Em 1953, antes do início da organização, ao chegar em Não Me Toque, o Sr. Johannnes Stapelbroek em parceria com Gerrit Jan Rauwers fundou uma pequena ferraria, a Stapelbroek e Rauwers e Cia que tinha como principal atividade a montagem e manutenção de máquinas agrícolas que chegavam da Europa para cultivar solos brasileiros.
Em 1960, após o final da sociedade, fazendo surgir a Stapelbroek & Cia Ltda. Johannes Bernardus Stapelbroek e os filhos Johannes e Harrie começaram a fabricar máquinas agrícolas, lançando no mercado a primeira capinadeira do Brasil com rodas, braços flutuantes e dirigível. (Figura 19)
Figura 19 – Primeira capinadeira do Brasil com rodas, braços flutuantes e dirigível (Stara, 2013)
Como se tratava de um produto diferenciado e inovador para a época, se fazia necessário investir em outras formas de manter a empresa e garantir o sustento das famílias, sendo assim, a empresa também fabricava camas hospitalares, que garantiam um faturamento extra para a confecção das capinadeiras. (Figura 20)
Nos anos 60, a inovação da empresa se tratava do Pulverizador, produto esse que foi desejado pelos produtores locais que a partir das necessidades que possuiam passavam a Johannes que dedicava-se a trabalhar nesses produtos, com o intuito de inovar e oferecer mercadorias que realmente fossem necessárias na rotina da agricultura local. (Figura 20)
Figura 21 – Pulverizador (Stara, 2013)
Ainda nos anos 1960, faziam parte do portfólio de produtos da empresa as grades responsáveis pela abertura da terra com o intuito de descompacta-la para viabilizar um melhor desenvolvimento das raízes. Também tinha como objetivo, para aquele momento da agricultura de enterrar restos de culturas anteriores e possíveis ervas daninhas que ainda podiam estar presentes no solo, antes do próximo plantio. (Figura 22)
Figura 22 – Primeira grade produzida na Stara em 1960 (Stara, 2013)
Por muitos anos, até os anos 1980 as capinadeiras foram a marca registrada da Stara. Mesmo com a incorporação de outros produtos como Asa Laser (subsolador de arrasto), a Pad Prata (plaina agrícola), a carreta agrícola, a Starplan 3000 (nivelador de solo), a empresa continuava buscando no campo, por novas possibilidades para facilitar a agricultura (Figura 22). Passados os períodos de turbulência economimca a empresa passa a investir no desenvolvimento de novas peças e nos anos 1990 através do Joint Venture realizado com Amazone Werke da Alemanha, empresa líder na Europa em pulverizadores e distribuidores, que eram adaptados no Brasil, a empresa passa a receber outras informações e aumentar sua capacidade e conhecimento para a produção de novos produtos para o mercado. Esse momento foi marcado pela necessidade de competir com empresas estrangeiras que estavam se instalando no Brasil, através dos recursos que o governo liberava, aumentando o poder de compra dos agricultores e consequentemente a demanda por produtos que suprisse as necessidades agrárias.
Figura 23 – Mix de produtos produzidos pela Stara nos anos 1980 (Stara, 2013)
A partir dos anos 1990, as inovações na linha de produção da Stara aumentam e são lançados novos produtos: o Tornado 1300 (distribuidor de sementes e fertilizantes); reboque de polietileno e o distribuidor por gravidade (distribuidor de sementes e fertilizantes). (Figura 23)
O desenvolvimento da empresa continua com relação a novos produtos e o final do século XX tornou-se um marco para a organização através da criação do projeto Aquarius que através da abertura da Stara para o mercado externo e as alianças internacionais a organização se impusiona na busca de novos conhecimentos e oportunidades. Um novo termo surgia na agricultura, a “agricultura de precisão” e o projeto visionava posicionar a empresa como pioneira na fabricação de produtos com tecnologia avançada e pesquisada in loco retornando á empresa o crescimento almejado. O projeto contava com parceiros de importancia significativa no mercado do agronegócio como a Dekalb, AGCO e BUNGE, além da fazenda Anna, de propriedade da família. Em 2004,sentindo a necessidade de ampliar os conhecimentos e construir uma sólida base de pesquisa e dados para utilização na construção de novas ferramentas a empresa conta com a entrada da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria que ao juntar-se ao grupo, possibilitou a criação de um instituto científico que passou a comprovar os excelentes resultados do projeto.
Este projeto é pioneiro em implementar no RS áreas comerciais com o ciclo completo de AP - Agricultura de Precisão. Ainda, possui um rico banco de dados contendo resultados de análises de solo e rendimento de culturas.
Em 2007, antes de completar 10 anos, o Projeto Aquarius, além dos avanços em pesquisa e na concreta realização dos projetos, retornando em resultados a empresa agregou valor a Não me Toque recebendo do município, do estado e do país reconhecimento pelo esforço prestado e pelos resultados alcançados. Através do município recebeu na forma da lei 3.343 de 26/02/2007 o título de “Capital da Agricultura de Precisão”. Do estado, através da Lei Estadual 12.744 de 10/07/2007 o título de “Capital da Agricultura de Precisão. Dois anos após, recebe da união, através da Lei Federal 12.081 de 29/10/2009 o título de “Capital Nacional da Agricultura de Precisão”.
Em 2010 ao completar 10 anos o projeto, já considerado como o mais duradouro do mundo em agricultura e com o maior banco de dados para estudo, conta com ampliação no número de parceiros: Cotrijal e Yara Fertilizantes.
A agricultura de precisão mudou os conceitos no agronegócio, por ser uma prática agrícola que utilizase das tecnologias de informações baseadas nos princípios da variabilidade do solo e do clima. A partir desses dados, de determinadas áreas implanta-se os processos de
automação agrícola dosando-se as quantidades de adubos e agrotóxicos. A Agricultura de Precisão (AP) tem por objetivo a redução dos custos de produção, a diminuição da contaminação da natureza pelos agrotóxicos utilizados e logicamente o aumento da produtividade. Os dados mais relevantes estão na produção do Projeto Aquarius x a Produção no estado do RS, de acordo com o Gráfico 1.
Grafico 1 – Produção em %, milhões Projeto Aquarius x RS Fonte: Aquarius, 2014
A evolução da AP para a Stara abre um parentes no desenvolvimento da organização, pois antes mesmo do projeto completar 10 anos, em 2006 a empresa passa por outras mudanças importantes no comando acionário. Finda-se a Joint Venture com a Amazone e a aliança comercial com a Sfil. Assim, a neta do fundador Susana Stapelbroek Trennepohl, seu esposo Gilson Trennepohl, juntamente com os filhos Fernando, Átila e Nicole passam a ter o comando acionário com 99,66% do controle. A unificação das ações,, tornou a empresa mais ágil e fez com que se formasse um Grupo Gestor para a tomada de decisões da Stara.
Em 2006 a Stara retoma seus planos de ascenção na busca de evolução com o intuito de possuir em seu mix de produtos a mais completa linha de máquinas agrícolas do Brasil. E a cada ano, um novo produto é lançado. (Quadro 2)
50 49 56 38 26 58 54 56 60 70 60 40 28 45 23 12 33 43 35 43 44 24 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Projeto Aquarius RS
Quadro 2 – Produtos lançados pela Stara de 2006-2014.
ANO PRODUTO
2006 Plataforma Brava; PAD 450
2007 Fênix 3000, Speed Drive com RTK, Reboque 6000 TSI
2008 Agricultura de Precisão, Fênix 2000, Victória Top – Primeira Plantadora Stara 2009 Primeiro Escarificador do Brasil, Brav Elektra (a primeira plataforma com
regulagem instantânea da chapa despigadora); Victória Control (a primeira plantadora com regulagem instantânea de adubo e semente.
2010 Pulverizadores autopropelidos, primeiro distribuidor autopropelido do Brasil, reboque Ninja, Gladiador 2300 e TOPPER 4500 (primeiro controlador para agricultura de precisão 100% brasileiro)
2011 Brava R com monitor de colheita e rolo recolhedor 2013 STAMAX – O Primeiro trator da Stara
2014 Ceres Super – semeadora para culturas de inverno. Fonte: Stara, 2013
Dentro do planejamento estratégico da Stara, firmado em 2006, estava o principal objetivo da empresa em tornar-se uma organização completa com uma linha de produtos e serviços que suprissem as necessidades do agricultor. O delineamento do plano de ação da empresa está traçado até 2017, quando a Stara prentende "Ser uma marca forte, com presença internacional e líder na América Latina nos segmentos em que atuar, sendo reconhecida pela excelência de seus produtos e serviços." (Missão da Stara, Stara, 2010).
De acordo com o diretor da empresa, o investimento na unidade fabril de tratores chegou ao montante de R$ 250 milhões na construção de umaplanta de 60 mil metros quadrados na ciade de Não me Toque na ampliação da unidade já estabelecida em Santa Rosa. Já foram fabricadas mais de 200 unidades de tratores e em 2014 a previsão é de produzir 2000 tratores e até 2017 alcançar a marca de 8 mil tratores ano, através da conclusão da unidde fabril em Não me Toque; com uma previsão de faturamente de cerca de 2,3 milhões ao final de 2014.