O método proposto foi utilizado para determinar o Se em amostras de ovos e os resultados para as quatro amostras, separados em três categorias (clara, gema e inteiro), são apresentadas na Tabela 17. As concentrações mínimas e máximas foram de 0,35 ± 0,01 e 0,88 ± 0,03 mg g-1, para clara do
ovo de codorna e gema de ovo vermelho, respectivamente. Na maioria das amostras se observou que as concentrações mais elevadas de selênio são na gema.
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Tabela 17: Concentração de Se nas amostras de ovos por HG AFS e ICP-MS. Amostras HG AFS ([µg g-1] ± IC* ) RSD (%) ICP-MS ([µg g-1] ± IC ) RSD (%) Ovo branco Clara 0,42 ± 0,04 4,3 0,43 ± 0,07 3,8 Gema 0,72 ± 0,03 1,5 0,70 ± 0,09 4,2 Inteiro 0,48 ± 0,01 1,1 0,49 ± 0,08 3,2 Ovo vermelho Clara 0,47 ± 0,04 3,9 0,45 ± 0,09 4,3 Gema 0,88 ± 0,03 1,1 0,87 ± 0,07 2,1 Inteiro 0,73 ± 0,08 4,7 0,74 ± 0,02 1,3 Ovo de Pata Clara 0,43 ± 0,07 3,9 0,40 ± 0,07 1,0 Gema 0,64 ± 0,01 0,9 0,66 ± 0,09 4,5 Inteiro 0,57 ± 0,05 3,7 0,55 ± 0,08 3,7 Ovo de codorna Clara 0,35 ± 0,01 1,6 0,34 ± 0,06 2,4 Gema 0,84 ± 0,01 0,3 0,82 ± 0,09 5,0 Inteiro 0,67 ± 0,04 2,2 0,65 ± 0,03 3,8 * Intervalo de confiança (n=3)
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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O método de digestão em bloco, com a utilização do sistema de refluxo “dedo-frio” apresentou-se eficiente, prevenindo contaminação externa e impedindo a perda de espécies voláteis de selênio durante o processo de digestão, o que pôde ser evidenciado com a validação do método.
A otimização multivariada demonstrou ser um instrumento adequado para a otimização do processo de pré-redução e geração de hidretos de selênio para determinação em ovos.
A alta sensibilidade, faixa linear, velocidade analítica, facilidade de manuseio do equipamento e custo relativamente baixo, demonstrou a viabilidade da determinação de selênio total em amostras de ovos pela espectrometria de fluorescência atômica com geração de hidretos (HG-AFS).
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CAPITULO III
____________________________________________________________________________Determinação de arsênio
total em amostras de
atum e sardinha
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INTRODUÇÃO
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Os organismos marinhos tendem a acumular mais arsênio do que aqueles que vivem em ambientes de água doce ou terrestres, pois absorvem arsenato da água do mar, devido sua similaridade estrutural ao fosfato essencial [ 157 ]. No ambiente marinho, as principais formas de arsênio inorgânico encontradas são arsênito (As3+) e arsenato (As5+). Dentre as formas
orgânicas presentes estão a arsenobetaína, arsenocolina, ácido monometilarsônico (MMA), ácido dimetilarsênico, dimetil-arsinl-ribosídeo, dentre outras[158].
Os organismos marinhos apresentam grandes quantidades deste elemento na forma orgânica, sendo a arsenobetaina a mais abundante em peixes, carangueijos, lagosta e camarões [159]. Li e colaboradores verificaram as concentrações de As total e de outras formas químicas desse elemento em peixes da China e observaram que a arsenobetaína representou a maior fração do As total extraído. Estudos mostram que esta forma orgânica do arsênio é relativamente estável, não apresentando toxicidade aos seres humanos, sendo excretado através da urina [160].
Desconsiderando o eventual consumo de água contaminada com arsênio, a principal forma de ingestão desse elemento pelos seres humanos é pelo consumo de produtos de origem marinha, principalmente peixes, que compõem cerca de 90 % de todo o arsênio consumido [161, 162]. De acordo com WHO, 2000, a ingestão de arsênio pela população japonesa é maior do que na Europa e nos Estudos Unidos, por exemplo, devido ao fato da dieta oriental ser rica em alimentos de origem marinha.
Olmedo e colaboradores determinaram arsênio em diversos alimentos de origem marinha, como: peixes frescos, enlatados e congelados, e em mariscos. As amostras foram mineralizadas em forno de micro-ondas e quantificadas por GF AAS, sendo que a maior concentração de arsênio foi encontrado em camarões frescos e congelado. Eles concluíram que o consumo de peixe e crustáceos é seguro, mas que se esse consumo for excessivo, pode
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acarretar contaminação. Foram encontradas concentrações de 0,561 µg g-1 de
arsênio na sardinha [163].
Alguns organoarsênicos (como a arsenobetaina) mostram uma extraordinária estabilidade química, pois nesses compostos o arsênio está ligado ao carbono, o que impede a formação de hidretos voláteis. Para converter todo o arsênio dessas espécies em arsênio livre para a formação de hidretos voláteis é necessário se fazer a quebra da ligação C-As, e para isso a eficiência do preparo de amostra é de grande importância para a determinação precisa de arsênio nas amostras [160,162].
Em função dos argumentos apresentados, este trabalho buscou estabelecer condições adequadas para determinação de arsênio total em amostras de atum e sardinha enlatados por HG AFS. Os estudos envolveram sistemas por geração de hidreto após preparo das amostras empregando decomposição em bloco digestor e em forno de micro-ondas.
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EXPERIMENTAL
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1. Instrumentação
As digestões das amostras usando sistemas condutivos abertos foram efetuadas empregando-se bloco digestor (TECNAL, São Paulo, Brasil), modelo TE-040/25 com controlador de temperatura analógico e capacidade para 40 tubos micro em borossilicato com dimensões de 25 x 250 mm.
Os procedimentos de digestão em fornos de micro-ondas foram conduzidos em um forno com cavidade modelo Ethos EZ (Milestone, Sorisole, Itália), que possui rotor para 10 frascos de 100 mL confeccionados em TFM®
(PTFE modificado) e opera sob altas temperaturas e pressões. Esse sistema permite o acoplamento de sensores de temperatura e pressão que possibilitam o acompanhamento do sistema de digestão e promovem maior segurança operacional.
As soluções obtidas após digestão, para todos os procedimentos de preparo de amostra utilizados, foram transferidas para frascos de polietileno de 50,0 ou 15,0 mL.
Para a determinação do analito foi empregado Espectrômetro de fluorescência atômica com geração de hidretos (HG AFS) Aurora modelo AI 3300 (Vancouver, British Columbia, Canadá) com Software (AI 3300 control). Uma lâmpada de catodo oco foi usada como fonte de radiação. Os parâmetros operacionais do espectrômetro de fluorescência atômica para a determinação de arsênio total são apresentados na Tabela 12.
2. Reagentes e soluções
As soluções padrão de arsênio III (1000 mg mL -1) foram obtidas por
diluição de quantidades apropriadas de Na3AsO3 (Sigma - St. Loius, MO, EUA)
em ácido nítrico a 0,05 % (m v-1). Soluções de trabalho (0,5 a 10,0 µg L-1 de As
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solução de ácido clorídrico (6,0 mol L-1) foi preparada a partir de HCl
concentrado (37%, (v v-1), Merck).
O agente redutor utilizado foi uma solução de borohidreto de sódio 2 % (m v-1), que foi estabilizado com 0,5 % (m v-1) de hidróxido de sódio, que foi
preparada diariamente utilizando-se reagentes de grau analítico da Merck. O pré-redutor utilizado foi o iodeto de potássio, uma solução a 10 % (m v-1) em ácido ascórbico 2% (m v-1) preparada por diluição do reagente da Merck
com água ultra-pura.
Todas as soluções foram preparadas com reagentes de grau analítico e água ultrapura, com resistividade específica de 18,2 MΩ cm-1, de um sistema
de purificação Milli-Q® (Millipore, Bedford, MA, USA). Foram utilizados os
seguintes reagentes: ácido nítrico 65% (m m-1) (Merck, Alemanha), ácido
sulfúrico 98% (Merck, Alemanha) e peróxido de hidrogênio 30% v v-1 (Merck,
Alemanha).
A descontaminação de vidrarias, frascos plásticos e materiais em geral, foi realizada em banho ácido contendo HNO3 10% v v-1, por no mínimo 12 h.
Posteriormente, os materiais foram lavados abundantemente com água deionizada. Quando necessário, os frascos de TFM®, utilizados no forno de
micro-ondas com cavidade, eram submetidos à descontaminação em estufa a 180 º C por 3 h.