5.3 Etude thermodynamique
5.3.3 Densité d’énergie libre et chaleur spéci…que
A análise de conteúdo das entrevistas conduziu-nos à temática da sustentabilidade, sendo uma abordagem previsível pelo facto do turismo de natureza ser desenvolvido em ambientes caracterizadamente naturais.
Os entrevistados referiram vários aspetos relacionados com a sustentabilidade inseridos nas categorias que apresentamos na Figura 16.
Figura 16 – Output Maxqda com as categorias da dimensão a sustentabilidade e respetivas frequências absolutas
Neste âmbito, destacou-se a responsabilidade atribuída às empresas de turismo de natureza no desenvolvimento atividades sustentáveis; a preocupação com o impacto do turismo nas áreas protegidas; a educação cívica para a sustentabilidade; a fraca consciencialização do público em geral; e o papel da atuação dos poderes locais.
Os entrevistados mencionaram aspetos relacionados com a educação cívica para a sustentabilidade, nomeadamente a sensibilização dos mais jovens, da população em geral e das próprias empresas de turismo (Quadro 50).
Quadro 50 – Ocorrências das subcategorias da categoria educação cívica para a sustentabilidade
Subcategorias da categoria: Educação cívica para a sustentabilidade Total
Formação nas escolas sobre sustentabilidade 2 Educação das crianças e jovens para a preservação da natureza 2 Educação às empesas para a sustentabilidade 2 Sensibilização da população para o ambiente 2
Na formação nas escolas foram referidos, como exemplos, os casos em que entidades (como o ICNF) e empresas promovem sessões de formação e atividades de educação ambiental nas escolas. Destacou-se a importância da educação das crianças e jovens para a preservação da natureza.
91 A importância da sensibilização das empresas para a sustentabilidade foi outro aspeto salientado. Esta sensibilização foi considerada uma função das entidades públicas. Apontou-se o exemplo do ICNF com a disponibilização de um código de conduta para as empresas. Neste sentido, um representante de uma empresa pública afirmou que: “o nosso core business é passar uma mensagem, é sermos os catalisadores (…) nós queremos estabelecer parcerias com os operadores, naturalmente, mas os operadores têm que comungar desta perspetiva (de sustentabilidade) ” (PU_1: 15).
Foi referida a importância da sensibilização da população em geral para a sustentabilidade, defendendo-se que “tudo isto vai ter que ser associado a uma sensibilização e a uma passagem de conhecimento para todos os utilizadores” (PU_7: 20). Outro aspeto evidenciado nas entrevistas foi a capacidade de visitação, sendo realçado o impacto tanto na natureza, nos habitats dos animais e nas populações locais. No Quadro 51, expomos as subcategorias da capacidade de visitação.
Quadro 51 – Ocorrências das subcategorias da categoria capacidade de visitação
Subcategorias da categoria: Capacidade de visitação Total
Impacto da visitação na conservação da natureza 2 Impacto da visitação nos habitats dos animais 3 Impacto conjunto das várias atividades de TN ou de outras áreas 1
Sobrecarga resulta na poluição 2
Impacto da visitação nas populações locais 1
Dois entrevistados referiram o impacto da visitação na conservação da natureza apontando a necessidade de adequar e limitar o índice de visitação aos valores de conservação da natureza (PU_4: 36).
Três entrevistados abordaram o impacto da visitação nos habitats dos animais e defenderam que o excesso de visitação prejudica os habitats, sendo necessário avaliar esse impacto e adequar a visitação, especificando a observação de aves e de golfinhos.
Um entrevistado referiu-se ao impacto conjunto de várias atividades incluindo o turismo de natureza e afirmou que “existe uma componente de todas as atividades que acaba por interferir também nas capacidades de carga” (PU_4: 20).
Foi mencionada, ainda, a poluição resultante da sobrecarga de turistas, apresentando o caso do tráfego marítimo (PR_6: 127).
Um entrevistado salientou o impacto da visitação nas populações locais ao afirmar: “Uma das capacidades de carga que eu considero importantes é a capacidade de carga social, ou seja, o que é que as populações acabam por sentir, (…) ao princípio é ótimo
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porque as pessoas vêm, e os negócios e comércio crescem… mas depois começa a haver o descontentamento” (PU_4: 20).
Os aspetos relativos à atuação por parte dos poderes locais, tendo em vista a promoção e garantia da sustentabilidade, são apresentados no Quadro 52.
Quadro 52 – Ocorrências das subcategorias da categoria atuação por parte dos poderes locais para a sustentabilidade
Subcategorias da categoria: Atuação por parte dos poderes locais para a sustentabilidade Total
Papel doa políticos e autoridades locais na preservação da natureza 2 Melhoria no trabalho de preservação nos últimos anos 1
Atuação condicionada por diferentes interesses 2
O papel e o dever dos políticos e das autoridades locais na preservação da natureza foram referidos por dois entrevistados. Salientaram, ainda, que essa atuação é condicionada por diferentes interesses e, por conseguinte, existe a necessidade dos poderes locais não cederem a pressões e interesses políticos “que muitas vezes se sobrepõem aos da salvaguarda da natureza” (PU_2: 62). Defendeu-se que, nos últimos anos, se registou uma melhoria significativa no trabalho de preservação ambiental (PU_4: 40).
Uma preocupação ambiental deficitária do público em geral foi outra das categorias a que a análise de conteúdo das entrevistas nos conduziu. No Quadro 53, expomos as respetivas subcategorias.
Quadro 53 – Ocorrências das subcategorias da categoria preocupação ambiental deficitária do público em geral
Subcategorias da categoria: Preocupação ambiental deficitária do público em geral Total
Práticas poluentes e perturbadores de habitats 1
Desrespeito ambiental como uma questão cultural 2
Desrespeito pelas regras nas APs 2
A existência de práticas poluentes e perturbadoras de habitats, concretamente a existência de lixo, entulho e pisoteio fora dos trilhos nas áreas protegidas, foram aspetos referidos pelos participantes. Salientaram, ainda, o desrespeito dos visitantes pelas regras nas áreas protegidas, sendo referido o caso de pessoas que roubam, vandalizam a sinalização e perturbam as atividades [“podemos estar a fazer uma caminhada, mas pode passar uma mota, pode passar um jipe, pode passar uma matilha de cães (…) são fatores que fragilizam o produto” (PU_1: 9)]. Dois entrevistados consideraram o desrespeito ambiental como uma questão cultural, consequência de uma falta de educação ambiental do público em geral (PR_3: 46).
93 No que concerne à sustentabilidade das entidades, o Quadro 54 resume as opiniões dos entrevistados.
Quadro 54 – Ocorrências das subcategorias da categoria sustentabilidade na atuação das entidades
Subcategorias da categoria: Sustentabilidade na atuação das entidades Total
Atividade das empresas com preocupações de sustentabilidade 7 Carência de preocupações ambientais das empresas 4 Importância da conservação da natureza para o Turismo 6 Trabalho em cooperação no território para a sustentabilidade 4
Empresas como vigias dos espaços 2
Preocupação social e ambiental na escolha dos fornecedores 2 Sustentabilidade a várias dimensões: social, económica e ecológica 1 Prática de um turismo com responsabilidade social 1
Comunicação das preocupações ambientais 1
Nesta categoria, sete entrevistados consideraram que as empresas operaram com preocupações pela preservação do bem (a natureza), argumentando que “não querem, nem de perto nem de longe, matar a galinha dos ovos de ouro que é o local onde trabalham; é a mesma coisa que estar a pôr uma bomba no nosso escritório (…); portanto, são pessoas que têm essa sensibilidade” (PU_3: 6). Dois entrevistados referiram, inclusive, que a filosofia das suas empresas assenta fortemente na sustentabilidade. O representante de um alojamento advogou que “estes valores fazem parte do nosso ADN; temos objetivos também anuais no que à sustentabilidade diz respeito, temos uma série de práticas ambientais (…) desde a política de compras ao nosso funcionamento da casa, às atividades que nós fazemos relacionadas ao ambiente e à sustentabilidade” (PR_7: 68).
Foram, ainda, apresentados outros exemplos práticos de atuação sustentável, que consideramos fundamental enumerar: desenvolvimento de parcerias para a conservação da natureza; atribuição de certificações ambientais; atribuição de prémios internacionais para práticas sustentáveis; produção de eletricidade e cultivo da terra; utilização de canecas em alternativa ao uso de copos de plástico; utilização de material reciclado na mobília e decoração de alojamentos.
Seis entrevistados evidenciaram a importância da conservação da natureza para a atividade turismo e para turismo de natureza em particular, referindo que “se não for acautelado (a preservação do património natural) poderá pôr em causa esse extraordinário sucesso que essa área de atividade (…) poderá vir a ter no futuro” (PR_5: 48).
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Em contrapartida, quatro entrevistados consideraram que existe uma carência de preocupações ambientais por parte das empresas que estão muito centradas no negócio e que seria importante um código de conduta. Criticaram as entidades que, na prática, não seguem essas preocupações ambientais, nomeadamente quando se afirma que “eu ainda vejo muito o greenwashing (…) há muitos turismo de natureza que não são coerentes (…) no que toca à sua sustentabilidade” (PR_3: 58). Criticou-se, ainda, o facto da maioria das empresas não incluir as preocupações de sustentabilidade na sua missão; a existência de empresas de animação turística que não retiram as fitas no final das atividades; e a falta de interesse das entidades na obtenção de certificações ambientais.
O trabalho em cooperação e em parceria para a sustentabilidade foi destacado por quatro entrevistados, defendendo a importância da atuação de todos para que território seja coeso e ambientalmente protegido, de modo a ser competitivo ao nível do turismo de natureza. Um entrevistado referiu a necessidade de existir uma rede de empresas locais associadas a um projeto comum de conservação do território, afirmando que “é o tal green business scheme; é negócio com certeza, mas todos com uma preocupação comum; temos que fazer valer o nosso território, temos que investir no nosso território para depois tirar mais-valias” (PU_1: 23).
Outros aspetos mencionados pelos participantes foram: o esforço das entidades públicas na criação de um portal de turismo responsável com as várias entidades locais e a necessidade de uma relação mais próxima entre a sociedade, escolas, ONG´s, cooperativas e municípios com vista à sustentabilidade.
Foi evidenciado o importante papel das empresas de animação turística na proteção ambiental, que “acabam, em muitos casos, por serem vigilantes da natureza e são os primeiros a dar conta de determinadas situações menos felizes que às vezes ocorrem, problemas, coisas que são estragadas; e, realmente, eles têm essa consciência muito apurada e têm conhecimentos técnicos bastante bons” (PU_3: 6).
Dois entrevistados referiram a preocupação social e ambiental das empresas na escolha dos fornecedores, com preferência por fornecedores com certificações ambientais, produtores locais e entidades sociais e instituições de apoio.
Um entrevistado advogou que “a sustentabilidade vê-se em todas as dimensões: na parte social, na parte ambiental e na parte …, económica, mental e ecológica” (PR_3: 42).
A importância da responsabilidade social no turismo foi entendida como um “compromisso ético também com os viajantes e com os locais” (Pu_5:14). A comunicação
95 de preocupações ambientais e sociais por parte das empresas acarretam vantagens a nível de imagem e de procura.
Em suma, apresentamos na Figura 17 os factores críticos relativos à sustentabilidade.
Figura 17 – Fatores críticos da dimensão sustentabilidade Construção nossa
Nesta dimensão, destacaram-se as referências a uma atuação sustentável das empresas e a importância da conservação da natureza para o turismo, em particular, para o turismo de natureza. Foram, ainda, mencionados a necessidade de um trabalho em cooperação para a sustentabilidade do território; a carência de preocupações ambientais por parte das empresas; e o impacto da visitação nos habitats.
A sustentabilidade surgiu intimamente associada à atividade turismo de natureza, considerada como uma responsabilidade das próprias empresas, mas também dos poderes locais e do público em geral. Os entrevistados apontaram que é crucial que a oferta de turismo de natureza contrabalance a sua atividade económica com uma atuação sustentável, constituindo-se (a sustentabilidade) como um fator positivo de atuação das entidades e da competitividade da região enquanto destino turístico.