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DES INSTANCES CONSTITUEES DE MANIERE REGULIERE

Dans le document Chambre régionale des comptes (Page 8-14)

Em A HORA DOS RUMINANTES e CEM ANOS DE SOLIDÃO a busca pelo espaço-nação, funciona como uma força centrípeta que fixa o imaginário do leitor ao ponto desse elemento se tornar parte de toda a narrativa.

As obras em epígrafe evidenciam tanto por meio de suas personagens quanto por meio da linguagem a ideia de se preservar o espaço, até mesmo, fora da

59 sua comunidade, transformando essa percepção em uma força narrativa, remetendo ao que nos aponta Homi Bhabha (1998) quando trata da “função da força social”.

Essa ideia de permanência, de delimitar o espaço, de demonstrar a inquietação frente à perda do espaço social, político, é bem peculiar às produções literárias a partir de 1960, considerando o contexto à época. Silviano Santiago (2002), assevera que:

Estilisticamente, a literatura brasileira pós-64 pôde, por um lado, retomar

uma lição do passado, ajustando-se – após a obra genial de Guimarães

Rosa e o esforço universalista dos vários concretismos – a princípios

estéticos fundamentados pelo realismo dos anos 30. Pôde, também, por outro lado, aproximar-se da literatura hispano-americana que lhe é contemporânea, abrindo mão do naturalismo na representação, em virtude de problemas graves de censura artística. Neste segundo, caso, adentra-se o texto literário por uma escrita metafórica ou fantástica [...] (SANTIAGO, 2002, p.14)

Assim, podemos perceber que a historicidade nessas obras, se torna mais latente que a historiografia, evidenciando características que determinam esses espaços e tempos, atribuindo à obra um efeito o efeito estético originado por meio de uma tradução por meio da transcriação observável que eleva a obra a um nível artístico bastante representativo, do ponto de vista da estrutura narrativa.

Vale acentuar que, teoricamente, transcriação é uma forma de tradução dos signos postos no texto estético. Assim, tomamos para este estudo, a concepção de transcriação como tradução criativa, evidenciando as informações estéticas, sem distanciar dos aspectos verossimilhantes presentes na obra ficcional.

Ao analisar as representações de espaço, como unidade narrativa (BARTHES, 2008, p. 29), especificamente, na obra de José J. Veiga, na obra “A

HORA DOS RUMINANTES”, um romance de 1966, que de maneira bastante

peculiar traz uma expressividade literária discursiva perceptível através de imagens que são descritas pelo autor e que alimentam o imaginário do leitor, causando-lhe, de certa maneira, uma estranheza diante de um, talvez, absurdo perturbador.

Cachorros estranhos dormindo nas passagens eram respeitados mais do que crianças ou velhos, as pessoas passavam nas pontas dos pés para não acordá-los, muita gente entrava e saía de casa pelas janelas ou dando volta pelos fundos para não passar por cima deles. Muita almôndega macia, fritada em boa gordura, lhes foi servida em prato de louça, como se faz com hóspedes de categoria. [...] Era uma grande vantagem ser cachorro estranho em Manarairema naqueles dias. (VEIGA, 1995, p. 37)

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De certa forma, essa obra, se constitui valendo-se das unidades narrativas a fim de proporcionar ao leitor a condição de poder se deslocar dentro do próprio espaço do texto, sem se preocupar com a veracidade da história ou viver uma natureza estável. Segundo, Barthes (2008, p.49) “é o de descrever o código através do qual o narrador e leitor são significados no decorrer da própria narrativa”.

Nesse viés teremos, então, o espaço como elemento da espacialidade dentro da narrativa, o narrador retirando o indivíduo do seu espaço físico, da sua comunidade originária e filiando-o ao outro espaço social, utilizando-se de linguagens literárias diferentes.

Assim, as personagens passam a ser descritas como sujeitos da história narrativa, ocupando vários espaços sociais, tornando-se seres híbridos que trazem consigo resquícios de toda uma cultura, rastros de outras culturas. Evidenciam-se espaços construídos em consonância às personagens, surgindo outras vozes que passam a viver nesses espaços, vão além de uma simples ambientação.

Esse romance apresenta na sua essência características pluriestilística,

plurilíngue e plurivocal (Bakhtin, 1998, p. 75). Percebemos que essa prática se torna

peculiar às obras de José J. Veiga, assim como a outros autores contemporâneos que, fabulosamente traduz o universo tangível em vários outros imaginários dentro de sua espacialidade, metaforicamente.

Dessa maneira, nota-se que Veiga, da sua maneira, traz à literatura outras formas de perceber o texto narrativo literário, no qual as unidades narrativas se constituem e se recriam a partir de cada fato e acontecimento narrado em espaços distintos. Nessa obra, a questão da espacialidade é evidenciada como o locus, no qual o narrador descreve as personagens que a todo instante se encontram em conflito interno e externo, isto é, para o meio em que foi deslocado, havendo, assim, um desarraigamento social, constituído a favor da narrativa.

A intensidade da inquietação vivida pelas personagens, nos espaços identificados na obra A HORA DOS RUMINANTES, é o elemento que permeia e nutre o romance, fazendo deste uma representação, como modo narrativo (TODOROV, 2008, p. 250), da condição humana à época, bem como à condição humana atual, identificando, hoje, o leitor da hipermodernidade que vive numa

61 constante e árdua busca do seu espaço físico, social e político fomentado pela condição de ter, possuir.

Por outro lado, a espacialidade discursiva em CEM ANOS DE SOLIDÃO pode ser analisada a partir da própria criação de Macondo. Quando de um sonho, surge um povoado, o qual seguiria por sete gerações, desde José Arcadío Buendía e Úrsula Iguarán, primos que se casam e constituem família e conduzem as relações humanas no pequeno povoado.

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