). Dados os recentes desenvolvimentos da tecnologia inerente à sua utilização, a ECMO é cada vez mais frequente no contexto das UCI’s de adultos (nomeadamente como alternativa ao insucesso da ventilação artificial convencional), sendo que os enfermeiros destas unidades representam um componente chave na promoção da qualidade dos cuidados prestados (Gay, Ankney, Cochran, & Highland, 2005).
Na atualidade, a tentativa de centralização destes doentes em centros especializados justifica-se pela necessidade de manter as competências das equipas ao mais alto nível de proficiência, numa área cujos riscos tecnológicos podem efetivamente perigar a vida do doente. Contudo, penso que a evolução tecnológica caminha para que a ECMO seja, ainda que num futuro longínquo, um procedimento tão comum como as TRSC em qualquer UCI. Enquanto isso, de acordo com a OE (2013, p. 3) “é desejável que a escolha do operador” desta tecnologia recaia sobre os enfermeiros “com experiência comprovada em UCI neonatal, pediátrica e/ou de adultos”, sendo a aquisição de competências especializadas no cuidado à pessoa em situação critica uma mais-valia no cuidado a estes doentes e aos seus significativos.
“Cada pessoa traz a sua própria história, o seu caminho intelectual e a sua vontade de aprender quando está perante uma situação clínica particular” (Benner, 2005, p.
38). A jornada empreendida ao longo deste projeto é, neste sentido, o reflexo da pessoa enfermeira que sou, tendo-me permitido desenvolver competências cognitivas, técnicas e comportamentais na prestação de cuidados à pessoa em situação crítica, numa área de particular interesse, bem como no âmbito da responsabilidade profissional, ética e legal, da melhoria contínua da qualidade e do desenvolvimento das aprendizagens profissionais. Assim, no cruzamento dos três domínios: desenvolvimento da pessoa enfermeiro, aquisição de formação e experiência profissional e reconhecimento das possibilidades de evolução encontradas no decurso das situações de trabalho ou de estágio (Phaneuf, 2005), penso ter atingido as competências específicas descritas pela OE (2010b) para o enfermeiro especialista em enfermagem em pessoa em situação crítica, demonstrando simultaneamente o desenvolvimento de competências preconizadas para o 2º ciclo de estudos do Processo de Bolonha, correspondente ao grau de mestre, nomeadamente no que concerne à aplicação de conhecimentos e capacidade de compreensão, à realização de julgamento/tomada de decisões, à capacidade de comunicação e à autoaprendizagem (DGES, 2008b). Deste modo, as competências desenvolvidas permitiram-me atingir plenamente os objetivos gerais e específicos a que me propus ao longo deste trabalho, assegurando a otimização da segurança e da qualidade na prestação de cuidados de enfermagem especializados à pessoa em situação crítica, particularmente na dependência de suporte de ECMO, e aos seus significativos.
De acordo com Phaneuf (2005, p. 5) a competência é sinónimo de um saber-agir responsável, tratando-se não só “um constructo operatório, mas também um constructo social que pode e deve ser submetido a avaliação”, traduzindo-se este relatório num veículo para tal. Durante a operacionalização deste trabalho, tive oportunidade de integrar a constituição inicial de uma equipa multiprofissional na abertura de uma UCI, num hospital de referência na prestação de cuidados a doentes dependentes de mecanismos ECLS. Deste modo, o investimento realizado nesta formação permitiu-me integrar a equipa de ECMO desse centro, participando não só no cuidado à cabeceira dos doentes, mas sobretudo no procedimento de canulação e consequentemente no transporte intra e inter-hospitalar dos mesmos. Reconhecendo que “a profissão de enfermagem implica uma responsabilidade face à sociedade, face
aos utilizadores de cuidados, mas também face aos pares” (Phaneuf, 2005, p. 5), no final do percurso aqui apresentado desenvolvi ainda como atividade de estágio (apêndice X) uma sessão de formação em serviço sobre os cuidados de enfermagem prestados no ECMO Centrum Karolinska, contribuindo assim para a melhoria destes cuidados no meu contexto profissional. Esgotados os recursos temporais para a realização deste projeto, a nível académico, foi-me possível posteriormente elaborar, no meu serviço, normas de procedimento sobre aspetos específicos do cuidado a estes doentes, constituindo atualmente um elemento de referência na formação dos meus pares. Ouso ainda acreditar que a divulgação dos resultados atingidos no final deste trajeto, com a apresentação e discussão deste relatório, acresce um contributo enriquecedor ao corpo de conhecimentos da enfermagem enquanto disciplina, nesta área específica.
Os cuidados de enfermagem evoluem e “a passagem do tempo traz a sua parte de esquecimento; os saberes são infelizmente evanescentes” como nos diz Phaneuf (2005, p. 5). Portanto, enquanto enfermeira pretendo relembrar-me todos os dias desta condição, mantendo a formação contínua e a atuação no respeito pelos princípios éticos e valores inerentes à minha profissão como vias de sucesso na busca da excelência, de modo a que a segurança das minhas práticas se traduza em ganhos para a saúde das pessoas de quem cuido. Posto isto, é minha intenção continuar a desenvolver competências nesta área, perspetivando a realização futura do ECMO
Specialist Training Course da ELSO. Por outro lado, aspiro ainda ao desenvolvimento,
em equipa, de um programa de follow up aos doentes e aos familiares que passaram pela experiência da ECMO na nossa instituição, com o intuito, não só, de lhes proporcionar a continuação do suporte emocional (Harris-Fox, 2011), mas também como uma oportunidade de “monitorizar outcomes e procurar continuamente oportunidades de melhoria” (Ogino et al., 2012, p. 493) deste programa.
O trabalho que aqui apresento é pois o produto das minhas decisões, num período importante de desenvolvimento pessoal e profissional. E, não sendo o fim, creio que o meu crescimento foi muito maior do que estas palavras conseguem transmitir.