2.6 Opening a tagged text
3.1.2 The DELAS Format
Relativamente à oferta do enoturismo, considera-se todo o conjunto de atividades “associadas à visita a empresas vitivinícolas, visita a museus e outros estabelecimentos ligados ao sector, participação em eventos ou centros de interesses vitivinícola, tendo como objetivo principal e mais frequente o conhecimento e a prova dos vinhos das regiões visitadas” (Simões, 2008, p. 270). As visitas a estes locais, têm como principal motivo a experiência com o mundo vinícola, seja com uma degustação ou com a visita à região onde é produzido o vinho. Simões (2008, p. 270) afirma que é o “contacto direto do turista com as atividades vitivinícolas, com os produtos resultantes dessas atividades e com todo o património paisagístico e arquitetónico relacionados com a cultura da vinha e a produção de vinho”. Para Macionis e Cambourne, forthcoming (s.d., citado em Hall et al. 2000) a oferta do enoturismo:
Inclui todos os recursos utilizados pelos turistas para fins de enoturismo e as empresas e instituições que transformam esses recursos em um produto enoturístico. Recursos da indústria do vinho incluem vinícolas e comodidades vinícolas, vinhas, festivais e shows; os da indústria turística incluem passeios de vinho, alojamento e setores associados, como o restaurante, hospitalidade e indústrias de catering (p. 9, nossa tradução)32.
De acordo com Leiper (1989, citado em Hall et al. 2000), a ligação da indústria vinícola no turismo é um exemplo claro que este refere como:
a diferença entre estar no negócio e estar na indústria do turismo. O negócio de uma organização é definido pelos grupos de clientes ou funções com as quais lida, enquanto um setor é uma coleção de organizações na mesma linha ou linhas de negócios relacionadas e que usam tecnologias comuns (p. 9, nossa tradução)33.
A indústria do turismo, compreende um conjunto de serviços como o alojamento, a restauração, os festivais e provas de vinho, as visitas guiadas e as atividades associadas ao mundo vitivinícola (Hall et al. 2000) (figura 8). Os recursos humanos dizem respeito aos produtores de vinho e outros trabalhadores vitivinícolas e enólogos, bem como operadores turísticos (Hall et al. 2000, p. 9). O ambiente envolvente compreende todas as infraestruturas, o próprio ambiente físico, a paisagem, a gastronomia regional e os componentes sociais e culturais da região vinícola. A nível institucional, fazem parte os vários níveis de governo, mas também a legislação, a regulamentação
32 “Includes all the resources utilized by tourists for the purpose of wine tourism and the businesses and institutions which transform those resources onto a wine tourism product. Resources from the wine industry includes wineries, and winery amenities, vineyards, festivals and shows; those from tourist industry include wine tours, accommodation and associated sectors such as the restaurant, hospitality and catering industries” (Macionis e Cambourne, forthcoming (s.d., citado em Hall et al. 2000, p. 9).
33“the difference between being in the business and being in the industry of tourism. The business of an organization is defined by the customer groups or functions with which it deals, whereas an industry is a collection of organizations in the same or related line or lines of business and that use common technologies” (Leiper, 1989, citado em Hall et al., 2000, p. 9).
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e ordenamento do território que tutelam a atividade enoturística (Hall et al. 2000). Segundo Hall et al. (2000):
Em muitas partes do mundo, o papel do governo no turismo do vinho é substancial em termos de criação de controles de apelação, estabelecimento de regulamentos de saúde e segurança, regulamentos de planejamento que afetam o que pode ser construído e / ou cultivado em certos locais e assistência que o governo pode fornecer para apoiar as infra-estruturas e redes de enoturismo (p. 9, nossa tradução)34.
Como foi referido no subcapítulo anterior, o enoturista que procura este tipo de turismo, pretende participar em atividades de recreio e lazer (Tribe, 2004), que se realizam em infraestruturas da indústria vinícola, tendo como principal motivação a visita às regiões vitivinícolas, com o intuito de conhecer a cultura e as caraterísticas desse território (não só pelo vinho, mas pela gastronomia por exemplo) bem como os aspetos relacionados com o setor do vinho. Desta forma, é fundamental compreender o que enoturista deseja, além da visita às adegas e caves, vivenciar experiências fora do espaço fechado das adegas, caves e salas de prova. Assim, além da importância da experiência com o vinho, é a complexidade e exclusividade da experiência sentida pelo visitante (Hall et al. 2000; Roberts & Sparks, 2006).
Hoje em dia, os turistas demonstram uma tendência à experiência-intensidade e à expectativa de vida, pois exigem experiências impulsivas e rápidas, mas ao mesmo tempo autênticas (Pine & Gilmore, 1999; Taylor, 2001; Anderson, 2007, citado em Orsolini & Boksberger, s.d.). Deste modo, é evidente que indústria do turismo se depara com novos desafios: os consumidores procuram ofertas e experiências multi-opcionais que são entregues numa atmosfera excitante, mas também confortável e autêntica (Reiter, 2004, citado em Orsolini & Boksberger, s.d).
34“In many parts of the world the role of government on wine tourism is substantial in terms of the creation of appellation controls, the establishment of health and safety regulations, planning regulations which affect what can be built and/or grown in certain locations, and the assistance which government may provide to support wine tourism infrastructure and networks” (Hall et al., 2000, p. 9).
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Assim, os proprietários e gestores das adegas procuram oferecer atividades recreativas que levem o enoturista a experimentar sensações diferentes e que tenham além da componente educativa uma parte de entretenimento, apostando na criação de instalações próprias onde as pessoas possam realizar as degustações vinícolas e estar em contato com o pessoal da adega, incluindo o enólogo (Roberts & Sparks, 2006). As empresas ao receberem os turistas, permite ao “visitante uma ampla oportunidade de ter uma experiência em primeira mão de vários aspetos do processo de produção. Por exemplo, eles podem interagir com funcionários que, no caso de muitas adegas mais pequenas, estarão intimamente envolvidos em todas as operações da adega” (Mitchell & Hall, 2004, p. 41, citado em Mitchell, 2006, nossa tradução)35.
Do lado da oferta, verifica-se atualmente o emprego de estratégias de marketing na indústria do vinho como produto turístico com o desenvolvimento de: circuitos e percursos nas regiões vinícolas (desenvolvimento de rotas de vinho, consideradas como um produto turístico composto por itinerários sinalizados, envolvendo quintas vinícolas e outros estabelecimentos do setor (Simões, 2008)), realização de eventos relacionados com o vinho, promoção de atividades recreativas e sociais, de forma a expandir as opções de escolha dos turistas, implementação de espaços de venda de produtos vinícolas e regionais, manutenção da paisagem e preservação do território (Getz, 2000).
Também a associação de uma quinta a uma denominação de origem36 de uma região, possibilita à própria quinta a promoção dos seus atributos e a associação a uma identidade regional de onde o vinho é produzido. De acordo com Medina & Tresseras (2008):
As Denominações de Origem fornecem reconhecimento oficial de garantia e controle de qualidade sobre o produto. Não é estranho, então, que as áreas com D. O. tenham um interesse especial e exerçam uma atração maior para o turismo interessado em gastronomia em geral e enologia em particular (pp. 495-496, nossa tradução)37.
É benéfico também para estas regiões a valorização da sua marca, aproveitando as caraterísticas do vinho, como as caraterísticas gastronómicas da região, oferecendo aos turistas experiências únicas, incrementando assim um impacto económico positivo do turismo na região (Getz, 2000).
35“visitor has ample opportunity to have first-hand experience of several aspects of the production process. For example they can interact with staff who, in the case of many smaller wineries, will be intimately involved in all operations of the winery and/or vineyard” (Mitchell & Hall, 2004, p. 41, citado em Mitchell, 2006).
36 O conceito Denominação de Origem é atribuído a vinhos que, pelas suas características, estão intimamente associados
a uma determinada região: têm origem e produção nessa região e possuem qualidade ou características inerentes ao meio geográfico (fatores naturais e humanos). Estes vinhos são submetidos a um elevado controlo em todas as etapas de elaboração. As entidades certificadoras examinam os processos de elaboração e produção do vinho, de modo a preservar a qualidade e as suas características únicas.
37 “las Denominaciones de Origen aportan un reconocimiento oficial de garantía y de control de calidad sobre el producto. No es extraño pues que aquellas zonas con D. O. tengan un especial interés y ejerzan una mayor atracción para el turismo interesado por la gastronomía en general y por la enología en particular” (Medina & Tresseras, 2008, pp. 495-496)
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Contudo, o vinho, única e exclusivamente, pode não ser suficientemente atrativo para os turistas se dirigirem a uma região vinícola, caso não haja atividades adicionais (Alonso & O´Neill, 2009). Desta forma, deve haver esforços entre o sector privado e as administrações públicas (municípios, concelhos distritais, concelhos municipais, administrações regionais e governamentais) que devem garantir o crescimento deste tipo de actividades turísticas na chave do desenvolvimento sustentável (Medina & Tresseras, 2008).
Atividades como as provas de vinho, a degustação vinícola e gastronómica, as visitas às vinhas e adegas, as feiras e festivais relacionados com o vinho, as atividades sociais e recreativas, a compra de produtos regionais, a visita a um centro especializados, o património arquitetónico e outras atividades relacionadas com o estilo de vida e a cultura de uma região (Roberts & Sparks, 2006).