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Description détaillée de l’approche proposée

Os primeiros fundamentos da ciência cartográfica, segundo Zamariano (2010), foram lançados na Grécia Antiga, por volta de 160 a.C. Desde então, a Cartografia vem atingindo níveis mais precisos na confecção de mapas e cartas. Baseada em ampla bibliografia sobre o assunto, a autora assim distingue esses dois termos: “entendemos que uma carta pode representar os aspectos naturais ou artificiais da terra, similar ao mapa, mas de caráter especializado, construída com uma finalidade específica” (Op. cit., p.129) [grifo nosso], o que fundamenta, em nossa pesquisa, a opção pelo termo carta e não mapa.

De acordo com Sousa Fernández (2010), situar os fenômenos linguísticos sobre um mapa ajuda o pesquisador não só a estabelecer uma proposta de variedades regionais, mas também a investigar explicações sobre a história e evolução das variedades linguísticas, o que é de fundamental importância.

É, nesse contexto, que surgem os atlas linguísticos cujo padrão para a realização, pela interface com a Geografia, tanto pelo emprego comum do instrumento cartográfico quanto

pelo fato de dividirem um aspecto essencial das relações entre vida social e cultural do homem em seu ambiente, permitiu o surgimento da Geografia Linguística como disciplina.

A Geografia Linguística (método utilizado pela Dialetologia) e Dialetologia tem como objeto comum de estudo os dialetos e a diferença entre elas está no modo de representar o resultado do estudo. A Geografia Linguística apresenta em atlas linguísticos, o levantamento cartográfico das características dialetais, tirados da língua oral. Já a Dialetologia divulga o produto da pesquisa em forma de análise aprofundada das variantes registradas (fonéticas, morfológicas, sintáticas, lexicais, etc.) incluindo, não raras vezes, a apresentação de glossários das variantes lexicais estudadas. (ZAMARIANO, 2010, p.133)

Vale dizer, no que concerne às diferenças entre essas disciplinas, que as duas abordagens de estudo não se excluem, pelo contrário, se complementam. Ressalta-se ainda o fato de os procedimentos da Geografia terem se expandido, além da Dialetologia, para outros estudos linguísticos, como é o caso dos estudos onomástico-toponímicos. A esse respeito afirma Fernández:

A renovação metodológica e tecnológica que afetou a geografia linguística levou as inovações e os novos procedimentos de análise da variação linguística espacial fossem aplicados a outros âmbitos dos estudos linguísticos distintos da dialetologia, especialmente aqueles em que alguns investigadores já manifestaram interesse de analisar a distribuição de formas linguísticas. No âmbito da onomástica, começaram a se aplicar os procedimentos da geografia linguística para elaborar atlas onomásticos que ajudam a conhecer melhor a história e a distribuição das formas onomásticas e contribuem também para reconhecer registros que governam sua evolução. Os atlas de antropônimos (prenomes e sobrenomes) e topônimos são uma fonte fundamental com a que se assistem os estudos onomásticos. (SOUSA FERNÁNDEZ, 2010, p. 16)43

A elaboração de um atlas toponímico não difere, em princípio, da sistemática metodológica utilizada para a confecção de atlas linguísticos. As diferenças entre eles, segundo Zamariano, consiste nos objetivos e na natureza dos dados pesquisados, pois

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(SOUSA FERNÁNDEZ, 2010, p. 16): “A renovación metodolóxica e tecnolóxica que afectou á xeografía lingüística levou a que as innovacións e os novos procedementos de análise da variación lingüística espacial fosen aplicados a outros âmbitos dos estudos lingüísticos distintos da dialectoloxía, especialmente aqueles en que xa algúns investigadores repararán no interese de analizar a distribución de formas lingüísticas'. No ámbito da onomástica comezaron a aplicarse os procedementos da xeografía lingüística para elaborar atlas onomásticos que axudan a cofíecer mellor a historia e distribución das formas onomásticas e contribúen tamén a recofíecer as regristas que gobernan a súa evolución. Os atlas de antropônimos (nomes e apelidos) e topónimos son hoxe unha fonte fundamental coa que se asisten os estudos onomásticos.” Tradução nossa.

enquanto os atlas toponímicos analisam os nomes de lugares – córregos, rios, ilhas, praças, vielas, entre outros – de determinada localidade, registrados em folhas ou mapas topográficos oficiais da região em estudo, os atlas linguísticos voltam-se para dados da língua oral, recolhidos numa área geográfica previamente definida. (ZAMARIANO, 2010, p. 33)

Continuando a tecer um quadro comparativo entre os atlas linguísticos e os atlas toponímicos, a autora destaca o fato de que ambos se inserem no campo da Cartografia Temática, uma vez que suas cartas veiculam dados linguísticos de natureza bastante diversa, espacialmente distribuídos.

Para elaborar uma carta temática, devem ser observadas as seguintes etapas: coleta de dados, análise, interpretação das informações sobre um mapa base que geralmente é extraído da carta topográfica. Assim, com base em Dick (1996, p.29) que define o estudo da

codificação onomástica, cartograficamente, como uma forma de penetrar nos meandros do sistema da linguagem, de que é extensão particularizadora ou referencial, eis o que fizemos: coletamos os topônimos no Banco de Dados do Projeto ATEMIG, analisamo-os quantitativa e qualitativamente e, considerando um mapa base, fizemos a distribuição geográfica dos topônimos sob enfoque. Ressaltamos que, para o empreendimento da última tarefa, contamos com o auxílio técnico de Ângelo Franco do Nascimento Ribeiro, doutorando em Geografia na Universidade de Grande Dourados/MS e responsável pelo laboratório de geoprocessamento da Faculdade de Ciências Humanas da mesma instituição.44

Um mapa base, conforme Sousa Fernández (2010, p.19), é “uma ferramenta que nos permite colocar a informação toponímica sobre a representação geográfica”45, não podendo, por isso, ser escolhido aleatoriamente, pelo contrário.

Desse modo, para a distribuição toponímica de nossos dados, o mapa base utilizado é uma projeção geográfica, disponível na Malha Municipal do Brasil – IBGE, 2010, conforme demonstramos, a seguir:

44 O geógrafo Ângelo Franco do Nascimento Ribeiro é responsável pela edição de parte das cartas toponímicas que compõem o Atlas Toponímico do Mato Grosso do Sul (ATEMS). Desse modo, cumpre ressaltar que as cartas desta pesquisa seguem os moldes do atlas mencionado.

45(...) unha ferramenta que nos permita colocar a información toponímica sobre a representación xeográfica. (SOUSA FERNÁNDEZ, 2010, p. 19) Tradução nossa.

FIGURA 12 – Mapa base utilizado para a projeção das cartas toponímicas

Fonte: IBGE, 2010.

Foram representados, nesse modelo de carta, com exceção dos topônimos relativos às invocações da Virgem Maria, que constituem o menor número de dados, a distribuição de todos os hagiotopônimos que somaram mais de vinte ocorrências em municípios mineiros. Esse mapeament o foi feito a partir de escalas cromáticas, facilitando, assim, a percepção quantitativa dos dados.

Vale dizer que, além das cartas em que os dados são representados pela variação cromática, apresentamos também uma carta geolingüística, isto é, uma carta em que as categorias onomásticas sob análise foram representadas, nas diferentes mesorregiões, por ícones.

Explicitados os procedimentos adotados em todas as fases da pesquisa, passamos ao próximo capítulo que traz a apresentação e a análise dos dados.

CAPÍTULO 4 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Este capítulo está dividido em duas partes. Na primeira, intitulada Apresentação e

análise descritiva dos dados, apresentamos, em quadros, os dados que compõem os corpora

da pesquisa de acordo com as categorias onomásticas consideradas. A partir desses quadros, fazemos, na sequência, a análise descritiva de todos os hagiotopônimos – presentes e pretéritos – em fichas lexicográficas.

A análise quantitativa e a discussão dos resultados constituem a segunda parte deste

capítulo, em que explicitamos, além da quantificação dos topônimos em gráficos, tabelas, quadros comparativos e cartas toponímicas, questões linguísticas, como variação e mudança dos topônimos.

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