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Des orientations manquantes à évoquer

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C. APPRÉCIATIONS DE LA COMMUNICATION DE LA COMMISSION

4. Des orientations manquantes à évoquer

Os indicadores educacionais com avaliações em larga escala vêm sendo usados no Brasil cada vez mais com objetivos de grande impacto e responsabilidade. Suas consequências têm aumentado significativamente a obrigação de gestores públicos e professores em responderem por ações no sistema educacional de ensino.

É nesse campo de preocupação com a gestão e a docência que o presente estudo buscou investigar sobre as ações educacionais realizadas pela secretaria de educação e aspectos pedagógicos desenvolvidos pelos professores de matemática e pedagogos da rede municipal de Muniz Freire–ES que podem estar a contribuir para a liderança no ranking das notas de matemática obtidas na Prova Brasil, na região do Caparaó capixaba.

A pesquisa teve como objetivo geral analisar as iniciativas da secretaria de educação e as metodologias empregadas por pedagogos e professores de matemática da rede municipal de Muniz Freire, durante o período de 2005 a 2011, que possam ter influenciado a conquista da liderança no ranking das notas de matemática obtidas na Prova Brasil na região do Caparaó capixaba.

Tendo em vista o alcance desse objetivo, inicialmente buscamos verificar quais foram as possíveis políticas educacionais que poderiam ter influenciado a conquista da liderança no ranking das notas de matemática obtidas na Prova Brasil na região do Caparaó capixaba.

Na visão da secretária de educação essa liderança foi conquistada por meio de várias políticas educacionais traçadas e realizadas. Segundo ela, iniciativas como: a capacitação de profissionais da educação; a criação do sistema municipal de ensino, pois assim não precisava seguir obrigatoriamente as normas da superintendência de educação da região; o desenvolvimento de projetos de ações pedagógicas como, por exemplo, a implantação do Projeto Próprio de Avaliação do município para avaliar professores, gestores e alunos; além de reformas estruturais e físicas das escolas do município.

No entanto, com relação à capacitação de profissionais da educação, 60% dos pedagogos entrevistados citaram que os únicos cursos ofertados, no período em estudo, foram o Pró-letramento e o PROFA (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores). Já entre os professores, 60% citaram que não houve nenhum curso de formação ou capacitação ofertado pela secretaria de educação no período em estudo.

Portanto, nessa parte, este estudo traz como conclusão que a secretaria de educação do município de Muniz Freire–ES não realizou nenhum curso de formação ou capacitação para os profissionais da educação no período de 2005 até 2011. Embora tenha aderido a alguns cursos de formação dos programas do governo federal.

Todavia, com relação à criação do sistema municipal de ensino, ele foi realizado e aprovado por todos os pedagogos e professores entrevistados, que mencionaram a importância de sistematizar as tomadas de decisões próprias da educação municipal.

Com relação ao desenvolvimento de projetos de ações pedagógicas, o único projeto realizado pela secretaria de educação foi à implantação do Projeto Próprio de Avaliação do município, anteriormente citado. Para 60% dos pedagogos esse projeto foi implantado pela secretaria de educação do município com objetivo de elevar os índices educacionais da rede municipal e criar rankings entre as escolas, porque sempre que os resultados eram divulgados ocorriam reuniões exibindo os números relativos a cada escola do município. Outros 30% dos professores comentaram também que o projeto de avaliação do município foi uma forma de estipular rankings e competição entre as escolas e outros 60% dos professores nem consideraram como uma ação pedagógica de melhoria para o ensino e, sim, uma forma de fiscalizar e pressionar seu trabalho em sala de aula.

A respeito das reformas estruturais das oito principais escolas do município, 4 (quatro) foram reformadas no período em estudo e não 6 conforme citou a secretária entrevistada. Das que foram reformadas, todas apresentam boas condições para o

processo de ensino, com salas amplas, auditórios, refeitórios, bibliotecas e quadras esportivas, entre outras instalações.

Na forma de ação indireta, por adesão, houve a aderência a programas de capacitação do governo federal; reforma de 50% das principais escolas; e a criação do sistema municipal de ensino, como política educacional específica da secretaria de educação do município. Mas, na forma de ação direta, apenas o Programa Próprio de Avaliação do município foi verificado como política educacional que possa ter influenciado na conquista da liderança no ranking das notas de matemática obtidas na Prova Brasil, na Região do Caparaó capixaba. Isso porque nesse Programa, por intermédio da secretaria de educação e pedagogos, os professores direcionaram seus planos de ensino anual, com foco principal nos exames aplicados pela rede municipal no início e no final de cada ano letivo, a fim de averiguar crescimento ou não nos índices de cada escola. De acordo com os professores entrevistados, era frequente o uso de provas e simulados nos moldes dos exames governamentais, familiarizando esses tipos de testes aos alunos no dia a dia da escola. Para os pedagogos esse tipo de familiarização entre testes e alunos durante a exposição de novos conteúdos matemáticos facilitam a compreensão e a interpretação desse modelo de avaliação, que geralmente não é utilizado nos métodos tradicionais de ensino.

Para 80% dos pedagogos seus objetivos educacionais estão voltados ao Programa Próprio de Avaliação do município, distribuído entre melhorar os índices educacionais da escola, traçar metas de qualidade para as turmas e melhorar a qualidade das avaliações. E, apenas 20% indicou como objetivo a preocupação em proporcionar a aprendizagem dos alunos.

Quando questionados sobre o programa de avaliação do município 50% dos professores entrevistados disseram que o programa funciona e prepara os alunos, até mesmo porque o município tem as melhores médias da região (o que parece contribuir, conforme evidenciado na análise dos resultados, para não se questionar porque esse índice é ainda muito aquém do requerido em termos de governo e mundialmente). Outros 50% julgam esse processo como uma forma de treinamento

com os alunos, mas também reconhecem que funciona e atende os objetivos da secretaria de educação.

O segundo objetivo específico buscou identificar e analisar ações propostas pelos pedagogos aos professores de matemática da rede municipal de Muniz Freire, especialmente durante os anos de 2005 a 2011.

Para os pedagogos, 40% citaram como principal foco de seu trabalho melhorar os índices educacionais de suas escolas; 20% traçar metas de qualidade para as turmas e outros 20% melhorar a qualidade da avaliação. Com base nesses resultados observou-se novamente que 80% dos pedagogos entrevistados tem seu foco de trabalho apenas nas avaliações somativas e classificatórias, consequentemente, no aumento dos índices educacionais conforme relataram nas entrevistas.

Quando questionados sobre os índices educacionais, 80% dos pedagogos entrevistados consideram como bons os números da rede municipal de Muniz Freire, em reforço a que notamos sobre os professores: mesmo estando em média abaixo da nota 6,0, que seria o mínimo exigido para aprovação em termos governamentais.

Segundo os pedagogos entrevistados, as ações e objetivos que eles propõem aos professores é “elevar a qualidade do ensino e os índices educacionais da escola”. Para isso, são feitos encontros semanais no planejamento e reuniões a fim de apresentar os resultados das provas dos governos, analisar as provas já realizadas, adequar os descritores da Prova Brasil aos conteúdos curriculares, desenvolver atividades semelhantes às aplicadas na Prova Brasil, elaborar simulados, periodicamente, antes das aplicações dos exames padronizados e traçar metas de desenvolvimento.

Quando questionados quais são os métodos e técnicas utilizados pelos professores de matemática no processo de ensino na rede municipal de Muniz Freire, nenhum pedagogo entrevistado respondeu de forma coerente, citando como técnicas o ensino por meio dos livros didáticos, dominó da adição e subtração, material dourado, xadrez, jogos e músicas. Mesmo quando questionados „como‟ os

professores utilizam esses recursos em sala de aula e „como são as aulas‟, os entrevistados não souberam responder, dizendo de modo generalizado que são “aulas normais”, dinâmicas e contextualizadas, e, que são bons professores, atendendo às solicitações propostas pela parte pedagógica.

Nenhuma reflexão pedagógica sobre o ensino e aprendizagem dos alunos, que não envolvesse as avaliações de larga escala, ou ao menos partisse das experiências ou conhecimento dos professores com novos recursos e metodologias existentes, como a reconhecida por Resolução de Problemas, foi indicada pelos pedagogos. Parece que as avaliações em larga escala, externas, junto às escolas observadas, tomaram e obscureceram a importância de se discutir e avaliar internamente os processos de aprendizagem, os recursos e metodologias disponíveis ao ensino, bem como outras questões do trabalho dos professores e alunos. Talvez, porque o poder do objetivo das avaliações em larga escala sejam, centralmente, os sistemas escolares, destacando-se os resultados mais na apresentação de dados quantitativos para a prestação de contas à sociedade ou reavaliação de sistemas e projetos educativos (WERLE, 2010).

O terceiro objetivo específico buscou identificar e analisar métodos e técnicas de ensino utilizadas pelos professores de matemática da rede municipal de Muniz Freire, especialmente durante os anos de 2005 a 2011.

Dos professores entrevistados, 50% afirmaram usar o método tradicional de ensino, com aulas de explicação oral expositivas no quadro, seguidas de atividades no caderno e nos livros. Para esses professores ainda é o melhor jeito de se ensinar matemática, porque desta forma os alunos fixam ao praticar os conteúdos de forma direta. Parece não haver oportunidade de reflexão sobre a intensidade reprodutivista dos conhecimentos e modelos a que esse método expõe os estudantes, aliado à pouca abertura de iniciativa crítica e possibilidade criativa.

Para outros 20% dos professores entrevistados seus métodos e técnicas de ensino são voltados a trabalhar nos moldes da Prova Brasil, PAEBS, simulados e provas do Ifes. Também consideram suas aulas de boa qualidade e contextualizadas, porque

essas próprias provas trazem situações do dia a dia do aluno, abordando textos e fazendo a utilização de gráficos e tabelas.

Cerca de 10% dos entrevistados declararam usar como método de ensino os jogos. Mas, quando questionados sobre o método, ficou claro que o jogo é apenas um momento de descontração para os alunos, pois, mesmo sendo de cunho matemático, envolvendo operações e formas geométricas, os mesmos não são confeccionados pelos alunos e nem são aproveitados na abordagem de conteúdos presentes no currículo do nível de ensino desses participantes.

Neste sentido, ao término das entrevistas foi questionado a todos os entrevistados (secretária, pedagogos e professores) o seguinte: No seu modo de considerar a educação municipal, os alunos estão sendo bem preparados ou treinados para os exames padronizados dos governos?

Para a secretária de educação os alunos “estão sendo preparados para os desempenhos competitivos, mas infelizmente treinados para os processos seletivos”. Já para os pedagogos, 60% julgam que estão sendo preparados, 20% preparados e treinados e 40% apenas treinados. Enquanto que na opinião dos professores, 50% dos alunos estão sendo preparados e 50% treinados para os exames padronizados.

Com relação aos pedagogos e professores, pode-se observar que as metodologias empregadas – trabalhar nos métodos tradicionais de ensino e nos moldes das provas dos exames padronizados do governo no período de 2005 a 2011 – parecem ter influenciado a conquista da liderança no ranking das notas de Matemática obtidas na Prova Brasil na Região do Caparaó capixaba. Além, é claro, de reforçar essa tendência tradicional de ensino e aprendizagem que os PCN (1998) já alardeavam como prática mais frequente e, agora após mais de 15 anos, continua a persistir, ao menos nessa região.

De acordo com os autores Castro (2007) e Fernandes (2007) o IDEB ou a utilização de metas pautadas em indicadores educacionais de qualidade situa-se no contexto dos desafios da educação pública brasileira. Nesse âmbito, cumpre constantemente

questionar a política educacional que, embora importante para delineamento de diretrizes educativas de nossas regiões e nação, não pode provocar uma deturpação no trabalho pedagógico e no processo de ensino e aprendizagem a ponto de não se discutir mais a realização e implementação desse processo.

Já Paro (2000) e Gentili (1996) são contrários aos sistemas de avaliação em larga escala, porque tal enfoque por diferentes razões considera que esses instrumentos desvirtuam, necessariamente, as devidas finalidades educacionais. Esse estudo não discutiu possíveis riscos, críticas ou problematizações relativas às finalidades educacionais, porém buscou analisar as ações realizadas pela secretaria de educação do município de Muniz Freire–ES e as metodologias empregadas pelos pedagogos e professores no período de 2005 a 2011 que levaram ao município a atingir o primeiro lugar no ranking dos municípios da região do Caparaó capixaba.

No encerramento dessas análises, cabe ressaltar o compromisso que cada gestor, pedagogo e professor precisa ter diante dos efeitos das relações de poder e de competição que tendem a abalar e impedir o crescimento educativo, ou mesmo a reflexão sobre novos paradigmas, propostas metodológicas e valores transformadores.

Dessa forma, o alcance e discussões dos objetivos desta pesquisa remetem a ressaltar a importância da continuidade desse estudo, porque metas das avaliações em larga escala estão previstas para o ano de 2022, ampliando assim a necessidade do debate sobre a gestão educacional brasileira, a fim de garantir que as propostas curriculares para um ensino público de qualidade, estejam destinadas a todos os cidadãos.

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