Inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o setor produtivo de casas de madeira, tanto no nível brasileiro quanto estrangeiro. Essa fase resumiu na prospecção de informações (textuais, gráficas e ilustrativas) em livros, periódicos e artigos científicos, revistas e artigos técnicos, anais de congressos, leis, normas, documentos governamentais e páginas eletrônicas das empresas e de organizações relacionadas ao setor de casas de madeira. Para a averiguação e a obtenção de informações e de contatos de empresas fabricantes e de informações, estabeleceu- se uma conexão com alguns atores e profissionais da madeira e da construção, com o intuito de identificar empresas, interligar problemas, entender peculiaridades, etc.
No segundo caso, buscaram-se informações sobre esse mesmo setor nos países aonde a madeira é uma matéria-prima construtiva predominante para as residências, como por exemplo, Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Áustria, Inglaterra, Itália, França, Rússia, Polônia, Canadá, Estados Unidos, Chile, Austrália e Nova Zelândia. O seu intuito seria promover contrastes e comparações.
Após essa verificação dos dados disponíveis sobre o tema, verificou-se certa ausência de dados específicos sobre esse setor produtivo, inclusive nos países com uma cultura tradicional em casas de madeira. No momento em que a sociedade atual vem discutindo fortemente sobre a sustentabilidade industrial e a utilização de materiais renováveis e naturais em produtos manufaturados, nota-se que esse setor ainda carece de esclarecimentos mais detalhados para a sua identificação e o seu posicionamento perante outros setores industriais no Brasil e em todo o mundo.
Porém, o Brasil tem apresentado poucos estudos aprofundados dentro desse contexto, o que limita o seu entendimento sobre o seu estado atual, bem como o conhecimento de suas dificuldades, tamanho, abrangência, entre outros aspectos. E mediante essa carência, este documento delimitou as informações necessárias para identificar e elucidar os principais fatores para a implantação de políticas públicas voltadas para o setor produtivo de casas de madeira no Brasil.
Um primeiro formulário foi montado pelo presente autor, com o intuito de obter dados para suprir essa necessidade e carência (Apêndice A), o qual foi refinado para ampliar a sua coleta de informações, bem como para apresentar um melhor questionamento (Apêndice B), até alcançar a sua versão definitiva destinada às entrevistas com os empresários (Apêndice C).
Em razão da abrangência do tema, a carência de dados e a necessidade de discussões voltadas para o setor em questão, a formatação desse formulário teve como foco principal aglutinar três grandes áreas com informações básicas sobre:
a) Produto: informações básicas sobre as casas de madeira produzidas; b) Empresa: dados dos fabricantes dessas casas de madeira;
c) Setor: dados do ramo produtivo de casas de madeira.
Essas três áreas principais foram criadas exclusivamente para selecionar e categorizar os dados coletados, buscando uma organização informacional eficiente para o seu respectivo esclarecimento e discussão ao decorrer deste documento. Por conta da amplitude de informações identificadas nas três temáticas, esta pesquisa apresentou um caráter híbrido, ou misto, apresentando questões dos tipos aberta e fechada, bem como respostas quantitativas e qualitativas.
3.5.1 Processos de preparação, pré-teste e validação do formulário
A primeira versão do formulário (Apêndice A) retratou as principais carências de dados verificados na etapa de pesquisa bibliográfica sobre o setor de habitações de madeira no Brasil. Essa versão inicial foi idealizada pelo autor da tese e contou com o auxílio complementar de um empresário do setor, um engenheiro industrial madeireiro com experiência na área da pesquisa e três professores doutores com formação e experiência em arquitetura e construção civil em madeira.
Essa primeira variante passou por um pré-teste em uma produtora de casas de madeira, que concordou em auxiliar no refino do formulário. Ao final da realização do pré-teste, diversos pontos foram anotados para aprimorar esse documento de questões. Uma segunda versão do formulário foi gerada (Apêndice B), mediante a colaboração do grupo de pessoas supracitado, somado a outros dois professores doutores alheios ao processo inicial, sendo um com experiência em Engenharia de Produção e o outro na área de derivados de madeira. Essa versão intermediária também foi submetida a um pré-teste, dessa vez, em duas empresas. Isso culminou em correções e eventuais inserções de questões e variáveis, as quais ocorreram com o suporte de uma plotagem dos resultados iniciais obtidos nas duas entrevistas. Mediante as considerações feitas pelos empresários e os resultados da validação, o grupo gestor, liderado pelo autor desta tese, refinou e ampliou o formulário com o fim de obter informações não contempladas nas versões anteriores (Apêndices A e B).
Essas informações extras se resumiram em questões não abordadas e identificadas pelos dois empresários participantes no segundo pré-teste. Assim, ao final desse período, uma terceira versão foi idealizada, baseada nas anteriores (Apêndice C). A versão final foi submetida ao grupo que indicou alterações pontuais, para assegurar um melhor entendimento por parte dos entrevistados. A etapa ainda contou com as participações de outro empresário do setor estudado e um gerente de um fornecedor internacional de suprimentos para serrarias, alheios ao processo, para a validação final. Após o aceite, o entrevistador iniciou a coleta de dados definitiva em campo.
3.5.2 Formulário definitivo
Durante a preparação do formulário, por intermédio de aspectos abordados na literatura das ciências sociais que tratam sobre as pesquisas amostrais (survey), a organização desse documento tornou-se um fator preponderante para sistematizar as opiniões do entrevistado e auxiliar no enfoque do processo de entrevista. Assim, as questões contidas no formulário final (Apêndice C) foram divididas nas áreas de: produto (Tabela 5), empresa (Tabela 6) e setor (Tabela 7). Especialmente na área de produto, com o fim de padronizar os dados coletados nessas empresas, optou-se por estabelecer uma direção das respostas das questões 3, 4, 5 e 8 para uma unidade habitacional de 100m2 térrea (UH) para cada técnica disponível.
Tabela 5: Detalhamento das questões sobre produto contidas no formulário. Questão Dado
Obtido
Tipo de Questão
Enfoque da Questão
01 QL F Índice porcentual da oferta de técnicas de casas de madeira 02 QL F Índice porcentual do acabamento oferecido
03 QN A Valores numéricos do tempo de execução de uma UH 04 QL F Índice porcentual do tipo de madeira e derivado utilizado por UH 05 QL F Índice porcentual da espécie de madeira utilizada nas UHs 06 QL F Índice porcentual da substituição das madeiras nativas utilizadas 07 QL A Índice porcentual da espécie exótica que substituiria a espécie nativa 08 QN A Valores numéricos do volume de madeira usado por UH 09 QN A Valores numéricos da faixa de custo por metro quadrado por técnica 10 QL F Índice porcentual médio das casas adquiridas pelos clientes 11 QL F Índice porcentual das dificuldades do produto produzido QL: qualitativa; QN: quantitativa; A: aberta; F: fechada; UH: unidade habitacional
Tabela 6: Detalhamento das questões sobre empresa contidas no formulário. Questão Dado Obtido Tipo de Questão Enfoque da Questão
12 QN A Valores numéricos do volume de casas produzidas entre 2013 a 2015 13 QL F Índice porcentual do mercado foco das casas vendidas 14 QL F Índice porcentual do nível de industrialização da empresa 15 QL F Índice porcentual da faixa de quantidade de empregados diretos 16 QL F Índice porcentual do porte da empresa avaliada
17 QL F Índice porcentual das dificuldades produtivas da empresa 18 QL F Índice porcentual do uso de procedimentos, normas e diretrizes 19 QL F Índice porcentual da posse pela empresa de certificações/selos 20 QL F Índice porcentual de sua pretensão em obter certificações/selos 21 QL F Índice porcentual de seu acesso a consultorias/assessorias 22 QL F Índice porcentual do foco das consultorias/assessorias utilizadas 23 QL F Índice porcentual da faixa da idade média de suas máquinas 24 QL F Índice porcentual do porte (tamanho) de suas máquinas 25 QL F Índice porcentual da existência e tipo de secagem em planta 26 QL F Índice porcentual do curso de Engenharia Industrial Madeireira 27 QL F Índice porcentual da disposição em contratar Engenheiros Madeireiros 28 QL F Índice porcentual do emprego de profissionais graduados 29 QL F Índice porcentual da terceirização de serviços de profissionais 30 QL F Índice porcentual das demandas em relação à mão-de-obra 31 QL A Verificação do sequenciamento das etapas de produção dessa casa QL: qualitativa; QN: quantitativa; QA: questão aberta; QF: questão fechada
Tabela 7: Detalhamento das questões sobre setor contidas no formulário. Questão Dado
Obtido
Tipo de Questão
Enfoque da Questão
32 QL F Índice porcentual do acesso às políticas e incentivos públicos 33 QL F Índice porcentual do acesso a financiamento para expansão produtiva 34 QL F Índice porcentual de convênio de financiamento de casa para o cliente 35 QL F Índice porcentual de convênio de crédito para materiais de construção 36 QL F Índice porcentual da participação em organizações madeireiras 37 QL F Índice porcentual sobre a carência das organizações de classe 38 QL F Índice porcentual da participação em eventos do setor avaliado 39 QL F Índice porcentual das dificuldades presentes no setor avaliado 40 QL A Obtenção de dados extras para completar o direcionamento do estudo QL: qualitativa; QN: quantitativa; A: aberta; F: fechada