5. NUMERICAL RESULTS
5.2. Time-Dependent Cases
Esta pesquisa ocorreu numa escola da rede estadual de educação de Ponta Grossa, no Paraná. Primeiramente, por ser o lócus de surgimento do problema desta pesquisa e também por ministrar minhas aulas nessa escola.
A pesquisa ocorreu no ano de 2016.Inicialmente, pretendia-se finalizar a pesquisa em outubro; todavia, isso não foi possível devido às ocupações e à greve dos professores. A escola está em atividade há 79 anos, localiza-se numa região próxima ao centro e conta com 1.200 estudantes.
Participaram do estudo 63 estudantes dos 9º anos A e B, do turno matutino. A aplicação da intervenção durou 13 aulas, perfazendo um total de 10,8 horas, sendo que 6 aulas foram realizadas no laboratório de informática.
Iniciei a intervenção com a aplicação da SD no dia 27 de setembro de 2016, a data prevista para a finalização era 25 de outubro; entretanto, com a ocupação2 do colégio,
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No mês de outubro de 2016, professores e servidores públicos de toda a região do estado do Paraná promoveram uma greve, que durou 1 mês, por se encontrarem insatisfeitos com o fato de o então governador da região, Beto Richa, ter decidido não cumprir com o compromisso de pagamento do salário de data-base para a categoria. Com isso, muitas escolas da rede pública de ensino e algumas universidades foram ocupadas por estudantes insatisfeitos com a educação no país, pois, naquela época, o governo federal recentemente havia aprovado alterações na matriz curricular do Ensino Médio e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 (que cria teto para gastos públicos).
houve uma interrupção da aplicação da pesquisa. Com a desocupação e finalização da greve dos professores, retomei as atividades no mês de outubro, finalizando dia 23 de novembro.
3.1.2. Os sujeitos da pesquisa
Como utilizo o referencial teórico baseado em Souza (2014) para a análise de dados, traçei um perfil dos sujeitos desta pesquisa, conforme o tempo I.
O grupo que fez parte do trabalho é composto de 57 estudantes dos 9º anos A e B, de um colégio da rede estadual de Ponta Grossa. Em 2014, esses estudantes participaram do evento do Dia da Consciência Negra de 2014, e faziam parte do contexto em que surgiu o problema desta pesquisa, que foi a indagação se havia conflito de identidade presente na afirmação “não sou negro, sou moreno”.
Chamou-me a atenção alguns pseudônimos para os quais dediquei um tempo de pesquisa e procurei entender essas escolhas, pois nas orientações da produção eu sugeria um pseudônimo que poderia ser de um ídolo deles.
O primeiro pseudônimo que me chamou atenção foi “Sabotage”, que, conforme Amaral (2005), saiu do mundo do crime por meio do rap.
O segundo foi “Os Debora”, que é o nome de uma loja virtual de venda de caminhões. Entendi imediatamente a opção do aluno pelo pseudônimo, pois ele sonhava em ser caminhoneiro, revelando isso num dos textos escritos no início do ano.
Outro nome curioso foi “Báskas” ,que encontrei como sendo uma autora de livros como: Stuck At The Airport. A menina que o usou gostava muito de ler, creio que fosse leitora dessa autora. “NTNsL”, que devia ser as iniciais do próprio nome ou uma invenção do menino que o escolheu, e “Ludmila”, uma cantora de funk brasileira, negra, conhecida anteriormente como Mc Beyoncé. Para outros pseudônimos, como “Hufani”, não encontrei nada que os explicasse.
3.1.3. Ética na pesquisa com adolescentes e jovens
A Comissão de Ética em pesquisa em Seres Humanos (COEP, doravante) é um órgão colegiado interdisciplinar e independente, de caráter consultivo, deliberativo e educativo, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para que a pesquisa seja desenvolvida dentro dos padrões éticos, com os objetivos de: contribuir para a qualidade
das pesquisas e para a discussão do papel da pesquisa no desenvolvimento institucional e social da comunidade; contribuir para a qualidade das pesquisas e também para a valorização do pesquisador que recebe o reconhecimento de que sua proposta é éticamente adequada.
Assim, esta pesquisa foi cadastrada na Plataforma Brasil (Sistemna administrativo pela CONEP/CNS/MS), que foi posteriormente submetida ao CEP- Unigranrio para avaliação, com autorização da instituição onde a pesquisa ocorreu (anexo A); termo de Consentimento Livre Esclarecido (anexo B); esse termo foi assinado pelos responsáveis pelas(os) alunas(os) e por eles também; assentimento informado para menores de 18 anos (anexo C), esse documento é indicado no caso de pesquisas envolvendo adolescentes/jovens. Foi lido com as (os) alunas (os) e foi esclarecido que a qualquer momento elas/eles poderiam desistir da pesquisa se desejassem. Souza e Vóvio (2005) afirmam que se deve dar atenção aos contatos preliminares, “buscando criar um campo de diálogo e uma relação de confiança”. As autoras salientam que a qualidade das relações estabelecidas orienta as condições de geração de dados. O parecer final nº: 1.682.487 foi aprovado no dia 17/08/2016, conforme (anexo D).
As (os) alunas (os) foram informados sobre a identificação nos relatos autobiográficos. Expliquei que os relatos seriam expostos no dia da comemoração da Consciência Negra e que elas/eles poderiam optar por um pseudônimo, sugeri várias personalidades como Beyonce e Barack Obama, para que pudessem se recordar de um ídolo ou de uma personalidade com quem se identificassem.
Conforme Celani (2005, p. 107), “É preciso ter claro que pessoas não são objetos e, portanto, não devem ser tratadas como tal; não devem ser expostas indevidamente. Devem sentir-se seguras quanto a garantias de preservação da dignidade humana”. Souza e Vóvio (2005) completam dizendo que é no momento do convite à participação na pesquisa que se constroem oportunidades de acordos e pactos, bem como a explicitação de necessidades para que a pesquisa se realize. Há, conforme as autoras, nas pesquisas na área da linguagem, a necessidade de observarmos o aspecto ético que as permeiam, como a explicitação dos objetivos e o compartilhamento de responsabilidade, de modo que todos os envolvidos fiquem cientes sobre os possíveis tratamentos e usos dos dados obtidos.
3.2. A pesquisa-intervenção na perspectiva do letramento racial critico, na área de