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Des programmes de perception

Dans le document CIRAP Radicalisation (Page 35-47)

MENTE

Ainda pautado na concepção de que somos seres subjetivos e construímos de forma particular nossas histórias, desejos e expectati- vas, Rolkouski (2008) apresenta em sua pesquisa uma reflexão sobre a formação profissional do professor de Matemática, no decorrer de sua vida, baseado nas próprias experiências individuais e coletivas. Justifi- ca sua investigação questionando como o professor de Matemática “tor- na-se o que é”, tanto em detrimento de fatores socioculturais particu- lares, como suas relações familiares e seus costumes cotidianos, quanto de circunstâncias externas que perturbam e desviam seu foco idealista e o conduzem à lógica mercantilista na qual está envolvido.

Para tanto, o autor utilizou o método da história Oral de Vida e, utilizando entrevistas com fichas contendo termos que se reportam aos aspectos familiares e profissionais, analisa os depoimentos sob diver- sas perspectivas, de acordo com o referencial teórico proveniente das Ciências Sociais, da Psicologia e da Análise literária. Essas entrevistas foram realizadas com quatro professores de Matemática de diferentes níveis de titulação, com mais de dez anos de exercício docente e inseri- dos em diferentes contextos de atuação profissional.

Fundamentado nas concepções de Bruner e Roukouski (2008) apontou para a ampliação dos horizontes que buscam compreender os elementos que fogem à explicação nas histórias de vida dos sujeitos de sua pesquisa. Os pressupostos da teoria de Bruner estão relacionados à forma como a experiência humana descreve as intenções, os desejos e as histórias particulares dos indivíduos entrevistados como figuras metafóricas e narrações atreladas ao “saber popular” que foi construído de modo biográfico-narrativo, a partir do método interpretativo.

O autor concluiu que não existe uma análise, mas múltiplas aná- lises de como os sujeitos se reconhecem perante a própria subjetividade e como se definem em meio ao círculo de convivência, sobretudo ao evidenciar que o “tornar-se” professor é produto da articulação entre fa- tores internos particulares e circunstâncias externas, como intervenções

e políticas públicas, sendo estas favoráveis ou não. CONSIDERAçõES FINAIS

Jerome S. Bruner foi um psicólogo cognitivista de suma im- portância tanto para a educação como para a própria psicologia. Suas obras e teorias são identificadas na elaboração e no desenvolvimento de trabalhos e pesquisas em diversas áreas do conhecimento científico. É, ainda, referenciado por inúmeros autores contemporâneos.

Bruner estudou crianças em espaços escolares e realizou seu tra- balho observando-as. As crianças foram ocupando o espaço delas aos poucos na nossa sociedade, pois na Idade Antiga e na Idade Média elas eram tratadas como adultos e não tinham nenhuma prioridade, direitos e voz. O protagonismo infantil é muito recente no cenário escolar, e Bruner apresentou ideias inovadoras e modernas, visto que enfatizou e propôs a adoção de técnicas que intentam corroborar essa prática.

Considera-se assim que, no cenário atual, há a necessidade do professor de repensar as práticas, estratégias e metodologias na abordagem dos conteúdos, tanto em sala de aula quanto nos espaços educativos não formais. Isso posto, Bruner constitui-se em um singular referencial teórico para os educadores. Mas é preciso considerar que a formação inicial dos professores necessita ser repensada e o currículo precisa ser atualizado, para que se possa atender às demandas de uma geração que se encontra diante de uma vasta opção de produtos e possibilidades muito atraentes. Os educandos estão “plugados” praticamente, 24 horas por dia em seus smartphones e tablets, e é inegável que a tecnologia moderna faz parte da vida. Se não reconsiderarmos o espaço escolar e a estrutura organizacional da educação, poderemos caminhar rumo ao fracasso.

Em suma, o ato de investigar e solucionar problemas colabora de maneira significativa no processo de emancipação do indivíduo, pois ele desenvolve sua autonomia, seu raciocínio, elabora hipóteses e resoluções para uma determinada situação, entre outras possibilidades. Todavia, ressaltamos que a aula expositiva e a utilização de outras metodologias não devem ser menosprezadas, pois nos espaços educa-

cionais existe uma pluralidade de pessoas, diferentes etapas de ensi- no-aprendizagem, habilidades e informações. É imprescindível possuir essa visão.

REFERÊNCIAS

BRUNER, J. S.; Uma nova teoria da aprendizagem. Tradução de

Norah levy Ribeiro. 4 ed. Rio de Janeiro: Bloch, 1976.

CORREIA, M. F. B.; MEIRA, l. R. l.; Explorações acerca da cons- trução de significados na brincadeira infantil. Psicologia: reflexão e

crítica, 2008, v. 21, n. 3, p. 356-364. Disponível em: http://www.scie- lo.br/prc. Acesso em: 17 set. 2014.

DE CONTI, l.; SPERB, T. M.; O brinquedo de pré-escolares: um es- paço de ressignificação cultural. Psicologia: teoria e pesquisa, Brasí-

lia, v. 17, n. 1, p. 59-67, Jan-Abr, 2001.

ESTEBAN, M. et al.; Improving social understanding of preschool children: evaluation of a training program. Electronic Journal of Research in Educational Psychology, 2010, v. 8, n. 2, p. 841. Dispo-

nível em: <http://www.periodicos.capes.gov.br/>. Acesso em: 01 out. 2014.

FERREIRA, P. V. P.; Relações entre aprendizagem e desenvolvimento: a abordagem de Jerome Bruner. Psicopedagogia online: educação e

saúde. 2003. Disponível em: <http://www.psicopedagogia.com.br>. Acesso em: 16 set. 2014.

FlEER, M.; Scaffolding conceptual change in early childhood. Re- search in Science Education, v. 20, p. 114–123, 1990. Disponível em: <http://www.periodicos.capes.gov.br/>. Acesso em: 13 out. 2014. PRÄS, R. A.; Teorias de aprendizagem. Scrinialibris.com. 2012. Disponível em <http://www.readbag.com/fisica-monografias-teorias- de-aprendizagem.htm>. Acesso em: 25 ago. 2015.

ROlKOUSKI, E.; histórias de vida de professores de matemática.

Revista bolema, Rio Claro, v. 21, n. 30, p. 63-88, 2008.

TAGGART, J. M.; Interpreting the Nahuat dialogue on the envious dead with Jerome Bruner´s theory of narrative. Journal of the Soci- ety for Psychological Anthropology, 2012, v. 40, n. 4, p. 411-430.

Disponível em: <http://www.periodicos.capes.gov.br/>. Acesso em: 08 out. 2014.

Os estudos psicológicos, direcionados para a compreensão do funcionamento da mente humana e consequentemente da sua capacidade de aprendizagem, adquire uma importância maior no final do século XIX e no início do século XX com o surgimento da Psicologia da Gestalt. Em sua concepção teórica fundamental, a Gestalt baseia-se no estudo da percepção humana, ou seja, como o ser humano percebe o mundo a sua volta.

Segundo Engelmann (2002), a Gestalt começou com os estudos de Wertheimer sobre a percepção do movimento de ob- jetos inanimados de acordo com a ação da luz sobre o objeto em um tempo específico (movimen- to fi), mas se originou da parceria entre os psicólogos alemães Max Wertheimer (1880-1943), Wolf- gang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941). O encontro entre eles iniciou uma pesquisa conjunta baseada nessa percepção e originou o conceito de Gestalt aplicado à psicologia gestáltica e posteriormente à gestaltpedago- gia.

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três estudiosos, a psicologia da Gestalt se desenvolveu muito com os estudos realizados por Wolfgang Köhler ao longo de sua vida. Nascido em Tallinn, na Estônia, em 21 de janeiro de1887, mudou-se para Alemanha aos cinco anos de idade. Graduou-se em Física e doutorou- se, na Universidade de Berlim em 1909, orientado por Karl Stumpf.

Sua pesquisa de pós-doutorado envolveu a psicoacústica sob a orientação do físico Max Planck e do pisicólogo Karl Stumpf. Em 1913, assume a direção da estação de pesquisa da Fundação da Academia Prussiana, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, registrando o trabalho em um livro considerado um clássico, nomeado The mentality of the apes (1925).

Suas pesquisas na Alemanha foram interrompidas nos primeiros anos do governo nazista, pois Köhler, ao se posicionar oficialmente contra o nazismo, foi obrigado a deixar a Alemanha mudando-se então para os Estados Unidos, onde recebeu um cargo em uma universidade americana. Desenvolveu trabalhos nas universidades de Princeton e Massachussets.

Wolfgang Köhler morreu em Enfield a 11 de junho de 1967 deixando um legado extenso, com destaque para as seguintes obras: Psysical Gestalt in Rest and Stationary States (1920); The Mentality of Apes (1925); The Place of Value in the World of Facts (1929); Gestalt Psychology (1929) e Dynamics in Psychology (1940).

Vargas (2008) e hatfield (2012) destacam que a Psicologia da Gestalt veio para complementar o quadro da Psicologia Central Euro- peia, fazendo forte oposição ao positivismo e, é claro, à Psicologia Be- haviorista, assim como à prática educativa associacionista. Suas ideias complementam as elaborações teórico-práticas das ciências sociais pro- gressistas, tais como a Teoria Crítica da Sociedade, o Freudmarxismo e o Idealismo Transcendental Kantiano, agregando a este a percepção do sujeito como marco estruturador do real a priori, isto é, independente da experiência.

Do ponto de vista da aplicação da Psicologia da Gestalt na aprendizagem, Ostermann & Cavalcante (2010) afirmam que essa teoria representa a transição entre o behaviorismo clássico e o

cognitivismo, pois o behaviorismo enfatiza que o comportamento de um organismo, e sua aprendizagem, é resultado de sua interação com o meio e se constrói baseado em estímulo e resposta. Já a Gestalt entende que a aprendizagem ocorre por meio da experiência de um organismo total, com ênfase à percepção, destacando a importância da ação, do envolvimento e da interação do sujeito com o objeto a ser conhecido e com a realidade. Dessa forma, dá importância às variáveis internas da aprendizagem e considera a conduta humana como totalidade.

Pode-se afirmar, então, que, segundo a Gestalt, o cérebro é um sistema dinâmico no qual se produz interação entre os elementos por meio de princípios de organização perceptual. Concorda-se, assim, com Coutinho (2008) quando diz que só por meio da percepção da totalidade o cérebro pode, de fato, perceber, decodificar e assimilar imagens ou conceitos. No Brasil, a Psicologia da Gestalt é conhecida como a Psi- cologia da Forma.

O princípio fundamental da Teoria da Gestalt sugere que a análise das partes nunca pode proporcionar uma compreensão do todo, uma vez que o todo é constituído pelas interações e interdependências das partes. É desse modo que a Teoria da Gestalt se propõe a estudar a vida psíquica sob o aspecto da combinação de elementos (sensações e ima- gens) que a constituem. Wolfgang Köhler defendia, portanto, que o todo é diferente da soma das partes e que existem princípios que determinam e organizam a percepção humana, ou seja, o modo como o indivíduo estrutura a realidade. Em outras palavras, esses princípios permitem afirmar que os estímulos que formam uma figura têm tendência a serem agrupados e podem ser descritos como duas espécies de qualidades da forma ou ainda duas maneiras de interpretar a forma:

• As sensíveis – que são as qualidades do próprio objeto; • As formais – que são construídas com base em interpretações

e concepções.

É, portanto, no agrupamento de ambas as qualidades da forma do objeto que ele é percebido. Desse modo pode-se afirmar que os conjun- tos possuem leis próprias e estas regem seus elementos, portanto, só por meio da percepção da totalidade é que o cérebro pode, de fato, perceber,

decodificar e assimilar imagens e conceitos, ou seja, não se pode ter conhecimento do todo pordas partes, e sim das partes por meio do todo.

E por que a Psicologia da Gestalt afirma que o todo não é a soma das partes? Simples, na realidade estas se organizam segundo deter- minadas leis. Os elementos constitutivos de uma figura são agrupados espontaneamente. Essa organização é, segundo o gestaltismo, essen- cialmente inata. Portanto, a organização da percepção humana será es- tudada pelos gestaltistas que enunciam um conjunto de leis:

Lei da proximidade – perante elementos diversos, existe a tendência a agrupar aqueles que se encontram mais próximos. Elemen- tos que estão mais perto de outros em uma região tendem a ser per- cebidos como um grupo, mais do que se estiverem distantes de seus similares.

Lei da semelhança - perante elementos diversos, existe a tendência a agrupá-los por semelhanças entre eles. A similaridade pode acontecer na cor dos objetos, na textura e na sensação de massa dos elementos.

Lei do fechamento ou clausura – o princípio de que a boa forma se completa, se fecha sobre si mesma, formando uma figura delimitada. A forma se completa na percepção visual. Esta lei se baseia no enten- dimento de que, se já tivermos visto a forma inteira de um elemento, ao visualizar somente uma parte dele, essa forma inteira na memória será reproduzida. A associação é imprescindível, pois certas formas só podem ser compreendidas se já for conhecida.

Lei de segregação – a segregação é a capacidade perceptiva de separar, identificar, evidenciar ou destacar unidades formais em um todo compositivo.

Lei da pregnância - postula que todas as formas tendem a ser percebidas em seu caráter mais simples. É o princípio da simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada. Dessa maneira, a parte mais facilmente compreendida em um desenho é a mais regular, que requer menos simplificação, como o exemplo representado a seguir:

“Em outras palavras podemos, partindo

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