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Dependency Reduction

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Refletindo sobre a Prática de Ensino Supervisionada e a realização do Projeto Educativo, concluo que aprendi e mudei muito a minha forma de ensinar não só por sugestões do professor Carlos Abreu mas também por observações que eu ia fazendo. De tudo o que aprendi, destaco o seguinte:

A principal mudança aconteceu logo nas primeiras aulas - por sugestão do professor Carlos Abreu, comecei a rever mais repertório em cada aula em vez de me concentrar tanto em excertos tão curtos. Apesar da qualidade do trabalho que se pode realizar quando se concentram os esforços em pequenas passagens de música, se todo ou a maior parte do repertório não for revista na aula, os alunos, especialmente os mais novos e menos autónomos, acabam por “esquecer” o trabalho já feito. Apesar de um pouco frustrante, penso que esta adaptação foi necessária e adequada aos alunos em questão. Para além disto, fiz também várias outras pequenas alterações, fruto da orientação do professor Carlos Abreu.

Outra alteração teve que ver com a minha forma de resolver problemas durante o decorrer das aulas. Várias dificuldades que os alunos têm, por exemplo a aprender uma técnica nova, conseguem ser resolvidas rapidamente com uma simples metáfora. Um exemplo concreto ocorreu numa aula da Sónia (1º grau) onde se estava a praticar executar acordes com 6 notas. Ao fim de alguns minutos de treino, sendo a principal dificuldade conseguir fazer soar as notas todas em simultâneo, o professor Carlos Abreu sugeriu à aluna que imaginasse o movimento de apanhar rapidamente uma bola de ténis. Imediatamente a aluna foi capaz de executar o pretendido, algo que me impressionou e fez tentar procurar soluções semelhantes noutras situações.

Notei também que o professor deve ser bastante flexível na forma como leciona, adaptando-se ao aluno com quem está a trabalhar. Com isto não me refiro apenas à idade do aluno mas também ao empenho que tem e às suas motivações com o instrumento. Por exemplo, com alunos menos motivados, torna-se necessário procurar formas de propor as

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tarefas de forma mais apelativa, especialmente quando se tratam de exercícios técnicos, de modo a que talvez nem o percebam como exercício. Isto tornou-se também óbvio durante a implementação do Projeto Educativo. Enquanto alguns alunos consideraram úteis e agradáveis as estratégias propostas durante as sessões de estudo, outros estranhavam, desgostavam e/ou não percebiam a utilidade. Torna-se claro que o professor deve, portanto, constantemente personalizar o seu método de ensino consoante o aluno com quem está a trabalhar.

Talvez seria importante que os programas incluíssem alguma flexibilidade para se personalizarem aos vários tipos de alunos apesar de, na prática, os professores fazerem isto até certo ponto na escolha do repertório, por exemplo. Sabendo que muitos alunos (provavelmente a maioria) que estudam música nos Conservatórios não têm qualquer intenção de seguir posteriormente os estudos superiores nesta área e sabendo que muitos têm várias outras atividades extracurriculares como algum desporto, por exemplo, parece inadequado que todos sigam o mesmo currículo e sejam avaliados da mesma forma. Considerando agora os aspetos menos positivos de todo este percurso, penso que, apesar dos alunos com que contactei terem níveis e características variadas, em retrospetiva, o plano de PES poderia ter sido melhor. A decisão de assistir e não lecionar as aulas do aluno de 8º grau aconteceu por este se estar a preparar para seguir os estudos em Medicina e, potencialmente, desistir do Conservatório a meio do ano - algo que acabou por não acontecer. Ainda assim, apesar de ter lecionado aulas a dois alunos de 5º grau, estes eram bastante diferentes nas suas personalidades e motivações, algo que se pode ver nas suas descrições.

Penso que o meu desempenho durante a PES foi bom embora não tenha conseguido cumprir todos os objetivos a que me propus. Refiro-me particularmente ao objetivo de motivar e incutir bons hábitos de estudo no Miguel. Apesar de ter tentado várias abordagens mesmo em conjunto com o professor Carlos Abreu, os hábitos de estudo deste aluno mantiveram-se virtualmente inalterados. Ainda assim, há que reconhecer que o professor não é omnipotente. Seria ingénuo pensar que, apesar da importância e influência

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que o professor tem na motivação dos alunos, todos se deixam influenciar da mesma forma e todos irão manter um grande volume de estudo.

Por fim, confirmei também algumas das ideias que já tinha em relação ao papel do professor de instrumento. Tão importante como a transmissão de todos os conhecimentos relativamente à técnica instrumental e à expressividade, o professor tem uma grande tarefa à sua frente - ensinar os alunos a aprenderem sozinhos. Isto passa necessariamente e em grande parte por motivá-los e fazer com que eles exijam cada vez mais qualidade no trabalho que realizam. Tendo em conta que, já na situação de um conservatório, os alunos estudam a maior parte do tempo sozinhos em casa, a autonomia que têm de ter é elevada. O professor tem que lhes dar as ferramentas para que estes possam resolver sozinhos os problemas técnicos e expressivos que lhes surgem durante o estudo, passando muito por fazê-los questionar se os métodos e estratégias de estudo que seguem são ou não os mais eficazes. Por outras palavras, o professor deve aspirar a ser cada vez menos necessário para os seus alunos, não tanto por lhes ensinar tudo o que sabe mas por lhes ensinar como aprender tudo o que sabe.

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