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DESCRIBING THE FIELDS ON THE A SPECIFICATION

Dans le document Introduction to DE I RPG (Page 43-55)

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DESCRIBING THE FIELDS ON THE A SPECIFICATION

brancos e na II Guerra Mundial com os judeus e o estabelecimento do antissemitismo49.

Joel Rufino dos Santos, historiador, professor e escritor brasileiro (uma das referências no estudo da cultura africana no Brasil) desenvolve em seu livro O que é Racismo (1994) uma discussão a respeito do racismo e seus processos. Antes de se pautar em características físicas, o racismo era compreendido como o outro diferente na cultura, na língua, nas leis, entre outros. Por exemplo, para os gregos, os bárbaros eram todos aqueles que não falavam grego; e para os romanos, a princípio, eram todos aqueles que não tinham um conjunto de leis e, posteriormente, aqueles que não eram cristãos. Somente na Era Moderna, por volta de 1400, que o racismo começa a se basear na cor da pele:

A partir deste momento, como se vê, o racismo deixou de ser puramente cultural (“Não gosto dele porque ele não fala grego” ou “Não gosto desta gente porque não é cristã”). Passou a ser também biológico: “Não gosto dele porque ele é preto” ou “Não topo esta gente porque ela está mais perto dos animais que de nós, humanos”. Como os índios norte- americanos tivessem a mesma cor que os europeus, inventou-se, para rebaixá-los a “povo de cor”, a “pele vermelha”; enquanto os teólogos, Bíblia embaixo do braço, tratavam de explicar que a palavra indian não passava de corruptela de judeus (SANTOS, 1994, p. 25).

Portanto, vê-se que o racismo, proporcionado e incentivado por diferentes condições, estabeleceu-se enquanto um mecanismo que afirma que os não-brancos são diferentes e inferiores aos brancos. Na modernidade, Joel Rufino:

A cor da pele não foi, naturalmente, uma invenção do capitalismo, nem de sistema algum – foi produto das diferentes condições ecológicas que o homem encontrou na sua dispersão pelo planeta. Mas prestou ao

49 Segundo Umberto Eco (2014, p. 267) “Bem mais feroz foi (no século XIX e XX) o antissemitismo baseado no conceito, que se pretendia ‘científico’, de raça. É suficiente ler, na ordem, os textos de Wagner (foi levantada a hipótese de que o maléfico anão Mime da Tetralogia, tenha sido concebido com base no estereótipo do judeu e representado com traços hebraicos por ilustradores como Rackham), de Hitler, de Céline, da revista fascista La difesa dela razza (verificar, no original, se o nome da revista não está em itálico ou vem entre aspas), para ver que, na aversão visceral com que são enunciadas as características desse inimigo, manifestam-se indubitáveis taras psicológicas e complexos mal resolvidos de quem assim os descreve. O rosto, a voz, os gestos do “feio” judeu tornam-se (e desta vez a sério) sinais da deformidade moral do antissemita. Invertendo um dito de Brecht, o ódio contra a justiça ‘endurece os rostos’”. Por esse mesmo viés, Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica e a primeira a escrever sobre o Terceiro Reich dentro do contexto da civilização ocidental escreve em seu livro Eichmann em Jerusalém -

Um relato sobre a banalidade do mal (anteriormente publicado numa série de cinco artigos para a revista The New Yorker) como foi o julgamento de Adolf Eichmann – tenente-coronel da Alemanha Nazista e

considerado um dos principais organizadores do Holocausto – no Tribunal Distrital de Jerusalém em abril de 1961. Eichmann foi indiciado por 15 crimes contra à humanidade e aos judeus e por associação a uma organização criminosa. No livro, Arendt constrói a ideia de que o mal faz parte da sociedade e está em nós e no nosso cotidiano. Além disso, a autora estabelece que existe uma banalidade do mal, uma vez que o monstro saí da categoria estética e se estabelece na ética. No entanto, nesta tese, não será aprofundada a questão do antissemitismo nem a teoria de Hannah Arendt (muito mais complexa e profunda do que foi apresentado). O foco do trabalho é a questão do racismo enfrentado pela população negra no Brasil.

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capitalismo um inestimável serviço, separando, neste fantástico, mercado em que se compra e vende mão-de-obra, a mercadoria de primeira da de segunda [...] (SANTOS, 1994, p. 34).

O racismo tem início no colonialismo e atinge seu extremo e sua manutenção no capitalismo financeiro, mais precisamente no regime nazifascista alemão (1933-1945). Durante a Segunda Guerra, a miséria e o ódio racial eram instrumentalizados para justificar o fato de o capitalismo alemão estar atrasado na corrida colonial e em uma grave crise econômica. E esses processos são só possíveis nas relações sociais, na constituição do corpo pela alteridade.

O filósofo francês Emmanuel Levinas – indo ao encontro do pensamento bakhtiniano – concebe o sujeito como alguém que está e sente o mundo. Nesse sentido, antes mesmo de compreender o mundo e o que se encontra nele, o sujeito “saboreia”, “goza” do mundo e, só então, ele sente e está no mundo, é nesse sentido que Levinas constrói a sua concepção de alteridade. No mundo, o sujeito encontra o outro para socialização e é neste momento que, segundo Levinas, constrói-se a concepção de alteridade. O próprio mundo é construído através da palavra e da relação com o outro. Ademais, segundo Levinas (2008, p. 35), “[o] pensamento estabelece uma relação com a exterioridade não assumida. Como pensante, o homem é aquele para quem o mundo exterior existe”.

É importante frisar que a alteridade não é apenas uma diferença (o outro existe porque ele não é eu). A alteridade lógica coloca o outro na comunidade de fronteira: “aqui onde eu termino é onde o outro começa”. Para Levinas, a alteridade do rosto (compreendido como corpo e invasão do outro) é absoluta; não é um outro como eu, mas um outro por inteiro, absoluto, infinito. Nesse sentido, o outro me altera, invade e desloca a minha existência:

Ao considerar a relação com o outro, Bakhtin move a própria atenção da identidade entendida como “identidade fechada”, com a sua consequente força centrípeta (quer se trate da identidade do indivíduo, como, por exemplo, da consciência de si, quer se trate da identidade coletiva, a comunidade estendida, a língua, o sistema cultural), para a alteridade, e, portanto, para sua força centrífuga.

Bakhtin o faz analogamente a outro grande filósofo do século XX, Emmanuel Levinas (de origem lituana, que viveu primeiro na Rússia e depois, a maior parte de sua vida, na França). Também ele foi influenciado, em sua concepção filosófica, por Dostoiévski, e deu uma notável e imprescindível contribuição à crítica da identidade [...] (PETRILLI, 2019, p. 73).

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