institucional. Atualmente são três assessorias: O Instituto Terramar de Assessoria à Pesca, a Associação Caiçara de Promoção Humana e a Associação de Desenvolvimento Local Co-Produzido – Adelco.
O Instituto Terramar é uma Organização Não-Governamental sem fins lucrativos, localizada em Fortaleza, criada em 1993. Tem como objetivo social contribuir para a justiça ambiental na Zona Costeira do Ceará. Tem como principais ações a afirmação dos territórios, a cultura e os modos de vida; a educação
ambiental contextualizada; o fortalecimento institucional das organizações comunitárias e a mobilização comunitária para garantia dos direitos coletivos dos povos da zona costeira.18 O Terramar já fazia assessoria às doze comunidades que iniciaram a Rede. Assessora, atualmente, dentro da Rede, as comunidades do litoral Oeste.
A Associação Caiçara é uma entidade do município de Icapuí que atua, principalmente, em projetos de turismo comunitário. Fundada no ano 2000, teve como um de seus primeiros projetos a construção de uma pousada na comunidade de Tremembé, Icapuí, em parceria com a instituição Italiana Tremembé. Parte dos lucros da pousada é revertido para a Caiçara, a fim de que ela possa investir em outros projetos. Atualmente, as iniciativas não se restringem ao município de Icapuí, mas ocorrem também em outros municípios como Aracati e Fortaleza. Ressalta-se que a comunidade de Tremembé não conseguiu formar um Grupo de Turismo Local e que somente a pousada Tremembé é que integra a Tucum. A Caiçara faz a assessoria, dentro da Rede, das comunidades do litoral Leste.
A ADELCO é uma entidade sem fins lucrativos, localizada em Fortaleza. Fundada em 2001, atua nas áreas de economia popular e solidária; participação e organização política; segurança alimentar e nutricional; desenvolvimento institucional; meio ambiente, agroecologia e habitabilidade.19 Trabalha, principalmente, com as etnias indígenas do Ceará e assessora na Rede as aldeias indígenas integrantes da Tucum: Tapebas e Jenipapo-Kanindé.
O trabalho de ONGs junto à comunidades no desenvolvimento de um turismo alternativo, revela um outro ator social na configuração da rede de turismo comunitário: o terceiro setor. A atuação deste setor como ator social do turismo vem crescendo nos últimos anos, acompanhando o processo de discussões acerca dos impactos causados pelo turismo convencional, bem como a necessidade de novas formas de organização do turismo. Tem como principais funções a sensibilização, a organização e a articulação das comunidades na elaboração de novas práticas de turismo, na formação da população local e na captação de recursos para projetos realizados na comunidade.
18 Informações retiradas do site <terramar.org.br>. Acesso em: 26 mai 2016. 19 Informações retiradas do site <adelco.org.br>. Acesso em 26 mai 2016.
Quadro 14 - Papel das assessorias na Rede Tucum
ORGANIZAÇÃO RESPOSTAS
ADELCO
“Hoje a ADELCO trabalha mais no fortalecimento das comunidades do que da própria rede então a gente trabalha muito nas comunidades indígenas fortalecendo essa vertente do turismo.”
ASSOCIAÇÃO CAIÇARA
“Mais assessoria, tipo na formação de condutor de trilhas, parte de gestão, orientando quando tem pessoas novas no grupo que precisam de formação e também quando eles identificam uma necessidade no que a gente é possível ajudar, se a gente não pode fazer, busca parceiros. A gente tem ajudado dessa forma”.
TERRAMAR
“A gente tem uns acordos, então, como nós somos parceiro da comunidade a gente visita a comunidade para uma pauta mais ampla e foca também no GT de turismo, acompanha um pouco. Nós fizemos alguns aportes de recurso para a estruturação de Tatajuba e Caetanos de Cima, fizemos um edital que favoreceu nove comunidades. Fizemos uma oficina de elaboração de projetos, construímos um edital e nove comunidades acessaram, executaram o recurso direitinho (...) isso foi para que eles exercitassem um pouco a possibilidade deles desenvolverem projetos e de captação também.”
Fonte: Elaboração própria
O objetivo dessas assessorias é criar um ambiente no qual as comunidades possam ser autônomas no processo de desenvolvimento local e na organização comunitária, no entanto esse parece ser um objetivo a longo prazo. Muitas comunidades dependem, ainda, de um forte acompanhamento para que os GTL funcionem ou para que eles possam se fortalecer.
Algumas comunidades elas já conseguem se sobressair, caminhar sozinhas, outras não, ainda tem uma certa dependência, elas precisam de uma assessoria, elas precisam de uma entidade, precisam ter um projeto concreto para poder se manter (…) algumas ainda tem essa dependência. Infelizmente, a gente é uma rede que ainda não consegue caminhar com as próprias pernas (Assessora da Associação Caiçara).
A autonomia das comunidades na visão das assessorias é essencial para que a Rede possa continuar com o trabalho independente das assessorias. Os GTLs tem que estar organizados, construindo o processo do turismo comunitário dentro das comunidades para, a partir daí, propagar para o restante da Rede.
A autonomia é uma questão forte para nós, porque se não tiver autonomia localmente o turismo comunitário não vai funcionar, como não vão funcionar outras coisas. Acho que é muito importante o debate da autonomia, da liberdade criativa dos grupos, agora tem alguns acordos que eles estão criados que não é nem para limitar a criatividade das
comunidades e a autonomia, mas é para tentar fazer que a gente não fuja muito daquilo que é o propósito da rede (Assessora do Terramar).
Essa dependência de algumas comunidades quanto ao acompanhamento da assessoria se constitui em um entrave, tanto porque limita a autonomia das mesmas, quanto porque as assessorias sofrem com algumas dificuldades como a falta de recurso financeiro e pessoal para dar uma assistência mais próxima, principalmente, devido à extensão da rede. A ausência de um acompanhamento mais incisivo, no que se refere a Rede, acaba prejudicando as comunidades mais dependentes, o que impossiblita a organização comunitária e o fortalecimento das mesmas.
Além da falta de recursos e de pessoal, outro problema encontrado pelas assessorias, que prejudica os GTLs, é a falta de continuidade dos moradores nos grupos. Algumas pessoas que participaram das primeiras formações no início da Rede, já não fazem mais parte. Alguns GTLs se esvaziaram e, em outros, entraram membros novatos que necessitam de novas formações. Uma das estratégias pensadas para superar esse entrave foi a criação da Escola Popular de Turismo Comunitário. Percebeu-se que os GTLs eram formados, principalmente, por adultos, sem muita participação dos jovens e que esses, muitas vezes, por questões pessoais (trabalho, família e estudo), precisavam sair do Grupo de Turismo. A Escola foi pensada, justamente, para agregar a juventude nas discussões sobre território, trabalho e turismo comunitário, além de estimular a participação deles nos grupos, buscando, assim, sempre mobilizar mais pessoas a participar, dando vida aos GTLs.
4.4 SEGUNDO NÍVEL DE COLABORAÇÃO - RELAÇÃO COM O PODER