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Data de Nascimento: 06/06/1989 – Idade: 22 anos – Sexo: Masculino. S1 é filho adotivo, e a entrevista de Anamnese foi respondida por sua mãe adotiva, que é enfermeira e trabalha num posto de saúde; seu pai é professor de Educação Física, numa escola pública estadual, do segundo segmento do Ensino Fundamental.

Segundo a mãe, a etiologia da deficiência é desconhecida e, por isso, muitas informações sobre gestação e antecedentes familiares foram perdidas. Sabe-se que sua mãe biológica era usuária de drogas. O parto aconteceu em hospital, mas no quarto; foi normal, mas prematuro; houve falta de oxigenação e a criança necessitou de incubadora; pesou 1,8 quilos e mediu 47 centímetros; teve “leve” icterícia, e fez fototerapia. Segundo a mãe, sentou sozinho aos oito ou nove meses, engatinhou com cerca de um ano e andou com 2 anos; os pais perceberam atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM). Quanto ao controle esfincteriano vesical diurno e noturno, a mãe disse que “às vezes ainda escapa”, e o controle anal aconteceu aos 3 ou 4 anos. O aluno, que atualmente é obeso, tem dificuldades de equilíbrio, o que ocasiona quedas frequentes, já tendo fraturado o punho duas vezes. Quanto ao desenvolvimento da linguagem oral, a mãe não lembra se balbuciou, mas afirma que ele falou as primeiras palavras “por volta de 2 anos” e que o desenvolvimento da fala foi lento; disse que atualmente ele fala rápido e, às vezes, de forma incompreensível; que troca as palavras, como “terça-feira por sexta-feira”, mas que compreende os conceitos, que não tem dificuldades para encontrar as palavras certas para se expressar e que tem habilidades para contar fatos, dar explicações e argumentar. Os pais estimulam sua linguagem oral com conversas (e, assim, “estimulam seu raciocínio”); às vezes pedem para repetir o que está falando e lhe dizem: “Para. Pensa”.

Com relação ao processo de escolarização, a mãe relata que, com cerca de sete meses, o filho foi para a APAE, onde permaneceu até 18 de dezembro de 1998, quando recebeu documento de transferência para uma escola comum, para matricular-se em CE. Permaneceu na CE até 2006, quando começou a frequentar a 3ª série na mesma escola, recebendo AEE em SRM, concluindo o primeiro segmento do Ensino Fundamental com 18 anos. Em 2008, passou a frequentar a 5ª série em escola estadual e, em 2011, frequentava a 8ª série, sempre recebendo AEE em SRM.

A mãe relata que foi alfabetizado com cerca de 16 anos, quando já estava na transição da 4ª para 5ª séries (não sabe qual foi o método de alfabetização utilizado). Foram identificadas dificuldades de aprendizagem em seu processo de escolarização, apontadas tanto

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por seus professores como pelos pais, que o encaminharam para reforço escolar particular. Às vezes, é capaz de transmitir recados, como em viagens, por exemplo; tem facilidade para reproduzir fatos e acontecimentos; é capaz de ir a supermercados e panificadoras e realizar pequenas compras, embora necessite de reforço de memória para tal (mostrando-lhe o produto a comprar, pois tem boa memória visual, segundo sua mãe). Sabe o endereço de sua casa, mas, às vezes, se confunde.

A mãe afirma que ele lê e escreve somente palavras simples61, que apresenta muitos erros de ortografia, que não consegue perceber os erros e corrigi-los e que só sabe usar pontuação em cópias. Em casa, S1 tem materiais para estimulá-lo a ler e a escrever, como revistas, jornais, lápis de cor, papel, canetas etc.. Gosta de folhear livros, embora não leia. Desde pequeno, os pais mantiveram conta em banca de revistas para que escolhesse revistas e gibis.

Quando não está na escola, S1 está sempre utilizando o computador, “sabe fazer tudo” na internet, gosta de ver a previsão do tempo, de pesquisar em sítios de busca, de digitar (escreve os nomes de cantores até aprender), de ver trailers de filmes, de assistir a filmes no computador e de fazer downloads. Ressalta-se, no entanto, que, apesar de S1 gostar do computador e de usá-lo com facilidade, nas observações realizadas na SRM que frequenta, constatou-se que essa ferramenta parece não ser explorada adequadamente, sendo utilizada apenas para “ocupar” os alunos, para passar o tempo, já que, ao final de atividades, como realizar as tarefas da sala de aula comum, eles utilizam o computador, mas não recebem orientações ou mediação da professora enquanto o utilizam. S1 relaciona-se bem com os professores e os colegas, ouve música e gosta de dançar; faz atividade física regularmente por meio de natação, hidroginástica e caminhada até o clube que a família frequenta. Não sabe amarrar, desamarrar, abotoar, dar laços em calçados, mas sabe recortar figuras. Tem noções de tempo e espaço.

Frente às dificuldades do filho, os pais procuram incentivá-lo a estudar e a participar de atividades em geral e responsabilizá-lo por tarefas, e ele reage bem a tais estímulos. As expectativas da família em relação ao futuro de S1 são de que ele “consiga ter autonomia, ser crítico para não ser ‘passado para trás’, pois é bem meigo”. Levando-se em conta que o aluno, durante toda sua vida escolar, desde bebê, passou pelos três principais programas de Educação Especial, Escola Especial (escola da APAE), Classe Especial e Sala de Recursos, a mãe avalia a frequência a esses programas como uma contribuição para a aprendizagem e para o

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desenvolvimento do filho. Ao ser questionada sobre a forma como essas contribuições se efetivaram, ela disse: “A APAE, quanto à estimulação para o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM); a Classe Especial, por ser um trabalho mais individual e contribuir para o desenvolvimento cognitivo, e a alfabetização e a ‘Sala de Recursos, hoje, ajuda’”. Ao ser indagada sobre a trajetória escolar do filho, quando ele estudava nas séries iniciais do Ensino Fundamental, a mãe afirmou: “Teve várias reprovações nas primeiras séries. Isso é frustrante. Mas as reprovações foram frustrantes porque os colegas estavam indo e ele ficava para trás. Indagada sobre como lidava com as dificuldades do filho, a mãe respondeu: “Lidando. Ora, se dá uma chacoalhada, ora se briga; é um aprendizado para nós também; a gente está aprendendo”.

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