5.1.1 Geoprocessamento... 133 5.1.2
... Foto interpretação de imagens aéreas ... 135 5.1.3 Caracterização dos aspectos físico-espaciais da paisagem ... 137 5.2 IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA PRODUÇÃO ASSOCIADA À PAISAGEM LOCAL E OS ATORES QUE INTERFEREM NA ATIVIDADE TURÍSTICA NO ESPAÇO RURAL ... 177
5.2.1 Caracterização das unidades homogêneas de paisagem - UHP ... 178
5.2.1.1 Unidade homogênea de paisagem UHP - Bacia
5.2.1.2 Unidade homogênea de paisagem UHP - Dona Francisca
... 183
5.2.1.3 Subunidades homogêneas SUHs - Estrada do Pico e rio da Prata ... 187
5.2.2 Unidade Homogênea de Paisagem UHP - Bacia
Hidrográfica rio Piraí ... 193
5.2.2.1 Unidade homogênea de paisagem UHP – rio Piraí Oeste
... 197
5.2.2.2 Subunidades homogêneas SUHs - Estrada Morro, Estrada Salto I e Estrada da Serrinha ... 203
5.2.3 Identificação e caracterização da produção associada e do potencial turístico ... 212 5.2.4 Aplicação do questionário estruturado ... 240 5.2.5 Aplicação de roteiro de entrevista não estruturada ... 241 5.3 PROPOSTA DE ESTRUTURAÇÃO DOS DADOS ... 249 5.3.1 Criação do banco de dados em SIG ... 250 5.3.2 Estruturação e integração dos dados ... 254 5.3.3 Caracterização das unidades familiares nas Bacias hidrográfica rio Cubatão do Norte e Piraí ... 259 5.3.4 Proposta de Portfólio da Produção Associada ao Turismo ... 264 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 283 REFERÊNCIAS ... 289 APÊNDICE I – QUESTIONÁRIO ESTRUTURADO ... 309 APÊNDICE II – ROTEIRO DE ENTREVISTA NÃO
1 INTRODUÇÃO
A evolução da sociedade esteve relacionada à própria evolução do território, em função das vocações produtivas locais, fruto, em muitos casos, de um processo de ocupação e planejamento desses territórios.
Neste prisma, surgem conjunturas, ideias e desenvolvimento de novos mecanismos, a fim de propiciar um maior controle e auxílio à sociedade. Nesta pesquisa, o planejamento surge como um paradigma para o desenvolvimento de um destino turístico, podendo auxiliar os gestores na tomada de decisão na gestão do território.
O território pode ser compreendido como um espaço socialmente organizado, onde ocorrem relações de trocas, podendo as mesmas serem de caráter social, econômicas e institucionais. O planejamento deve estar pautado no ordenamento do território, à medida que reconhece a complexidade do processo e das interações entre os atores locais e auxilia na gestão e estruturação de novos projetos.
Sendo o turismo visto como um fenômeno complexo que se inter-relaciona com os diversos elementos que o compõem e envolve diferentes aspectos, evidencia-se a necessidade de compreender as suas tipologias e principais componentes, bem como sua inter-relação dentro de um território.
Atualmente existem experiências de turismo no espaço rural no mundo inteiro, que têm contribuído com o desenvolvimento econômico e social, porém, com base na literatura existente e, a partir de visitas em campo, são poucas as ferramentas de mensuração dos efeitos gerados no território em função destas experiências. Ressalta-se ainda que muitos desses países possuem características físicas e geográficas, inferiores ao território brasileiro e ao seu potencial paisagístico, dificultando a identificação de parâmetros similares, de um mesmo cenário em outros países. Contudo, com base nas visitas em campo, constatou-se que muitos países têm sofrido o reflexo decorrente da crise econômica europeia e do envelhecimento da população, emigração da população jovem e baixos incentivos tecnológicos. Em relação ao turismo, a maioria dos países vislumbra, nesta atividade, um elemento vital na tentativa de se equilibrar economicamente. Nos últimos anos observou- se um aumento no número de visitantes nos principiais destinos turísticos, como Ásia, África, Europa e América. Em relação ao espaço rural, alguns países na Europa, como Portugal, Espanha, Itália e França têm buscado políticas e programas visando à diversificação das regiões turísticas.
O espaço rural se destaca pela beleza paisagística e diversidade de potenciais existentes, expressos pela produção do artesanato, agropecuária e pelo próprio patrimônio natural e cultural. O turismo pode auxiliar na geração de renda complementar e na dinamização e valorização do produto local, melhorando a qualidade do mesmo e incentivando a permanência das famílias de agricultores no campo.
Visando qualificar a presente pesquisa, buscaram-se algumas experiências fora do país, para identificar e comparar em campo as experiências de turismo no espaço rural da França, Itália, Espanha e Portugal, bem como a gestão e comercialização de produtos e serviços. Essas experiências ocorreram por meio de missões técnicas e estágio de doutorado na Universidade de Lisboa, no Centro de Estudos Geográficos (CEG), no setor de estudos turísticos Turismo, Cultura e Espaço (TERRiTUR). Em 2011, foi realizada uma missão técnica na França, com o propósito de trocas de experiências entre agricultores do Brasil e da França, que trabalham com a produção associada à atividade turística. Nesta ocasião foi possível conhecer uma das iniciativas de maior reconhecimento mundial - a rede Accueil Paysan - que se destaca pelo segmento de agroturismo no espaço rural, por meio da valorização da produção agrícola e da paisagem local. Durante o estágio de doutorado, realizado em 2013, em Portugal, foi possível conhecer as experiências no espaço rural, mais precisamente as iniciativas de turismo comunitário e produção associada ao turismo, além da valorização do patrimônio cultural.
Na França, por exemplo, as iniciativas existentes no espaço rural são fruto de um longo processo de cooperação, solidariedade e ajuda mútua entre as famílias. Esse fato fica evidente a partir da cooperação que estas famílias exercem no espaço rural, com a criação de organizações chamadas de Gîte de France, responsáveis por gerir as iniciativas de turismo no espaço rural, com o auxílio da iniciativa pública e das demais instituições de gestão territorial. Na comunidade Europeia, muitas políticas foram norteadas pelo enfoque territorial, como é o caso da Ligação entre Ações de Desenvolvimento da Economia Rural (LEADER), e buscam estimular a participação e o empoderamento comunitário.
No Brasil, alguns Estados se destacam pelas iniciativas de turismo no espaço rural. Um dos mais expressivos é o Rio Grande do Sul, que já possui alguns destinos bem desenvolvidos, como o agroturismo em Gramado, o Caminho de Pedra em Bento Gonçalves, os Caminhos da Colônia em Caxias do Sul, que se destacam pela produção artesanal de vinhos, queijos e artesanato de diferentes materiais, além
dos hábitos, e os Caminhos Rurais em Porto Alegre, onde são desenvolvidas atividades de turismo no espaço rural, por meio da produção associada ao turismo com feiras orgânicas e turismo pedagógico, entre outros. A culinária, as construções e os costumes ainda preservados e cultuados pela população local são um destaque em diferentes cidades e roteiros turísticos.
Em Santa Catarina, há a associação de agricultores integrada à rede Accueil Paysan, chamada Associação de Agorturismo Acolhida na Colônia (AAAC). Esta associação tem sido um exemplo de cooperação e integração no espaço rural.
Contudo, outras iniciativas têm surgido em Santa Catarina de forma ainda incipiente, como é o caso da região de Joinville, que se destaca pela beleza cênica presente na paisagem de quem passa pela Serra Dona Francisca e das construções enxaimel, ainda preservadas no espaço rural. O recorte de análise da área será representado pelas regiões turísticas do Quiriri, Piraí, Dona Francisca e Rio da Prata, definidas pelas Bacias Hidrográficas do Rio Cubatão do Norte e Rio Piraí.
Evidencia-se que o turismo pode ser visto como uma atividade multidisciplinar, que requer uma gama de informações e envolve diferentes áreas do conhecimento como: a arquitetura e o urbanismo, a geografia, a cartografia, a economia, a administração, entre outras. Para o planejamento adequado desta atividade são necessários investimentos em informações de qualidade, como, por exemplo, a existência de infraestrutura adequada, localização, sinalização, potencialidade do patrimônio natural e cultural e o envolvimento dos atores locais. Nesse sentido, as informações devem ser analisadas e estruturadas, levando em consideração os elementos objetivos e subjetivos existentes na paisagem, que subsidiarão o apoio à decisão e a gestão integrada do turismo.
Nesta visão, a presente pesquisa trata de uma proposta de análise do potencial turístico, baseado na estruturação de dados sobre a produção associada ao turismo, visando o planejamento integrado do espaço rural de Joinville - SC. As informações tratam do potencial paisagístico para a atividade turística no espaço rural, levando em consideração métodos que auxiliam no processo de apoio à gestão territorial. Vale ressaltar, com base nas experiências europeias, que o fator primordial para o desenvolvimento do turismo é a qualidade das informações, subsidiadas por investimentos públicos e privados.
A pesquisa se apoia em métodos qualitativos e quantitativos, por meio de estudos de campo, observações e levantamentos de dados qualitativos e quantitativos (entrevista semiestruturada e questionário
estruturado), o uso do sensoriamento remoto e fotointerpretação de imagens aéreas, geoprocessamento e sistemas de informações geográficas (SIG), promovendo a interação entre os campos teóricos e práticos.
A junção de todos estes elementos resulta na estruturação dos dados e na geração de informações capazes de apoiar a decisão para o planejamento integrado e gestão da atividade turística, por meio de cenários de cooperação que visam o fortalecimento do turismo no espaço rural de Joinville.
1.1 JUSTIFICATIVA, INEDITISMO E RELEVÂNCIA DO ESTUDO